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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

País dos otários: o oligopólio do ônibus interestadual


(Inspirado pela última coluna do frequentemente intragável, mas às vezes correto, Elio Gaspari)

Preço de uma passagem de ônibus ida e volta, entre São Paulo e Rio de Janeiro, saindo na quarta-feira 8 de janeiro às 6:30 da manhã e retornando no dia seguinte 9 de janeiro às 8:30 da manhã, pela viação Cometa: R$ 155.40

Preço de uma passagem de ida e volta, entre Boston e New York, para a mesma data, pela viação Peter Pan: US$ 37.00 ou R$88.06 para um dólar a R$2.38

Distância entre São Paulo e Rio de Janeiro (fonte: Google Maps): 432km

Distância entre Boston e New York (fonte: Google Maps): 214 milhas ou 342km

Razão entre o preço da passagem: 155.4/88.06 = 1.76

Razão entre as distâncias: 432/342 = 1.26

Agora, a parte mais engraçada da história toda: é necessário ter uma concessão do governo federal para operar uma linha de ônibus interestadual no Brasil.

Sério. Não estou de gozação. Repito: é necessário ter uma concessão do governo federal para operar uma linha de ônibus interestadual no Brasil.

Quando foi que eu ouvi algum político propor a desregulamentação deste cartório? 

É possível existir um povo mais otário do que o brasileiro? Ainda não encontrei, continuarei procurando (gosto de viajar).

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quero bater no Eremildo

Elio Gaspari é o galã de roça dos nossos intelectuais públicos. De longe, parece o Clark Gable do Gone with the Wind, mas de perto é um jeca tísico com bigodinho ralo e pés descalços.

O artigo dele sobre o incidente envolvendo a congressista Gabrielle Giffords do Arizona é de me fazer bater a cabeça na parede.



Um vermelho e azul

Políticos republicanos de seis estados, entre os quais o Arizona, querem cassar a cidadania dos filhos americanos de imigrantes que entraram ilegalmente nos Estados Unidos. Só em 2008, nasceram 340 mil. A iniciativa é inconstitucional, mas para o Tea Party atrai votos. A Constituição americana, como a brasileira, dá a cidadania a quem nasce na terra.
E daí? É por acaso inconstitucional tomar uma iniciativa para se reformar a Constituição?

Numa nação de imigrantes, a intolerância de uma parte da sociedade já perseguiu negros, católicos, irlandeses, chineses, coreanos e japoneses.
Em outra nação de imigrantes, o Brasil, a intolerância de uma parte da sociedade já perseguiu negros, protestantes e japoneses. Não perseguimos os irlandeses mesmo porque apesar da Grande Fome que acometeu seu país, nunca fomos um destino de imigração interessante para os irlandeses (dos poucos que vieram, a maioria se recusou a ficar no país). Não perseguimos os chineses e coreanos porque nunca vieram para cá em números significativos.

A bola da vez, há tempo, são os latinos. Eles formam a maioria dos 12 milhões de estrangeiros que trabalham no país sem a devida documentação. (Talvez 700 mil sejam brasileiros.)
Qual a evidência de que latinos sejam a 'bola da vez' da intolerância, ó Eremildo? O atentado de um desequilibrado? Qual a conexão lógica que você formou para associar o desejo de limitar a imigração ilegal com a intolerância?

O chefe do setor de cirurgia onde Gabrielle Giffords foi operada, chama-se Peter Rhee e o delegado local, David Gonzalez. Ambos descendem de imigrantes vindos de regiões vistas com desprezo pelos nativistas radicais americanos.
Mas se os imigrantes legais conseguem chegar a posições de destaque, isso vai contra o seu argumento de intolerância ao imigrante (mesmo porque não existe nada que um observador honesto, em um arroubo de exagero, possa chamar de sentimento de intolerância ao imigrante nos EUA. Pelo contrário).
Mais: o que são nativistas radicais americanos? Quantos são eles? Isso é o mesmo que dizer que "Elio Gaspari é visto com desprezo pelos radicais anti-capachos-de-milico brasileiros". Não quer dizer nada.


O diretor da rede escolar pública de Tucson quer fechar os cursos de história e cultura latinas. Entre os livros que pretende tirar dos currículos está a “Pedagogia do oprimido”, de Paulo Freire.
Parabéns para ele. Existem poucas medidas que ele poderia tomar para melhorar o ensino mais promissoras do que cortar o lixo marxista chulé do Paulo Freire (nota: eu li, é lixo sim senhor).

(...)

O desequilíbrio de Jared Loughner expôs a teatralidade e a violência da recente xenofobia americana.
Besteira anabolizada. O desequilíbrio de Jared Loughner apenas expõe... o desequilíbrio de Jared Loughner... Teatralidade? O que raios isso significa?