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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O discreto charme do fracasso


Durante os anos em que vigorou no Brasil o “tripé macroeconômico” (câmbio flutuante, metas para a inflação e um compromisso sério com o superávit primário) cansei de ouvir economistas que prometiam o paraíso caso o país abandonasse o regime. Não se trata de caricatura. Basta ver o tanto de tinta usado para afirmar que todos os problemas do país se resumiam a dois preços “fora de lugar”: a taxa de câmbio e a taxa de juros; portanto, uma vez “corrigidos” estes preços, o caminho para o crescimento se acharia desimpedido.

Este desejo de mudança foi atendido. Desde 2009 não sabemos o que é ter inflação na meta (está no intervalo permitido, mas – vejam que curioso – sempre na sua parte superior, mais perto do teto que da meta). Já de flutuante a taxa de câmbio só preservou o nome, encaixotada entre R$ 2,00 e R$ 2,10/US$. Por fim, em apenas um dos últimos quatro anos a meta de superávit primário foi atingida sem artifícios contábeis.

A valer o que esse pessoal assegurava, a economia brasileira deveria estar crescendo a taxas aceleradas, mas, bem sabemos, não é o caso. Depois de aumento medíocre em 2011, a expansão do PIB não deve ter superado 1% no ano passado e, apesar da nova rodada de promessas dos elfos videntes, provavelmente nos encaminhamos para mais um ano de baixo crescimento em 2013 (cerca de 3%). Não bastasse isso, o investimento cresce como rabo de cavalo, caindo por cinco trimestres consecutivos (provavelmente seis, mas isto só se saberá em março).

Economistas sérios se aproveitariam disto para tentar entender o que deu errado. Já o presidente da Associação Keynesiana Brasileira, antro da fina flor dos “keynesianos de quermesse”, prefere inovar. Segundo artigo cometido no jornal Valor Econômico na semana passada, a culpa pelo baixo crescimento é a “herança maldita”, isto é, o regime de política econômica (“ortodoxa”) que vigorou no país.

Sob outras condições chegaria a ser engraçado: o mesmo regime não impediu a economia de crescer em torno de 4% ao ano (e o investimento mais do que isso, vindo de 15% para 19% do PIB), mas, em virtude de alguma mágica não explicitada, seria atualmente o responsável pelo baixo desempenho, e isto durante o período em que foi solenemente abandonado. Segundo tal lógica a causa da obesidade não é comer muito e se exercitar pouco, mas sim ter, anos atrás, comido pouco e se exercitado muito...

Ainda no domínio impecável da lógica, o líder quermesseiro afirma que não se pode comparar o Brasil aos demais países latino-americanos (Chile, Colômbia e Peru) para avaliar o efeito negativo dos fatores externos sobre o crescimento porque se tratam de economias “de pequeno porte (...), cujo dinamismo é derivado primordialmente da exportação de commodities e produtos agrícolas”.

Parece ter esquecido que economias deste tipo são precisamente as que mais sofreriam, seja em termos de crescimento, seja de investimento, caso a origem da desaceleração econômica fosse a crise externa. Seu desempenho superior ao brasileiro em ambos quesitos, pelo contrário, apenas reforça a noção que os problemas nacionais têm origem doméstica.

A verdade é que a cada dia se torna mais claro que as promessas de aceleração do crescimento pela adoção de um novo regime de política econômica não se materializarão. Mesmo sabendo que a estabilidade não é condição suficiente para o crescimento acelerado, ela não deixa de ser condição necessária, e os custos do abandono do tripé se tornam crescentemente visíveis, em particular no campo inflacionário, piorando o ambiente em que as empresas tomam suas decisões de investimento.

Só o discreto charme do fracasso, na definição precisa de Mário Mesquita, justifica o espaço dedicado àqueles que, mesmo confrontados com o fiasco de suas proposições, ainda se arrogam o direito de negar o que a realidade insiste em revelar.

“Aha: só pode ser culpa da herança maldita!”


(Publicado 16/Jan/2013)

Reações:

97 comentários:

A Fiesp se encontra satisfeita com o modelo atual.O dolár desvalorizado, lhe permite o aumento das vendas
no exterior.

E desde quando a Fiesp se incomodou com inflação alta?

O empresariado que atua junto a instituições como a Fiesp adora inflação alta e incentivos de toda ordem. Afinal, para que reduzir custos, elevar produtividade e produzir com qualidade se é mais fácil repassar tudo para os preços e tendo mercado cativo.
Só no Brasil alguém é chamado de empresário por ficar mais tempo em Brasília do que na sua empresa.

Talvez ela criticasse o instrumento usado para combate-la,o juro alto.


Não resta dúvidas que estão "arrebentando" com a Economia do país.Não praticam Política Econômica mas"ECONOMIA POLÍTICA" manipulando tudo tendo como único objetivo não perder o poder.O elevado gráu de interferência do Estado(sistema bancário, energético...)também concorre para agravar o quadro.

Lendo o Delfim pulando fora do do Titanic, fico cada vez mais confiante que o ministro piadista só se mantém no cargo se a The Economist e o Alex continuarem criticando. Fala bem que ele cai!

Este comentário foi removido pelo autor.

E por falar em piora no ambiente decisório, um post no mínimo interessante no FT:

http://blogs.ft.com/beyond-brics/2013/01/15/brazils-monetary-jeitinho/#axzz2I9Dq5FaK

Este trecho em especial:

The rate that banks charge each other for overnight loans, known as DI, was 6.93 percent on Jan. 14, marking the 23rd straight day it has been more than a quarter-percentage point below the central bank’s 7.25 percent target. The 0.32 differential is more than double the average over the past decade and compares with gaps of less than 0.1 percentage point in the U.S. and neighbors Colombia and Chile.

Alex, vc continua desenhando com as palavras como ninguem, parabens.

Sobre o nosso decadence avec elegance, esse governo vai continuar sendo eleito enqto o povo tiver dinheiro pra comprar quinquilharias chinesas, e os "empresarios" importando até guarda-chuva-de-frevo com lucro.

O nosso "sucesso" é medíocre.

FINANCIAL TIMES CHAMA BC E MANTEGA DE PROFISSIONAIS DO JEITINHO (utilizando táticas criativas beirando a ilegalidade.). Não é só a The Economist.
Uma coisa que a turma heterodoxa, "desenvolvimentista", keynesianos de quermesse e de pensamento mágico não sabia ou fingia não saber, era a diferença entre taxa básica, taxa de mercado e taxa natural (nominal e real). Sempre misturavam as bolas. Com o tempo e as inúmeras críticas que receberam (inclusive deste blog) foram reduzindo as ignorâncias (até as desonestidades de conceituar errado pensamentos contrários).
As taxas de juros de mercado brasileiras acompanharam o movimento mundial de queda. O BC (e este governo) não teve mérito nenhum, apenas acompanharam a queda com a Selic. Não conseguiram ler a conjuntura prospectiva brasileira muito bem (o BC confiou no MF - ou obedeceu - no comprometimento com o superávit primário. Subrepticiamente tenta transferir a culpa.). Agora se desmoralizou com a inflação (reprimida) superando o prometido - o fim da picada para um BC sério.
O artigo a que se refere nesta postagem é de envergonhar a classe (mas em toda classe tem gente que envergonha).
Por gentileza substitua meu texto anterior por este.

O que eu acho interessante, pra não dizer assustador, nesses heterodoxos é a incapacidade de aprender com os erros. Será que eles não reparam que o Brasil já passou por experiências ruins demais enquanto eles ditavam a ordem econômica? Eu diria que a curva de aprendizagem é flat em zero no tempo, única explicação.

Parece que há um custo fixo inicial em aprender a teoria keynesiana que, após pago, é suficiente para governar o mundo. É como se a "teoria geral" fosse a bíblia e qualquer coisa que dê errado é culpa do tinhoso. Logo, nessa lógica, os ortodoxos são a incorporação de tudo que há de nefasto nesse mundo!

Francamente...

Ass: Paribus-Rio

O Pastore soltou um relatório hj avaliando a "real" meta de inflação do governo.

No artigo ele não diz que o regime de metas foi abandonado, mas que o governo aceita inflações maiores.

Segundo Pastore "há evidências empíricas robustas que rejeitam a hipótese de que a partir de 2010 o Banco Central persegue a meta de 4,5%, e suportam a hipótese de que a verdadeira meta passou a ser algo em torno de 5,5%."

Para chegar a essa conclusão ele faz um modelo em que a expectativa de inflação é função da meta de inflação e analisa como evolui o coeficiente da variável.

Off-Topic

Carlitos Kawall endossando afirmação da comentarista na GloboNews que o BCB deve otimizar inflação e crescimento. Duplo mandato, simples assim.

Já fomos melhores...já fomos melhores.




The Anchor

Alexandre,
Hoje lá ouvi nos corredores do BC que você tem é raiva do Tombini porque ele tomou seu lugar na diretoria do Copom. Esses e outros absurdos já ouvi lá dentro.

Abraço

Meu lugar?

Eu era diretor da área externa, o Tombini de Estudos Especiais, quando convivemos na diretoria (entre abril 2005 e abril de 2006). Quando eu saí ele foi para Normas, não para a Direx (Sergio Darcy e eu saímos juntos).

E o quais foram suas impressões do profissional Tombini?

O sr poderia emitir uma opinião pessoal sua sobre o tombini (como economista),na gestão da política monetária?

Alexandre,
Crescimento de 3%? Tá otimista, heim?!
Abs,
Y

“Carlitos Kawall endossando afirmação da comentarista na GloboNews que o BCB deve otimizar inflação e crescimento. Duplo mandato, simples assim.

Já fomos melhores...já fomos melhores.”

Eu não vejo um grande problema em termos um duplo mandato, desde que a segunda meta seja desemprego ao invés de crescimento, e isso seja feito com transparência e accountability (conceito porreta sem equivalente na lingua do país da jaboticaba) e não no voluntarismo porra-louca da Dona Bronca, Guido e Pombini.

"O"

Por que desde que seja crescimento e nao desemprego?

Poderia esclarecer?

Se nao puder, tem como passar referencias?

abracos

Caio

E todo mundo q a autonomia formal do BC nao era importante! Agora caiu a ficha!

Alex,

Nao me lembro como era na sua epoca de diretor do BCB, mas estava olhando agora o curriculo dos atuais membros do COPOM e percebi que apenas metade dos membros tem doutorado em Economia. Dos demais, tres nao sao economistas (um administrador, um contador, um matematico) e o outro eh apenas bacharel.

Tudo bem que estes membros contam com o suporte de uma serie de economistas de primeira, mas de qualquer forma nao seria esta formação muito pouco adequada para se decidir os rumos da politica monetaria?

O que acha de uma proposta do tipo "incluir dois professores de economia monetaria, com notorio saber e reconhecimento no assunto, para compor o quadro do Copom"?

Economista X

Alex,

Talvez este post não tenha espaço para essa discussão mas, qual a sua opinião sobre o descolamento entre DI e SELIC? E o que você achou da explicação do Paulo Gala (no Valor)? Quero dizer, falta de demanda de título não se traduz numa taxa de juros crescente?

Belo post.

Abraços,
RS

http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/2971722/%E2%80%9Cingleses%E2%80%9D-cercam-brasil-mas-ft-merece-resposta-calculada

O artigo no Valor é de dar vontade de vomitar. Quando estiverem escrevendo a história econômica do seculo XXI lá pelos idos de 2100, e o(a) pesquisador(a) tiver que explicar o fracasso do Brasil apesar de todos os ventos favoráveis, ele ou ela vão ser omissos se não citarem burrice congênita e falta de caráter como fatores limitantes do desenvolvimento de Pindorama.

Schwartsman, já leu o artigo do Delfim Neto na Folha? http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antoniodelfim/1215402-imaginacao.shtml

É, se até ele, que é sempre tão "amoroso" com o governo, está fazendo críticas (a partir de sua ótica) é porque a situação está realmente pegando fogo.

“E o quais foram suas impressões do profissional Tombini?”

Percebe-se agora, que apesar de ter ralado pra ter Ph.D. em Economia na Universidade de Illinois, Urbana Champaign, se tornou uma marionete do Manteiga!

Que vergonha!

Só espero que não ocorra um Tombo, mas ...

É só uma pequena avaliação!

"O que acha de uma proposta do tipo "incluir dois professores de economia monetaria, com notorio saber e reconhecimento no assunto, para compor o quadro do Copom"?"

Acho muito boa, se não me engano já ouvi o Fernando Holanda sugerindo algo parecido uma vez...

Roberto

"http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/2971722/%E2%80%9Cingleses%E2%80%9D-cercam-brasil-mas-ft-merece-resposta-calculada"

Esse artigo saiu quase que na íntegra no Valor no dia anterior chamado "2013". Jeito fácil de ganhar dinheiro: assino 2 colunas em 2 jornais diferentes, mudo algumas palavras e o conteúdo fica praticamente igual..

Daqui a pouco tá igual ao Rodrigo Constantino nos artigos dele: Blz, legal, tem um ponto excelente, mas pqp, inove e pare de escreevr a mesma coisa td semana!

Att,

Joao Bosco.

"O que acha de uma proposta do tipo 'incluir dois professores de economia monetaria, com notorio saber e reconhecimento no assunto, para compor o quadro do Copom'?"

Sem problema, mas nada impede que isso ocorra hoje. Aliás, tive o privilégio de conviver com "dois professores de economia monetária, com notário saber e reconhecimento no assunto, para compor o quadro do Copom".

E quais eram esses professores?

"Eu não vejo um grande problema em termos um duplo mandato, desde que a segunda meta seja desemprego ao invés de crescimento"

E desde quando política monetária tem a ver com desemprego??? A curva de Phillips morreu em 1976, com a crítica de Lucas.

Oi Alex

viu o globo news hj?
o dr, dinheiro do fantastico falou em bolha

"O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que o governo federal também pediu para que o Estado segure o reajuste nas tarifas do metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) neste primeiro trimestre, para evitar pressão nos índices inflacionários."

Próximo passo, câmara setorial. Se, ainda sim falhar, sequestra-se o boi no pasto!!!

"A curva de Phillips morreu em 1976, com a crítica de Lucas"

Sim, com certeza, vai sonhando...

"A curva de Phillips morreu em 1976, com a crítica de Lucas"
Alexandre, prêmio jumento de ouro pro rapaz...

Ele está "trollando". Não responde que passa...

Os comentários conseguiram se tornar o melhor do blog. É cada um que aparece por aqui.

Teu artigo ta muito dicotômico :

Nem o Brasil era ortodoxo quando crescia no segundo periodo da era Lula, nem está sendo heterodoxo por causa do cambio e juros.

Acho que esse governo esta se preocupando mais com medidas que possam alterar a estrutura do país, como a industrialização. Assim como o plano real abriu mão do crescimento para acabar com a inflação e poder se preocupar com outras coisas no futuro, creio que esse é um periodo parecido, medidas estruturais estão acontecendo para que possamos ser um país mais industrial estilo, quem sabe, a coreia do sul

Ao contrario dos reservatorios das hidreletricas, o estoque de inflacao futura so esta aumentando com essas medidas que eventualmente vao ter que ser repassadas... Pelo jeito, vao (naively) arriscar uma esticada ate as eleicoes para so depois soltar o cinto e colocar a barriga de fora... alguem acredita que da para segurar ate la?

Alex, eu to cansado de ficar operando so, se aparecer algo no BC quando vc voltar me de um alo...

"Os comentários conseguiram se tornar o melhor do blog. É cada um que aparece por aqui."

Pelo contrário, o melhor do blog são os ótimos textos do Alex e do "O".

Eles dão margem a tudo isso!

Mas confesso que os comentários também revelam e em certo grau também ajudam muito!

Abs

"Talvez este post não tenha espaço para essa discussão mas, qual a sua opinião sobre o descolamento entre DI e SELIC?"


A minha visao de operador eh que tem gringo querendo receber no short end da curva mas nao quer comprar titulo para nao pagar IOF, batendo entao no CDI. Posso estar enganado, mas nao faria muito sentido isso acontecer so por causa de investidor local, a nao ser que o BCB quebrou a curva.

Ver o on/off basis ta mais facil agora com os futuros na CME...

LLC

O Economista X tambem ta contribuindo bem pro blog... Sempre fala coisas interessantes e/ou polemicas...

Entre as razões do fracasso, temos que lembrar o episódio das horas extras do TSE. Trata-se da hora extra mais cara do mundo! Se as empresas pagassem os valores divulgados, todas entrariam em falência. Por isso digo e repito: enquanto não houver controle sobre os gastos públicos dos TRÊS poderes, enquanto o PATRIMONIALISMO imperar nos TRÊS poderes, o Brasil continuará sendo um país (relativamente) pobre e de elevada desigualdade de renda. Ah, e as bolsas disso e daquilo só servirão para a petezada se manter no poder.

Concordo com o cara aí de cima. Essa discussão de inflação, perseguir meta de desemprego (que não seja por reputação já que até as políticas fazerem efeito os preços nem fixos são mais) eh coisa de quem só olha pro curto prazo, como esse pessoal keynesiano (infelizmente Alex e o incluidos).
Essa babaquice de estímulo (fiscal então, nem se fala!) eh ridícula. Perder o tripé tb não eh nem de longe o motivo da pobreza do Brasil.
Eu sugiro um novo tripe: abre completamente a porra da economia inteira, acaba com bndes, e diminui imposto via corte de salário desse fardo que eh funcionário público. Pena que só uma ditadura consegue implementar isso.
O Brasil nunca será.

Economista Y

Alex,

essa economista X e' teu amigo que nem o O?

Valeu Economista Y, até que enfim entra alguém aqui para falar coisas sérias.

O economista x tem que primeiro aprender a ser economista ou ganhar mais segurança no que fala.

É só o senhor ter paciência que a inflação vai convergir em 2014 para a meta.

Alex, rachei de rir com essa charge, uma das melhores do Margarina:

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a4013335.xml&template=4188.dwt&edition=21211&section=941

Schwartsman,

O que acha do Fabio Giambiagi? Bom economista?

abraços

"O que acha de uma proposta do tipo "incluir dois professores de economia monetaria, com notorio saber e reconhecimento no assunto, para compor o quadro do Copom"?"

Eu acho que em conformidade ao projeto de lei que regularizaria a profissão, tinham que colocar um filósofo!

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=523870
(art. 3º)

Em 2014 é possível que a economia americana cresca 4%.Com esse cenário,os termos de trocas melhorariam,valorizando o real consequentemente trazendo a inflação para baixo.

Alex, a crítica com a comparação aos demais países da América Latina foi realmente ridícula, e eu também penso que o viés intervencionista do governo contribuiu, assim como a desvalorização do real, como você mostrou, para a queda dos investimentos, mas essa história dos estoques também não pode ter contribuído para a queda dos investimentos ?

"O", por que meta para o desemprego e não para o crescimento?

Li o livro Porque as Nações Falham.
O que posso dizer? Leitura INDISPENSÁVEL.
A lição do livro para o momento? Que nós brasileiros não permitamos que a nova elite usurpe o poder político que o povo conquistou.
Quem é a nova elite? A mesma que propõe o fim da eleição direta em candidatos em troca de votar num partido e o partido escolher o candidato, como é a proposta do PT, que na década de 80 lutava pelas diretas! Isso sem falar na tentativa de censurar a imprensa.
Estamos nos aproximando de um novo período crítico, que podemos aproveitar para levarmo-nos a mais inclusão política ou podem levar-nos a uma Venezuela ou Argentina.

Não tem coisa pior do que começar o ano com inflação alta e baixo crescimento. Mercado está totalmente descrente com a política monetária. Vai ser difícil retomar a confiança mantendo esta mesma política.

http://www.andrew.cmu.edu/course/88-301/phillips/phillips_curve.gif

Quem matou a curva de Phillips foi a realidade.

alguem aida acredita em curva de Phillips? alguem também acredita que Zeca Camargo é hetero?

"Quem matou a curva de Phillips foi a realidade."

Mas esse graficozinho que voce postou mostra que o longo prazo demora 10 anos para chegar, nao? Sejamos intelectualmente honestos: a informacao que voce postou eh tudo menos uma refutacao da existencia de uma curva de Phillips no curto prazo.

Resumo da opereta: se o Alex não parar de acertar nas previsões, "a vaca vai pro brejo"

"Quem matou a curva de Phillips foi a realidade."

Putz, isso está uns 40 anos atrasado. Quer dizer que a curva de Phillips de curto prazo não é estável e que a curva de Phillips de longo prazo é vertical? Já pensou em publicar?Pode dar prêmio Nobel (certeza: dois já ganharam por esta mesma descoberta).

Por que as pessoas não estudam antes de sair por aí falando do que não sabem?!

Alex,
estamos sentindo falta de um artigo novo

esse blog é necrofilo.. venera coisas mortas tipo NAIRU e phliilps curve

hehehe.. tchau

Meus caros,
Só um pequeno comentário (para os alunos, o resto já sabe).
O termo "Curva de Phillips" se refere ao estatístico inglês que plotou em um gráfico (muito tempo atrás) as taxas de inflação e desemprego da Grã-Bretanha e notou que isto formava uma curva descendente (ou seja, estas variáveis seriam inversamente correlacionadas).
Muito tempo depois (e muito desenvolvimento teórico depois), sabemos que esta relação está longe de ser estável, as expectativas importam muito mas existe certa relação inversa entre elas o que permite certa administração da demanda agregada através da política monetária no curto-prazo (de forma não trivial, a discussão teórica é complexa).
Pois bem, o termo "curva de Phillips" atualmente se refere exatamente à esta relação (entre as taxas de desemprgo e inflação). Não significa que estamos falando de uma curva clara e imutável (ninguém acredita nisto). Assim, se você ver um texto que chama "A curva de Phillips Novo-Keynesiana" não signiofica que você encontrará um gráfico estável destas duas variáveis no texto, e sim que este discute a abordagem novo-keynesiana sobre as possíveis relações entre as taxas de inflação e as taxas de desemprego.
Saudações.

Anônimo das 16:42:
Falou, falou e não disse nada.

Realmente, a gente gosta de discutir sobre economia. Mas para fazer isso com propriedade, não tem melhor maneira que ler esse livro aqui:

http://www.amazon.com/The-Economics-Adjustment-Growth-Edition/dp/0674015789/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1358850743&sr=8-1&keywords=the+economics+of+adjustment+and+growth

Parece mesmo muito bom. Bastante completo. Obrigado pela dica.

Alex, no âmbito da atuação na pol monetária, você acha que o grande erro, que teria ajudado em manter a inflação perto de 6%, foi ter cortado os juros naquele cavalo-de-pau histórico ou ter continuado cortando abaixo de 8,5%/9%?
Como analista de obra feita, continuo acreditando que o desvio foi ter continuado a cortar.
Maradona

O pior (ou melhor?) é que, com juros reais descendo abaixo de zero a toque de inflação disparando, vamos ver até quando a cerca do curral aguenta a boiada confinada!

Poxa! mas não vivem dizendo que, "um pouquinho" mais de inflação, não vão criar nenhuma problema! Como diria aquele saudoso "profis": "Vai comendo, Raimundo!"

A disparada da inflação já está mobilizando os servidores federais a tentarem reabrir as negociações salariais com o governo. Eles reclamam da aceleração dos indicadores gerais de preços desde dezembro, o que contraria as estimativas oficiais e amplia as perdas. As categorias representadas pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) — consideradas a elite do funcionalismo e as últimas a aderirem ao acordo de reposição parcial — alertam que a trégua com a presidente Dilma Rousseff, firmada em 2012, está próxima de acabar. Em paralelo, muitos poderão individualmente ir à Justiça para recuperar o poder de compra.

"A insatisfação é geral no serviço público, e os trabalhadores começaram a se reunir em todo o país para reexaminar as condições negociadas", disse Sérgio da Luz Belsito, presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal)
P.S.Correio Brasiliense de hoje

"Poxa! mas não vivem dizendo que, "um pouquinho" mais de inflação, não vão criar nenhuma problema!"

No dos outros é refresco...

40 anos atrasado eh colocar discussaozinha sobre inflacao no CENTRO do debate economico nesse pais pobre e fudido que eh o brasil.

"Estimulo" fiscal ou monetario e outras divagacoes keynesianas sao no MINIMO altamente questionaveis e ainda assim restritos SOMENTE ao curto prazo. Com relacao a crescimento de prazo um pouquinho mais longo (2 anos pra cima ou ate menos), keynesiano nao tem NADA nem pra discutir. Essas formulas entao deixam de ser totalmente questionaveis pra ser INEXISTENTES. Modelos de crescimento sao completamente diferentes desses ai q esse pessoal keynesiano conhece.

Agora, a situacao do brasil eh realmente temeraria... Aqui nego nao entendeu nem o MINIMO do minimo! Nao eh SO q nego acha q da pra manipular a curva de phillips de curto prazo. Afinal, gente inteligente como Alex e (imagino) o O tb acham o mesmo e nao eh por falta de conhecimento. O problema eh q no brasil tem MUITO nego q nem entendeu ainda que essa porra SE VALESSE seria so no curto prazo! Olha o tamanho da merda...

Nao vou nem falar dos problemas de verdade do brasil pq nao tenho tempo pra escrever (tenho q trabalhar essa semana ainda).

Mas pensa bem: considerando que nego no brasil nem saber de que lado vem o problema sabe, quais as chances de o brasil virar algo melhor do que, com MUITA SORTE, um portugal grande em 50 anos?

Economista Y

Interessante esse trecho postado do colega aí em cima e só reforçando o comentário do Alex:

"A insatisfação é geral no serviço público, e os trabalhadores começaram a se reunir em todo o país para reexaminar as condições negociadas", disse Sérgio da Luz Belsito, presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal)"

Olhem a instituição que esse parasita faz parte!

Economista Y, favor informar qual a real origem de nossos problemas.

No aguardo.

Origem dos Problemas Sociais

Desde pequenos somos influenciados pela mídia, pela escola, pelos nossos pais a aceitar essa sociedade. Nos mandam a escola não para termos ética e vivermos bem em sociedade. A escola na sociedade capitalista tem o objetivo de nos preparar para o mercado de trabalho unicamente. Tiram de nós nossa consciência e nos transformam em robôs. A única lógica é: arrumar emprego, trabalhar, ganhar muito dinheiro e consumir! Sim, hoje nossa existência é medida pelo quanto consumimos. Se temos muito dinheiro e bens materiais significa, para a sociedade capitalista, que vencemos na vida. Para isso, para trabalharmos, temos que competir brutalmente uns com os outros. Aqueles que não conseguem trabalho ficam a mercê de sua própria sorte (ou azar). Esse é o mundo criado pelo capitalismo, bombardeado nas nossas mentes desde a infância. Sobre isso, a propaganda no capitalismo tem um efeito fantástico. Assim, surge o crime. E objetivo dos criminosos, tanto mafiosos quanto de bandidos das favelas do Rio de Janeiro é se integrar a sociedade capitalista, mas a força! Eles querem ter aquilo que a sociedade capitalista, mas a força. Eles querem ter aquilo que a sociedade capitalista diz que é importante para ser alguém: MUITO DINHEIRO! Mas como o próprio capitalismo não dá oportunidade para estes obter dinheiro pelo meio comum, então recorrem a meios como o crime organizado, seqüestros, assaltos, tráfico de drogas e rede de prostituição, seja esta infantil ou não. Desta forma são criados os problemas sociais. Amor e solidariedade deixam de existir para dar lugar somente a uma regra: o individualismo. A sociedade se arma com medo. Porém, o único meio de se resolver

esses problemas sociais é um: O FIM DO SISTEMA CAPITALISTA!

alex tu acredita em NAIRU?
tu acredita que teu cabelo vai crescer tb?

No aguardo,

Pra ainda dar tempo de eu trabalhar essa semana vou dar a resposta curta: Intervencao do estado na economia.

A lista comeca com funcionario publico, BNDES, protecionismo, corrupcao, impostos, baixa produtividade, "estimulo" do manteiga, bronca da dilma em empresario, companhia eletrica ou o que quer q atrapalhe os planos perfeitos do governo que afinal sabe como resolver tudo... Eu esqueci de um monte de coisa com certeza, portanto fique a vontade pra concluir a lista.

O unico motivo pra essa vergonha que eh o Brasil q eu AINDA nao consegui relacionar ao intervencionismo na economia eh o fato de brasileiro nao entender que governo nao existe. Quem existe sao os contribuintes. Nego tem que parar com essa porra de "o governo ta dando bolsa familia", "o governo deu 6bi pro pessoal ir pra olimpiada de londres", "o governo resolveu subsidiar geradora", "o BNDES deu dinheiro pra empresa tal", "o governo brasileiro eh um dos q mais gasta com parlamentar", "o governo criou mais cargo pra funcionario publico", "agora deu aumento pra todo mundo"...

Que inveja me deu de eleitor americano ao ver o discurso de um *candidato* a senador, republicano, no meio da recessao. O cara falando com todas as letras: O governo nao cria emprego, nao cria riqueza, nao resolve nada. Aqui (no Kentucky eu acho) a gente quer eh que eles nos deixem em paz pra trabalhar e sair dessa situacao!

Ah brasil.... Futuro portugalzao se tiver MUITA sorte!

Economista Y

Fim do sistema capitalista. Por que antes disso ninguém roubava, matava e morria de fome.

Por isso que a prostituição, os assaltos, o tráfico, etc só surgiram após o capitalismo, antes o mundo era uma beleza...

Por esse motivo também é que os países mais ricos do mundo apresentam os maiores índices de criminalidade, enquanto Caracas é um exemplo de êxito da segurança pública...

Melhor voltar para o período anterior ao da revolução industrial, quando o indivíduo médio tinha um estilo de vida pior do que o das favelas do Rio.

Se você não quiser estudar para ser médico, advogado, engenheiro ou economista e decidir ser trabalhador braçal nos EUA, o senhor viverá muito melhor do que qualquer médico ou advogado do século XIX, e o motivo disso é que os EUA optaram pelo capitalismo.

Alex,

Another book worth looking into:

http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-0470019093,descCd-description.html

And the topic couldn't be more debatable on this forum.

Alexandre Schwartsman,
Li ontem o seu post “Ganhei a aposta” de quinta-feira, 10/01/2013 e pensei em fazer algumas referências a posts antigos seus. Devo fazer as referências lá, mas há oportunidade de as fazer aqui também e assim coloco o meu comentário em um texto mais recente.
Primeiro ainda que se trate de elogio de leigo ou talvez por essa razão, eu gostei das indicações dos textos com as idéias que estão sendo criticadas. Considero, entretanto que as suas críticas são precipitadas como foram precipitadas as críticas que outros fizeram à política econômica do governo em 2003 e as críticas que perduraram à política econômica do governo durante todo o ano de 2009 e até a divulgação do PIB de 2009.
Que se diga que no período anterior não houve crítica muito forte sua nem a política econômica de 2003 nem à política de 2009. Durante esse período você desempenhou mais o papel de crítico aos críticos do governo.
Agora apesar de gostar dos links das referências e do bom texto que você fez, ainda que eu discorde dele, há um texto seu mais antigo que consegue mais bem demonstrar o equívoco da crítica à política econômica menos intervencionista do governo que se adotava então. Trata-se do seu post “Os profetas da desindustrialização e a encarniçada defesa da realidade” de domingo, 10/02/2008 (http://maovisivel.blogspot.com.br/2008/02/cmbio-internacionalizao-e.html). Ali também eu penso que você estava contando vitória muito cedo. O câmbio flutuante com o Brasil crescendo como estava e assim chamando o investimento estrangeiro novamente nos levaria para um ponto de estrangulamento na Balança Comercial que atingiria o nosso Balanço de Pagamento de modo muito mais dolorido do que foi a travessia 2011 e 2012.
Aliás, o déficit da Balança Comercial das três primeiras semanas de janeiro (Apesar da sazonalidade dos meses de janeiro e fevereiro nas exportações) é um indicador que Luis Carlos Bresser Pereira não está tão fora de acertar quando diz que o câmbio correto é de cerca de R$ 2,7 por dólar. A este respeito ver o post “Saudades dos anos 70” de quinta-feira, 20/12/2012 aqui no seu blog e de autoria de "O" Anonimo.
No fundo falta uma análise mais global da política econômica do governo. E penso que essa carência decorre de dificuldade dupla: o economista sente-se mais à vontade em fazer a crítica localizada e quem lê, principalmente se for leigo, tem mais facilidade para entender a análise que de cada vez foca em um só tema. Aqui neste post “O discreto charme do fracasso” de quinta-feira, 10/01/2013, você parece ter o objetivo da análise global. Talvez alguém pudesse dizer que decorre dessa dificuldade eu ter preferido a sua crítica mais pontual do post “Os profetas da desindustrialização e a encarniçada defesa da realidade”. É, pode ser.
De todo modo, a crítica que eu faço a este seu post “O discreto charme do fracasso” se prende mais ao fato de eu acreditar que você está equivocado ao fazer a crítica de uma política econômica que ainda tem tempo de se mostrar correta.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 22/01/2012

Tem um tal de Economista X que fala coisas boas, mas esse tal de Y putz... fala serio, mais ideologico impossivel...

Leandro Sampa

Antigamente os mendigos eram os indivíduos mais respeitados da sociedade... até que chegou o capitalismo e as pessoas passaram a idolatrar os milionários, pedindo autógrafos para eles nas ruas... eu mesmo tenho um pôster do Eike Batista no meu quarto...

E os pobres dos bandidos não tiveram escolha... tiveram que vender drogas ilegalmente, assaltar as pessoas e prostituírem as criancinhas...mas não se enganem, eles possuem um bom coração...

Ahhhhhhhh NAO!!!!
o Clever voltou!

Estamos perdidos.....


xian

Clever Mendes de Oliveira-BH,22/01/2012.

Pode até ser que as fantasias do governo possam dar certo. Como nos filmes de ficção.
Mesmo com o "autoaplaudimento...", que pode ser algo contagioso e mortal. Isso se já não o foi ou será ou já o seja.
Perceba que PIB crescendo abaixo do crescimento da inflação por três anos consecutivos, está levando muitos a chamarem isso de "...economia estável...".
A infraestrutura em frangalhos, recebe o nome de "...retomada do planejamento no Brasil...".
Apagão iminente, é chamado de "...grande capacidade gerencial do governo na área de energia...".
Assim, tem razão Clever. Esse pessoal ai deve estar com a razão. Presa em algum bom manicômio.

Alexandre Schwartsman,
Como crítico de obra feita, no final de 2004, eu avaliei como equivocada a redução do juro a partir do segundo semestre de 2003, pois em meu entendimento, a expressiva desvalorização do real era suficiente para impulsionar o crescimento, assim, considerava a redução do juro apenas como uma forma de amenizar a situação do governo nas eleições municipais de 2004. Não era uma crítica que eu tivesse competência para fazer quando da redução do juro. Em minha avaliação, o governo deveria conter mediante outro mecanismo a valorização do real que o diferencial de juro interno e externo causava e deixar o juro alto por mais tempo, pois a extrema desvalorização do real seria condição suficiente para o relançamento da economia brasileira. Como o relançamento da economia puxado pela desvalorização é mais lento, o governo não quis correr o risco de ver a base de apoio dele se debandar caso houvesse resultados pífios na eleição de 2004 e forçou a redução dos juros.
Em relação à política econômica do governo em 2009, eu a entendia também como atrelada a necessidade de eleger Dilma Rousseff que para mim era uma espécie de Marechal Lott no que diz respeito ao carisma. O governo precisava de uma economia a pleno vapor em 2010 com a inflação baixa e não podia ficar muito dependente dos humores do mercado internacional. Assim, embora não fosse a política que eu defendo, pois preconizo a desvalorização da moeda como forma de dar maior densidade ao setor industrial para um país de dimensão como a brasileira e de população como a nossa, e ainda em desenvolvimento, eu, como simpatizante do governo do PT, avaliava que o caminho escolhido pelo governo era o melhor para alcançar o objetivo dele: eleger Dilma Rousseff.
E é preciso observar que o mundo é diferente a cada instante. A economia se recuperou em 2003 com base no comércio exterior com a participação do governo se resumindo a atuação de Lula como mascote e mascate do Brasil. Já a recuperação de 2009 em muito resultante do espaço aberto pela crise mundial e pela folga no mercado de trabalho decorrente da abrupta retração na economia com a crise do quarto trimestre de 2008 foi obra de uma intervenção maciça do governo.
Naquela época a política do governo foi acompanhada da manutenção de juro alto e talvez por isso contou com o seu apoio. Vale então referir-me aqui ao seu artigo “Impactos da crise” de 15/04/2009 e publicado na Folha de S. Paulo e que saiu também aqui no seu blog no post “Impactos da crise” de quarta-feira, 15/04/2009 (http://maovisivel.blogspot.com.br/2009/04/impactos-da-crise.html). Na época só o acompanhava pela Folha de S. Paulo. Destaco o artigo pela percepção antecipatória da retomada do crescimento econômico que você manifestou.
Lembro que li também seu artigo no blog de Luis Nassif onde ele apareceu no post
“A regra de três do professor de Deus” de 15/04/2009 às 21:00. No post “A regra de três do professor de Deus” Luis Nassif critica você por outra razão, mas a crítica dele se devia ao fato de que você apontava para o crescimento que vinha mesmo com o juro elevado.
Infelizmente Luis Nassif apagou os posts dele daquele período. No site web.archive org o post de Luis Nassif “A regra de três do professor de Deus” pode ser visto nos dois endereços a seguir:
http://web.archive.org/web/20090417004449/http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/04/15/a-regra-de-tres-do-professor-de-deus/
http://web.archive.org/web/20100124104407/http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/04/15/a-regra-de-tres-do-professor-de-deus/?
Trouxe os dois endereços porque o primeiro parece mais completo, pois há nele 55 comentários. No segundo, só aparecem os comentários da última página, mas o post já contava com 57 comentários sendo que o penúltimo era de um comentarista denominado Roberto e que o Luis Nassif respondeu como se fosse a você.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/01/2013

Alexandre Schwartsman,
Há ainda umas duas ou três referências a fazer. Primeiro volto a destacar o seu artigo "Impactos da crise”. Nos comentários que eu enviei para o post “A regra de três do professor de Deus” no blog de Luis Nassif em que o seu artigo foi reproduzido, eu não fui nem efusivo na sua defesa nem muito crítico do Luis Nassif. Lendo os seus comentários junto ao seu post "Impactos da crise”, vejo que eu passei batido na questão da regra de três, mas apesar da expressão aparecer no título do post no blog de Luis Nassif, eu comentei seu artigo mais com base em minha leitura no jornal Folha de S. Paulo que eu sempre compro nas quartas-feiras para ler o artigo de Antonio Delfim Netto. Não dei relevância a natureza da crítica de Luis Nassif, pois o interesse dele era criticar a política de juro do Banco Central via o desmerecimento da análise que defendia a postura do Banco Central.
Ainda naquela semana no blog de Luis Nassif, eu tive oportunidade de elogiar o seu artigo "Impactos da crise”, não em relação à questão da regra de três, mas tendo em consideração a sua previsão de crescimento da indústria no final do ano. Fiz isso em comentário que mandei para Luis Nassif junto ao post “A análise de Gustavo Franco” de sexta-feira, 17/04/2009 às 11:09, portanto, dois dias depois do post “A regra de três do professor de Deus” com críticas a você. O link do post “A análise de Gustavo Franco” no web.archive.org e contendo 59 comentários é:
http://web.archive.org/web/20090420020903/http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/04/17/a-analise-de-gustavo-franco/
O post de Luis Nassif “A análise de Gustavo Franco” é um tanto laudatório de Gustavo Franco que concedera uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo e que conforme o próprio título da entrevista “Cada dia será melhor, mas pior que o de 2008” de certo modo corroborava o que você dissera dois dias antes no seu artigo "Impactos da crise”.
Tenho o arquivo do post “A análise de Gustavo Franco” no meu computador com 60 comentários sendo que o último comentário é meu e foi enviado domingo, 19/04/2009 às 22:59 e nele ressalto a diferença de tratamento que Luis Nassif dera ao seu artigo e à entrevista de Gustavo Franco quando ambos tinham conteúdo bem semelhante.
Outra referência que faço diz respeito a um comentário que me foi dirigido (Enviado por Anônimo em 10/12/2012 às 14:47) aqui no seu blog junto ao post “Quarto do riso” de quinta-feira, 06/12/2012, recomendando-me a procurar “Um blog/site de quem realmente estuda economia”. A menos que tenha sido um escorregão na tentativa de fazer uma crítica aos meus comentários, a recomendação era realmente injusta com o seu blog e com os levantamentos que embasam os seus posts. Observei isso mais uma vez na pesquisa que fiz no seu blog para encontrar o post referente ao seu artigo "Impactos da crise”.
É uma pena que você acompanhe o modismo que se vê na maioria dos blogs de se bater pesado nas críticas. Não vejo esse modismo como enriquecedor dos debates, mas essa não é uma discussão própria para um blog de economia e além disso, o dono do boteco que o administre como queira!
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/01/2012

Alexandre Schwartsman,
E por fim lembro que logo de início aqui neste seu post “O discreto charme do fracasso”, de terça-feira, 16/01/2013, em comentário que você enviou ainda na terça-feira, 16/01/2013 às 08:14, para o primeiro comentarista do post você diz:
"E desde quando a Fiesp se incomodou com inflação alta?"
É um mantra aqui no seu blog essa acusação de que a inflação só é preocupação sua. E sua acusação à Fiesp me fez lembrar a rapidez com que você retrucou a Roberto Giannetti da Fonseca lá na entrevista que, junto com José Roberto Mendonça de Barros, vocês concederam a Tonico Ferreira no Globo News Painel, e que pode ser vista junto ao post “No Painel” de domingo, 28/08/2012. Quando Roberto Giannetti da Fonseca diz que a desvalorização teve efeito marginal no índice de preços, você prontamente retrucou: “Marginal?”, e sugere olhar o que se passou no IPAgrícola (Na parte 1, a partir de 19 minutos e mais precisamente próximo dos 21 minutos).
Esse seu apego a questão inflacionária fica cada vez mais parecendo a defesa de interesse classista de professor universitário que tem dificuldade de fazer reivindicação salarial para cobrir a corrosão inflacionária. E a sua manifestação aqui assemelha-se a alguém justificar as suas explanações sobre inflação nas aulas de economia, perguntando "E desde quando um professor universitário não se incomodou com inflação alta?"
Não é que a questão não seja válida, tanto a sua sobre a Fiesp quanto a sobre o professor universitário, mas elas em si, como as réplicas furibundas, pouco acrescentam ao debate econômico.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/01/2012

Anônimo (23/01/2013 às 13:43),
Dupla gentileza sua: ler o meu comentário e o responder.
Não deixo de fazer o mesmo, embora em tom mais crítico, mas sem lhe ser tormentoso pelo menos mais do que a leitura dos meus textos.
Senti um tanto de retórica no seu comentário e o apego a uma questão que eu não abordei. Para você o governo não presta, ou dito em outras palavras é um governo desarrazoado.
Não entrei no mérito se o governo é bom ou se é ruim, embora deixasse implícito que o apoiava e se o apoiava é porque concordo com as medidas que ele adota e se concordo é porque penso que elas são boas. E evidentemente não posso considerar que não preste um governo que adote as medidas que eu considere que são boas.
O que eu aleguei em meu comentário foi que a crítica ao governo no momento atual pode se mostrar precipitada, como foram precipitadas as críticas às políticas econômicas do governo em 2003 e em 2009.
Agora há uma frase na sua resposta que me parece sem consistência. Diz você:
"Perceba que PIB crescendo abaixo do crescimento da inflação por três anos consecutivos, está levando muitos a chamarem isso de "...economia estável..."."
Essa frase, principalmente na expressão "PIB crescendo abaixo da inflação", aparece cada vez mais como um mantra na voz de muitos críticos do governo, mas em minha avaliação, de leigo é bem verdade, trata-se de frase sem o menor significado.
Ela surgiu no cenário político econômico brasileiro através de fala do ex-ministro Pedro Malan para injetar ânimo no marasmo da nossa economia no início de 1998, quando parecia que o Brasil iria sair da crise dos Tigres Asiáticos um tanto chamuscado, mas com uma inflação bem baixa de modo que se podia vangloriar que o PIB cresceria acima do índice da inflação.
Trata-se de frase de efeito apenas retórico. Em 1998 talvez a profecia de Pedro Malan tenha se cumprido dependendo do índice que se considere, tendo em vista que com o advento da crise russa Gustavo Franco tenha tido que elevar os juros às alturas e ai não há inflação que se agüente.
Para você ver como essas frases soltas não tem realmente relevância considere que nos anos de 1984 e 1985 (Ano que tivemos o maior crescimento econômico desde então), anos em que todos os dados econômicos foram favoráveis à política econômica: com o PIB crescendo em níveis elevados, a dívida pública crescendo menos, o Brasil começando a pagar a dívida externa, havendo um saldo mensal na Balança Comercial de 1 bilhão de dólares e, no entanto, a inflação rodava na casa de 220% ao ano.
Enfim, apesar da gentileza do seu comentário penso que a razão lhe foge.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 26/01/2012

Anônimo (23/01/2013 às 13:43),
Estendo um pouco mais o meu comentário para fazer algumas observações.
Não sou a favor de inflação, mas penso que as pessoas se apegam a inflação como o que de pior pode acontecer em uma economia quando o que de pior pode ocorrer na economia é o desemprego. Como sempre ressalvando a minha condição de leigo, mas foi para enfatizar a necessidade de se importar mais com o desemprego que eu fiz uma série de comentários junto ao post “Por quê?” de quarta-feira, 29/02/2012, aqui no blog de Alexandre Schwartsman e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://maovisivel.blogspot.com.br/2012/02/por-que.html
Chamo, entretanto, atenção para o post “Por quê?” pela seguinte observação de Alexandre Schwartsman composta do final de um parágrafo e o início de outro:
"Concretamente, a capacidade de crescimento de um país independe da inflação ser 4,5%% ou 6,5%.
Isto dito, não creio haver dúvida, particularmente para a parcela mais pobre da população, que uma taxa de inflação de 4,5% é preferível a uma de 6,5%."

O problema a meu ver no argumento de Alexandre Schwartsman é a comprovação de que a inflação maior é mais prejudicial à parcela mais pobre da população. O que garante que o lavador/guardador de carro tem mais dificuldade em enfrentar a inflação do que um professor universitário com expressivo conhecimento de economia?
É claro que considerando toda a população e a particularidade do Brasil em que a terra tem valor expressivo na produção nacional e se transforma em reserva de valor quando a inflação sobe, aumentando relativamente os preços dos produtos agrícolas, Alexandre Schwartsman não está de todo equivocado no argumento dele.
Só que, se se analisa a particularidade do Brasil, há que se considerar também o aspecto da autonomia financeira dos estados da federação que às vezes precisam de um pouco mais de inflação para fechar suas contas.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/01/2012

Anônimo (23/01/2013 às 13:43),
E ainda como acréscimo sobre o problema da inflação faço algumas referências.
Primeiro recomendo um texto que foi indicado aqui no blog de Alexandre Schwartsman no post “A hora da dolorosa” de quinta-feira, 06/09/2012, pelo Anônimo do comentário de 10/09/2012 às 18:51. Trata-se do artigo “Understanding Inflation and Controlling It” de autoria de Kaushik Basu, publicado em 05/08/2011 e fazendo uma análise da inflação no contexto indiano. Kaushik Basu seria Chief Economic Adviser do Ministério das Finanças da Índia. O artigo pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.kaushikbasu.org/Inflation%20-%20Gautam%20Mathur%20lecture%2014.pdf
A impressão que se fica na leitura do artigo é que a Índia está chegando agora no estado da arte da inflação. E está chegando rapidamente e tão rapidamente que parece que o autor está aprendendo enquanto escreve. Para um economista talvez o artigo soe um tanto humorístico como o Anônimo do comentário de 10/09/2012 às 18:51 destacou, mas creio que mesmo para um economista o artigo pode ser útil. Para mim, como um leigo, foi um bom aprendizado, em que um texto leve e de fácil leitura facilitou a compreensão. De certo modo lá se apresenta como novidade o que provavelmente o professor de Alexandre Schwartsman aprendeu uns vinte anos antes de dar aula na graduação dele.
Um ponto importante sobre a inflação é estabelecer qual seria o ponto ótimo em relação ao crescimento econômico. No post “Por quê?”, Alexandre Schwartsman não diz qual seria este ponto ótimo. Salvo restrição que ele faz a inflação muito elevada – que ele não quantifica – ele apenas enfatiza a falta de relação entre crescimento e inflação.
Um valor sobre o ponto ótimo que eu tenho como referência foi mencionado por volta de 1997 em um artigo se não me engano de Celso Pinto no Valor Econômico em que ele dizia que estudo do FMI indicava que uma taxa de inflação em torno da inflação que o Brasil tinha na época era a ideal para o crescimento econômico. Provavelmente ele se referia ao texto “NonLinear Effects of Inflation on Economic Growth” de Michael Sarel de maio de 1995, que estabelecia 8% de inflação como limite superior de taxa de inflação que não afeta negativamente o crescimento econômico e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://papers.ssrn.com/sol3/Delivery.cfm/WPIEA0561995.pdf?abstractid=883204&mirid=1
José Luis Oreiro e Rodrigo Ayres Padilha no artigo “Inflação e Crescimento no Longo Prazo” fazendo o estudo para anos mais recentes chegam ao valor de 5,1% para países em desenvolvimento, acrescentando que existe uma diferença de 3% entre a inflação ótima em países em desenvolvimento e em países desenvolvidos (o limite superior seria 2,1%).
Há outros patamares para o ponto ótimo de inflação. Como curiosidade transcrevo a passagem a seguir retirada da página 7 do artigo “Understanding Inflation and Controlling It” quando tratava da inflação no Brasil. Diz Kaushik Basu no trecho a transcrever:
“A pure eyeballing of the data suggests that, when inflation is below ten percent, there is little correlation between the rate of inflation and the growth rate. But at higher levels, inflation is usually associated with lower growth; and especially when inflation, starting at a high level rises even further, growth slows down”.
No início da década de 80, quando a inflação no Brasil girava em torno de 100% ao ano, eu dizia que o ideal seria uma inflação de 50% que fosse reduzida para 5% em um prazo de 20 a 30 anos. Se se leva em conta que naquela época a inflação no mundo girava em média mais que o dobro dos índices de inflação nos últimos vinte anos, e considerando o que os textos econômicos falam sobre o ponto ótimo da inflação, eu provavelmente tinha comigo a razão.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/01/2012

Anônimo (23/01/2013 às 13:43),
E por fim esclareço que eu não sou um entusiasta empedernido, inveterado e irredutível defensor do governo. Aqui e ali eu discordo dele. Puxei mais o assunto da inflação para lembrar que eu considero que em países em desenvolvimento com dívida de curto prazo muito elevada, o déficit público é excessivamente estimulador da inflação. Não gosto de déficit público. Sei que ele é importante para o crescimento econômico, mas prefiro a desvalorização monetária se o objetivo for o crescimento econômico de países em desenvolvimento.
Não gostar de déficit público, não significa, entretanto, que eu seja a favor de qualquer medida para o reduzir. O corte nos gastos eu só o considero viável quando feito pela inflação. A redução do déficit público em meu entendimento deve ser feita via aumento de tributo. Então não sou favorável a desoneração tributária nem ao subsídio como forma de reduzir preços. Assim sou crítico de muitas medidas recentes do governo. Aliás, a própria idéia de redução de preços não me apetece. Quanto mais caro o produto menor é o desperdício. Além disso, os tributos embutidos nos preços das mercadorias são uma boa forma de se controlar o preço da mercadoria, pois qualquer redução na oferta com o conseqüente aumento de preços vai reduzir a quantidade de dinheiro na economia com o aumento do recolhimento dos tributos.
Já devo ter dito isso alguma vez aqui no blog de Alexandre Schwartsman, mas considero que a função precípua do tributo é combater a inflação. Se fosse assegurado que não haveria inflação qualquer que fosse a quantidade de dinheiro emitida, automaticamente não haveria mais necessidade de tributo.
Considero, entretanto, que, salvo algumas mentes privilegiadas, ninguém, com toda a transparência do governo, sabe tanto quanto o governo sobre a realidade econômica do país. Então, eu tendo a crer que o governo pode estar certo ainda que contrarie a minha ideologia. E torço para que ele, o governo, esteja certo. E os magos, calculistas ou não, podem apenas vaticinar que as medidas não vão dar certo e racionalmente esperar, mas eles não têm atuação para impedir que as medidas dêem certo.
O governo sabe que o setor público é um dos últimos bastiões para se postergar a queda natural dos rendimentos no sistema capitalista, assim é possível as vezes compreender alguma forma de direcionamento que o governo faz do lucro na economia. O governo transferir lucro para os bancos (Subsídio para os bancos via juros alto) para que assim eles possam comprar empresas e investir ou o governo mudar a política e tirar o lucro dos bancos e passar diretamente para as empresas ou então tirar o lucro de algum serviço público como é o caso de energia e o transferir também para as empresas, são todos mecanismos que podem revigorar a economia se bem utilizados.
A propósito, saiu hoje, domingo, 27/01/2013, uma entrevista de Ilan Goldfajn concedida a Deco Bancillon, enviado Especial do Correio Braziliense e intitulada “Economista-chefe do Itaú Unibanco diz que governo tem que ser pragmático”. O endereço da entrevista no Correio Braziliense brasiliense é:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2013/01/27/internas_economia,346164/economista-chefe-do-itau-unibanco-diz-que-governo-tem-que-ser-pragmatico.shtml
Ilan Goldfajn foi diretor de política econômica do Banco Central (BC) entre 2000 e 2003 e, portanto, é economista de corrente adversária do governo. Pois bem, concordo com quase tudo que ele diz. Uma discordância seria em relação à passagem em que ele faz a seguinte recomendação ao governo:
“ele terá que permitir que as taxas de retorno das empresas sejam um pouco maiores”
Não se trata propriamente de uma discordância, mas eu penso que já há este pragmatismo do governo, pois as medidas que têm sido tomadas são mais no sentido de transferir a lucratividade do que de a reduzir.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/01/2012

Anônimo (23/01/2013 às 13:43),
A entrevista de Ilan Goldfajn concedida a Deco Bancillon, enviado especial do Correio Braziliense e intitulada “Economista-chefe do Itaú Unibanco diz que governo tem que ser pragmático” foi reproduzida como post no blog de Luis Nassif com o título “"Governo tem que ser pragmático", diz Ilan Goldfajn” de domingo, 27/01/2013 às 09:37, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/governo-tem-que-ser-pragmatico-diz-ilan-goldfajn
Trouxe a informação acima pela natureza das críticas que a entrevista suscita. A maioria dos comentários focaram na defesa que Ilan Goldfajn faz de se permitir maior margem de lucro para se aumentar o investimento. São comentários críticos a Ilan Goldfajn e partindo de prováveis apoiadores do governo. Talvez alguns sejam partidários de um governo mais à esquerda do governo do PT.
É uma mixórdia sem tamanho. Em meu entendimento, o Ilan Goldfajn está certo ao defender margem de lucro maior como incentivo ao investimento e, portanto, ao crescimento e o governo, em meu entendimento, está atento à necessidade de se ter lucro para aumentar os investimentos. Pelos comentários de apoiadores do governo e críticos a Ilan Goldfajn é de se pensar que o governo faz o contrário do que propõe Ilan Goldfajn.
Enfim, considero que não é muito seguro avaliar um governo seja pelo que dizem os críticos do governo, seja pelo que dizem os seus apoiadores. É necessário conhecer mais o que faz o governo e os propósitos do governo em cada medida que ele toma.
Utilizar modelos econômicos para avaliar as decisões do governo, como faz o Alexandre Schwartsman é um modo bastante técnico, mas pode não ser o correto, ou pode requerer mais tempo para ter uma avaliação mais consistente. Quando não se dispõe da técnica para avaliar o modelo aplicado o que resta é dizer que a avaliação pode ser precipitada.
É bem verdade que há muitas medidas de caráter eminentemente político visando a manutenção do poder, mas mesmo essas medidas podem não estar erradas, pois no longo prazo as medidas corretas são as mais favoráveis à manutenção de poder.
E o pior é que não se pode reproduzir o contrafactual. Os críticos do governo podem sempre alegar que o governo poderia ser melhor. E os admiradores do governo podem defender-se dizendo que poderia ser pior. E mesmo que houvesse o contrafactual sempre se pode dizer que ainda não se chegou ao fim do túnel.
Restam as eleições para avaliar a competência do governo. E que no fundo não se sabe se elas realmente avaliam (As eleições podem ocorrer antes do fim do túnel, para o bem ou para o mal).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/01/2013

O Clever é uma verdadeira praga no blog do Alex.