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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Apelo aos professores Gala e Rocha

Em meados de dezembro, em minha primeira contribuição a este blog, eu analisei um artigo de Paulo Gala e Marcos Rocha, ambos autores da EESP/FGV.

Como de costume quando comento sobre as tentativas de pesquisa empírica da quermesse, eu encontrei farto material merecedor de críticas de natureza metodológica (por exemplo, entre outras maluquices, os autores regrediram a taxa de poupança doméstica na conta corrente, que por construção é igual a diferença entre a taxa de poupança e a taxa de investimento).

Entretanto, uma critica que fiz até agora me embrulha o estômago. Na Figura 1 do artigo, os autores mostram uma linha de regressão que aparentemente não tem nada a ver com a dispersão dos dados. Comentei até, com algum sarcasmo: “Deve ser um daqueles pontos em que a ciência encontra sua intersecção com a arte.”

Entretanto, arrependo-me do comentário sarcástico, e gostaria de oferecer uma oportunidade para os professores Gala e Rocha oferecerem uma defesa.

Afinal, é bem possível que meus olhos tenham me enganado e a reta de regressão que os autores postaram reflita de fato o relacionamento entre as variáveis. Se os autores enviarem-me o arquivo com os dados (email: oanonimo2009@live.com), eu posso verificar essa possibilidade e testemunhar a favor dos autores.

Também é possível que os autores tenham se enganado no código do STATA e acabaram, acidentalmente, elaborando um gráfico mostrando uma reta de regressão que não corresponde à dispersão de pontos no gráfico. Quem trabalha com pesquisa empírica sabe que snafus são bem corriqueiros.

Outra possibilidade, ainda que mais remota, é que algum inimigo pessoal desses autores tenha sabotado o documento que eles submeteram à comissão de seleção do encontro da ANPEC.

Vamos torcer para esse blog ter visibilidade suficiente entre os ilustres professores da quermesse brasileira e o recado chegue aos professores Gala e Rocha. Afinal, seria bem desagradável se o meu post de dezembro levantasse dúvidas sobre a honestidade acadêmica desses pesquisadores. Eu pessoalmente acredito que deve ter sido algum erro no código do STATA! Esperemos por alguma resposta.