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sábado, 9 de outubro de 2010

Unicórnios

Depois de lidar com uma alma penada que acha hipocrisia que um jornal seja a favor da liberdade de expressão e demita jornalistas que discordam de sua linha editorial, tenho que trazer esta pergunta à comunidade:

Existe algum intelectual na área de ciências sociais, com capacidade de publicar e merecer respeito de seus pares, que (1) é abertamente petista hoje em dia e, (2) não depende de seu petismo para poder ou dinheiro?

Tenho certeza que deve ainda existir alguém que se encaixa nestas duas categorias.

Só gostaria de saber quem.

Eles existem!

Reações:

30 comentários:

Sei não...

Nassif/PHA = Intelectual

?

O NPTO não se encaixa na descrição...

Nem o Nassif...

Nem o PHA...

Se existe, ele não tem muita visibilidade.

Eu tenho certeza que deve haver algum. Este post é mais sobre minha ignorância do que sobre a inexistência de intelectuais petistas de peso sem ligações com o aparato estatal.

Há outros apreciadores de grama além do Unicórnio. Servem?

Não foi este blog que condenou peremptoriamente a demissão do Giambiagi do IPEA?

Com que moral agora os doutores querem defender a decisão do Estado?

"O"

Para a questão 1, talvez existam alguns filopetistas, isto é, alguém que se diga incluído no que é conhecido como "o campo da esquerda". Mas não conheço nenhum ao ponto de por a minha mão no fogo no que diz respeito à qualidade do que publicam. São ideológicos.

Para a questão 2, até prova em contrário a resposta é "não". Todos os intelectuais petistas de algum modo estão em relação de profunda dependência. Um bom indicador é a manifestação de vassalagem explícita dos reitores das Universidades Federais nos últimos tempos.

Reitores de Universidades Federais apóiam Dilma

EDUCAÇÃO - O BRASIL NO RUMO CERTO

(Manifesto de Reitores das Universidades Federais à Nação Brasileira)

http://ctbminas.blogspot.com/2010/10/reitores-de-universidades-federais.html

Demissão por discordância da linha editorial aconteceu no BCB tempos atrás...

ironic...


Doutrinador

"Com que moral agora os doutores querem defender a decisão do Estado?"

O Estado é uma empresa privada, com linha editorial definida. O Ipea é um instituto de pesquisa mantido por recursos públicos que deveria privilegiar a pluralidade.

Se você tem dificuldade com o conceito, pense se um hospital privado tem direito de demitir um homeopata porque discorda da eficácia da sua abordagem e se uma universidade pública tem o direito de demitir o mesmo homeopata.

Se, depois disso, você ainda não consegue perceber a diferença, aproveite os pastos verdejantes ao redor do unicórnio.

Nota:

Quem precisa se comunicar com os blogueiros pode achar nossos e-mails nos perfis:

http://www.blogger.com/profile/07896236826318022479 ("O")

http://www.blogger.com/profile/16519179514106647031 (Alex)

Juro que eu não entendi de primeira o que o asno zurrou sobre “decisão do Estado”...

Afinal imaginar que exista alguma pessoa tão estúpida que não consiga entender a diferença entre órgão público e empresa privada é algo muito além da minha imaginação.

Cara, é possível isso?!

Nesse caso, a análise nassifológica aponta para mau-caratismo mesmo. Ninguém pode ser tão burro assim.

“Para a questão 1, talvez existam alguns filopetistas, isto é, alguém que se diga incluído no que é conhecido como "o campo da esquerda". Mas não conheço nenhum ao ponto de por a minha mão no fogo no que diz respeito à qualidade do que publicam. São ideológicos.”

Eu tenho muitos amigos que eram petistas em 2002. Alguns deles com Ph.D. em economia ou ciência política em escola de ponta, que publicam etc. Cada um deles virou casaca, alguns viraram anti-petistas até exagerados.

Eu já ouvi comentários sobre a imbecilização da sociedade brasileira nos últimos anos, mas também houve uma imbecilização do petismo que é de assustar.

Ao comentarista que me escreveu privadamente, favor enviar a mensagem novamente para oanonimo2009@live.com

Mas-Colell

Kiyotaki-Moore

Randy Wright

Alberto Alesina

Olivier Blanchard

Ela não foi demitida.

No dia 07/10/2010 o diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S.Paulo, Ricardo Gandour, deu uma entrevista ao Terra Magazine cujo tema é esse caso da colunista Rita Kehl.

E nessa entrevista ele esclarece o que aconteceu. A colunista não pediu demissão e nem foi demitida pelo jornal. O que de fato aconteceu foi um natural revezamento. Talvez possamos dizer que ela foi "revezada".

O,

A demissão é natural..a justificativa de 'puro revezamento' entre os colunistas é onde mora a hipocrisia


Doutrinador

E mesmo que tivesse sido demitida, e dai? E' pre-requisito para a liberdade de imprensa que os donos de jornais demitam quem eles quiserem, quando eles quiserem, pelos motivos que quiserem.

Em universidades públicas, nas áreas de humanas, o aparelhamento alcança níveis assustadores. Conheci gente que falava abertamente que precisava prestar serviços ao PT para conseguir espaço na academia com maior facilidade. No caso, a tarefa que a pessoa tinha que fazer era "engajar" os funcionários de um setor da prefeitura onde trabalhava contra a administração, que estava nas mãos do PSDB.

Eles vieram com a desculpa para aplacar a patrulha. Infelizmente.

Na parte referida à ação do jornal, eu fico antes me perguntando o que teria passado pelas cabeças e quais os argumentos no conselho editorial que pesaram a favor da contratação de Maria Rita Kehl.

Um chute. Talvez aquela conversa mole politicamente correta de dar voz às opiniões, mas sem considerar a qualidade do produto, porém de olho na grife. Ao que tudo indica, a grife não mais agregava valor. Portanto, troque-se a grife. Normal em qualquer empreendimento.

Os recentes e sucessivos resultados eleitorais em São Paulo mostram que o valor de mercado das opiniões da articulista também caiu. Então, por isso a decisão de demitir e trazer ao jornal um nome mais ao gosto dos leitores consumidores. Sendo leitor do jornal, eu não lia os artigos da ilustre senhora e seguia adiante. Por mim, não fará falta. Espero apenas que tragam gente melhor.

Ao fim e ao cabo, essa é lógica do sistema. A respeitável senhora sai, é claro, atirando.

Não é lá muito diferente do que sucedeu com Nassif. E como o cobertor estatal parece não conhecer limites, acredito que breve os amigos também a acolherão e não faltará a ela um bom naco. Veja o caso do Nassif, o “ronaldinho” do jornalismo econômico, que hoje fatura bem mais alto no nicho das contratações estatais que dispensam licitação com base em brechas [aliás, porteiras escancaradas] na lei do que na época em que trabalhava para o PIG. O mais recente negócio do “jornalismo de serviços com dispensa de licitação” rendeu à empresa de Luis Nassif um contrato no valor de R$ 880 mil.

Quanto ao artigo que ela escreveu, ele é um indicador preciso da qualidade de pensamento da autora.

“O”

Idem quanto a amigos ex-petistas. No partido, os que conheci em passado distante, permanecem aqueles que hoje estão muito bem servidos e não desistem da rapadura docinha por nada neste mundo. Mas como a base material de tamanha fidelidade é o fornecimento do doce, eu não me surpreenderia, no caso de derrota de Dilma, com uma revoada em direção aos novos gerentes do engenho estatal. A se confirmar a arribação, resta observar como serão recebidos.

Desculpe o meu lixo de pontuação no último comentário. Não sei o q tenho hj!

Abs

Acho que mais de um aqui deveria ler com cuidado o livro Monetary Theory and Policy, do Carl Walsh.

Eu não compararia a Maria Rita Kehl com o Nassif. O Nassif não foi demitido por falta de leitores ou petismo, mas sim por uma falta beeeem desabonadora. Vide a carta que o Frias escreveu explicando porque ele saiu...

O Nassif é um nassif, sempre foi, sempre será. Se o Serra ganhar a eleição, ele vai se declarar serrista desde criancinha (basta o BRL ter um solavanco que ele vai usar isso como desculpa, sim o Serra entende melhor o problema do real forte).

Prezados, o Alex diz com muita propriedade que “O Estado é uma empresa privada, com linha editorial definida.” Como de resto, acrescento eu, o são, de modo geral, os demais meios de comunicação no mundo ocidental. E, como empresas privadas, nada mais natural que contratem ou dispensem quem bem entendam. Obviamente, há critérios. O mais importante é que os articulistas e demais responsáveis estejam em harmonia com a linha editorial, como Alex destaca. A linha editorial é algo um tanto abstrato, que diz respeito diretamente aos interesses dos clientes dos meios de comunicação, que são, sua majestade, os anunciantes. Um veículo de comunicação que pregue, por exemplo, a estatização da venda de pipocas não terá, entre seus clientes anunciantes, os pipoqueiros. Agora, liberdade de impressa, impressa livre, controle público dos meios de comunicação, “quarto poder”, manipulação da sociedade pela mídia, propaganda enganosa, etc. – isso tudo eu não tenho a menor idéia do que possa realmente significar! (Há um curioso personagem do Garcia Márquez nos Cem anos que só comia grama, como os burros, dizia ele, explicando seu paladar exótico… Havia uma jovem, que, de vez em quando, comia terra. Dava-lhe um desassossego, corria ao quintal… Talvez, no fundo, como acontece comigo, não entendessem bem certas obviedades. Ficam, portanto, os caros intelectuais freqüentadores deste renomado Blog dispensados de recomendar-me tais iguarias.)

A solução para o Brasil é educação. Há uma relação inversamente proporcional entre nível de educação no Brasil e quantidade de petistas.

Há esperança para os ignorantes. Já para a corja de ladrões e aproveitadores, estes continuarão a votar no petismo, pastando nas verdes gramas do dinheiro público fácil.

A resposta para a pergunta do unicórnio é simples. Tem um gênio assim.

Prof. J.L. Oreio. Que tem o famoso Teorema Keynes-Oreio, amplemente citada na literatura econômica.

Sobre a Kehl, não acho que tenha sido ideológico: Rubens Paiva e Veríssimo seguem no caderno escrevendo esquerdimos. Sobre os petistas, acho que existem dois tipos, os que fabricam bandeiras e estrelinhas (os espertos) e os que vão pra rua vendê-las e dão dinheiro pros outros (os otários). O que aconteceu, depois do mensalão e outras lambanças, é que alguns deixaram de ser otários.

Ficaram so' a Mensaleira Chaui, o Emir Sader, o Frei Boquetto... So' gente fina compromissada com a democracia e uma sociedade aberta.

Wanderley Guilherme dos Santos (antigo IUPERJ)

Gabriel Cohn (USP)

Otávio Dulci (UFMG)

Acho que todos estão aposentados, mas ainda estão na ativa, escrevendo e participando de bancas.