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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Triconomics 20/Nov/2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Vida em Tlön

Às vezes, na verdade quase sempre – o “quase” apenas para acomodar alguma exceção desconhecida – tenho a impressão que nossos “keynesianos de quermesse” habitam uma dimensão à parte (a Dimensão Z), onde os fatos se acomodam às crenças, permitindo que o voluntarismo mais primitivo se estabeleça como ideologia hegemônica.

Veja-se, por exemplo, o manifesto publicado por luminares da quermesse nacional, defendendo a manutenção da atual política econômica. Não bastasse reivindicar para si o monopólio do desenvolvimento com inclusão social – como se todos os demais economistas favorecessem a decadência econômica com piora da distribuição de renda –, os signatários do documento levam às raias do extremismo a distância entre o mundo como ele é e a realidade como reflexão distorcida de uma mentalidade peculiar.

A declaração é um repúdio às políticas de austeridade, não apenas no que se refere à política monetária, mas principalmente no que diz respeito à política fiscal. O mau desempenho econômico dos países desenvolvidos é apontado como resultado da redução da despesa pública, enquanto se sugere que a elevação dos gastos governamentais no Brasil nos faria retomar o crescimento.

Trata-se de impressionante incapacidade de distinguir os problemas brasileiros daqueles enfrentados por alguns países desenvolvidos, notadamente na periferia europeia.

Lá o desemprego é alto e a inflação se encontra muito abaixo da meta. Na Espanha, por exemplo, o primeiro segue acima de 20% e a segunda (medida ao longo de 12 meses) tem ficado em terreno negativo, situação semelhante à enfrentada por Portugal e Itália, onde o desemprego, embora menor, permanece na casa de dois dígitos, enquanto a inflação se mantém abaixo de zero. Na verdade, como sabe qualquer um que tenha se dignado a olhar os números, o maior risco hoje enfrentado na Zona do Euro é a ameaça de deflação.

Deveria ser óbvio, mas, como aparentemente não se trata do caso, noto que o problema no Brasil é diametralmente oposto. A inflação se encontra não apenas (bem) acima da meta, 4,5%, é bom lembrar, como nos últimos meses tem atingido além do limite máximo de tolerância. É formidável que, mesmo à luz disto, os luminares insistam na afirmação furada que “a inflação (...) manteve-se dentro (sic) da meta no governo Dilma Rousseff”.

Não bastasse isto nosso desequilíbrio externo se encontra na casa de US$ 85 bilhões (3,5% do PIB) nos 12 meses terminados em setembro, indicando que a demanda interna supera nossa produção, em contraste com superávits nas contas externas observados na periferia europeia.

É, portanto, notável, embora nada surpreendente, que a conclusão da quermesse seja sempre a mesma (“vamos aumentar o gasto público!”) independentemente da natureza do problema.

Diga-se, aliás, que esta postura diminui em muito a credibilidade da promessa de “iniciativas contracionistas (...) para quando a economia voltar a crescer”, mas, justiça seja feita, estas vozes também se calaram quando o país crescia forte e o governo seguia com o pé no acelerador fiscal. Sua coerência em sempre pedir mais despesa é legendária.

A verdade é que esta visão, embora se coloque como “alternativa”, predominou nos últimos quatro anos. O arranjo de política econômica, caracterizado por gastos crescentes, redução “na marra” das taxas de juros, intervenção no mercado de câmbio e ativismo injustificável no domínio econômico, foi, sem tirar nem por, exatamente aquilo por que clamaram anos a fio os autodenominados “desenvolvimentistas”.


Os resultados estão aí: crescimento pífio, inflação acima da meta (não “dentro” dela), desequilíbrios externos, estagnação da produtividade e, agora sabemos, também retrocesso no campo das conquistas sociais. Engana-se, porém, quem acreditar que o fracasso retumbante poderia lhes ensinar alguma coisa; o manifesto da semana passada é prova disto.



(Publicado 12/Nov/2014)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Triconomics 18/Nov/2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Triconomics 13/Nov/2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Eu, robô?

Além de histórias em quadrinhos e mitologia grega, sou fã confesso de ficção científica e, claro, li muitos dos livros de Isaac Asimov, dentre eles “Eu, Robô”. Uma das histórias do livro relata um episódio em que um robô (QT1) desenvolve um culto, ocasionando um conflito com os humanos, até que estes percebem que as crenças do robô, ainda que erradas, o permitiam cumprir sua tarefa melhor do que qualquer programação poderia conseguir.

Esta é minha percepção de boa parte do governo Lula (do qual participei de 2003 a 2006). Quaisquer que fossem as crenças do mandatário, a verdade é que, por muito tempo, foi um governo que fez as coisas certas no plano econômico. O BC desfrutou de enorme autonomia operacional, as contas fiscais foram aprimoradas e reformas importantes adotadas, em particular no mercado de crédito.

Mesmo na política social a administração Lula rendeu-se ao “neoliberalismo” do Bolsa-Família depois do fracasso do “Fome Zero”, sofrendo, aliás, duras críticas por parte de economistas historicamente ligados ao PT.

Obviamente muita coisa descambou desde então, inicialmente de forma algo envergonhada, culminando com a “nova matriz macroeconômica”, a verdadeira implantação das ideias econômicas do partido, que redundou em crescimento medíocre (na casa de 1,6% ao ano), inflação acima da meta (próxima a 6,5%), elevados desequilíbrios externos e uma forte redução no ritmo de crescimento da produtividade.

Agora, passada a eleição, a questão é saber se voltaremos à situação do conto, em que, apesar das crenças equivocadas, uma política econômica apropriada voltará a vigorar, ou se experimentaremos mais do mesmo.

Posto de outra forma, queremos saber se teremos um estelionato eleitoral, para escândalo de André Singer, que recentemente descobriu, ó horror, que políticos mentem durante a campanha, ou se a aposta será dobrada, produzindo, conforme argumentei semana passada, os mesmos resultados medíocres observados nos últimos quatro anos, senão coisa ainda pior.

Muito embora a decisão inesperada do BC de elevar a taxa de juros – contrária, a propósito, de sua sinalização nos últimos meses – possa sugerir estelionato eleitoral (perdão, correção de rumos), há dimensões em que a mudança é muito mais custosa, sugerindo tratar-se de caminho muito pouco provável.

De fato, nos primeiros 9 meses deste ano o setor público registrou déficit primário equivalente a 0,4% do PIB segundo os números oficiais. Descontadas “pedaladas”, criatividade contábil e demais estripulias, o déficit no período deve andar na casa de 1% do PIB, tornando a promessa de início do ano (superávit de 1,9% do PIB) não mais que uma distante memória.

O tamanho do ajuste fiscal requerido para por a casa em ordem é praticamente sem precedentes. Precisaremos sair de um déficit primário (verdadeiro) ao redor de 1% do PIB para um superávit de 3,0% do PIB, de acordo com as contas de Marcos Lisboa. Em dinheiro falamos de algo na casa de R$ 200 bilhões.

É inviável atingir tal melhora em apenas um ano. Trata-se, na melhor das hipóteses, de um programa de ajuste para ser realizado em três anos, contra um pano de fundo de uma administração que não apenas se mostrou incapaz de atingir suas metas, mas que também deliberadamente produziu a maior deterioração fiscal de que se tem notícia no país nos últimos 20 anos.

O governo não terá, portanto, o benefício da dúvida. Pelo contrário, terá que apertar muito para convencer o distinto público de sua firmeza de intenções, o que destruiria até as perspectivas de crescimento pífio de 1% em 2015, hoje consensuais, com reflexos negativos sobre o desemprego. Desconfio, e estou longe de estar sozinho, que a presidente não há de apreciar sua única conquista econômica se esfumaçando no rastro do ajuste fiscal, mesmo necessário.


A conta da campanha chegou e duvido que o governo esteja disposto a pagá-la.

Run Forest, run...
(Publicado 05/Nov/2014)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Triconomics 11/Nov/2014



PIB zero, ata frouxa, manifesto campineiro e respostas aos ouvintes.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Triconomics 06/Nov/2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Triconomics 03/Nov/2014




A realidade equivocada

Para onde quer que se olhe fica claro que o desempenho econômico do Brasil nos últimos quatro anos tem piorado consistentemente, deterioração que dá sinais de ter se agravado a partir do ano passado.

O crescimento médio do país de 2011 a 2014, por exemplo, deve ficar ao redor de 1,6% ao ano, mas cadente, reduzido para quase zero este ano. Já a inflação média superará 6%, acelerando para 6,5% em 2014, o pior resultado desde 2011.

O déficit externo provavelmente atingirá o equivalente a 3,0% do PIB no período, e também crescente, devendo chegar a 3,7% do PIB no final deste ano.

A dívida bruta do governo, que havia sido reduzida para pouco mais de 50% do PIB em 2010, já se encontra em 60% do PIB, refletindo o descaso com as contas públicas. O superávit primário (livre da contabilidade criativa), que ficara em 2% do PIB entre 2007 e 2010, caiu para menos 1% do PIB ao longo deste mandato presidencial e deve registrar em 2014 o primeiro resultado negativo desde 1997.

Por fim, mesmo quando se trata do emprego, cantado em prosa e verso como o grande mérito do atual governo, a degradação é visível: a criação de vagas formais na economia caiu de 130 mil/mês no mandato anterior para 86 mil/mês no atual. Da mesma forma, a Pesquisa Mensal do Emprego, que captura também o emprego informal, aponta crescimento médio da ocupação de 0,8% ao ano entre dezembro de 2010 e setembro de 2014 (e ao redor de zero este ano) contra mais de 2,5% ao ano nos quatro anos anteriores.

Fica destes números a imagem de quatro anos tristes, culminando com um desempenho lamentável em 2014. Ainda assim não há a menor indicação de que o governo pretenda alterar os rumos da política econômica. Pelo contrário, a mensagem é que esta sempre esteve certa; se alguém errou foi a realidade.

Por mais que a anunciada demissão do atual ministro da Fazenda (contra minha vontade, quero deixar claro) possa criar esperanças de uma gestão mais racional da economia, a verdade é que sinaliza muito pouco no sentido de correção de rota.

Mesmo que seja trocado por alguém com mais compostura, o ministro da Fazenda foi pouco menos que a rainha da Inglaterra; nunca houve (nem deve haver) dúvida que o comando da política econômica se encontra nas mãos da presidente, cujo apreço pela centralização de decisões só é superado por seus persistentes atentados ao vernáculo.

Não chega a ser surpreendente, portanto, que o secretário-executivo do ministério da Fazenda já tenha acenado com mais um pacote de estímulo à indústria, afirmando ser possível “esperar por uma economia cada dia melhor”. Na mesma toada, a presidente fala em “ajustes pontuais”, como se o problema fosse localizado e pudesse ser resolvido por mais uma rodada de microgerenciamento.

O que se espera, pois, é “mais do mesmo” na forma de tratar a economia. Do lado macro o mesmo descaso com as contas públicas e a inflação. Mais importante, na perspectiva microeconômica antecipa-se a persistência de um processo de intervenção governamental sem paralelos desde o governo Geisel.

À luz disto, a promessa de uma “economia cada dia melhor” soa improvável. Pelo contrário, se fizermos as mesmas coisas que fizemos nos últimos quatro anos, há escassas razões para imaginar que o desempenho econômico possa ser muito distinto do observado neste período.

É atribuída a Einstein a definição de insanidade como fazer as coisas do mesmo modo e esperar que os resultados sejam diferentes. Há sérias dúvidas sobre a autoria da frase, mas não tanto no que tange à sua aplicação para as perspectivas da economia brasileira.


Sem uma mudança de rumos que contemple por um lado a recuperação da estabilidade macroeconômica e, por outro, a busca obsessiva pela produtividade, estaremos condenados à repetição da mediocridade que caracterizou este mandato presidencial e mais uma vez a realidade levará a culpa.



(Publicado 29/Out/2014)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Triconomics 30/Out/2014