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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Saudades dos anos 70

O ilustre mestre renascentista, virtuoso multi-instrumentista e comediante de primeira, professor Bresser-Pereira tem um artigo na Folha de São Paulo que deveria ser encapsulado para ser redescoberto muitas décadas no futuro. Se alguém tem uma dúvida que o Brasil, salvo cataclisma nuclear ou de similar intensidade, não vai chegar a ter 40% da renda per capita dos EUA nos próximos 200 anos, basta ler este artigo para entender porque. Um país que permite que tal bufão seja ministro em mais de uma ocasião é um país destinado à mediocridade.

Baixo crescimento, ideologia e pensamento
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Folha de S.Paulo, 17.12.2012
O governo está fazendo uma política monetária e industrial competente, que já logrou baixar os juros, depreciar parcialmente o câmbio e, através do PAC, busca planejar e aumentar o investimentos nos setores não competitivos

O baixo crescimento do PIB brasileiro no terceiro trimestre deixou os economistas convencionais alvoroçados. Afinal, tinham como criticar o governo desenvolvimentista da presidente Dilma Rousseff.

Qual a crítica? Que a baixa taxa de investimento (18% do PIB) deve-se à política industrial adotada pelo governo; que os empresários teriam ficado desorientados com as diversas medidas de estímulo fiscal e monetário que o governo vem tomando e teriam se tornado inseguros, teriam reduzido suas expectativas de crescimento e, assim, deixado de realizar investimentos.

Ora, isso não é explicação econômica; não implica pensamento, mas repetição da ideologia neoclássica e neoliberal, para a qual toda política industrial é sempre condenável porque distorceria a alocação de recursos. É ideologia equivocada, porque a experiência secular dos países mostra que isso é falso: que política industrial geralmente é um fator de desenvolvimento econômico.

Mas, então, qual é a causa do baixo crescimento? Em primeiro lugar, é preciso considerar que houve provavelmente erro do IBGE ao não considerar as variações de estoque em suas estimativas do PIB.

Conforme afirma com a competência de sempre Francisco L. Lopes, na Macrométrica, “a partir de 2010, os gestores e planejadores das empresas, assim como o distinto público, dentro e fora do país, resolveram acreditar que o Brasil se transformara em tigre asiático” e, por isso, aumentaram excessivamente a produção. Em 2012, não obstante suas vendas continuem satisfatórias, reduziram a produção porque se puseram racionalmente a reduzir estoques.

Mas o crescimento não é satisfatório, apesar da coragem que o governo revelou ao reduzir juros reais e ao lograr alguma desvalorização da taxa de câmbio. Não o é porque a taxa de câmbio está longe do equilíbrio (cerca de R$ 2,70 por dólar).

O crescimento também não é satisfatório porque uma política industrial, por melhor que seja, não tem condições de sanar esse desequilíbrio fundamental da economia brasileira. Muitos desenvolvimentistas ainda não entenderam isso e, baseados na experiência do alto crescimento do Brasil (1930-1980), acreditam nas virtudes mágicas da política industrial. Isso também é ideologia sem base no pensamento.

A “política industrial” desse período não era apenas um sistema de incentivos à indústria (política industrial estrito senso); era também, senão principalmente, uma política macroeconômica através da qual o governo mantinha a taxa de juros real baixa e a taxa de câmbio no equilíbrio industrial, neutralizando, portanto, a doença holandesa.

Isso se fazia por câmbios múltiplos e, nos anos 1970, por tarifas de importação e subsídios à exportação, os quais não eram mero protecionismo, como geralmente se pensa, mas uma forma de estabelecer o imposto sobre as exportações de commodities.

Deixemos, portanto, de lado as ideologias e tratemos de pensar. O governo está fazendo isto: uma política monetária e industrial competente, que já logrou baixar os juros, depreciar parcialmente o câmbio e, através do PAC, busca planejar e aumentar os investimentos nos setores não competitivos.

Está no caminho certo.

Agora vai!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Famous last words: Professor Ferrari-Filho chuta o tripé neo-liberal

Encontrei essa passagem mezzo-hilária, mezzo-deprimente em um artigo escrito em setembro do ano passado pelo professor Ferrari-Filho, um dos expoentes do keynesianismo de quermesse.

Due to the economic policy strategy based on inflation targeting, an increased primary surplus target and flexible exchange rate, Brazil’s GDP performance was poor: from 2003 to 2006, the average growth rate of Brazil was, approximately, 3.5% per year. 

Ainda bem que agora não estamos mais restritos ao tripé neo-liberal... Agora vai!

Cada um tem o Ferrari que merece.

domingo, 7 de agosto de 2011

Ruínas antes da civilização: o encontro internacional da AKB

Ano passado este blog anunciou a chegada do freak show da Associação Keynesiana Brasileira (AKB, pronuncia-se “a-ca-bei”) à FGV de São Paulo. Como de costume, assim que o programa daquele encontro foi disponibilizado na internet, este blog cavou algumas das pérolas de boçalidade que mais fizeram por merecer uma menção desonrosa e apresentou sua análise crítica e bem-humorada (por exemplo: aqui e aqui).

Mas neste ano, isto não deveria acontecer! Pois bem, aparentemente o encontro da AKB já ocorreu no Rio de Janeiro. Por motivos provavelmente ligados ao desenvolvimento neurológico dos acabês em comando – a comissão organizadora era composta pelas sumidades André de Melo Modenesi, Fernando Ferrari Filho e Luiz Fernando de Paula, - a chamada para o quarto encontro internacional da AKB omite a data do encontro (juro! Vejam aqui. Depois de seguir o link para o programa, encontrei a data do encontro na terceira página), e a partir da quarta página, links para os trabalhos apresentados.

Este blog, mantendo seu compromisso com o desbravamento do sertão intelectual de nossa akabemia econômica, aceita sugestões de artigos e professores que merecem receber uma torta na cara.


Por que apagaram a luz?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O freak show está chegando!!


Nos dias 11 a 13 de agosto, várias dezenas de saltimbancos e deviantes exibirão suas artes e peculiaridades em um teatro fulo em pleno centro de Sao Paulo. Como de costume, eles vão se vestir de pesquisadores, franzir as sobrancelhas, e receber os cumprimentos gentis de seus pares após apresentarem ainda mais um artigo não-original, com texto medíocre, coalhado de erros metodológicos e muitas vezes internamente incoerente.

O anfitrião, o professor emérito de epidemiologia batava Luiz Carlos Bresser Pereira, célebre bem-humorado mambembe e autor de frases clássicas do repertório bufo brasileiro (*) vai reinar supremo entre manadas de puxa-sacos e zerões.

E o Tio “O” talvez visite para dar um alô amigos!

Ou talvez não.

Mas certamente não vou perder a oportunidade de me divertir com as dezenas de trabalhos que vão ser apresentados (veja o programa do encontro aqui). Não vai ser surpresa alguma se uma meia dúzia dessas pérolas aparecer como tema de artigos neste blog. Já aviso, o primeiro artigo a ser abordado vai ser Gala, Araújo e Bresser Pereira. Vocês nem imaginam o que eles produziram inadvertidamente. Tem gente que não lê o próprio trabalho antes de imprimir o PDF.

P.S. Pelo menos por alguns poucos dias, os pais de meninos pré-adolescentes em Brasília vão ter um problema a menos para preocupá-los.

(*) Por exemplo:

"If inflation is inertial, if it is not the result of an excess of demand, but rather of the ability of economic agents to automatically pass on increases in their costs to their prices, the natural solution to break this cycle is administrative price controls. This solution becomes even more natural when we learn that this ability to automatically reproduce past inflation in the present would become greater not only if inflation is higher, but also as the market for goods and services as well as the labor market are oligopolized and nationalized."

"The conditions necessary for the success of the Cruzado Plan are clear. Actually, the Plan is already an extraordinary success, a great conquest of theory and economic policy. The predominantly inertial nature of Brazilian inflation before the shock is indisputable.”