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terça-feira, 19 de junho de 2012

A controvérsia Reinaldo vs JMPM

Como quase todos vocês devem ter ouvido falar, um post de Reinaldo Azevedo criticando um estudo de economistas da PUC-Rio sobre o efeito do Bolsa Família sobre a criminalidade na cidade de São Paulo tem dado o que falar na blogosfera.

Se você não leu ainda, tem tempo a perder, e estômago sadio, aqui está o primeiro post de Reinaldo Azevedo em que ele encontra petistas embaixo de sua cama, na gaveta do faqueiro e dentro da maquina de lavar roupas; aqui a réplica de João Manuel Pinho de Mello, que provou que realmente trabalha duro em sua pesquisa e atividades docentes, pois ficou blatantemente óbvio que ele nunca bateu boca na internet (ou bar ou seminário...); e a resposta de Reinaldo, anunciando que está trabalhando em sua tréplica.

Resumindo, o Reinaldo Azevedo ficou indignado que o estudo dos professores da PUC-Rio atribui parte da redução da criminalidade em São Paulo à expansão do Bolsa Família para adolescentes de 16 e 17 anos, ocorrida em 2008. Sua indignação, em minha opinião, reflete um pouco de sua paranóia anti-petista, afinal o resultado do artigo atribui apenas uns 20% da redução da criminalidade aos efeitos do Bolsa Família, sobrando uma parcela leonina para outras variáveis como as políticas públicas do governo paulista.

Assim, Reinaldo pergunta:
"Por que, então, a campanha do desarmamento não produziu os mesmos efeitos no resto do Brasil? Por que, então, houve, na média, aumento da violência no Norte e Nordeste, embora sejam as regiões mais beneficiadas pelo Bolsa Família?"
JMPM responde:
"Consideremos o Nordeste, o contraexemplo preferido. É possível, na realidade provável, que o crime tivesse aumentado ainda mais no Nordeste na ausência do Bolsa Família, mas não temos como saber. Em linguagem científica isso se chama contrafactual. (...) Mutatis mutandis, o aumento da criminalidade no Nordeste ao mesmo tempo em que o Bolsa Família lá se expandiu não demonstra que o Bolsa Família não ajudou a diminuir o crime."
Aqui eu vou divergir do bom Pedro, que nos comentários desse blog argumentou que Reinaldo deveria ser reprovado com zero em qualquer curso de introdução às ciências sociais. O ponto que o Reinaldo levantou é relevante e deve ser considerado. Se o efeito do Bolsa Família na criminalidade é causal e generalizável (eu não estou convencido que seja um ou outro, e explico logo porque), então este programa teria contribuído para reduzir a criminalidade no Nordeste significativamente. Como sabemos que a criminalidade no Nordeste não caiu, então a divergência na criminalidade entre o Nordeste e São Paulo teria sido ainda maior do que observada – e isso reduz a plausibilidade das estimativas, pois aumenta ainda mais o puzzle do aumento da criminalidade no Nordeste. Na melhor das hipóteses, o fato que a criminalidade aumentou no resto do país sugere que o resultado não seja generalizável.

Quanto ao artigo, eu não estou convencido ainda. Vários resultados já publicados mostram que o BF tem efeitos bem modestos sobre variáveis como a oferta de trabalho. Também é pouco plausível que um benefício tão pequeno tenha efeito economicamente significativo, ainda mais em São Paulo. Os autores têm dados de 2006 a 2009. Por que não fazer um teste de placebo, estimando o efeito da expansão do BF ocorrida em 2008 na criminalidade em 2007? Eu sugeriria que os autores estimassem uma forma reduzida com dados de 2006-07 e testassem se a interação entre o número de estudantes entre 16 e 17 anos e a dummy para 2007 é significativa. Se o teste de placebo encontrar algum efeito da expansão do BF na criminalidade em 2007, é porque a estratégia empírica está mal especificada. Mas se a especificação passar pelo teste de placebo, dou meu braço a torcer (ainda que mantendo minhas dúvidas sobre a generalidade do resultado, vide comportamento da criminalidade no resto do Brasil).

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Jumentena

Graças ao grande Reinaldo Azevedo, fiquei sabendo desta fala jumentica da Professora Mensalena Chauí (aquela mesma de infame notoriedade pelo episodio do plagio de Claude Lefort) no Largo São Francisco.





Primeiro, nega que a liberalização do aborto fosse parte do programa do PT... Mas tudo bem, deixa para lá, vai que eles mudaram o que eles pensam, é o direito deles. Já fizeram isso quanto ao regime de metas de inflação, a lei de responsabilidade fiscal, o PROER, a reforma da Previdencia, o calote da dívida pública, as privatizações, o apoio ao agronegocio etc.

Mas o fim da picada foi mesmo a fala ignorante ou mentirosa, bucéfala, tão estúpida que não consigo nem ver saindo do teclado de um Luis Nassif (nem ele é tão ignorante ou mente tão descaradamente), que José Serra teria sido vitorioso em todas as regiões de agroindústria, portanto latifúndio (a partir do minuto 4:45)... Impressionante... Os dois estados que melhor podem ser caracterizados como intocados pelo latifúndio no Brasil, Santa Catarina e Paraná, votaram em Serra.

Os estados que votaram em Serra são melhor caracterizados como aqueles em que as únicas forças que em toda a história da humanidade melhoraram permanentemente a condição de vida das massas – o capitalismo e os ganhos de produtividade na agricultura – fizeram o seu trabalho. São exatamente os estados onde a erradicação da miséria rural está completa ou mais perto de completa.

Pior ainda, mais que isso, mais patético ainda, sendo Mensalena uma professora de Filosofia, foi o argumento com que fechou sua fala. Acredite se quiser (o link para o vídeo está aí em cima), mas ela teve a desfaçatez de argumentar que como teria dedicado sua vida a estudar Spinoza, nós deveríamos – passivamente - aceitar que sua opinião sobre democracia e liberdade de expressão vale mais do que um quilo de bosta em compota.

Marilena Chauí, tu és uma aparatchik sem talento, és ignorante sobre Brasil ou mentirosa, não sei qual o pior.

Este é o jumento Juvenal. Como ele não acha que Santa Catarina é uma província dominada pelo latifúndio de herança colonial, ele é certificadamente melhor conhecedor do Brasil do que alguns intérpretes de Spinoza.