teste

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vladimir Safatle: produto de um sistema educacional falido

Eu costumo ter uma paciência de Jó quando leio as obras de nossos “cientistas humanos,” pelo mesmo motivo que não fico impaciente quando meu cachorro se recusa a ler a bíblia. Mas paciência é finita, enquanto a capacidade de zurrar asneiras de algumas bestas que se passam por intelectuais pode ser infinita. Então vou dedicar algumas linhas para aquele que talvez seja o maior charlatão posador em atividade no Brasil.

Veja o que o metrequefe intelectual do Vladimir Safatle escreveu na Folha de hoje:

Virou lugar comum usar a Coréia do Sul como modelo de desenvolvimento educacional. (...) para alguns, seria ótimo imitar o modelo de um país que, no fundo, nem sequer conhece o que é pesquisa em ciências humanas e não tem sequer um pólo real de influência em várias áreas do saber. Pois tais pessoas não acreditam que “educação” seja o nome que damos para um processo de formação do pensamento crítico, de desenvolvimento da criatividade e da força de mudança, de consolidação da capacidade de se indignar moralmente, de refletir sobre a vida social e de compreender reflexivamente as múltiplas tradições que nos geraram. (...) Para elas, “educação” é só o nome que damos ao processo de formação de mão de obra para empregos precários e mal pagos. Mesmo do ponto de vista do desenvolvimento social, tal escolha é catastrófica.

Mein gott, Camarada Safatle.

Primeiro, a hipérbole final sobre a catástrofe é patética. O resultado de qualquer política educacional coreana – a qual você claramente desconhece – não foi catastrófico, como o próprio sucesso econômico e de desenvolvimento social da Coréia do Sul atesta. Na pior das hipóteses, o modelo educacional coreano não evitou que aquele país agrário, cheio de homens raquíticos e destruído pela guerra se tornasse rico, saudável e industrializado

Segundo, o papo furado de desenvolvimento da criatividade e força de mudança é isso, papo furado. A Coréia do Sul se reinventou de país agrário para país de economia avançada em duas gerações. Se criatividade e força de mudança fossem algo que eles não tinham (uma idéia despudoradamente ridícula), tudo que o sucesso coreano provaria é a desnecessidade daquilo que Safatle define como criatividade. Ainda mais se lembrarmos que somos do Brasil, um dos países de produção cultural mais pífia do mundo, onde até o texto de dar vergonha do Chico Buarque merece prêmios literários.

Terceiro, o mesmo vale para a pesquisa em ciências humanas. Se os coreanos não sabem de ciências humanas e ainda assim conseguiram se tornar mais ricos, mais educados, mais lidos, mais saudáveis, mais altos, mais longevos que os brasileiros, isto é uma condenação de nossa atenção a meu ver excessiva às ciências humanas, não do modelo coreano.

Mas o mais bizarro é que apesar de também lançar sua rabugice desinformada e estereotipada contra o status quo brasileiro, o Professor Safatle não explica quais são as bases do modelo coreano nem menciona o que seria seu modelo ideal. Meu cinismo me sugere que seu artigo não foi escrito para defender um modelo educacional para o Brasil, mas sim o status quo do quinhão do FFLCH na divisão de verbas da universidade.

Por exemplo: é possível saber que importância o professor quer dar para considerações de equidade na educação brasileira? E qual sua opinião sobre a regulação das escolas privadas? Bem, em um universo alternativo em que o professor Safatle é um intelectual honesto que tenta aprender sobre o que escreve antes de escrever, ele se sentiria obrigado a mencionar que o conceito de equidade é central ao sistema educacional coreano (em total oposição ao nosso sistema), e que o sistema educacional coreano por décadas praticamente aboliu por meio de regulação a possibilidade que a elite econômica pudesse se perpetuar por meio de acesso a escolas privadas diferenciadas.


O Professor Safatle (acima) gostaria de privilegiar uma educação que consolida a capacidade de se indignar moralmente – talvez para compensar o déficit de indignação moral daqueles que o batizaram?

Reações:

37 comentários:

- IDH (2010) 0,877 (12.º) – muito elevado[6]

Safatle safado...ele deve ter confundido coreia do sul com coreia do norte... ou então, as ciencias humanas o deixaram louco!!!

abs

Safatle é conhecido por querer dar legitimidade política ao terrorismo e à violência quando executada em nome da revolução e da "transformação social". Ou seja, um comunista radical asqueroso, que espantosamente vem tendo um espaço ascendente na mídia,seja em veículos como a folha ou em emissoras públicas como a TV Cultura.

"de consolidação da capacidade de se indignar moralmente"

Como se os analfabetinhos funcionais não achassem o mundo injusto...O problema do sistema educacional coreano é um só: por sua qualidade e por seus resultados, torna mais difícil o trabalho do tal "pensamento crítico" e arrefece naturalmente a tal "capacidade de indignação moral", tornando sem sentido o palavreado oco de enganadores como o Safatle...

Kbção

Como diria o Selva Brasilis; A FFLCH é a selva pura e cristalina. Os Coreanos agradessem, é por isso que muito provavelmente este legítimo Ulucapatá, estará andando de Hyundai, vendo seus demiurgos em uma tv Samsung, acompanhando de um pote de yoggyberry guardado na geladeira LG!

PQP, "O", que hoje você se superou. Sério mesmo que foi você quem leu o texto inteiro do tal na FSP?

Carlos:

Safatle não é um "comunista radical asqueroso"; é o principal intelectual de ciências humanas no Brasil. O erro dele é escrever em jornal achando que todo mundo conhece filosofia do terror e da revolução em Hegel e vai entender seu texto como tal...

Marcelo:

Hyundai, Samsung, LG... E daí? Isso em nada responde ao texto, pois é fácil relacionar desenvolvimento econômico com "empregos precários e mal pagos" (não estou dizendo que concordo, mas o argumento é esse).

"O":

O texto sem dúvida tem relação com a reforma que o atual reitor quer implantar na USP. Mas isso não é essencial: o pessoal da USP sabe se defender sem a Folha. Além de que o reitor dançará em breve sem seu padrinho no governo...

O essencial é: o texto não nega a necessidade de formação técnica nem argumenta que o sistema brasileiro seja ótimo. Apenas diz que formação técnica não basta para definir educação, a qual deveria incluir a capacidade de "de refletir sobre a vida social e de compreender reflexivamente as múltiplas tradições que nos geraram" (novamente, não estou defendendo, mas apenas reconstituindo o argumento que você não entendeu). Isso não quer dizer que as ciências técnicas não tenham todo um modo peculiar de autocrítica e reflexão, mas que as ciências humanas talvez possam oferecer uma outra forma de crítica, paralela ou ortogonal.

Mas, afinal, a pergunta que fica é: por que o Brasil demora tanto para progredir na educação, mesmo em sua forma técnica?

Pode-se colocar a culpa nos esquerdistas que ficam insistindo nesse papo de reflexão etc. Mas um debatedor atento não daria tanta moral à FFLCH apenas por um argumento puramente provocador sem qualquer evidência.

Talvez valha a pena lembrar as formações culturais, as diferenças dimensionais e as condições geopolíticas internacionais que separaram as histórias de Brasil e Coreia. Se aqui temos mais esquerdistas, não é porque somos mais burros...

"No começo da formação efetiva do Estado nacional brasileiro, nos anos 30, um dos eixos das discussões educacionais girava em torno da necessidade de políticas maciças de "formação para o trabalho".
Partia-se da ideia de que o país deveria ter uma grande base de formação técnica especializada para fornecer mão de obra qualificada e prometer sólida empregabilidade a classes desfavorecidas. Por outro lado, bolsões de formação "humanista" seriam criados para uma elite que teria como função a reprodução de si mesma. Este sistema de duas velocidades era abertamente defendido pela intelectualidade que ocupava a imprensa, como Monteiro Lobato e Anísio Teixeira, entre outros.
Mas tais bolsões acabaram por produzir o pensamento crítico que iria, em larga medida, desconstruir a visão que as elites tinham do país, assim como mostrar sua incapacidade de construir um projeto nacional inclusivo. Esta formação não servia para os propósitos iniciais. Melhor seria mandar os filhos abastados estudarem economia financeira no exterior."

Só um comunistinha ignorante, tem um monte por aí. Pelo menos ele deixa claro o pensamento delinquente, e o seu ódio ao capital.

Safatle sequer pode ser considerado pensador original - não passa de divulgador de sub-intelectuais como o seu orientador Alain Badiou, francês que monstruosamente participou de grupos maoistas enquanto Zedong promovia a Revolução Cultural na China e matava milhares de pessoas. Sobre o tão profundo e essencial Hegel, outra referência de Safatle, Schopenhauer já dizia : "a commonplace, inane, loathsome, repulsive and ignorant charlatan, who with unparalleled effrontery compiled a system of crazy nonsense that was trumpeted abroad as immortal wisdom by his mercenary followers..."

Eu acho que algumas pessoas com educação mais técnica não conseguem, de fato, entender a importância que uma educação humana, ou um tempo maior para refletir, têm. Eu acho o auto-conhecimento algo importante para o ser-humano viver em sociedade, e se é possível estimular espíritos mais abertos e críticos através da política educacional, então acho uma boa idéia.

Mas o mais bizarro é a recusa dos pensadores das ciências humanas brasileiras em reconhecer, ou diminuir, a importância da educação técnica. Que estória é essa de empregos precários e mal pagos? Por um acaso a Coréia do Sul passou a ter mais empregos precários e mal pagos depois que iniciou o salto que reduziu o gap com relação ao resto do mundo? O professor Safatle deve ser hippie para achar que a educação técnica não é tão importante. Ou talvez seja só mais um intelectual pouco familiarizado com os livros de introdução à economia e o conceito de produtividade. Não é possível que alguém em sã consciência ache que a Coréia do Sul não está melhor agora, sob todos os aspectos, que há 30 anos atrás.

O medo do sujeito parece ser o de que a sociedade brasileira termine com muito conhecimento específico e pouca consciência crítica e política. Se consciência crítica e política é achar que Cuba está à frente do seu tempo, então prefiro viver no meio de materialistas patetas hiper-especializados. Parece menos perigoso.

abraços, Zamba

"Safatle não é um "comunista radical asqueroso"; é o principal intelectual de ciências humanas no Brasil."

Mas nem que a vaca tussa. Eh um charlatao que impera em um sub-campo em uma universidade de segunda categoria, estudando uma teoria morta. Que ele tenha espaco na midia apenas reflete a estupidez geral de nosso pais, mesma estupidez que mantem-nos no atraso que patrocina a USP-FFLCH.

Leandro,

Os professores lá precisam ter curso superior e são atualizados e avaliados a cada dois anos. Se o aluno não aprende, o professor é reprovado. A virada começou com uma lei que tornou o ensino básico prioridade. Os recursos foram concentrados nos primeiros oito anos de estudo, tornados obrigatórios e gratuitos, como são até hoje. O ensino médio tem 50% de escolas privadas e as faculdades são todas pagas, mesmo as PÚBLICAS. Bons alunos têm bolsa de estudos e o governo incentiva pesquisas estratégicas.
O fato é que logo depois da reforma da Educação, a economia da Coréia começou a crescer rápido, em média 9% ao ano durante mais de três décadas, e graças a isso, lideram em vários campos de pesquisa, desde células-tronco a robótica, da computação a nanotecnologia. Tinham um PIB per capita em 1960 de US$100!!! hoje é de US$25,800. Certamente, um país que não sente falta alguma de ter uma FFLCH e o que vc chama de, "o principal intelectual de ciências humanas no Brasil".

abs

"E daí? Isso em nada responde ao texto, pois é fácil relacionar desenvolvimento econômico com "empregos precários e mal pagos""

Assim como eh facil relacionar a torcida Mancha Verde do Palmeiras com o ciclo de vida dos paramecios. Nao tem nada a ver, mas o papel e o teclado aceita. E o mundo esta cheio de analfabeto funcional que aplaude.

"Talvez valha a pena lembrar as formações culturais, as diferenças dimensionais e as condições geopolíticas internacionais que separaram as histórias de Brasil e Coreia. Se aqui temos mais esquerdistas, não é porque somos mais burros..."

Talvez valha a pena deixar de ser um parasita vagabundo e tentar estudar algo.

O que o Safatle defende nao eh esquerdismo, mas patrimonialismo de vertente lusitana, do tipo mais atrasado.

Quando ele diz que nao devemos ser como a Coreia, o que ele esta querendo dizer eh: "veja como sou educado e tenho çenço critico, dane-se que eu nao produzo nada de util, mas pague-me para que possa manter minha vida vadia como membro do estamento dos homens de bem que nao produzem nada de util mas vivem do favor do Principe".

"Safatle sequer pode ser considerado pensador original"

E dai se ele eh original ou nao? Isso eh irrelevante. Antes de ser original ou nao, ele eh claramente estupido, vagabundo e ignorante.

"O essencial é: o texto não nega a necessidade de formação técnica nem argumenta que o sistema brasileiro seja ótimo."

Amiguinho, mas esse eh o problema, o texto nao diz nada. Eh impossivel saber o que Safatle quer para a educacao brasileira, porque Vladimir Safatle claramente nao tem nem ideia do que ele quer para a educacao brasileira. Tudo que ele quer eh justificar os recursos para a turma dele.

" Apenas diz que formação técnica não basta para definir educação, a qual deveria incluir a capacidade de "de refletir sobre a vida social e de compreender reflexivamente as múltiplas tradições que nos geraram" (novamente, não estou defendendo, mas apenas reconstituindo o argumento que você não entendeu)."

Nao entendi porque nao tem nada para entender. Se voce quiser que um jovem tenha pensamento critico, voce deveria estar ensinando-o que em toda a historia da humanidade o capitalismo foi o unico sistema de producao que proveu prosperidade e liberdade para o homem comum. Quem nao entende isso nao merece ser tratado como melhor que um imbecil.

Poucas vezes li um post absolutamente desprovido de substancia como este. Um lixo.

"Isso não quer dizer que as ciências técnicas não tenham todo um modo peculiar de autocrítica e reflexão, mas que as ciências humanas talvez possam oferecer uma outra forma de crítica, paralela ou ortogonal .

oi?!?!

Alex, uma licença fraterna.

feliz natal a todos , e um 2011 mais sóbrio...


;^)

"O Bolsa Família tem um efeito substantivo sobre a
desigualdade, pois estimula o consumo doméstico"

Aloisio Pessoa de Araújo


By: http://www.insightnet.com.br/inteligencia/51/PDFs/02.pdf

Uma sociedade aberta é tão generosa que até nulidades exploram o nicho comunopseudointelectual dissertando sobre o nada e criticando quem em todos os aspectos está melhor que ele, pensa melhor que ele, tem uma educação melhor que ele. Não é uma ironia um cérebro oco das humanas criticar o cartesianismo das exatas? Enquanto um engenheiro está construindo uma sociedade tem um cientista social parasitando o estado em alguma universidade pública. Eta capitalismo generoso.

Inconoclastas:

"oi?!?!"

É só uma metáfora visual.

Apenas para ilustrar uma diferença: um jovem com senso crítico deve olhar uma frase dessas:

"em toda a historia da humanidade o capitalismo foi o unico sistema de producao que proveu prosperidade e liberdade para o homem comum"

E pensar:

- Mas isso não significa absolutamente nada. Trata-se de uma série de palavras sobre a qual muita gente concordaria, sem que se possa garantir seu significado.

Podemos pegar um punhado de cidadãos inteligentes de formação mais ou menos afim, como Keynes, Popper, "O" e Paulo Gala, e os quatro concordariam com a frase acima, mas os termos "história da humanidade", "capitalismo", "sistema", "prosperidade" e "liberdade" teriam sentidos diferentes para cada um.

Enquanto ficarmos debatendo palavras, em vez de conceitos - que é o que o Safatle faz no artigo dele (sobre educação, o papo da Coreia deve ser besteira mesmo) e o que as ciências humanas fazem de melhor -, não estaremos debatendo nada, mas confrontando crenças - que é o que o "O" fez em suas réplicas.

Se você postular o que tem como a verdade e todo o resto como ignorância, mentira ou falsificação, o "debate" fica fácil.

Mas por que esculachar a cultura brasileira - o cinema, as artes plásticas, a literatura, a música, a própria cultura cotidiana da conversa que quem já viajou volta valorizando muito, a culinária - por causa de um cientista social da USP e um prêmio literário polêmico? Meu irmão twittou esse post, mas gostei mesmo do Leandro, "por que o Brasil demora tanto para progredir na educação, mesmo em sua forma técnica?" Essa é a questão. Esses tipos universitários são mais consequência que causa.

ps. sem querer ser coorporativista, mas sacanagem descer a lenha nas ciências sociais como um todo por causa de uns leninistas. Há muitos professores, e muitos mais alunos ainda, buscando alternativas inteligentes para pensar a sociedade brasileira...

Oi Leandro,
Gostei também desse seu último post sobre conceitos e palavras. "Confrontando crenças", você sintetizou bem. Quem é você?
H.

"em toda a historia da humanidade o capitalismo foi o unico sistema de producao que proveu prosperidade e liberdade para o homem comum"

Alguém me explica a ambiguidade existente na frase acima? Eu não consigo ver nenhuma. Deve ser porque eu sou um destes jovens sem espírito crítico, sendo que neste caso isso qur dizer que não faço escolhas morais segundo os parâmetros de "humanistas" da cepa do senhor Safatle.


André

“- Mas isso não significa absolutamente nada. Trata-se de uma série de palavras sobre a qual muita gente concordaria, sem que se possa garantir seu significado.”

C’mon, deixa de ser ridículo. A frase tem um significado bem claro ainda que pessoas diferentes possam discordar nos detalhes. Obviamente, se você define liberdade = groselha congelada e humanidade = ganso manco, o significado vai se perder.

“Enquanto ficarmos debatendo palavras, em vez de conceitos - que é o que o Safatle faz no artigo dele (sobre educação, o papo da Coreia deve ser besteira mesmo) e o que as ciências humanas fazem de melhor -,”

Que piada... O artigo do Safatle tem uma argumentação inane, além de ser baseado em premissas equivocadas, como eu discuti, e provavelmente motivado por motivo torpe (em outro artigo que li o Safatle defendia o ensino obrigatório de filosofia – uma idéia tão estúpida que eu duvido que um agente estrangeiro com objetivo de criar empecilhos ao desempenho econômico e social do Brasil teria o despeito de propô-la publicamente).

“Se você postular o que tem como a verdade e todo o resto como ignorância, mentira ou falsificação, o "debate" fica fácil.”

Se o outro é ignorante ou falso, eu estaria mentindo se não apontasse o erro do outro.

O artigo em questão peca por, na falta de palavra melhor, demonizar o que seria um modelo sul coreano de educação. Ao longo da leitura, imagina-se que a seguir virá a sugestão do modelo de educação e desenvolvimento implementados na Coréia do Norte. Mas, não. O artigo investe mesmo, contra o que aparenta ser o sul coreano transposto para o Brasil. Isso não bate bem com a realidade. Mas, parece que o artigo tenta levantar um muro contra tal processo alien. Pensa-se, que a seguir virá a indicação das questões do Enem como base de um vitorioso modelo de educação brasileiro na próxima quadra. Mas, não. O que fica ressaltado é que o artigo não trás proposta alguma. Uma pena. Os sul coreanos devem estar muito preocupados.
Dawran Numida

Bom dia Alexandre!
Desde que li o artigo do "iluminado", fiquei garimpando pelos jornais e internet alguem que escrevesse uma critica ao artigo do analfabeto intelectual. Mesmo sendo educado com ele valeu sua critica. Tenho esperança de ler criticas de outros blogueiros. Enviei a alguns blogueiros um pedido de critica, recebendo lhe eviarei, tenho certeza que terá no minimo duas não tão educadas.
abs

Amauri:

Obrigado pelos comentários, mas quem teve a paciência de ler o "iluminado" e mais ainda ao escrever a respeito foi o "O", quem, desconfio, não acha que foi educado com o autor.

Abs

Alex

Meus caros,
Acho o artigo muito claro. Mas tenho alguns pontos:
- É verdade que a sociedade brasileira nunca ligou para a educação de massa. É devido a isto que o tema nunca foi questão política relevante nem gerou (ou destruiu) capital humano para ninguém.
- Entretanto, isto não explica nada. Devemos entender porque isto ocorre.
- O segundo ponto é o excesso de importância dada às ciências humanas (característica ibérica?) em detrimento das técnicas. Pode-se pensar que a origem disto seriam as características extremamente excludentes e de rent-seeking que temos. Isto, entretanto, não explica nada tampouco (não entendemos os fatores que levam uma sociedade a ser assim e como deve ser uma intervenção de forma a mudá-la).
- Assim, a realidade concreta não é função do que o débil-mental escreve, mas ele, com certeza, têm interesses e está inserido em forte esquema rent-seeking (isto é mais grave porque torna ainda mais ineficiente os investimentos - poucos - em educação que temos).
- Por fim, vamos falar de educação? Então, DEVEMOS ENSINAR OS MENINOS A LER E ESCREVER E FAZER CONTAS, NÃO FILOSOFIA, HISTÓRIA AFRICANA, DIVINDADES INDÍGENAS, AÇÃO CRÍTICA CIDADÃ e tantas outras bobagens (que são claramente atividades RENT-SEEKING).
Saudações

Heloisa está certa. O "trabalho" de tiranófilos como o Ilitch Safatle não é motivo para menosprezar as humanidades no Brasil. O problema está na ciência oficial, na burocracia acadêmica, que impede a criatividade individual e impõe a picaretagem dessa corporação mafiosa como norma a ser seguida para conseguir uma sinecura estatal.

Mas é que ler essa gente nos tira do sério. Para dar um exemplo mais próximo a mim e ao blog: os engenheiros estão preocupados com a falta de mão de obra: faltam bons engenheiros no Brasil. Enquanto isso, a fração do exército vermelho nos departamentos de economia grita sobre a desindustrialização. Em essência, a proposta deles e seguirmos o modelo norte koreano e não o sul koreano. São esses elementos que dão má fama à ciência social brasileira.

"C’mon, deixa de ser ridículo. A frase tem um significado bem claro ainda que pessoas diferentes possam discordar nos detalhes. Obviamente, se você define liberdade = groselha congelada e humanidade = ganso manco, o significado vai se perder."

Veja, "O", um bom "proxy" da inteligência de uma pessoa é exatamente quanta inteligência ela projeta no discurso de seus interlocutores...

Ridículo, portanto, é você nivelar a diferença pelo absurdo. Se você acha que as definições:

"modernidade = único período que trouxe a liberdade para o homem comum"
e
"modernidade = período em que o poder baseado na tradição, no sangue e na força foi substituído por dispositivos tecnocientíficos de controle"

são tão diferentes entre si como são diferentes de:

"modernidade = unha de dinossaura"

então não há mais o que discutir. Cada um escolhe a definição que mais convir para o argumento e continuamos no âmbito da apologética.

Quando citei alguns exemplos (Popper, Keynes e o resto) de formação na área de economia e ciências formais, quis exatamente reduzir espectro das diferenças e lembrar como, mesmo dentro dessas áreas afins, a compreensão pode variar significativamente.

Se você conhecesse esse autores (e os leu com mais atenção do que tem demonstrado aqui no blog - estou até duvidando das suas espinafradas nos heterodoxos, que sempre achei interessantes), sabe das diferenças.

No mais, dizer que um filósofo defende determinado tipo de educação simplesmente para defender recursos para sua área é o mesmo que dizer que um economista defente aumento das taxas de juros simplesmente para premiar o perfil conservador da instituição em que trabalha.

Em primeiro lugar, é um direito de ambos.

Em segundo lugar, pode até ser verdade, mas esse é um argumento dos que querem barrar o debate na raiz, não realizá-lo.

E, além do mais, há uma diferença relevante de incentivos: o filósofo já tem lá sua estabilidade com bom salário garantida; já o economista...

Helô:

"Quem é você?"

Sou pós-graduando da FFLCH, mas não tenho nenhuma vinculação com o Safatle ou o programa de filosofia.

Apenas gosto do Safatle como acadêmico e efetiviamente acho que no Brasil ninguém é tão bom leitor e articulador em ciências humanas como ele.

O tom "panfletário" de suas intervenções nos jornais se deve tanto aos limites do meio quando a certo "mea culpa" que ele talvez queira fazer junto à esquerda mais radical que o circunda, já que seu trabalho acadêmico, do ponto de vista de um esquerdismo tradicional, é certamente "conservador".

Sobre a honestidade intelectual do "argumento Coreia", nada sei sobre o país e o debate ficou no 0 x 0; Safatle não deu evidência, mas tampouco o fizeram as críticas que li.

De todo modo, creio que o ponto central é o conceito de educação, não o caso Coreia.

Meus caros,
Vamos discutir, então o conceito de educação:
- Últimos lugares sistemáticos nos testes internacionais de qualidade educacional.
- Queda do número absoluto de matrículas no segundo grau entre 2003 e 2010.
- Taxa de cobertura do segundo grau de cerca de 50% atualmente.
- Provas avaliativas ridículas (ENEM) onde (citando um aluno meu) "basta saber ler e ter um mínimo de bomsenso que você fecha a prova". Mesmo assim, os alunos têm dificuldades em fazê-las.
ESTE É O QUADRO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL!!!!!! Mas e as ciências humanas? AZAR DAS CIÊNCIAS HUMANAS!!!!!!! É ISTO QUE DEVE SER DISCUTIDO!!!!!!! Não conheço a Coréia, mas este artigo é uma palhaçada!!!!!
Vamos buscar um objetivo: TODOS OS JOVENS BRASILEIROS NA ESCOLA E QUE, AOS 17 ANOS, AO SAIR DESTA, SAIBAM LER E ESCREVER E FAZER CONTAS!!!! Enquanto isto não ocorrer, VAMOS FAZER GRANDES MANIFESTAÇÕES (OU AO MENOS, ESCREVER DE FORMA INDIGNADA NOS JORNAIS). O resto é balela.
Saudações
PS: Mesmo com o nível extremamente ridículo do ENEM, qualquer um com mais de 18 anos que obter uma nota medíocre neste ganha o diploma de 2o. grau. Esta aberração não deve existir na Coréia, afinal, eles não são "humanistas".

Caro Alex
Alguma novidade? Essa é aquela velha patacoada gramsciana, no qual a escola tem como função formar militantes.
Por essas e outras que a nossa educação vive em agonia.
Abraços e feliz 2011.

Última saída (ou seria último Nassif?) à direita...

No fim, discutir sobre e com gente no mesmo nível intelectual é sempre mais interessante, não é, "O"?

;-)

“No mais, dizer que um filósofo defende determinado tipo de educação simplesmente para defender recursos para sua área é o mesmo que dizer que um economista defente aumento das taxas de juros simplesmente para premiar o perfil conservador da instituição em que trabalha.”

Não, não é. É implausível que um professor de filosofia – ou qualquer entidade pensante – defenda a introdução compulsória do ensino de filosofia no currículo do ensino médio por outro motivo que rent-seeking.

“Em primeiro lugar, é um direito de ambos.”

Caraças! Ninguém está discutindo direitos. Eu defendo até o direito de pais batizarem seus filhos com o primeiro nome de assassinos em massa.

“Em segundo lugar, pode até ser verdade, mas esse é um argumento dos que querem barrar o debate na raiz, não realizá-lo.”

Mas debater o que? Se você me convencer que existe um argumento de política pública para se ensinar filosofia no ensino médio mais convincente que a necessidade do erário escrever um cheque de 500 milhões de reais para o Fernando Sarney porque ele nasceu no dia de seu aniversário, eu posso começar a debater.

“E, além do mais, há uma diferença relevante de incentivos: o filósofo já tem lá sua estabilidade com bom salário garantida; já o economista...”

Non-sequitur.