teste

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

System-GMM = same shit

Another seminar, another kid presenting results from system-GMM.


And again eluding the "what is your ID strategy?" question with the same absurd reply: "But I am using system-GMM".




I say: my dear, fuck u please.


the kid puts on a puzzled face.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

JosephS S.

what are their common traits?

Both seek power at all costs; both will go after you in case you disagree; both are scheming and deceitful.

In what do they differ?

The one long ago dead had an excessive amount of hair. The other has none.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Jurassic Park

Não pretendia comentar a proposta de privatização da Casa da Moeda, por me parecer um tópico de pouca importância (e é!), mas tive a triste oportunidade de ver nas redes sociais toda espécie de bobagens, inclusive de “economistas” heterodoxos-novo-desenvolvimentistas-keynesianos-sei-lá-o-que-mais e não resisti.

Para colocar nos termos mais simples possíveis, a Casa da Moeda é apenas uma gráfica qualificada. Quem determina gestão da moeda nacional é o Banco Central, cliente da Casa da Moeda, assim como de outras gráficas (importou no começo do ano 100 milhões de cédulas de R$ 2,00 da Crane AB da Suécia pagando cerca de R$ 20 milhões por elas). Não faz a menor diferença quem controla a gráfica; o relevante é tirar do governo de plantão mais alguns cargos públicos que costumam ser utilizados para fins inconfessáveis.

Esclarecido o ponto, vamos ao que interessa. Samuel Pessôa, amigo e colega de espaço, deu uma ótima entrevista ao Valor Econômico, cuja leitura recomendo. Embora concorde com toda sua análise econômica, há um ângulo mais político que o Samuel menciona e sobre o qual sou mais cético.

Ele atribui, com razão, a atual calma ao teto constitucional de gastos. Em suas palavras, “se mexer no teto o câmbio vai a R$ 5 (...) O mercado não está calminho à toa. Não é pelos belos olhos do Michel Temer. A âncora é o teto”.

Mais adiante nota que, se o teto for rompido “vai gerar tanto problema que você vai constituir uma base de apoio para aprovar a reforma da Previdência e fazer tudo que precisa fazer para gerir o conflito distributivo de modo civilizado”. E é aqui que tomo um rumo distinto do Samuel e do mercado em geral.

Sigo com dificuldades para conectar os pontos “teto rompido” e “fazer tudo o que precisa”, talvez a mesma dificuldade que os personagens de Jurassic Park tenham enfrentado quando o matemático critica a abordagem adotada pelo programa de criar apenas fêmeas para evitar a reprodução dos dinossauros. Ele apenas afirma “a vida há de encontrar um caminho”, o que, de fato, ocorre no filme (ou seja, o Samuel pode estar certo), sem, contudo, explicitar os passos que ligariam um evento a outro.

É verdade que até o governo Temer, com todas suas limitações, pode ter chegado perto da aprovação da reforma previdenciária (jamais saberemos, graças ao inefável Joesley), mas tivemos também a oportunidade de ver como a sociedade se opõe ao ímpeto reformista.

Abusando do meu chapéu de cientista político amador, me parece necessário que a proposta de reformas seja colocada explicitamente à população nas eleições do ano que vem, mesmo porque acabamos de ver as reações a uma administração que se reelegeu dizendo que tudo estava bem para, logo em seguida, ter que admitir problemas graves e recrutar um ministro da Fazenda dentre aqueles a quem demonizou durante a campanha. Mentir para reformar não vai funcionar... (E, deixo claro, o Samuel não está sugerindo isto).

Aí pergunto: qual é a chance de vitória de uma plataforma reformista em 2018?


Torço para que seja alta, mas torcida é uma coisa e realidade outra. O tempo corre contra e temo que em breve passemos do ponto em que ainda haverá o que fazer. Se esperarmos o teto estourar para começarmos a nos mexer, tenho convicção que terá sido tarde demais.




(Publicado 30/Ago/2017)

domingo, 3 de setembro de 2017

"Stupidity Prize of the Week"

Which is not necessarily weekly.

Anyways, we are proud to announce this week's winnerS.

(Ties happen, as shit happens).

Perfetto: for running a nice regression of GDP on its components and getting an R2 of  0.999.

Goldsmith piggy : which is also running for the "Delusional Prize of the Week". Mister JO states in his facebook account that the recent neoclassical economists' rant against guilds (CORECON, COFECON) is due to sheer envy, as this comes after he was awarded the best book prize of the year by one of the former (forgot which). The funny bit is this: CO_* awarded an academic prize to a fella who does not understand the difference between a printing house and the monetary authority.

Human stupidity is unbounded.

sábado, 2 de setembro de 2017

Doutrinador

Sou o doutrinador.
Sou mais belo que Alexandre (tenho cabelo).
Estudei grego.
Gosto de matemática.
Não gosto de heterodoxo.
Uma vez me perguntaram: "quem foi a pessoa que mais danos causou ao Brasil, desde 1503?"  Eu respondi: Luciano Coutinho.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Na janelinha

Na semana passada foram divulgados vários indicadores de atividade econômica, culminando com o índice do Banco Central (IBC-Br), que busca antecipar o comportamento do PIB e que, pela primeira vez desde o final de 2013, mostrou dois trimestres consecutivos de crescimento, 1,2% e 0,3%, sempre na comparação com o trimestre imediatamente anterior, ajustados à sazonalidade.

Trata-se de desempenho positivo, nem tanto pelo IBC-Br em si, que nem sempre consegue capturar os movimentos do PIB, mas pelo conjunto da obra. No período observamos expansão da produção industrial (+0,9%), do varejo (+1,7%) e do volume de serviços (+0,3%), números que sugerem recuperação difundida da atividade, não mais limitada à agropecuária, como havia ocorrido no primeiro trimestre.

Mais próximo do dia-a-dia das pessoas, há ainda sinais de melhora no mercado de trabalho. Dados do IBGE indicam que, também corrigida a sazonalidade, o emprego total aumentou no segundo trimestre, muito embora o crescimento tenha se dado principalmente entre os trabalhadores informais. Assim, detectamos pequena queda do desemprego (dessazonalizado), de 12,9% para 12,7%, a primeira desde o último trimestre de 2013.

Para ser sincero, não dá para garantir que o crescimento do PIB já se mostre positivo no segundo trimestre, mas a evidência aponta para uma economia que finalmente saiu do fundo do poço. Ao contrário do ocorrido no primeiro trimestre, quando o crescimento veio do setor externo e da acumulação de estoques, componentes que tipicamente não sustentam a economia por muito tempo, o consumo deve ter sido o principal motor da expansão, sugerindo continuidade da retomada.

Em particular, como tenho insistido já há algum tempo, a redução persistente da taxa real de juros (de 7% há um ano para menos de 4% agora), resultado da queda da inflação, é a causa mais provável da recuperação. Notando ainda que seus efeitos costumam aparecer com defasagem ao redor de seis meses, é bastante razoável concluir que ainda há impulso a se materializar na segunda metade do ano, ou seja, devemos testemunhar um desempenho um pouco melhor à frente, longe de espetacular, mas sólido o bastante para nos levar a terreno positivo ainda em 2017 e mais vigoroso em 2018.

Não se segue, contudo, que nossos problemas estejam superados. Muito embora haja condições para uma retomada moderada nos próximos 18 a 24 meses, o comportamento das contas públicas permanece como fonte constante de ansiedade e mais ainda após a revisão das metas fiscais para o período 2017-20.

Mesmo com taxas reais de juros mais baixas, a se confirmarem os números ali previstos, o governo a ser eleito em 2018 herdará uma dívida superior a 80% do PIB e a necessidade de transformar o déficit primário de 2,3% do PIB (R$ 159 bilhões) em superávit de 1% a 1,5% do PIB (de R$ 70 a R$ 100 bilhões).

A eleição do ano que vem pode ser, portanto, a mais importante pós-redemocratização do país: decidiremos se vale a pena seguir o difícil caminho do ajuste, ou se optaremos pela manutenção do status quo, que nos trouxe à pior crise da nossa história.


A depender de nossos políticos, que continuam lutando pelos lugares na janelinha enquanto o ônibus marcha para o abismo, temo que o status quo largue com ampla vantagem.



(Publicado 23/Ago/2017)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Podcast para o NOVO

https://soundcloud.com/novo30/novocast-2-alexandre-schwartsman

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Os fins e seus meios

Há no país uma crença estabelecida: se queremos atingir determinado objetivo simplesmente passamos uma lei afirmando isto e damos o assunto por resolvido; pouca atenção é dedicada à construção dos meios para chegar onde queremos. Este padrão também se aplica à principal medida aprovada até agora no âmbito fiscal, a criação do teto para as despesas federais.

Considero o teto um passo importante para recuperarmos o equilíbrio fiscal, em particular porque institui como princípio o controle das despesas, que cresceram de forma praticamente ininterrupta por 20 anos, de R$ 454 bilhões em 1997 para R$ 1,3 trilhão nos 12 meses terminados em junho, valores expressos a preços de junho de 2017. No entanto, como tive a oportunidade de apontar mais de uma vez, trata-se de um ponto de partida, não a jornada completa.

De fato, a emenda aprovada no ano passado estabelece medidas de controle de gastos em caso de violação do limite (os incisos de I a VII ao artigo 109 da Constituição), mas não dá nenhum instrumento para evitar que isto aconteça. Ao contrário, deixadas à própria sorte, as despesas obrigatórias – notadamente as ligadas à previdência, mas uma série de outros gastos também – seguirão crescendo sem controle.

No primeiro semestre deste ano, por exemplo, as despesas obrigatórias aumentaram pouco mais de 5% na comparação com o mesmo período do ano passado, já descontada a inflação, ou seja, R$ 24 bilhões. Já as despesas ditas “discricionárias” caíram R$ 23,1 bilhões, em particular o investimento, que registrou R$ 11 bilhões de retração no mesmo período.

Há, portanto, um paradoxo: faltam gastos em setores vitais para a operação do estado, mas, em outros flancos, as despesas ainda crescem a ritmo quase chinês. Desta forma, não apenas o governo deixa de controlar o conjunto do dispêndio federal, mas também a rigidez do gasto público aumenta (com maior peso para as despesas obrigatórias), enquanto a qualidade do gasto federal despenca.

Posto de outra forma, conseguimos o pior dos mundos: seguimos gastando mais do que o suficiente para fazer nossa dívida crescer de maneira acelerada, mas não para termos serviços públicos com um mínimo de qualidade. O resultado deste arranjo é o aumento da meta de déficit para 2017 e 2018 em meio a notícias como corte no orçamento das forças armadas, assim como na Polícia Federal, entre outros.

Deve estar claro que esse arranjo não é sustentável. Sem controle da despesa obrigatória não interessa que o teto de gasto esteja inscrito no código penal, na constituição, ou mesmo nos 10 Mandamentos: não há diploma legal que se sobreponha a um fato inexorável. Se a lei estiver no caminho, será devidamente alterada, podem contar com isto.

Obviamente não estou recomendando que o teto constitucional seja revogado, apenas notando que, pelo que sabemos das instituições brasileiras, contar com mandamentos legais sem trabalhar para que funcionem é cortejar o fracasso. A Lei de Responsabilidade Fiscal, que, reconheço, é uma lei complementar, não um preceito constitucional, não foi capaz de evitar a imensa deterioração das contas públicas.


A moral é simples: não resolveremos o problema só passando leis que expressam nossos objetivos; vamos ter que ralar muito para por este país em ordem.



(Publicado 16/Ago/2017) 

Participação no É Notícia

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Um homem de riquezas e bom gosto

Superada, ao menos por ora, a discussão sobre a autorização para que o STF processasse o presidente, o governo anunciou intenções de retomar a agenda de reformas, principalmente a previdenciária. Há, contudo, distância considerável entre intenção e gesto, e as consequências desta distância não são nada agradáveis.

Se havia dificuldade em aprovar meses atrás a reforma na versão proposta pelo relator da comissão especial – ou seja, já bastante aguada com relação à original – a tarefa soa ainda mais complicada agora. Em primeiro lugar porque a votação a favor do presidente, 263 votos na Câmara, sugere uma base parlamentar insuficiente para aprovar tal mudança constitucional (308 votos), mesmo considerando que alguns deputados que se opuseram ao presidente tenham declarado apoio à proposta.

Afora isto, o foco do Congresso não está na reforma previdenciária, mas na definição das regras que guiarão a eleição de 2018, cuja aprovação precisa ocorrer um ano antes do evento, ou seja, em escassos dois meses. Enquanto a usina de péssimas ideias (o “distritão”, para citar apenas uma) funciona a pleno vapor, com o objetivo quase explícito de manter tudo como está, a atenção dos nobres parlamentares não pode se dedicar a assuntos secundários, como tentar colocar as contas públicas numa trajetória com alguma chance de sustentabilidade num horizonte minimamente razoável.

Como escrevi há pouco, o tempo não corre a nosso favor, muito pelo contrário. Sem a reforma da previdência o país enfrentará um dilema sério em horizonte não muito distante: ou mantém o teto constitucional para as despesas (e, com ele, uma chance de controlar o endividamento crescente), mas observa o eventual desaparecimento da já minúscula folga fiscal; ou descarta o teto, submetendo-se, porém, a uma trajetória explosiva da dívida, que termina do jeito que conhecemos por décadas, isto é, inflação e instabilidade.

A esta altura está para mim mais do que claro que o mundo político não entendeu a gravidade do problema, reflexo provavelmente da mesma falta de compreensão por parte da sociedade, em particular de suas elites. A reivindicação salarial do ministério público, 16,7%, por exemplo, em meio à maior crise fiscal do país não é só sintoma de descolamento da realidade; trata-se de tapa na cara da população que, ao contrário dos procuradores, recebe baixos salários, corre risco de desemprego e não tem direito à aposentadoria integral bancada pelo Tesouro Nacional.

Enquanto cada corporação busca se proteger, seja elevando seus salários, seja na manutenção de privilégios, como acesso a crédito subsidiado, proteção contra a concorrência, ou rendas de toda espécie, as finanças públicas pioram a cada dia, a ponto de ser cogitada a revisão da atual meta fiscal, de forma a permitir déficits ainda mais elevados.

E o problema não se limita a isto. À parte iniciativas louváveis, como a luta para eliminar gradualmente o subsídio do BNDES, mesmo em face de considerável oposição pelos defensores do status quo, mantemos o capitalismo de compadrio, que mina nossa capacidade de crescimento de longo prazo.


A verdade é que o atual pacto social se esgotou e descobrimos que, assim como em outros pactos, o que nos espera não é o paraíso, mas exatamente o seu oposto.



(Publicado 9/Ago/2017)