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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A República dos Abestados

De vez em quando, minha capacidade de filtrar ou relevar notícias ruins chega ao limite e tenho que desabafar. Esta semana foi barra pesada.

Primeiro, o Alex postou sobre o retorno do discurso protecionista entre nossos grandes ‘empresários’. Deprimente.

Depois, o Cláudio Shikida me levou para o Coturno Noturno, que por sua vez me apresentou para esta monstruosidade, um manifesto de uma organização de blogueiros oficialistas, digo progressistas, pela nassifização da blogosfera:

Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela blogosfera progressista (...)

Mas nada me preparou para algo que vi citado no blog do ótimo Mansueto Almeida, esse texto do professor Antonio José Alves Junior (veja o texto inteiro aqui), que apresenta um argumento que eu já havia ouvido anteriormente da boca de um economista estrangeiro de banco narrando um argumento que ele teria ouvido em Brasília, mas pensei que estava parodiando:

(...) a política de crédito direcionado vigente favorece a eficácia da política monetária.

(...) Assim sendo, não fosse a atual política de crédito direcionado, que mantém estáveis os custos do financiamento do investimento, o aumento da Selic prejudicaria desproporcionalmente a formação de capital.

(...) O efeito do aumento da Selic, ao ser canalizado pelo crédito livre, pode ser empregado para ajustar os gastos em bens de consumo, cujos preços formam o IPCA, enquanto o crédito direcionado, ofertado em condições estáveis, contribui para a manutenção do nível dos investimentos. Dessa forma, a expansão do crédito direcionado, neste momento de incerteza, impulsiona a economia brasileira rumo ao crescimento acelerado e não inflacionário.


Em outras palavras, segundo o professor Alves Junior, a SELIC deve aumentar para contrair a demanda, mas ao mesmo tempo o erário deve oferecer um subsídio aos tomadores do BNDES (Petrobrás, Vale, Friboi...) para que a demanda não se contraia.

Isto me remete então para a pergunta clássica da nassifologia: ele escreve isso porque é um boçal ou está de sacanagem?

Professor do Departamento de Economia da UFRuralRJ diz que transferências dos contribuintes para os acionistas das empresas tomadoras do BNDES aumentam a eficácia da política monetária.

A resposta neste caso é cristalina: os abestados somos nós.