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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Morcegada austriana

Cada vez eu fico mais assustado com a loucura das respostas que recebi quando postei o artigo de Sargent e Surico (AER 2011) que mostra que os dados americanos dos anos 80 para cá refutam fortemente a Teoria Quantitativa da Moeda.

É de lastimar mesmo. Se os fatos dizem algo diferente do que sua teoria favorita, você tem duas opções: [1] comporta-se como um cientista e joga no lixo ou tenta reformular sua teoria; [2] comporta-se como um jeca fundamentalista e enfia o pescoço de avestruz no primeiro buraco.

Infelizmente, dentre os 15 ou 20 economistas de movimento de direita no Brasil, a opção [2] tem sido a preferencial.

Dói dizer isso, mas a turma do partido da estrela que rasgou o programa socialista e se tornou establishment tem mais maturidade intelectual que os nossos 15 ou 20 intelectuais de direita.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Resposta ao austriano Adolfo

Eu comecei a responder ponto a ponto ao post do Adolfo em que ele prende a respiração e entra em um casulo para se esconder da realidade que a Teoria Quantitativa da Moeda tem poder explicativo zero para a determinação da taxa de inflação no curto e no longo prazo nas últimas três décadas nos EUA (vide Sargent e Surico, AER 2011).

Mas o argumento do Adolfo não merece uma refutação ponto a ponto. A cada parágrafo, a mesma pergunta parece se repetir: “se emitir moeda não gera inflação, então exatamente qual é o problema de se emitir moeda?”

Tal pergunta começa de uma premissa errada. É errado dizer que moeda gera inflação assim como é errado dizer que moeda não gera inflação, pois o efeito de moeda sobre inflação depende do contexto.

Por exemplo, em uma economia com desemprego bem acima da taxa natural, somente economistas austrianos apostariam que emissão de moeda seria inflacionária (como demonstrado nos últimos anos nos EUA). Neo-keynesianos como o Krugman e “O” por sua vez acertaram e têm acertado seguidamente que os riscos maiores têm sido de deflação nas economias avançadas.

Tendo dito isso, se moeda for emitida para financiar déficit público, tanto teoria quanto experiência nos dizem que o efeito deve ser inflacionário. Por isso mesmo, todos os países que se dão respeito adotaram instituições fiscais e monetárias que minimizam a possibilidade de financiamento do déficit público via emissão de moeda.

Economia é uma dona complexa demais para ser explicada por slogans.