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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Outro milhão de palavras

Outro gráfico "emprestado" do Drunkeynesian, especial para quem duvida do efeito da educação na divergência entre Coreia do Sul e Brasil

Não tem nada a ver com educação, viu?
Fonte

Reações:

72 comentários:

cuidado alex, vai ter gente achando que esse grafico justifica politica cambial e industrial!!! e que educacao nao tem nada com isso.

"Lá eles mantêm um política de desvalorização da moeda muito mais consistente e séria do que no Brasil". Mantega

Bem, pode ser.
Uma vez que, parece ao menos, estariam operando um modelo que não controla gastos públicos improdutivos, investe muito pouco, importa muito manufaturas, bens de tecnologia, bens de capital e exporta commodities, acumula muita reserva com câmbio flutuante e tolera inflação projetada acima do PIB...Pode ser que o desempenho comparado não tenha nada a ver com educação.
Mas, talvez tenha muito a ver com certo kit educacional e certos livros que ensinam que falar Português errado, está correto.
Ou com obras clássicas censuradas por notas explicativas, dado o momento e a terminologia utilizada por Pedrinho para com a tia Nastácia.
Tirando tudo isso, tudo bem.

http://www.cartacapital.com.br/economia/publico-agindo-como-publico/

O crescimento da produtividade coreana tem relação com o esforço educacional mas este não explica sozinho a variável. Existe um estudo denominado "Educação e Crescimento Econômico na Coréia do Sul" dos mestres Michelle Merética Miltons e Ednaldo Michelon que aborda a questão da educação em maior profundidade mas cita outras variáveis importantes no desenvolvimento coreano:

Primeira fase de industrialização:
1 - industrialização pesada
2 - substituição de importações com indústrias locais protegidas por altas taxas de importação e restrições quantitativas
3 - licenças seletivas de importação
4 - complexo sistema de taxas múltiplas de câmbio para favorecer grandes conglomerados
5 - estratégia de comércio voltada para o exterior
6 - forte dirigismo do governo
7 - adoção de política seletiva de incentivos para empresas exportadoras
7 - financiamento a taxas de juros baixas
9 - parceria de risco entre governo e grandes empresas através do fornecimento, pelos bancos estatais, de garantias de pagamento de dívidas

Fase madura do processo de industrialização:
1 - subsídios diretos para a exportadores
2 - acesso preferencial às licenças de importação
3 - empréstimos a taxas preferenciais
4 - taxas de juros reduzidas para projetos considerados prioritários pelo governo
5 -aprovação automática de empréstimos pelos bancos comerciais para firmas com bom desempenho exportador
6 - deduções de impostos.
O critério para concessão de benefícios era o desempenho exportador, monitorado de acordo com as metas indicativas estabelecidas no início de cada período

Ok, agora me diga uma das políticas acima que NÃO tenha sido adotada no Brasil.

Achou uma? Nem eu, excelto, é claro, educação...

Alex, ha' um claro breaking point no ano de 1980, quando as curvas comecaram nitidamente divergir. O coeficiente angular da curva coreana se alterou pouco, mas o do Brasil estagnou-se subitamente. O que teria acontecido daquele ano em diante em termos educacionais que causou tamanha divergencia?


Um grande abraco


Kleber S.

Não me parece que algum tipo de política industrial seja algo concorrente à políticas educacionais, sendo assim o debate parece inócuo. Questões sobre necessidade de políticas indústrias envolvem externalidades e falhas de mercado, a inovação geralmente é um bem cujo beneficio é público mas o ônus de eventuais fracassos é privado. Feita essa consideração, me parece claro que políticas educacionais bem feitas potencializam os efeitos de políticas industriais, quando essas tem a intenção de corrigir falhas de mercado e potencializar a inovação. De nada adianta criar uma estrutura capaz de absorver inovação se não há mentes treinadas para realiza-las.

Reforma agrária? Eles fizeram, o Japão fez e a China fez várias vezes.

Oi Kleber:

Por volta de 1980 acabou a "fase fácil" do crescimento no Brasil, que vinha da transferência de mão-de-obra de setores menos produtivos para os mais produtivos (aka, urbanização).

A partir daí educação começa a pesar (ou, para usar a expressão do Warren Buffet, quando a água baixa a gente descobre quem estava nadando pelado).

Caramba... Sera que ninguem vai falar de inflação nessa comparação ?? Onde entra a macroeconomia

Nossa quase hiper nos anos 80 tem alguma relação com as diferenças entre os investimentos nos dois paises em educação ???
O Alex diz que fizemos exatamente como a coreia... e o resultado foi diferente.... EXCLUSIVAMENTE pela educação ???
Com a nossa inflação não ia ter investimento em educação que desse jeito...

Compremos todos um papagaio e o treinemos para que qualquer pergunta sobre o Brasil ele responda : É A EDUCAÇÃO, É A EDUCAÇÃO....

"Mas, talvez tenha muito a ver com certo kit educacional e certos livros que ensinam que falar Português errado, está correto."

Aparentemente você deve ter estudado com esse kit educacional, não?

Paulo Simões Diniz

Você cita [Michelle Merética e Michelon] o que parece não ter lido. O sucesso coreano tem uma história. Emprestar a essa história o primado de uma suposta “causa econômica”, sob a ilusão de que aí residiria a explicação perfeita do sucesso, é mergulhar na escuridão. Pior ainda é fazer isso querendo reduzir essa história a um modelo de validade universal, transformando o que é vivo em uma etiqueta de classificação ["o modelo coreano"]. Em outras palavras, quem procede assim rebaixa o que é histórico ao nível de uma taxonomia [no caso, a taxonomia dos eventos da economia que você relaciona no seu comentário], como se isso a que chamamos de economia fosse uma dimensão estrutural intangível e imune às contingências da história. Agir assim é operar como discípulo de Aristóteles: o sistemático [os estruturalistas, principalmente] erige compartimentos [o da economia, por exemplo] na ilusão e ignorância de que a organização das coisas do mundo em caixinhas classificatórias estariam dispostas com toda clareza e didática. Desse modo tudo está perfeitamente classificado e... morto: “o modelo coreano”.

Quem conhece a história da Coreia deve saber o que marcou esse país desde 1945. Quem não conhece, deve se informar. Também é interessante relembrar a história do Brasil no mesmo período e em paralelo com a coreana.

O que está na dissertação de mestrado de Michelle Merética Miltons, Educação e crescimento econômico na Coréia do Sul após 1945 [UEM-2007], e que você, Paulo Simões Diniz, não viu ou omitiu:

Década de 1950: Foco da política educacional esteve sobre a alfabetização e a universalização do ensino elementar, mesmo durante a Guerra Civil.

Década de 1960 a 1980: Alcançadas as metas da universalização do nível primário, a política educacional desloca-se para o nível secundário, com ênfase no ensino técnico para prover a qualificação da força de trabalho em atendimento das demandas da indústria.

Surgimento de movimentos de resistência dos alunos, que reivindicaram reformas na educação com o objetivo de alcançar o nível superior de graduação, o que os habilitaria a atingir maior renda, prestígio e status social. A resposta foi a expansão de vagas no ensino superior mesmo durante a época dos desafios macroeconômicos enfrentados pela Coreia nos anos 80.

Década de 1990: O governo promoveu importantes reformas na educação, com vistas a proporcionar o desenvolvimento da criatividade individual. Nos níveis elementar e secundário, este esforço foi materializado pelo lançamento do Sétimo Currículo, que procurou enfatizar o desenvolvimento das capacidades individuais. No nível superior, o projeto BK-21 procurou incentivar a promoção da pesquisa e desenvolvimento nas universidades, até então bem mais concentrados nos chaebol. Esses esforços tinham e, nos anos 2000, ainda têm, o objetivo de conduzir a Coréia ao status de sociedade do conhecimento. [Esse entendimento da autora precisa ser confrontado com Roberto Mazzoleni e Richard R. Nelson em artigo acima citado em post anterior]. O resultado foi nova expansão das matrículas, atingindo mais de 80% da população em idade própria nos anos 2000.

Conclusão da autora, com a qual, obviamente, se pode ou não concordar:

Todas estas questões levam a crer que a Coréia está na trajetória correta rumo à sociedade do conhecimento. A ênfase do governo na educação, como forma de contribuir no projeto de desenvolvimento, nesta nova fase [século XXI], onde as taxas do PIB ainda avançam, mas a uma velocidade bem menor, não deverá mudar mesmo após este objetivo ser alcançado. Afinal, ser uma economia intensiva em conhecimento exigirá, sempre, priorizar a educação.

Tirando tudo isso, tudo bem "O" Anônimo.

Paulo Simões Diniz, essas premissas seriam as que sustentavam os "chaebol", na Coréia do Sul.

Se um foco central na educação, seria muito difícil implementá-lo em tão pouco tempo histórico.

Alex,

Você não vai fazer sua oposição à recente queda forçada do spread bancário no Brasil?

Att,

MG

Alex, pegando carona na pergunta do spread vc acha que o BC é leniente com a regulação concorrencial?
Abs.
M.

A preocupação coreana com a educação vem de antes da década de 50. A educação em massa da população começou no início do século XX, quando o alfabeto coreano, inventado por volta de 1500, passou a ser difundido e utilizado. Até então, a elite educada usava uma escrita como a chinesa, não alfabética.

Sugestão para um post: no tempo em que nossos bravos heterodoxos ainda se preocupavam em oferecer o mínimo de coerência interna em seus modelos, lá pelos tempos em que Celso Furtado era um jovem discípulo de Raul Prebisch, a pedro de toque do estruturalismo era a famigerada deterioração secular dos termos de troca. Sem isso, a coisa toda ruía e passava a depender de argumentos do tipo "indústria nascente" ou algum spillover indefinido.
Pois bem. Em qual das alternativas será que os oreirinhos da vida acreditam nos dias atuais:
a) a deterioração dos termos de troca ainda vale? Nesse mundo de fronteira agrícola em extinção, custo marginal de extração de tudo e emergentes demandando commodities sem parar? E no lado industrial, com a globalização comercial e o aumento na mobilidade de capital retirando boa parte das barriras a entrada nas industrias tradicionais?
b) Indústria nascente? Fabrica de automovel, eletrodomestico, textil, o grosso da petroquimica, siderurgica etc. esses todos que estão aí, chorando as pitangas, são indústria nascente? Putz, já foram uns 60 anos, quanto tempo mais vai durar esse parto?
c) spillover? Bom, boa parte dessas indústrias polui bastante...Será que isso conta?

Alex,

Fazendo o papel do advogado do diabo, esse gráfico não pode ser meio enganador por começar logo depois da guerra? Confesso que não tenho idéia sobre o grau de destruição do estoque de capital por conta da guerra da Coréia, mas, se houve uma destruição significativa, isso não explicaria uma disparada da produtividade do trabalho no período posterior?

Caro anônimo,

Para responder-lhe rapidamente, existe um trade-off entre estabilidade do sistema financeiro e competição. Em um sistema financeiro com pouca competição, bancos podem cobrar um spread maior e isso arrefece o ânimo para fazer maiores apostas arriscadas. Durante a crise de 2008, nós nos beneficiamos de ter pouca competição em nossos bancos.

Eu tenho bastante receio do que pode vir a ser consequência da política da Dilma de usar os bancos públicos para reduzir os spreads bancários. Primeiro, eu duvido que ela ou o mantega tenham estofo intelectual para entender as consequências deste ato e planejar para as contingências. Segundo, eu duvido que bancos como o BB e a CEF tenham capacidade operacional para expandir seus portfólios sem uma piora significativa do perfil de risco.

Concluindo, parece-me mais um ato de geiselismo. Temos novamente um governo supostamente técnico que veio depois de um “milagre” e tenta desesperadamente gerar crescimento de curto prazo para ficar bem na comparação com o governo anterior.

Meu caro, não existe tradeoff algum entre estabilidade e competição, apesar de não ter dirigido a pergunta a vc, entendo que este tradeoff que vc menciona apenas serve para ratificar a captura dos reguladores pelos regulados. O argumento de que em 2008 teríamos nos beneficiado da pouca concorrência é no mínimo cretino, os bancos brasileiros se salvaram porque não entraram no cassino do subprime, etc, nada a ver com concorrência. Mais uma vez vc perdeu uma boa opoetunidade de ficar calado.
M.

Depois de ver esse gráfico e outras coisas a mais, fico me perguntando: em que seríamos opositores?

Os que querem elogios para a Dilma, Bresser, Mantega e Delfim deveriam buscar outro blog.
Para os chamados poskeynesianos, desenvolvimentistas e neodesenvolvimentistas, enfim, para aqueles que gostam de economia planejada, sugiro que comparem a produtividade do trabalho da Coréia do Sul com a Coréia do Norte.
Não é só universalização da educação, é todo um arcabouço institucional e um ambiente que estimulam os investimentos que se traduzem em crescimento econômico e desenvolvimento social.

“Meu caro, não existe tradeoff algum entre estabilidade e competição, apesar de não ter dirigido a pergunta a vc, entendo que este tradeoff que vc menciona apenas serve para ratificar a captura dos reguladores pelos regulados.”

Deve ser algum resultado novo, pois devo ter começado a estudar regulação bancária uns 15 anos atrás, e é a primeira vez que eu ouço alguém tentando negar a existência de trade-off entre competição e estabilidade no sistema financeiro.

“O argumento de que em 2008 teríamos nos beneficiado da pouca concorrência é no mínimo cretino, os bancos brasileiros se salvaram porque não entraram no cassino do subprime, etc, nada a ver com concorrência.”

Haha, parece-me que o gênio acima ‘pensa’ que um argumento não-cretino deve se basear na premissa que bancos não baseiam suas escolhas de ativos nos retornos esperados dos investimentos.

Por essas e outras que temo pelo sistema financeiro brasileiro. Não me surpreenderia que aqueles que têm o poder não entendam também as conseqüências da redução do spread que Dilma quer engendrar. São amadores, crianças mimadas com a mão na alavanca.

"Concluindo, parece-me mais um ato de geiselismo."

É um ato de geiselismo (gostei do nome). Começou em 2006 quando o governo resolveu "comprar" crescimento econômico para ganhar a eleição contra o mensalão. Estava disfarçado mas a semente estava lá. Ficou claro na crise de 2008. Agora ficou escancarado tanto em termos econômicos quantos políticos.

A crise de 2008 foi a queda do muro de berlim para os economistas liberais....... A experiência histórica mais proxima do que seria um laboratório perfeito para seus experimentos ruiu.... Ficam agora se debatendo sobre os escombros e criticando os heterodoxos...... Vai ver a culpa da crise deve ser do minsky .....

Desconheço a literatura que vc diz ter lido. Outra coisa, quem se passa por gênio é vc, gênio anônimo...
Quanto ao parágrafo final de seu comentário devo dizer que é a ratificação de sua cretinice.
M.

“Desconheço a literatura que vc diz ter lido.”

Mas isso é óbvio. Ninguém aqui duvida que você é um neófito e ignorante sobre regulação bancária.

“Quanto ao parágrafo final de seu comentário devo dizer que é a ratificação de sua cretinice.”

Magoou?

“A crise de 2008 foi a queda do muro de berlim para os economistas liberais....... A experiência histórica mais proxima do que seria um laboratório perfeito para seus experimentos ruiu.... Ficam agora se debatendo sobre os escombros e criticando os heterodoxos...... Vai ver a culpa da crise deve ser do minsky .....”

Interessante o seu comentário vindo depois da discussão que eu tive com o boca-suja que assina “M.”. A principal lição que eu tirei da crise de 2008 foi que o sistema bancário não pode ter uma regulação laissez-faire e que bancos devem ter algum poder de monopólio, para que o sistema financeiro seja estável. O resto não foi nada de novo...

Caro o

Antes tarde do que nunca....... Se vc teve que esperar a crise para aprender isso...... !!!!!!!!!

O problema dos liberais em relação a crise de 2008 nao foi necessariamente o fato de nao ter aprendido nada...foi nao ter esquecido muita das bobagens que vcs alardeavam como verdades universais.....
Nao se acanhe, nunca e tarde para recomeçar a estudar..... Sua igrejinha Desabou, seus sacerdotes foram pegos molestando menininhos...
Dos 5 estágios vc provavelmente já passou pelo da negacao, continua no da raiva...... Parece agora começar a negociar...... Amadurecendo vc chega no da aceitação.....

o blog tava tão mais civilizado e interessante sem o "O".
:/

“Sua igrejinha Desabou, seus sacerdotes foram pegos molestando menininhos...”

Para de pirar na mandioca, rapazote.

O ROE perto de 20% é o que rola no mundo, incluindo Brasil, quando se fala de bancos e seus objetivos. No Brasil ficamos muito´pouco chamuscados porque o retorno sempre foi obtido com margens enormes e baixa alavancagem. Lá fora é aquilo que se viu, margens estreitas e alavancagens insanas. O Brasil foi citado como modelo no pós-crise, sem dúvida temos um modelo mais estável. Porém podemos dizer que o modelo brasileiro é pouco competitivo, concentrado, disfuncional etc. O trade-off é claro e transparente, os limites que a regulamentação deve impor nunca são. A vontade da política em usar o acelerador do crédito sempre estará a serviço dos bancos agressivos ou dos bancos públicos.
Fernando

http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/04/previa-do-pib-aponta-queda-de-023-em-fevereiro-diz-banco-central.html

Sobe os juros BC! Sobe os juros!

Crescimento do PIB no trimestre: 0.9% (que mega recessão...)

Seria interessante analisar as finanças das empresas nas quais o governo federal tem mão forte. Assim fica fácil manter a relativa estabilidade dos preços. Claro que a turba aplaude tais medidas como grande estratégia de desenvolvimento e manutenção do poder político na mão do PT.

Alguns trabalhos indicam que a competição bancária pode ter efeitos positivos na estabilidade financeira.

http://www.economist.com/node/13639203?story_id=13639203&fsrc=nwl

Victor

O governo tenta formar um novo equilíbrio com câmbio mais desvalorizado, juros menores, estímulos a industria via crédito e desonerações. Me parece que mesmo não sendo óbvio que vá dar errado e mesmo esquecendo a aterradora experiência brasileira nessa senda, o que me parece fora da lógica seria a questão do crédito. Para ter alguma chance de termos um equilíbrio mais pro lado do investimento, em especial para indústria, o governo teria que segurar o crédito e não estimulá-lo. Sim, seria importante cortas o gasto público, mas aí a questão não é de fazer conta... Deixar o spread para lá para conter demanda, inflação, câmbio real,coisas certamente vão afundar a nau desenvolvimentista em algum ponto da travessia em direção ao modelo franco-coreano. Será que os nossos técnicos não veem isso?
Fernando

Deus meu...

Esse gráfico não possui absolutamente NADA a ver com educação, mas sim com o amplo programa de reformas (macro e micro) implantado na Coréia do Sul ao final da Guerra da Coréia, aos moldes do que ocorreu em diversos outros países sob influência dos EUA, como Japão e Alemanha.

Se educação fosse esse milagre todo que petistas e alguns liberais, ingênuamente, crêem que ela seja, a Romênia seria como a Coréia do Sul hoje. De que adianta ter uma população altamente educada se não existe um ambiente propício para empresas privadas prosperarem e empregá-la?

Educação é só mais um insumo.

A medida de utilização dos bancos públicos para redução do spread talvez tenha sido a única que achei positiva do MF nos últimos anos.

Entendo perfeitamente o silêncio do Alexandre. Há um conflito de interesses claro nesse caso. Como poderia um economista que presta serviços para o setor financeiro se declarar abertamente a favor de uma medida que reduz o spread de seus clientes?

Por outro lado, concordo com o eminente gramático "O". Duvido que o governo tenha se preparado para os possíveis efeitos negativos dessa medida ou que tenha planos de contingência.

abs

". Como poderia um economista que presta serviços para o setor financeiro se declarar abertamente a favor de uma medida que reduz o spread de seus clientes?"

Uai. Eu poderia me declarar contra... E quem disse que só tenho clientes no setor financeiro?

ALEX


Eu ainda nao me sinto convencido de que tenha havido um "breaking point" em 1980, causado por educacao. O que teria se deteriororado tao subitamente? Porque a curva coreana se manteve praticamente inalterada. A brasileira e' que teve a quebra brusca do coeficiente angular. A explicacao que voce oferece e' gradualista. Ela somente se justificaria caso anos antes alguma coisa tivesse ocorrido como um evento singular, tipo reducao de horas de aula anuais cavalar, extincao de universidades, etc. Qual e' a metrica que voce oferece como correlacao aos dados da curva?


Um grande abraco


Kleber S.

Anônimo 16 de abril de 2012 15:22

"Educação É SÓ mais um insumo."

"O idiota da objetividade é também um cretino fundamental" [Nélson Rodrigues]

Do blog do Simon Schwartzman uma notícia auspiciosa para os estudantes de economia

REAP – A nova geração de economistas brasileiros
Simon Política Pública 2012-03-28

Está anunciado para o dia 10 de abril, na sede do INSPER em São Paulo, o lançamento da Rede de Economia Aplicada, REAP, inspirada no renomado National Bureau of Economics Research, NBER , para a divulgação de trabalhos sobre EDUCAÇÃO, saúde, organização industrial, crime, macroeconomia, crescimento econômico, trabalho, pobreza e desigualdade, escritos pela nova geração de economistas brasileiros dedicados a estes temas. Como consta do site, “a proposta essencial dessa rede de conhecimento é fornecer subsídios que possam alimentar o debate público e contribuir para a formulação de políticas públicas bem fundamentadas”.

A criação da REAP marca a presença,no Brasil, de uma nova geração de economistas formados nas melhores universidades em todo o mundo e dotados de instrumentos conceituais e analíticos que lhes permitem lidar com temas de política social que antes eram tidos como reservados para sociólogos, cientistas políticos e anropólogos. Estes que se cuidem!

REAP - Rede de Economia Aplicada

http://reap.org.br/sobre-o-reap/

The NBER Today

The NBER is the nation's leading nonprofit economic research organization. Twenty Nobel Prize winners in Economics and thirteen past chairs of the President's Council of Economic Advisers have been researchers at the NBER. The more than 1,100 professors of economics and business now teaching at colleges and universities in North America who are NBER researchers are the leading scholars in their fields. These Bureau associates concentrate on four types of empirical research: developing new statistical measurements, estimating quantitative models of economic behavior, assessing the economic effects of public policies, and projecting the effects of alternative policy proposals.

http://www.nber.org/info.html

Economics of Education Program

http://www.nber.org/programs/ed/ed.html

Entao Alexandre qual a sua opinião ?? Vc que adora comparações com outros paises !!! o que justifica a margem liquida de lucro nos Spreads dos Bancos brasileiros ser a maior do mundo ?? Mesmo após brutal inadimplencia nos paises desenvolvidos o spread dos bancos lá é menor....

"Uai. Eu poderia me declarar contra... E quem disse que só tenho clientes no setor financeiro?"

Se tu tens 1 cliente no setor financeiro, já não seria o bastante para configurar conflito de interesses?

Abçs

Kleber

Esse gráfico precisa ser visto como uma representação de duas histórias de dois países.

Esqueça por um momento o que aconteceu após 1980, no Brasil e na Coreia. Isto é, corte o gráfico nesse ponto. Então, teremos que em 1980 não estava desde sempre escrito nas estrelas que o gráfico tomaria a presente configuração (2010). O que quero dizer é que a história não caminha necessariamente para lugar algum. O rumo (sentido) que a história toma é sempre o de uma construção para a qual não existe um projeto dado por um grande arquiteto. Em outras palavras, a história é um “fazer-se” do qual não se pode suprimir a contingência do que advém. O gráfico é representação de movimento histórico e seu (do movimento) sentido no pós-1980, para ficarmos nesse ponto do gráfico, foi sendo dado, aqui e lá, como produto de relações de força constitutivas desse movimento, que, certamente, comportou contraofensivas que tenderam a negá-lo ou indeferi-lo. Enfim, em história o que é efetivo são relações, ou trama de relações, constituídas por indivíduos e grupos.

Assim, perguntar “por quê?” é de pouca valia para o historiador. A pergunta de valor para o historiador é sempre o "como?" Então, se estamos em 1980, e perante um futuro marcado pela indeterminação do sentido, o que devemos perguntar a essas duas histórias é: como a Coreia, a partir de 1980, chegou ao ponto da curva em 2010? E fazer a mesma pergunta para o Brasil.

Nos termos que a questão foi colocada por comentaristas no blog, identificou-se semelhanças entre políticas econômicas de caráter intervencionista nesses dois países e uma distinção que, para alguns, pareceu fundamental: como cada país implementou as políticas educacionais?

Não quero, com isso, deduzir que o que faltou ao Brasil para chegar ao ponto coreano do gráfico foi “mais educação”. O nosso buraco é outro. Por outro lado, negar que os investimentos coreanos em educação jogaram um papel fundamental nessa história é, no mínimo, assinar atestado de ignorância a respeito da história da Coreia.

"Se tu tens 1 cliente no setor financeiro, já não seria o bastante para configurar conflito de interesses?"

E você acha que, com meu histórico, meus clientes me contratam para ouvir o que eu penso, ou para ouvir o que eles querem ouvir?

"o que justifica a margem liquida de lucro nos Spreads dos Bancos brasileiros ser a maior do mundo ?"

OK: me mande os dados da comparação dos spreads internacionais

alexandre.schwartsman@hotmail.com

Coloca no google que voce acha alguns. Obviamente, como qualquer estudo, há problemas metodológicos.

Partindo do pressuposto de que a identificação é verdadeira, da mesma forma que partimos do pressuposto que o gráfico desse post deve-se principalmente às diferenças da educação entre os países, o que você acha que da medida do governo?

"Coloca no google que voce acha alguns. Obviamente, como qualquer estudo, há problemas metodológicos."

Não, me mande um que você viu...

Bradesco e Itaú seguem bancos públicos e reduzem juro para pessoa física

Santander tem tarifa menor para pequeno empresário; na semana passada, o HSBC já havia reduzido a taxa aos consumidores

"Não, me mande um que você viu..."

Não fui eu que pedi a explicação, mas como o Drunkeynesian fez o favor de fornecer o link, não custa distribuir, até porque vale a pena conhecer a opinião do Schwartsman.

http://data.worldbank.org/indicator/FR.INR.LNDP

Boa Vinicius.

Os dados nos fazem pensar se as explicações mais corriqueiras são suficientes para explicar o spread no Brasil.
Falta de competitividade,
Carga Tributária,
Arcabouço jurídico que dificultaria a retomada de garantias, etc

Sinceramente minha inteligência ainda precisa evoluir um pouco para compreender plenamente as razões do spread no Brasil ser tão alto. Estamos na confortável situação de ter um spread menor que o Congo e Madagascar!

Abs

esperando a analise dos spreads tb

vamos ver ate onde vai a imaginação do ser humano pra defender o interesse de quem paga o seu salario

"vamos ver ate onde vai a imaginação do ser humano pra defender o interesse de quem paga o seu salario"

Meu único comentário ao babaca covarde que não tem sequer um pingo de hombridade para se identificar depois de escrever a canalhice acima:

VDMHDB...

Comentário desnecessário do anônimo em questão, mas de qualquer forma a discussão sobre o spread é interessantíssima.

Já que nosso mentor economista não nos ajuda a compreender a questão dos spreads, seguem algumas opiniões da economist. Para mim ainda não está claro...

‘Economist’ vê spread ‘colossal’ no Brasil mesmo após corte de juro

http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2012/04/19/economist-ve-spread-colossal-no-brasil-mesmo-com-corte-de-juro/

Sem querer nem de longe concluir algo, eis alguns problemas: o primeiro seria o passivo brasileiro ainda focado no curto prazo, o que impede a alocação mais ampla. Os bancos menores que entraram no crédito morreram na primeira reversão da captação, grande parte com liquidez diária. Só sobra pros grandes bancos, com rede de captação, ou os estrangeiros com funding longo. Segundo, é a inexistência do cadastro positivo, que daria alguma visibilidade, o que faz novamente os bancos grandes os únicos que podem "entender" o tomador. E também o BNDES retira alguns bons tomadores. Como gestor eu digo que a geração de ativos no Brasil é muito limitada. Busco algum spread para alocar, um percentual pequeno com um spread gigante típico brasileiro.
FC

Aos anônimos

Anônimo 19 de abril de 2012 17:40

"vamos ver ate onde vai a imaginação do ser humano pra defender o interesse de quem paga o seu salario"

Anônimo 19 de abril de 2012 19:07

"Comentário desnecessário do anônimo em questão"

O comentário é muito mais do que "desnecessário", caro Anônimo. Esse tipo de comentário revela o que há de pior em um indivíduo. É fruto de gente covarde e que, esta sim, vive de subserviências, de favores. Por isso o anonimato.

Você cita uma reportagem da Ecomomist. Concordo que a discussão a respeito do spred praticado no Brasil é necessária. Mas veja lá na reportagem que a revista TAMBÉM aponta um outro grave problema: “a baixa taxa de poupança do País”, e que a “Economist acredita que o Banco Central será forçado a elevar as taxas de juros para conter o aumento de preços. ‘O DESCANSO para os tomadores de empréstimo brasileiros pode não durar’, conclui a reportagem.”

E daí as perguntas que dividem economistas: Do que Brasil mais precisa? De crescimento de crédito para o consumo das famílias e de bla bla bla ou de aumentar os investimentos públicos, via aumento da poupança do país, reformas fiscais, etc?

Economistas felizmente divergem. O Anônimo covarde não está interessado em divergir, mas em servir. Age como um capanga, como um bandido que se esconde nas sombras à espera de uma oportunidade.

Etienne De La Boétie escreveu no século XVI obra atualíssima até hoje: Discurso da Servidão Voluntária.

“A amizade é uma palavra sagrada, algo santa. Só existe entre as pessoas de bem. Nasce de uma estima mútua e continua muito mais pela honestidade do que pelas vantagens obtidas com ela. Um amigo está seguro do outro porque conhece sua integridade e tem como garantia sua boa natureza, sua lealdade, sua firmeza. Onde houver crueldade, deslealdade e injustiça não poderá haver amizade. Se os capangas se juntam, o que se forma é uma quadrilha, não uma sociedade. Capangas não se amam. No bando, cada um teme o outro. Não são amigos, mas cúmplices.” [La Boetie]

Silencio absoluto do alex sobre os spreads ?

Será que esta dificil defender os bancos?????


Constrangedor

Então, o Vinícius mandou os dados...eram esses?

paulo araújo,

Muito bom.
Esse servilismo arrogante só leva à servidão voluntária, mesmo.
E o incômodo, de ser servil, faz com que as argumentações abram lugar à mera geração de desconfianças e desabonos atribuídos a outrem. Nunca "aos cúmplices".

Aliás, os bancos estatais pagariam os salários de quem, Anônimo do spread?

Ou retirariam os salários de quem, quando não puderem mais bancar a estrutura física com a baixa forçada de remuneração de empréstimos?

Tem razão o Paulo Araujo. Quem não pensa por conta própria, ou seja, aquele que é servil, tenta de todas as maneiras desqualificar e espezinhar o outro.
Mas o servil se cria porque existe um ambiente onde impera a mediocridade, em particular na esfera federal.

Numida,

A questão é esta. Qual a justificativa para os spreads no Brasil serem tão superiores ao dos demais países: Países com estrutura bancária mais desenvolvida, menos desenvolvida, índice de bancarização maior, menor, taxa de juros real muito menor, apenas um pouco menor, inadimplência maior, menor....

Enfim, o que explica? Será que se a queda dos spreads colocasse em risco a saúde financeira dos bancos (que tem no brasil uma das maiores lucratividades do mundo)os bancos privados teriam iniciado um processo de redução dos juros ou eles esperariam os bancos públicos quebrarem como você sugeriu? A resposta eu não sei. Leio esse blog, pois acho que grande parte dos posts e das discussões são interessantes e me fazem evoluir.

Gostaria que o Alexandre ou seu alter ego "O" fizessem uma análise sobre o assunto, mas aparentemente não consideram o tema muito relevante,ou estao sem tempo e com isso continuo sem entender o porquê.

Abs,

L

Alexandre Schwartsman,
Li o título deste post "Outro milhão de palavras" de quinta-feira, 12/04/2012, e lembrei-me do outro post com o título parecido "Mais que mil, vale um milhão de palavras" de segunda-feira, 09/04/2012, e lembrei-me também do comentário que eu havia escrito reproduzindo como eu tinha na lembrança uma frase de Millor Fernandes ou de Ziraldo em que um deles questionava dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras, pois como dizer essa frase se não com palavras.
Neste post "Outro milhão de palavras", eu lembrei de outro humorista, Jô Soares, que gracejou sobre a reação do general João Figueiredo quando ouviu que havia um milhão de pessoas no comício das diretas. João Figueiredo estava na Espanha em alguma exposição. Então segundo Jô Soares o que realmente ocorreu foi que mostraram ou deram para ele comer uma espiga de milho muito grande e assada. Ele teria olhado para aquele milho grande e disse:
"Um milhão, eu não como isso".
Atribuir à educação a mudança brusca que ocorreu na evolução da produtividade dos dois países com a produtividade estagnando no Brasil enquanto na Coréia ela não pára de crescer pareceu-me mais piada.
De todo modo é saudável que economistas atribuam milagres na economia a outras profissões que não a deles.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/05/2012

Alexandre Schwartsman,
Atribuir à educação a mudança na inclinação da curva de produtividade do Brasil e da Coréia do Sul, ainda que a educação tenha uma importância transcendental, pareceu-me uma piada ou então é a crença em uma intervenção alienígena como a proposta por Tom Tomorrow e que Paul Krugman reproduziu no blog dele no post intitulado "Raygunomic" de 14/05/2012 e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/05/14/raygunomics/
Não sou economista, mas se eu fosse um deles, para dar mais importância a minha, nessa suposição, profissão, eu atribuiria a mudança brusca à presença de Paul Volcker na presidência do Banco Central americano no final da década de 70 (Agosto de 1979) e concomitante com a elevação do juro para até mais de 20% ao ano.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/05/2012

Alexandre Schwartsman,
E não foi só a imagem e o título que me fizeram divertir. Também me divertiram alguns comentários.
Talvez o mais engraçado no post foi a resposta que você deu em 12/04/2212 às 22:38, para o comentário bem fundamentado de Paulo Simões Diniz - fundamentado para explicar a diferença de produtividade entre o Brasil e Coréia e não para explicar a súbita distinção em 1980. Segundo você todas as políticas que Paulo Simões Diniz trouxe como fator para distinção tinham sido aplicadas no Brasil (Sim, é verdade isso, mas aqui no Brasil aplicadas sem um planejamento centralizado e adequadamente escalonado). E então você acrescenta, exceto educação.
Até a mim que não sou da área de educação, não é desconhecido o tanto de política de educação foi aplicada no Brasil. Aliás, no início da década de 80 fiz um levantamento estatístico para um setor da Secretaria de Educação que ministrava curso a distância para professores leigos.
Havia umas 30 Delegacias Regionais no Estado. Em várias delas havia o curso. Era um projeto federal. Minas Grandes terra de grandes educadores possuía milhares de professores sem formação, mais especificamente: o curso a distância era feito em dois módulos: no primeiro módulo os professores formavam no ensino fundamental ou ginasial como se dizia à época e no segundo módulo os professores formavam no ensino médio ou normal (As chamadas normalista).
Lembro que Montes Claros era uma das Delegacias Regionais com maior demanda por formação tanto no ensino médio como no fundamental, mas havia também muitos alunos-professores fazendo o curso na Delegacia de Ensino de Belo Horizonte. Uma realidade bem distinta daquela vivenciada por quem tenha estudado nas melhores escolas do Rio de Janeiro.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 17/05/2012