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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Magus, o solitário


O professor Luis Carlos Bresser Pereira não deve ter muitos amigos. Ou pelo menos, não tem nenhum amigo economista de qualidade. Pois em uma realidade alternativa em que o professor Bresser Pereira tem pelo menos um amigo economista não-imbecil, ele teria sido avisado do papel ridículo a que seria exposto – nos dias de hoje e para toda a eternidade – por seu mini-artigo “A graphic explanation on how a tax on exports neutralizes the Dutch disease without costs to exporters”, publicado na Revista de Economia Política, aquela revista de humor involuntário que recebe apoio institucional da plutocracia brasileira (Itaú, Bradesco, Odebrecht etc).

Segundo o argumento do Cheshire Cat renascentista, um imposto de x% sobre as exportações causaria uma depreciação do BRL de x%. A prova da proposição estaria em um gráfico em que a taxa de câmbio é determinada pela intersecção de curvas apelidadas jocosamente pelo risonho professor de ‘oferta’ e ‘demanda’.

E esse é o guru dos keynesianos de quermesse... 

E tem quem não entenda porque o país não pega nem no tranco.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Humildes indagações


Por que tantos resumos (abstract) de artigos publicados na Revista de Economia Política são escritos em uma língua ininteligível com algumas similaridades com o inglês?

Será que a Revista de Economia Política não tem ninguém no corpo editorial capaz de escrever em inglês que não seja vagabundo demais para tirar uma hora por trimestre para corrigir erros crassos nos resumos dos artigos publicados?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Saudades dos anos 70

O ilustre mestre renascentista, virtuoso multi-instrumentista e comediante de primeira, professor Bresser-Pereira tem um artigo na Folha de São Paulo que deveria ser encapsulado para ser redescoberto muitas décadas no futuro. Se alguém tem uma dúvida que o Brasil, salvo cataclisma nuclear ou de similar intensidade, não vai chegar a ter 40% da renda per capita dos EUA nos próximos 200 anos, basta ler este artigo para entender porque. Um país que permite que tal bufão seja ministro em mais de uma ocasião é um país destinado à mediocridade.

Baixo crescimento, ideologia e pensamento
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Folha de S.Paulo, 17.12.2012
O governo está fazendo uma política monetária e industrial competente, que já logrou baixar os juros, depreciar parcialmente o câmbio e, através do PAC, busca planejar e aumentar o investimentos nos setores não competitivos

O baixo crescimento do PIB brasileiro no terceiro trimestre deixou os economistas convencionais alvoroçados. Afinal, tinham como criticar o governo desenvolvimentista da presidente Dilma Rousseff.

Qual a crítica? Que a baixa taxa de investimento (18% do PIB) deve-se à política industrial adotada pelo governo; que os empresários teriam ficado desorientados com as diversas medidas de estímulo fiscal e monetário que o governo vem tomando e teriam se tornado inseguros, teriam reduzido suas expectativas de crescimento e, assim, deixado de realizar investimentos.

Ora, isso não é explicação econômica; não implica pensamento, mas repetição da ideologia neoclássica e neoliberal, para a qual toda política industrial é sempre condenável porque distorceria a alocação de recursos. É ideologia equivocada, porque a experiência secular dos países mostra que isso é falso: que política industrial geralmente é um fator de desenvolvimento econômico.

Mas, então, qual é a causa do baixo crescimento? Em primeiro lugar, é preciso considerar que houve provavelmente erro do IBGE ao não considerar as variações de estoque em suas estimativas do PIB.

Conforme afirma com a competência de sempre Francisco L. Lopes, na Macrométrica, “a partir de 2010, os gestores e planejadores das empresas, assim como o distinto público, dentro e fora do país, resolveram acreditar que o Brasil se transformara em tigre asiático” e, por isso, aumentaram excessivamente a produção. Em 2012, não obstante suas vendas continuem satisfatórias, reduziram a produção porque se puseram racionalmente a reduzir estoques.

Mas o crescimento não é satisfatório, apesar da coragem que o governo revelou ao reduzir juros reais e ao lograr alguma desvalorização da taxa de câmbio. Não o é porque a taxa de câmbio está longe do equilíbrio (cerca de R$ 2,70 por dólar).

O crescimento também não é satisfatório porque uma política industrial, por melhor que seja, não tem condições de sanar esse desequilíbrio fundamental da economia brasileira. Muitos desenvolvimentistas ainda não entenderam isso e, baseados na experiência do alto crescimento do Brasil (1930-1980), acreditam nas virtudes mágicas da política industrial. Isso também é ideologia sem base no pensamento.

A “política industrial” desse período não era apenas um sistema de incentivos à indústria (política industrial estrito senso); era também, senão principalmente, uma política macroeconômica através da qual o governo mantinha a taxa de juros real baixa e a taxa de câmbio no equilíbrio industrial, neutralizando, portanto, a doença holandesa.

Isso se fazia por câmbios múltiplos e, nos anos 1970, por tarifas de importação e subsídios à exportação, os quais não eram mero protecionismo, como geralmente se pensa, mas uma forma de estabelecer o imposto sobre as exportações de commodities.

Deixemos, portanto, de lado as ideologias e tratemos de pensar. O governo está fazendo isto: uma política monetária e industrial competente, que já logrou baixar os juros, depreciar parcialmente o câmbio e, através do PAC, busca planejar e aumentar os investimentos nos setores não competitivos.

Está no caminho certo.

Agora vai!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Anais da idiocracia, versão ANPEC 2010

Quando eu folheio o programa da ANPEC desse ano, tenho a sensação de estar acordando no Groundhog Day em Punxsutawney, Pennsylvania. Ano após ano, as mesmas figuras tristes apresentam os mesmos papers, pa-ta-ti pa-ta-tá...

Nenhuma surpresa. Os professores Paulo Gala, Eliana Araujo e Luiz Carlos Bresser-Pereira rodaram uma regressão da taxa de poupança privada no PIB e ao encontrarem uma função de resposta ao impulso consistente com a poupança privada aumentando em resposta a choques positivos no PIB e concluiram (obviamente...) que isso seria evidência que um Real mais fraco causaria um aumento na poupança do setor privado (**)

Já os professores André Nassif (que família!), Carmem Feijó e Marco Antônio Silveira de Almeida fizeram uma ampla resenha da literatura sobre desalinhamento cambial... que aparentemente não entenderam... e produziram uma mega-pérola para os anais da análise econométrica abestada. O trio rodou uma regressão da taxa de câmbio real em um monte de variável endógena (saldo de conta corrente entre elas!) e achou por bem tratar o resíduo da regressão como uma medida de desalinhamento cambial. Por exemplo, examinando a Figura 2 do artigo, o câmbio real estaria uns 15% mais forte que seu ponto de equilíbrio em 2006 enquanto que na média de 2009, estaria bem perto do equilíbrio. Não obstante, o dream team concluiu que há uma tendência à sobre-valorização do Real porque os resíduos da regressão seriam negativos 55% do tempo... Uau! Os professores não fizeram econometria na graduação?

Bem, vou parar por aqui. Nem vou mencionar o artigo do Professor Costa Oreiro e comensais elogiando o modelo de boom de crédito dos últimos 5 anos. Isso mesmo, o mesmo Professor Costa Oreiro que se preocupa com o câmbio apreciado diz oba-oba para o boom de crédito... Como diz Nhô Zaqui, o judeu de Piracicaba: “oy véio”.

(**) Sério. É isso mesmo que eles fizeram, se você leu o artigo deles e não consegue ver isso, é porque existe um risco que você seja um deles.

Freak, moi? Eu sei até cointegrar!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ethevaldo Siqueira, "pega leve"?


Ao comentar o artigo do Professor Bresser Pereira sobre a privatização da telefonia brasileira, o bom jornalista Ethevaldo Siqueira cometeu alguns crimes de complacência excessiva (aqui e aqui):


“BRESSER, IRRECONHECÍVEL”

“tenho respeito e admiração pelo professor Bresser”

“Manifesto essa surpresa porque poucas vezes discordei tanto de um economista e
intelectual que aprendi a admirar ao longo dos últimos 30 anos”


Caro Ethevaldo, vamos deixar de ser complacentes com a mediocridade e estupidez. Não há nada de irreconhecível no discurso recente do Professor Bresser Pereira sobre a privatização das telefônicas. Meu deus, quando que ele falou algo que fazia sentido para alguém prestando atenção?

O Professor Bresser Pereira não merece ser tratado como uma autoridade ou intelectual de respeito. Sua obra é medíocre, seu texto e a qualidade de sua argumentação não impressionariam em uma classe de graduação, e depois de várias décadas de prosa desbilolada, ele conseguiu amadurecer do marxismo comprado no Pão de Açúcar para um keynesianismo de quermesse monotemático em sua defesa de uma piora na defesa de uma depreciação cambial visando a maior concentração de renda no Brasil (sim, é essa a tese dele!).

Ethevaldo, leia o que o Professor Bresser Pereira escrevia em seu “Desenvolvimento e Crise no Brasil” tantos anos atrás… Lá mesmo onde ele descreve a crise dos anos 70 como uma crise de ‘underconsumption’ e pomposamente, pimpão, 'desancava' a visão ortodoxa que tal crise era algo relacionado com a alta nos preços do petróleo… Ou lá também ele afirmava que a inflação era causada pelo conflito distributivo:


The cyclical slowdown provokes an increase in the rate of inflation, to the extent that inflation becomes a mechanism to defend the accumulation process. In reality, the more general cause of inflation is the class conflict over duistribution. In Brazil, because of the political weakness of the working class, inflation is fundamentally a fruit of continuing attempts by the capitalist class to increase or at least maintain its rates of profit during the cyclical slowdown). [Meu comentário: pode alguma pessoa inteligente duvidar que o Brasil sofreria um surto hiperinflacionário após termos como Ministro da Fazenda o autor dessa pérola?]

Já está na hora de romper o pacto de mediocridade.
Devemos ser polidos na vida privada com pessoas que pensam diferente ou diferentemente, mas quando ideias destrutivas enveredam na vida pública, é nosso dever não medir as palavras.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Professor Bresser Pereira volta às suas raízes (mas talvez não saiba disso)


Pouca gente se lembra, mas antes do Professor Luiz Carlos Bresser Pereira ser ministro da Fazenda de José Sarney, ele foi o autor de um livro chamado Desenvolvimento e Crise no Brasil no final dos anos 60, que recebeu uma nova edição nos anos 80. Não tenho palavras para descrever a maionese estragada que aquele livro era e se não fosse brasileiro, recomendaria a leitura com certo ar de superioridade e bom humor. Entretanto como sou brasileiro, vivi as conseqüências de ser governado por chimpanzés que se viam intelectuais originalíssimos e não acho graça alguma nisso.

Pois bem, uma das crenças do Professor Bresser Pereira então era que a apreciação da taxa real de câmbio era:
(estou citando da versão em inglês).

“an efficient tool to raise the marginal efficiency of capital.”

Desde então, ele se converteu e agora acredita que:

“a apreciação da moeda causará a diminuição da poupança por meio da diminuição das oportunidades de investimentos lucrativos voltados para a exportação. A queda das expectativas de lucro causará a diminuição dos investimentos e, em conseqüência, nos termos de Kalecki, dos lucros, e nos de Keynes, da poupança interna (...) a apreciação do câmbio tem como resultado a redução dos investimentos e da poupança interna.”

E assim o Professor Bresser Pereira juntou forças com o Professor Gala e a Professora Araújo para escrever um artigo para avaliar empiricamente essas relações. O artigo está pronto e é acessível aqui.

Sinceramente não quero perder tempo cortando cada bola que os três professores levantaram. Mas não posso deixar de compartilhar a conclusão do exercício empírico.

Gala, Araújo e Bresser Pereira produziram uma figura que demonstra sem margem de dúvidas que para a amostra de 1950 a 2007, usando a metodologia escolhida pelos autores, choques que depreciam a taxa de câmbio têm o efeito de reduzir a taxa de investimento permanentemente.

A taxa de investimento é por identidade contábil igual à soma das poupanças doméstica e externa. Portanto, o efeito de um movimento da taxa de câmbio sobre a taxa de investimento é dado pela soma dos efeitos sobre as poupanças doméstica e externa. Basta olhar a Figura 2 que os autores produziram para vermos que (1) um choque que deprecia a taxa de câmbio real tem um efeito sobre a poupança doméstica estatisticamente insignificante e próximo a zero, tanto no curto quanto no longo prazo; e (2) o mesmo choque tem o efeito de deprimir a poupança externa no curto e longo prazo e por uma quantia economicamente significativa.

Ergo, a análise empírica de Gala, Araújo e Bresser Pereira mostra que para dados brasileiros de 1950 a 2007, choques que depreciaram a taxa de câmbio têm o efeito de reduzir a taxa de investimento permanentemente.

Tendo em vista o que escrevi sobre as antigas crenças do professor emérito, será uma volta ao passado? Ou apenas ele está sendo embaraçado pelo pobre controle de qualidade de seus co-autores?

O freak show está chegando!!


Nos dias 11 a 13 de agosto, várias dezenas de saltimbancos e deviantes exibirão suas artes e peculiaridades em um teatro fulo em pleno centro de Sao Paulo. Como de costume, eles vão se vestir de pesquisadores, franzir as sobrancelhas, e receber os cumprimentos gentis de seus pares após apresentarem ainda mais um artigo não-original, com texto medíocre, coalhado de erros metodológicos e muitas vezes internamente incoerente.

O anfitrião, o professor emérito de epidemiologia batava Luiz Carlos Bresser Pereira, célebre bem-humorado mambembe e autor de frases clássicas do repertório bufo brasileiro (*) vai reinar supremo entre manadas de puxa-sacos e zerões.

E o Tio “O” talvez visite para dar um alô amigos!

Ou talvez não.

Mas certamente não vou perder a oportunidade de me divertir com as dezenas de trabalhos que vão ser apresentados (veja o programa do encontro aqui). Não vai ser surpresa alguma se uma meia dúzia dessas pérolas aparecer como tema de artigos neste blog. Já aviso, o primeiro artigo a ser abordado vai ser Gala, Araújo e Bresser Pereira. Vocês nem imaginam o que eles produziram inadvertidamente. Tem gente que não lê o próprio trabalho antes de imprimir o PDF.

P.S. Pelo menos por alguns poucos dias, os pais de meninos pré-adolescentes em Brasília vão ter um problema a menos para preocupá-los.

(*) Por exemplo:

"If inflation is inertial, if it is not the result of an excess of demand, but rather of the ability of economic agents to automatically pass on increases in their costs to their prices, the natural solution to break this cycle is administrative price controls. This solution becomes even more natural when we learn that this ability to automatically reproduce past inflation in the present would become greater not only if inflation is higher, but also as the market for goods and services as well as the labor market are oligopolized and nationalized."

"The conditions necessary for the success of the Cruzado Plan are clear. Actually, the Plan is already an extraordinary success, a great conquest of theory and economic policy. The predominantly inertial nature of Brazilian inflation before the shock is indisputable.”