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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Uma medida; dois pesos

Imaginem que alguém tenha escrito o seguinte:


“(...) Basta ver os últimos números das contas externas correntes chinesas. O processo de deterioração vem ocorrendo de forma praticamente contínua, mês após mês. O superavit comercial sofreu um verdadeiro colapso. No acumulado do ano, o saldo da balança comercial (exportações menos importações de mercadorias) diminuiu 77% em relação a igual período de 2009.

O crescimento das importações vem superando o das exportações por larga margem.

(...)

Com a moeda chinesa valorizada, fica barato importar e viajar ao exterior. Por outro lado, as exportações se tornam menos competitivas, e o país fica mais caro para turistas do exterior.”

Quem quer que possa ter escrito isto seria tachado de insano, certo? Onde já se viu, dizer que o yuan está valorizado a ponto de levar a um colapso do superávit comercial chinês? A discussão não é sobre a subvalorização da moeda chinesa?

Confesso, porém, que ninguém escreveu exatamente isto. Se substituirmos, contudo, os adjetivos correspondentes à China por suas contrapartes no que se refere ao Brasil, o texto original é de Paulo Nogueira Batista Jr., na sua coluna da Folha de S. Paulo semana passada.

E também é verdade que teríamos que adaptar mais algumas coisas. O saldo brasileiro entre janeiro e março deste ano caiu um pouco menos do que o chinês (70% contra 77%) medido contra o mesmo período do ano passado. E o ritmo de crescimento das importações é muito maior na China (65% no primeiro trimestre) do que no Brasil (36%). O gráfico abaixo mostra a evolução das importações dessazonalizadas em ambos países, sugerindo que não se trata apenas de base deprimida de comparação, mas de forte aceleração na margem.



Medido em 12 meses, então, o superávit chinês caiu de um pico de US$ 317 bilhões em março do ano passado para US$ 150 bilhões nos 12 meses até março de 2010. No mesmo período o saldo brasileiro em 12 meses caiu de US$ 25 bilhões para US$ 23 bilhões. Curiosamente no Brasil o aumento das importações e conseqüente redução do saldo comercial resulta da moeda apreciada, mas, no caso da China... resulta do que mesmo?

A questão é que a mesma informação (a queda do saldo comercial) é vista como resultado da apreciação cambial, ainda que a taxa de câmbio real esteja hoje mais depreciada do que estava em meados de 2008. No caso da China, em que há modesta apreciação real no período (a inflação foi mais alta na China que nos EUA), a hipótese sequer é cogitada.

Não se dá a menor atenção à diferença entre o crescimento da demanda doméstica (acima de 10% ao ano na segunda metade de 2009) relativamente ao PIB (7.7%). Uma conta simples mostra que, como as exportações (contas nacionais) cresceram a 8% ao ano no período, as importações teriam que crescer quase 33% ao ano para fechar a conta (cresceram 31% porque a variação de estoques colaborou).

Em outras palavras, o pessoal quer mais consumo, quer investimento crescendo, defende o gasto público, mas redução da balança comercial, só na China.

Reações:

29 comentários:

"ainda que a taxa de câmbio real esteja hoje mais depreciada do que estava em meados de 2008."

Tem que se levar em consideração o efeito crise, para analisar as contas externas nesse período.

"Tem que se levar em consideração o efeito crise, para analisar as contas externas nesse período."

Precisamente meu ponto.

É o realismo mágico do Paulo Nogueira Batista Júnior, que anda aprontando no FMI. Ao demitir a representante colombiana, a "última bolacha do pacote" disse que a economista tinha 24 horas para esvaziar a sala. Uia! Macho paca!

A revista Veja publicou comentário de Rodrigo Botero, ex-ministro da Fazenda da Colômbia, sobre a demissão de María Inés Agudelo pelo pupilo de Mantega:

"Nogueira Batista não pode invocar o argumento de incompetência para destituir a colombiana. Agudelo possui mais credenciais acadêmicas que Nogueira Batista. As diferenças de Batista com Agudelo se devem a concepções incompatíveis sobre política econômica. Não é segredo para ninguém que Batista é crítico de uma política econômica que tenha um regime de metas de inflação, que empregue a flexibilidade cambial e que persiga metas de superávit fiscal primário. Esses são, em essência, os fundamentos da política econômica colombiana. São princípios que Agudelo, como representante de seu país, era obrigada a defender no FMI. Seria inconcebível que a Colômbia permitisse que um detrator de sua política econômica interviesse nas discussões do Fundo. Agora, se bem entendo, as políticas mencionadas são as mesmas que vêm sendo aplicadas com sucesso no Brasil desde os anos 90. Mandar a Washington um representante que execra a política econômica de seu próprio país é uma manifestação clara do realismo mágico latino-americano por parte do governo brasileiro. Mas isso é problema brasileiro, que não concerne à Colômbia."

A China, como o Brasil, investiu no mercado interno para atenuar os efeitos da crise mundial.
Quando veio a crise, o Brasil já vinha fortalecendo o consumo interno há 7 anos, e seu saldo comercial representa, hoje, menos de 1,5% do PIB. A China vinha crescendo sobretudo através do mercado externo, e seu superávit, hoje, ainda representa cerca de 4,5% do PIB.
Evidentemente, a situação do Brasil não é a mesma da China, mesmo que em 2009 tenham adotado a mesma política para não se contaminarem com a crise. Nem merecem a mesma análise.

Prezado,

você cometeu um equívoco ao se referir ao capítulo 13 do livro "produção de mercadorias por meio de mercadorias" ao responder o post "o que é o pós-keynesianismo?": ele não existe. Imagino que esteja se referindo ao capítulo 12. Neste capítulo é discutida a relação entre preços relativos e taxa de lucro que serviu de base às críticas da Controvérsia de Cambridge. Pelo visto, o senhor também se equivocou na conclusão a respeito deste capítulo: as funções de produção agregada (como toda a macro) lidam com modelos de 1 bem apenas que é bem de capital também. Neste caso, não há preços relativos e o problema do capítulo 12 não aparece. Uma das críticas da controvérsia se refere a este fato: as funções de produção só possuem base lógica num mundo de um só bem ("the surrogate production function" do Samuelson foi provada falsa pelo prof. Garegnani pois define como heterogêneo bens de capital que possuem a mesma relação capital-trabalho). A simplificação teórica da macro é importante para facilitar o trabalho, não para esconder resultados desagradáveis! Todavia, e mais importante que isso, a crítica não se restringe a esse caso. Na presença de reswitching (que implica reverse capital deepening) ou apenas reverse capital deepening as curvas de demanda pelos fatores de produção se tornam "mal-comportadas", com efeitos-substituição em direções "erradas". Taxas de juros menores não causarão aumentos do estoque de capital (você pode ir ao Japão se não quiser estudar teoria sraffiana), menores salários reais não elevam o nível de emprego etc... como o proprio Samuelson (QJE 1966 "a summing up") afirmou:

"Lower interest rates may bring lower steady-state comsuption and lower capital/output ratios, and the transition to such lower interest rate can involve denial of diminishing returns and entail reverse capital deepening in which current consumption is augmented rather than sacrificed. (...) If all this causes headaches for those nostalgic for the old time parables of neoclassical writing, we must remind ourselves that scholars are not born to live an easy existence. We must respect, and appraise, the facts of life".

Curiosamente, depois disso (anos 70 para cá) a teoria neoclássica se tornou ainda mais dominante mostrando definitivamente a influência política sobre a evolução da ciência.

Prezado Piero Sraffa,

muito interessante seu comentário.

Surpreende-me o fato de, mesmo após sua demonstração cabal das falhas fundamentais da teoria neoclássica, ela tenha crescido monotonicamente desde então, chegando a dominar completamente o cenário acadêmico atual.

De fato, isso só pode ser explicado por meio da influência política nos rumos da ciência, como vc mesmo ressaltou. Economistas sem moral teriam, nas últimas décadas, ignorado o óbvio para sustentar teorias sabidamente equivocadas. Um caso de polícia realmente. O mundo está perdido, caro Piero. Não se fazem mais cientistas como antigamente. O objetivo principal agora não é mais a verdade científica, mas apenas o retorno financeiro. É o capitalismo em completa operação. É a mercantilização da ciência.

O simples fato de que vc, talvez, quem sabe, estivesse equivocado em seus argumentos e conclusões nem sequer lhe passa pela cabeça. A única coisa que vc diz é que cientistas mal intencionados se nagam a ver o óbvio. Incrível. Uma história incrível. Daria um belo livro.

Eu compraria.

Abraços do Pai Alex.

PS: Piero, mexa seus pauzinhos aí no além. Fale com o papai do céu e peça para ele mandar economistas sraffianos menos medíocres para nosso planeta, pois os que atualmente temos são de chorar no cantinho. (Não vou citar nomes pq alguns frequentam este blog e são bastante sensíveis). O debate seria enriquecido e nós, economistas normais, poderiamos mais facilmente compreender a obviedade de suas críticas.

Caro Piero da UFRJ:

Fui citar de memória e me enganei: era mesmo o 12, não o 13. De qualquer forma, tratava-se de resposta ao Anônimo Histérico, que afirmava que Sraffa não teria tomado parte na Controvérsia do Capital.

Vejo que concorda comigo e relega o Anônimo Histérico à lata de lixo. Bom.

"as funções de produção só possuem base lógica num mundo de um só bem (...) A simplificação teórica da macro é importante para facilitar o trabalho, não para esconder resultados desagradáveis!"

Hããã, estamos falando do que mesmo? Ah, é macro, com um só produto?

E, reforço, num mundo de equilíbrio geral, sem agregação, a questão do reswitching deixa de existir, Assim, ou bem você faz macro (com um bem e esquece do assunto), ou micro (sem agregação) e também esquece do assunto. Será que isto tem algo a ver com ninguém se preocupar mais com a controvérsia do capital? Eu fico me perguntando...

"Taxas de juros menores não causarão aumentos do estoque de capital (você pode ir ao Japão se não quiser estudar teoria sraffiana)"

Epa! Alguém aqui confundiu taxas nominais com taxas reais de juros.

A taxa de juros para 10 anos no Japão hoje é 1.38% ao ano, mas a inflação esperada (o break-even, na verdade) para o período é -0,56%, ou seja, a taxa real de juros é quase 2%, cerca de 0,5% ao ano mais alta que nos EUA, por exemplo.

Alguém pode me explicar o que raios é um sraffiano? é parente dos pós-keynesianos? e do ornitorrinco?

ninguém vai comentar o artigo do valor?

http://www.linearclipping.com.br/fecomerciodf/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=7&codnot=1107069

"Alguém pode me explicar o que raios é um sraffiano?"

Às vezes basta o cara abrir a boca para sabermos que se trata de um bom economista.

Caro anônimo, não queira saber. O mundo da ciência é infinito e seu tempo de estudo é escasso.

Mas como eu não me contenho, aqui vai uma breve nota sobre os tais sraffianos.

"Sraffianos" é uma espécie do gênero "heterodoxos". São economistas com deficiência mental crônica que supõem estarem fazendo uma tal "retomada da abordagem do excedente", como eles mesmos dizem.

Abordagem do excedente tal como encontrada na velha tradição clássica, de Smith e Ricardo. Daí também serem por vezes chamados de neo-ricardianos, apesar de não serem necessariamente adeptos da teoria do valor-trabalho, base de toda teoria clássica. Ou seja, a confusão já comessa por ai.

A identificação desta corrente com o nome de Piero Sraffa (economista do início do século XX que ficou famoso por suas contribuições na filosofia da linguagem de Wittgenstein) decorre, provavelmente, do fato de Sraffa ter iniciado a tal empreitada de retomada do pensamento clássico.

Vale dizer que, dentro da própria heterodoxia, os neo-ricardianos são odiados tanto por pós-keynesianos, neo-schumpeterianos, marxistas, entre outras espécies mais raras, de extinção já anunciada.

Ou seja, "fora de casa" ninguém os conhece; ao passo que, "em casa", levam pau de todo lado.

Não fossem as famigeradas peripécias do destino, a escola neo-ricardiana figuraria hoje apenas em museus de história pré-científica e em manuais de arqueologia econômica. No entanto, ainda é possível encontrar alguns exemplares no planeta, inclusive no Brasil. Desnecessário dizer que todos, sem exceção, dentro da dimensão Z.

Abraços do Pai Alex.

Alex com inflação de 3,4 % ainda a economia precisa de um estimulo adicional?

A inflação corrente subindo e você ainda defendendo que o BOE mantenha a taxa de juros perto de 0.

"Alguém pode me explicar o que raios é um sraffiano? é parente dos pós-keynesianos? e do ornitorrinco?"

Um Sraffiano é alguém que gosta da teoria da "produção de mercadorias por meio de mercadorias". Sua vertente pós-keynesiana é alguém que aderiu à "produção de bosta por meio de bosta". O ornitorrinco é um animal à beira de extinção que merece proteção.

Espero que o Serra ganhe e a qualidade de nossos representantes nos multilaterais volte ao padrao da era FHC.

Anônimo das 12:25:

Sraffiano é um sujeito que diz que leu, entendeu e gosta do livro "Produção de Mercadorias por Meio de Mercadorias", uma obra onde não há agentes tomadores de decisão, não há demanda e não há nenhuma preocupação empírica. Como se vê, é uma obra absolutamente relevante. Pós-keynesiano é o sujeito que pratica a produção de bosta por meio de bosta.

Professor Alex, rodando uma regressao em que Importaçao é a variavel dependente:

-o cambio real nao exerce influencia significativa?

-o hiato do produto é de fato a variavel mais significativa?

O investimento vem liderando a expansao do produto. A balança comercial em deterioraçao nao refletiria uma baixa produçao de bens de capital compativel com as nossas necessidades atuais de crescimento?

Desculpa a pergunta, talvez até primaria, mas tenho realmente esta duvida...

abraço

Essa palavra "Sraffa" me traz pesadelos. Lembro logo dos cursos de Economia Politica I, II, III, IV e V (o desafio final) que fui forcado a fazer como parte do curriculo obrigatorio da graduacao em pleno anos 90. Puta perda de tempo. Me atrasou as materias da matematica todas que eram infinitamente mais uteis.

"Ou seja, a confusão já comessa por ai."
Começa...

As importaçoes no Brasil são demasiadamente pro-ciclicas. Isto é a elasticidade renda das importaçoes é maior no Brasil do que a media mundial...

Como isto é um fato, cabe explicar o porque desta situaçao.

É sim uma hipotese plausivel que as necessidades de desenvolvimento não sejam atendidas pelo parque produtivo brasileiro. Caso essa situaçao nao se altere, poderemos ter que enfrentar sucessivos problemas de estrangulamento externo...

O que acha ALEX?

ps: Desculpe resgatar alguns termos heterodoxos de necessidades de desenvolvimento, ou entao estrangulamento externo, mas é porque eu realmente acho uma hipotese nada irracional..

"As importaçoes no Brasil são demasiadamente pro-ciclicas. Isto é a elasticidade renda das importaçoes é maior no Brasil do que a media mundial...

Como isto é um fato, cabe explicar o porque desta situaçao"

É mais simples do que isso:

A elasticidade das importações (M)com respeito à demanda interna (absorção, A) é definida como:

e = (A/M)(dM/dA) (1)

No Brasil, A é praticamente igual ao produto (Y), de modo que podemos reescrever (1) como:

e =(dM/dA)/(M/Y) (2)

Mas M/Y = 0.112, ou seja, multiplicamos a resposta da importação à absorção pelo inverso de 0.112 (8,9).

Em outras palavras, como as importações representam uma fração muito pequena do produto (e da absorção), mesmo que uma fração modesta do crescimento da absorção se direcione às importações (digamos, 0,25, i.e., de cada R$ marginal dispendido domesticamente, R$ 0,25 se torna importação marginal), esta fração é elevada relativamente às importações (R$ 0,112 de cada R$ gasto domestico).

No caso, R$ 0,25/R$ 0,112 daria 2,3, isto é, 1% de aumento da demanda doméstica elevarias as importações 2,3%.

Excelente Alex...

Valeu professor...

E Alex,

Seguindo esse raciocínio, uma abertura maior da economia brasileira não seria benéfica ao quadro recorrente de restrição externa?

Abraços

Fiquei pensando:

A questão M/Y você já explicou muito bem. Exerce um efeito multiplicador danado já que a abertura da economia brasileira é bem baixa.

No entanto, o meu ponto poderia explicar dM/dA. Se as necessidades de absorção não são atentidas pelo parque industrial brasileiro, a saída seria importar. Aí dM/dA é elevado, e o resultado da elasticidade mostra-se extremamente elevado...

Mas responde aí Alex,

o câmbio real é significativo ou não como variável explicativa das importações brasileiras???

Abraço

Boa Alex, parece que o professor Nogueira Batista Jr ainda nao se acostumou com o cambio Flexivel. Alem disso ele parece ter uma certa atração pelo tema "cambio". Vai ano, vem ano e ele ainda obsecado pelo tema, claramente sempre inconformavel com o nivel da taxa do momento em questão. Ele realmente parece querer controlar todas as variaveis economicas. Por que sera que ele nao tenta uma posicao de ministro na economia de Chavez? ele tem chance

Alex ou "O", valeria a pena comentar, quando se define qual o percentual do produto que é importado, a questão de sonegação?
Trabalho em um mercado que compete com importação chinesa e o índice de subfaturamento é muito alto! Isso não mascara a relação M/Y?

Meus caros,
Um comentário sério uma vez que este blog está se tornando um blog humorístico da melhor qualidade. Eu não vi, só ouvi na rádio. O Pokemon acaba de lançar um estudo pelo IPEA sobre a economia de Brasília. Este mostra como Brasília é dinâmica e importante para a economia brasileira uma vez que cresceu bem mais que o Brasil nos últimos anos (não sei exatamente quantos anos). Ele mostra ainda que a escolaridade média de Brasília é maior que a brasileira, concluindo que a capital é super-dinâmica e apresenta claros efeitos multiplicadores sobre a economia brasileira. Este é outro estudo jóia para comentar. Eu não conseguia parar de rir. Como Brasília não produz nada, vivendo de transferências do resto do país, estes números seriam horrorosos. Eles mostrariam que esta sangria é crescente no tempo (inclusive em termos de recursos mais qualificados). Este povo realmente impressiona.
Saudações.

O Pokemon eh um imbecil.
Não tenho mais nada a dizer sobre ele depois desse elogio :)

Looting: The Economic Underworld of Bankruptcy for Profit - um artigo de Romer e Akerlof que mereceria ser comentado em blogs paleoliberais.

excelente ponto... por algum motivo estranho a maioria dos economistas se apega a modelos complicados de efeitos de primeira, segunda, até enésima ordem da taxa de câmbio, e esquecem da contabilidade social...