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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

País dos otários: o oligopólio do ônibus interestadual


(Inspirado pela última coluna do frequentemente intragável, mas às vezes correto, Elio Gaspari)

Preço de uma passagem de ônibus ida e volta, entre São Paulo e Rio de Janeiro, saindo na quarta-feira 8 de janeiro às 6:30 da manhã e retornando no dia seguinte 9 de janeiro às 8:30 da manhã, pela viação Cometa: R$ 155.40

Preço de uma passagem de ida e volta, entre Boston e New York, para a mesma data, pela viação Peter Pan: US$ 37.00 ou R$88.06 para um dólar a R$2.38

Distância entre São Paulo e Rio de Janeiro (fonte: Google Maps): 432km

Distância entre Boston e New York (fonte: Google Maps): 214 milhas ou 342km

Razão entre o preço da passagem: 155.4/88.06 = 1.76

Razão entre as distâncias: 432/342 = 1.26

Agora, a parte mais engraçada da história toda: é necessário ter uma concessão do governo federal para operar uma linha de ônibus interestadual no Brasil.

Sério. Não estou de gozação. Repito: é necessário ter uma concessão do governo federal para operar uma linha de ônibus interestadual no Brasil.

Quando foi que eu ouvi algum político propor a desregulamentação deste cartório? 

É possível existir um povo mais otário do que o brasileiro? Ainda não encontrei, continuarei procurando (gosto de viajar).

Reações:

51 comentários:

Vale ressaltar que a Viação Passaro Marron (com 'n' mesmo) que faz o trecho São Paulo - São José dos Campos não aceita cartões de débito/crédito. Quem quiser viajar tem que pagar em cash mesmo.

Vale ressaltar que a Viação Pássaro Marron (com 'n' mesmo) responsável pelo trecho São Paulo - São José dos Campos não aceita cartões de débito/crédito!(Isso mesmo, nem de débito) Quem quiser viajar tem que pagar em cash mesmo.

Caro "O", lendo hoje no Valor um artigo sobre o impacto do Nafta no México, faço uma sugestão de post sobre este tema.
Dantas

Só estou perguntando, não estou iniciando uma polêmica: qual deveria ser então o sistema? A viagem é feita por uma rodovia federal sob o regime de concessão, onde há pedágio (acho que uns 4, a pelo menos 10 reais cada), regido sob um código nacional de trânsito (que, imagino, deve impor certas regras sobre o tráfego de veículos de grande porte pelas rodovias). Além disso, uma estrada é um, digamos, por falta de termo melhor, um espaço finito. Ônibus urbanos funcionam sob o regime de concessão. Como não ser através de concessão?

"A viagem é feita por uma rodovia federal sob o regime de concessão, onde há pedágio (acho que uns 4, a pelo menos 10 reais cada), regido sob um código nacional de trânsito (que, imagino, deve impor certas regras sobre o tráfego de veículos de grande porte pelas rodovias). Além disso, uma estrada é um, digamos, por falta de termo melhor, um espaço finito"

Neste caso, por que, então, o transporte de cargas por rodovias federais não requer concessão?

Boa pergunta. Mas as cargas seguem trajetos muito variados, enquanto o transporte de passageiros, além da mesma rota, os embarca e desembarca no mesmo local. É mais ou menos como o transporte ferroviário, nesse aspecto. Imagino que as companhias de trem devam estar sob algum regime de concessão, quando não são, como na França, estatais. Mas posso estar enganado.

Caraio, JP - olhei na profundidade da jeguice brasileira e tremi de medo.

"O"

Como deveria ser?

Empresas de ônibus interestaduais devem ser obrigadas a ser cobertas por um seguro, incluindo danos a terceiros e seus passageiros.

Qualquer outro requerimento regulatório só se presta para transferir renda dos otários para as famílias Cola, Havelange e similares.

Alex: não dá idéia para o Komissar JP

Vale ressaltar que a qualidade dos ônibus nos EUA é superior, o salário pago aos motoristas também. Podemos chamar o diferencial de preços imposto sobre a burrice. Ou talvez não, porque impostos são coletados pelo erário, não pela plutocracia conectada.

Esse sistema dá origem a um mercado informal. Não se se existe entre SP e RJ, mas existem ônibus clandestinos fazendo viagens entre SP e outras capitais. São ônibus de turismo fazendo rotas regulares. As passagens são vendidas por uma rede informal, os ônibus tem terminal em lugares como proximidades de estações do metro. Os passageiros são instruídos a dizer que estão fazendo uma viagem de turismo se forem parados pela Polícia Rodoviária. Funciona bem e é muito mais barato. S

Os ônibus não me pareceram melhores. Assim como na Europa, as poltronas são de um estofado fino que quase não se inclina. Mas as estradas… nem se comparam. Agora, o curioso é que lá existem menos companhias de ônibus que aqui. E os preços são menores. Certamente nosso regime de concessão explica parte dos preços.

Infelizmente para quem gosta de viajar a procura de povos otários, não vai ser necessário ir muito longe para encontrar outros.

“É possível existir um povo mais otário do que o brasileiro? Ainda não encontrei, continuarei procurando”

Não encontrou por ser o senhor um apreciador das boas coisas e só tem viajado para o Norte. Lá no Sul, tem um país onde planejaram o retrocesso, ao acreditarem cegamente que medidas como privatização, paridade peso/dólar e inserção no mercado global os levariam ao progresso. Acreditaram também que eles seriam um exemplo a ser seguido, já que as tais medidas eram aplaudidas aos gritos de Uhuuu pelos economistas neo-inteligentes.

Otários, não?

Abs,
O Poeta Idiota

Prezado P. Idiota,

Estás falando abobrinha. Afinal, o Chile nunca teve paridade peso-dólar e a Argentina nunca teve inserção no mercado global (vide Mercosul).

Só o trem-bala vai melhorar isso!

“Os ônibus não me pareceram melhores. Assim como na Europa, as poltronas são de um estofado fino que quase não se inclina. Mas as estradas… nem se comparam.”

Interessante seu comentário.

Minha lembrança dos ônibus da viação Cometa inclui baratas como passageiras clandestinas.

Já minha lembrança de ônibus no nordeste americano inclui free wi-fi no ônibus incluído na passagem de 18 dólares.

Quanto às estradas, depende de onde você está no Brasil. As estradas paulistas não devem muito às estradas do primeiro mundo. Mas se você tiver a infelicidade de ter que morar no resto do Brasil, daí não dá para comparar mesmo.


“Agora, o curioso é que lá existem menos companhias de ônibus que aqui. E os preços são menores. Certamente nosso regime de concessão explica parte dos preços.”

Em qualquer rota como Boston e NY que citei, existem mais companhias de ônibus do que em qualquer rota interestadual no Brasil.

Vitor Fancio, "O": experimentem pegar entÃo um "shuttle" (busão executivo) do aeroporto de Confins para o centro de BH ... só aceita cartão na compra da passage se for AMEX; credicard, e visa, não !! @0 reais.... contra 80 do taxi.

Agora... canadá... tem é "monopólio".. Greyhound - éa única. Teve uma vez que a federação dos estudantes da universidade que frequentava quis colocar à disposição dos estudantes um busão fretado com escala regular (e mais barato) para ir até Toronto e outras cidades... e deu pau na justiça; a empresa alegou que tinha concessão... acabou que perdeu !

Alias... bizarro mesmo é pegar onibus de NY a Boston ? Vai na Penn Station e vai de trem, pô !! ehehe

João Paulo Rodrigues... 1o. é acabar com a noção de rodovia federal x estadual - os trechos são todos estaduais, correto ? portanto também a construção, operação e manutenção. Tem que haver somente, orquestração de esforços.

E, acabar também com a noção de que concessão é privatização - concessão é facismo... o estado parceiro da iniciativa privada; privatização... o bem não volta mais para o estado.

Em relação aos Ônibus urbanos lá nos EUA/CAnadá ... um detalhe: paradoxalmente, lá não é concessão municipal - são empregados do municipio !! com direito a salário alto (~US$60K/ano), beneficios, e aposentadoria publica.

Caro Alex
Embora seu post pareça lógico, tem algumas pequenas inconsistências e algumas delas são válidas exclusivamente para o caso específico. Por exemplo: 1 - A distância é um fator preponderante nos custos? r.:É mas o tempo que se leva para percorrer a distância pode ser até mais importante, inclusive no consumo e mão e obra.
2 - O custos de manutenção dependem da qualidade do leito carroçável.
3 - Esta história sobre mão de obra barata no Brasil é pura estupidez, de forma geral a mão de obra brasileira é muito mais cara que a americana, embora o trabalhador receba menos. Tabalhei numa indústria que tinha uma unidade gêmea na Flórida No nosso melhor momento o custo da mão de obra foi 22,3%¨superior ao americano por queilo de produto. Motivos: legislação trabalhista, diferença da produtividade gerada pelo ambiente de negócios, e lá vai.
No caso dos ônibus temos que considerar a parte tributária e custos fíxos que não dependem do trajeto.
Outra coisa, vamos parar com esta estória de perguntar se o Brasileiro é otário, que acho que foi o Rodrigo que começou.Isto é uma dúvida vergonhosa para nós. Até porque está muito claro;
O BRASILEIRO É OTÁRIO SIM SENHOR!

"bizarro mesmo é pegar onibus de NY a Boston ? Vai na Penn Station e vai de trem, pô !! "

De ônibus é muito mais barato.

Prezado Alexandre.
Não é só por isso que o brasileiro é otário. A classe média vive sendo enganada, explorada pelos preços das mercadorias no shoppings centers e não reclama. Pelo contrário até se vangloria por pago mais caro por mercadorias de griffe, made in china.
Os mais pobres idem. Compram à prestação em trocentas parcelas, pagam juros obscenos e continuam comprando e exibindo celulares caríssimos (aqui) e custos de ligação absurdos.
O Jorge Ben definiu muito bem o que deseja o povo brasileiro: Um fusca, um violão e uma nega chamada Tereza. A verdade é que cada povo tem o governo que merece.

“Argentina nunca teve inserção no mercado global (vide Mercosul).”

Sr. “O”, por ser leigo talvez tenha usado inserção com o sentido errado. Eu estava me referindo à abertura econômica efetiva na Argentina (realizada pelo Min. Cavallo em 91) que somada a convertibilidade peso/dólar provocou um salto nas importações argentinas (92 a 94).

Comparando com os tempos das restrições às importações, para um leigo, a abertura comercial e o câmbio valorizado inseriram os argentinos (em 92) e brasileiros (em 94) no mercado mundial ... como consumidores.

Abs,
P. Idiota

Ronaldo, muito bons comentarios. Faltou considerar o custo do pedagio tambem, e o combustivel. Gasolina e' muito mais barata no EUA. Onibus brasileiro vai com diesel subsidiado entao a diferenca e' menor mas acho que deve ser ainda mais caro que la.
Porem na parte do custo trabalhista eu discordo de voce nesse exemplo. Tudo bem que temos que considerar manutencao, despesas administrativas, etc, mas o custo mais relevante aqui e' uma pessoa, o motorista.
De maneira geral porem, como em quase tudo, e' a mao pesada do governo que encarece tudo no pais, ao contrario da percepcao geral da populacao que insiste em atribuir a diferenca a ganancia dos empresarios locais.

agora me explica o por que do Amtrak ser uma merda?

O sistema de transportes rodoviário de passageiros no Brasil (municipal, estadual e interestadual) é por concessão, autorização ou permissão. Os preços das passagens interestaduais (por km) são menores do que as estaduais de diversos estados (MG e RJ). Os órgãos concedentes têm uma planilha de custos. Em geral é dividido em: a) custos que variam com a KM; b) custos que variam com a frota; c) depreciação; d) custos administrativos; e) remuneração (de capital investido).
O argumento que defende a adoção do sistema de concessão é segurança.
Sobre o custo no Brasil temos que comparar: combustível, lubrificantes, pneus (qualidade das estradas são fundamentais no gasto), custo da mão de obra, peças e acessórios. Custo e qualidade dos ônibus. Custos tributários (no Brasil ICMS, PIS, COFINS, etc.).
O Chile há alguns anos atrás abandonou o sistema de concessões. No início deu muita confusão (não sei como é hoje). Mas no Brasil o estado controla quase tudo.

Para o Chile, eu encontrei isso:

“There will be buses to Concepción about every half hour but the type of service varies. I would see if you can find seat in either SALON CAMA or SEMI CAMA. Those are comfortable seats for the 6-7 hour ride. Salon cama will cost about13,100 pesos and Semi-cama 9,000. Those costs are approximate. Don't get Clásico unless you have to. It is alright but stops everywhere on the way and has less comfy seats.”

Um ônibus leito para o trajeto de 6-7 horas entre Santiago e Concepción custa aproximadamente R$58 – substancialmente mais barato que uma passagem em um ônibus normal da Cometa para o trajeto mais curto entre Rio e São Paulo.

Seria essa a confusão a que você se refere, Mage?

"agora me explica o por que do Amtrak ser uma merda?"

Talvez a sua progenitora lhe responda quando zurra batendo os cascos no chão desta maneira, mas não esse neanderthal.

"O sistema de transportes rodoviário de passageiros no Brasil (municipal, estadual e interestadual) é por concessão, autorização ou permissão."

Pais de otarios.

Amtrak uma merda ? Que idiotice de jornal é essa ?

Eu falo pq andei em TODAS as linhas do AMTRAK - TODAS, sem exceçao - de Seattle a Miami, de San Diego a Vermont ()

NO Chile, conheço muito também - é o país de uma rodovia (importante) só, vai de Norte a sul, e não tem mais. É o pais do u-m só: um aeroporto, uma cidade, um metro, etc.. É muito chico, okay ? Não entra nem como erro estatístico. Economia menor do que o estado de Minas Gerais... E lá, é assim... o país não produz uma agulha de costura - é tudo importado!! E os onibus da capital.. são todos de 2a mão da Marcopolo, e o trocador é uma caixa de moedas que fica do lado do motorista ... l-i-x-o !

"O argumento que defende a adoção do sistema de concessão é segurança. "

Essa é boa... O que o sistema de concessões tem a ver com segurança? Absolutamente nada!

Se alguém lhe vendeu esse argumento, fê-lo por mau caráter ou idiotice.

Se o objetivo é garantir a segurança, basta exigir que as empresas comprem apólices de seguro abrangentes que cubram danos a passageiros e a terceiros. Se uma empresa não cuidar de sua própria segurança – algo bem improvável em um sistema competitivo devido a custos de reputação e o fato que a empresa internaliza o incentivo de não destruir seu capital físico – então a seguradora que subscrever a apólice vai fiscalizá-la (ou a empresa não vai conseguir comprar uma apólice no mercado de seguros privados).

"Comparando com os tempos das restrições às importações, para um leigo, a abertura comercial e o câmbio valorizado inseriram os argentinos (em 92) e brasileiros (em 94) no mercado mundial ... como consumidores."

Que abertura comercial? A Argentina importava menos que 10% do PIB em bens, no auge da decada de 1990... um dos paises mais fechados do universo conhecido por neandertais e homo sapiens.

Se alguem lhe vendeu a ideia que a Argentina se deu mal porque era super aberta e que tais, a besta era canalha ou imbecil (se professor da Unicamp, possivelmente ambos).

Caro Vitor Fancio, sabia que a Passaro Marron é da família Constantino, a dona da Gol?

Além de só aceitar cash, a Passaro Marron comete prática abusiva quando da venda do seguro facultativo. A opção do seguro não é informada pela concessionária, que faz a cobrança do valor do seguro automaticamente quando da cobrança do valor da passagem, sem o consentimento do passageiro. De acordo com a Lei 8078/90, art. 39, constitui prática abusiva "enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer serviço" e "executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes".

Além disso, são extremamente ineficientes nas filas: no Tietê as maiores filas são sempre deles (não há fila única, então o cliente fica muito puto quando pega uma fila cujo atendente é o mais lerdo, ou quando tem uma velhinha que não sabe para onde quer ir na fila).

"O": a comparação de preços entre um único segmento, de países diferentes, deve analisar a planilha de custos do mesmo. O Brasil é um país que tem quase todos os preços muito acima do mundo globalizado (ônibus, combustíveis, pneus, peças, etc.). As estradas são piores (influencia custos). A tributação também influencia (o custo trabalhista inclusive). As exigências do órgão concedente influenciam os preços. O transporte de passageiros tem exigências superiores, pois lida com vidas humanas. Existem indenizações por dano moral, material (depende da renda do passageiro), impossíveis de serem cobertas por seguro (o valor segurado e o custo são inviáveis). Não estou defendendo o segmento, nem o sistema de concessões, apenas informei que o maior argumento utilizado é a segurança (fiscalização de horários de trabalho de motoristas, de frota, de horários das viagens, de pontos de parada, de alojamentos, etc.).
As concessões no Brasil estão vencidas e devem ser renovadas (concorrência). Isto deve ter segurado os investimentos das empresas (li nos jornais que apenas as empresas concessionárias poderão concorrer - ?). O sistema não é muito lucrativo (publicações de balanços).
A Cometa nunca foi do Havelange (na época da guerra o Sr. Tito Masciolli utilizou-o para não ter a empresa atacada). Hoje a Cometa é do grupo 1001 (do RJ). Os preços das passagens acompanham os outros preços do Brasil (somos um país ainda fechado para o mundo). Conheço pouco do setor (há uns 30 anos atrás participei de grupo que sugeriu plano de contas e uma planilha de custos para o segmento). O órgão concedente tem planilha de custo (já muito modificada, nem conheço a atual). Os preços obedecem a uma lógica. O custo de depreciação é muito alto, os investimentos em garagens, pontos de apoio, alojamentos, são também altos. O transporte urbano no Brasil já foi estatal (o prejuízo ficou insustentável). Já foi também de lotações (sem concessões). Era muito pior. Se liberado o sistema o mais forte engolirá o mais fraco. Os pequenos se deixarem de computar o custo de depreciação não conseguirão renovar a frota. A linha Rio x SP tem umas quatro empresas concedentes. Nossos aeroportos também ficaram com sua capacidade deixando muito a desejar. Os aeroportos de Confins e o Galeão no início pareciam gigantes subutilizados. Hoje não atendem mais a demanda.

Mage,

Com todo respeito, é exatamente gente com mentalidade parecida com a tua que condena o Brasil ao atraso. És a saúva.

a) Qual o significado de “o mais forte engolirá o mais fraco”. Por que isso seria ruim, ao invés de ótimo? Por que você gostaria de ter um sistema onde o mais fraco tem a primazia de monopólio em um mercado privado? Você tem algum motivo para achar que o transporte rodoviário tem grandes economias de escala? Se tais economias de escala existem, você tem algum motivo para achar que elas não devem ser exploradas?

b) Qual o significado de “O Brasil é um país que tem quase todos os preços muito acima do mundo globalizado”? Então, pelo seu sofisma (recuso-me a chamar essa brezengalha de lógica), porque nossos preços são acima do mundo globalizado, devemos nos satisfazer com nossos preços serem acima do mundo globalizado?

c) “O transporte de passageiros tem exigências superiores, pois lida com vidas humanas”. O mesmo pode ser dito de restaurantes. Devemos ter concessões para restaurantes, assim como em Cuba?

d) “Existem indenizações por dano moral, material (depende da renda do passageiro), impossíveis de serem cobertas por seguro (o valor segurado e o custo são inviáveis).” Por que impossíveis de serem cobertas? Deve haver poucos setores de atividade econômica mais fáceis de segurar do que o transporte de passageiros. Existe uma infinidade de dados – e os riscos são relativamente pequenos pois acidentes são, sim, raros. Mais: os interesses dos segurados (companhias de ônibus) estão alinhados com a seguradora, afinal o mesmo acidente que machuca os passageiros danifica os ônibus.

“o trocador é uma caixa de moedas que fica do lado do motorista “

E sabe por que, ó jumento renato? Porque o Chile é um país de renda alta. Trocador/cobrador é profissão de país de terceiro/quarto mundo.

"O" ... presta atenção: Chile só é rico nas revistas de turismo, okay !! Vai lá ... Vive lá... trabalha lá ... e versa que é tudo marketing !! A caixa de moedas que eu falo é de madeira(!!), e fica trepidando à medida que o ônibus avança pelas ruas da cidade. O motorist tem que até colocar a mão em cima para impeder que se abra.

Alias... como lá é o país do u-m só, esqueci de mencionar que só tem u-m Shoopping.

Sr. "O"

"A Argentina importava menos que 10% do PIB em bens, no auge da decada de 1990."

Bom argumento. Vou me informar melhor sobre como a Argentina se deu mal.

Obrigado,
P.Idiota

"O": quando o mais forte engole o mais fraco a concorrência acaba. E não existe liberalismo sem concorrência. O custo de capital no transporte é muito alto. Os custos dos insumos do transporte são mais altos no Brasil (assim como quase tudo), por extensão a tarifa acompanha. A comparação de custos em ambientes diferentes tem que considerar as diferenças de custo. Transporte é muito mais complexo do que parece. Não entenda como uma defesa do sistema de concessões, mas sim como uma explicação sobre custos diferentes em países diferentes.

Ronaldo, concordo com o primeiro item de sua postagem:
"A distância é um fator preponderante nos custos? r.:É mas o tempo que se leva para percorrer a distância pode ser até mais importante, inclusive no consumo e mão e obra."

Percorrer 200 km pela Rio-Santos é mais oneroso do que transitar esta mesma distância pela rodovia Castelo Branco.
Cito ainda o desgaste do veículo (freios, pneus, trocas de marchas, sistema de embreagem, etc.).

Ângelo

“"O": quando o mais forte engole o mais fraco a concorrência acaba.”

Errado, tao errado quanto economista pós-keynesiano em banheiro de shopping.

A concorrência acaba quando barreiras artificiais são erigidas para proteger incumbentes.

Por outro lado, a concorrência triunfa quando o mais eficiente destrói o menos eficiente.

(Pela sua lógica, se o sujeito tem câncer, para evitar que ele morra dessa doença, você daria um tiro na cabeça dele. Seria um tratamento perfeito, ninguém mais morreria de câncer.)


“E não existe liberalismo sem concorrência”

Não existe liberalismo com concessões de monopólio.

Que coisa mais ridicula isso ! Viram a infraestrutura bancada pelo estado para recadastramento ? Onibus intinerante, sistemas de TI, novo hardware, pessoal, etc... e para que ? PAra chegar na boca da urna e anular ou votar em branco.

Mudando de assunto, mas dentro do mesmo tema de "OTáRIOS"

Vocês estÃo acompanhando a tal Recadastramento Biométrico do TSE ??

Que coisa mais ridídula essa, peloamordedeus !!

Naqueles países lá do hem. norte... aqueles onde o voto é facultativo .. basta levar a CNH - nem existe o titulo de eleitor, muito menos se deixar ser medido biometricamnete pelo Estado o que, para eles, configura uma baita invasão de privacidade.

Já aqui ... os brasileiros otários deixam tranquilamente suas digitais na CI, na CNH, e ainda se obrigam a declarar "lista de bens" (como casa, carro, ações de linha telefonica, etc.) na declaração de ajuste anual de imposto de renda.

Biometria para votar é o sonho dos petistas e coronéis da velha guarda.
Maradona

Alex

vc pegou num ponto que tem algo muito maior por trás

Os estudos de viabilidade econômica do TAV rio/sp se justificam levando em conta a atuação do oligopólio que congela a demanda e o preço.

Já fiz o percurso de carro várias vezes, estrada não falta.

Só no brasil se lê uma notícias dessas ... onde o estado se responsabiliza por negócios da esfera privada, via seus tentáculos na economia - seja via BNDES ou seja por via de Agências Reguladoras.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,governo-articula-a-venda-da-empresa-de-ferrovias-all-para-a-cosan-,1116785,0.htm

É um ACINTE ao investidor privado; tratam-os como se fossem.. criancinhas que não sabem o que fazem e que por isso devem ser 'orientados' pelo paternalismo estatal.

Onde já se viu ... imaginemos ... uma CNRail, CPRail, Southern Railway ... sendo 'orientada' e 'fiscalizada' pelo governo estadunidense

Como somos otários em continuar aceitando isso !!

Aprecio as respostas de "O". Na lata e na lógica. Pelos comentarios exibidos há muito trabalho duro a ser feito para incutir liberalismo na cabeça destes leitores. Leitores que são do melhor nível de instrução que este país oferece.
Pau neles, "O"!

"Trocador/cobrador é profissão de país de terceiro/quarto mundo."

Perfeito! É a coisa mais assombrosa. E acho que tupiniquim. Junto com a catraca, é a metáfora de como se trata o transporte público por aqui. Não sou muiuto viajado, mas no Chile, Argentina ou Uruguai isso não existe. Mentira: em Montevideu algumas linhas possuem trocador, mas sem catraca.

"Minha lembrança dos ônibus da viação Cometa inclui baratas como passageiras clandestinas."

Interessante seu comentário. Minha lembrança da Cometa dos anos 90 é essa. Dos anos 200 não.

"Já minha lembrança de ônibus no nordeste americano inclui free wi-fi no ônibus incluído na passagem de 18 dólares."

Viajei três vezes no nordeste americano, mas antes do wi-fi. Em 2001 os ônibus da Cometa, Itaperimirm e que tais me parecia melhor.

"Quanto às estradas, depende de onde você está no Brasil. As estradas paulistas não devem muito às estradas do primeiro mundo. Mas se você tiver a infelicidade de ter que morar no resto do Brasil, daí não dá para comparar mesmo."

Não devem muito, mesmo, mas apenas se incluir as concedidas. As demais estradas conseguem ser pior que as de Minas. E a Br-040 até Juiz de Fora, tirando a subida para Petrópolis é bem melhor que a maioria das paulistas que conheço.


"Em qualquer rota como Boston e NY que citei, existem mais companhias de ônibus do que em qualquer rota interestadual no Brasil. "

Pela minha lembrança, a Greyhound dominava o nordeste. Outro dia entrei na internet e Boston-NY oferecia apenas duas companhias. Mas pode ser que minha pesquisa tenha sido limitada, mesmo.


“Não devem muito, mesmo, mas apenas se incluir as concedidas. As demais estradas conseguem ser pior que as de Minas. E a Br-040 até Juiz de Fora, tirando a subida para Petrópolis é bem melhor que a maioria das paulistas que conheço.”

Essa é nova para mim. As únicas estradas que não prestam em SP são as federais. A Dutra por muito tempo foi muito ruim; a Regis Bittencourt ainda é. Já todas as estradas saindo de SP que conheço são ‘padrão Fifa”: Bandeirantes, Trabalhadores, Imigrantes, Castelo Branco, Anhanguera e melhores que qualquer estrada que conheço fora do estado de SP no Brasil



“Pela minha lembrança, a Greyhound dominava o nordeste. Outro dia entrei na internet e Boston-NY oferecia apenas duas companhias. Mas pode ser que minha pesquisa tenha sido limitada, mesmo.”

Sim, foi limitada mesmo. Mas de todo modo, não é o número de companhias que importa, mas sim a existência de competição. No sistema brasileiro, o Estado garante que as firmas incumbentes não precisam encontrar competição, assim estas estão livres para foder com os otários, digo, brasileiros.