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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Resposta ao austriano Adolfo

Eu comecei a responder ponto a ponto ao post do Adolfo em que ele prende a respiração e entra em um casulo para se esconder da realidade que a Teoria Quantitativa da Moeda tem poder explicativo zero para a determinação da taxa de inflação no curto e no longo prazo nas últimas três décadas nos EUA (vide Sargent e Surico, AER 2011).

Mas o argumento do Adolfo não merece uma refutação ponto a ponto. A cada parágrafo, a mesma pergunta parece se repetir: “se emitir moeda não gera inflação, então exatamente qual é o problema de se emitir moeda?”

Tal pergunta começa de uma premissa errada. É errado dizer que moeda gera inflação assim como é errado dizer que moeda não gera inflação, pois o efeito de moeda sobre inflação depende do contexto.

Por exemplo, em uma economia com desemprego bem acima da taxa natural, somente economistas austrianos apostariam que emissão de moeda seria inflacionária (como demonstrado nos últimos anos nos EUA). Neo-keynesianos como o Krugman e “O” por sua vez acertaram e têm acertado seguidamente que os riscos maiores têm sido de deflação nas economias avançadas.

Tendo dito isso, se moeda for emitida para financiar déficit público, tanto teoria quanto experiência nos dizem que o efeito deve ser inflacionário. Por isso mesmo, todos os países que se dão respeito adotaram instituições fiscais e monetárias que minimizam a possibilidade de financiamento do déficit público via emissão de moeda.

Economia é uma dona complexa demais para ser explicada por slogans.

Reações:

123 comentários:

Confesso que esperava uma resposta mais contundente, ao estilo Alex, para humilhar de vez o rapaz. Afinal, como disse o Alex certa vez, não devemos nos furtar à missão civilizatória.

"O",

no caso da equação quantitativa, MV = PQ, é sempre suposto V constante e aí se tivermos uma elevação de M, os preços teriam de se ajustar para manter a igualdade.

Mas o efeito do aumento não se dá apenas sobre P, pois com uma maior oferta de moeda os juros caem, e o custo de reter moeda fica menor, certo? E com isto a velocidade da moeda cai junto com os juros. Com juros mais altos, os agentes preferem deixar seu dinheiro nos bancos, quando os juros estão mais baixos eles não tem problema em ficar com o seu dinheiro.

Mas se V cai, o impacto do aumento M sobre P seria menor ou mesmo anulado, certo? Então um dos efeitos da oferta de moeda é reduzir os juros, e assim a velocidade da moeda se reduz junto, reduzindo o impacto do aumento da oferta de moeda sobre os preços. Então, nem sempre M afeta P?

Eu encontrei estes dados aqui para os EUA:

Velocidade da Moeda x Taxa de Juros

Mas só uma pergunta, a curva de juros americana tá subindo, uns dizem que é o mercado precificando mais inflação, o Bernanke disse que é o mercado projetando uma retomada da atividade. Quem está certo? Me parece que ambos, e parece bem claro que o FED quer gerar um aumento das expectativas inflacionárias pra fugir da taxa de juros nominal igual a zero.
Estou errado, ou não entendi o debate?

Como fui um dos instigadores (mesmo que involuntariamente, pois acho que o risco para o Brasil não é quem pensa como o Adolfo, mas sim quem pensa como a cúpula do IPEA) da contenda, tenho que escrever minha opinião...

A questão é que o Adolfo escreveu, há algumas semanas, o seguinte:

"Apesar de correto do ponto de vista contábil, o raciocínio do parágrafo acima esconde um truque: não há como todos os preços da economia subirem caso a oferta de moeda permaneça constante"

Essa frase está errada. Há como os preços da economia subirem com a oferta de moeda constante. Geralmente, os economistas chamam a isso choques.

Pode-se dizer que a regra geral é que os preços subam graças a um aumento da oferta de moeda. Pode-se dizer que até não há como os preços subam sucessivamente e de maneira prolongada (salvo grandes catástrofes ou guerra) sem aumento da oferta de moeda. Mas não foi nem uma coisa, nem outra o que foi escrito. Isso tem que estar bem claro.

Outra coisa é a discussão sobre TQM. Eu acredito que aumento da moeda sempre gerará aumento de preços em relação ao contrafactual de não aumento da moeda. A inflação, hoje, nos EUA, é maior do que a que seria sem os QE. Só que a relação não é simples como a prevista pela TQM. Depende, inclusive, da parte da expansão que não foi antecipada. E toda a discussão é sobre se há e qual a duração do efeito dessa expansão na economia real. E também qual o efeito de curto prazo nos preços (sou da opinião de que, conforme a economia for se recuperando, boa parte desse QE terá que ser enxugado, pois será lá que a maior parte do efeito inflacionário ocorrerá).

Então, quando o Adolfo diz que aumento da quantidade da moeda leva a um aumento de preços, está certo.
Quando diz que não há como haver aumento de preços sem aumento da quantidade de moeda, viajou BRABO.

"Tendo dito isso, se moeda for emitida para financiar déficit público, tanto teoria quanto experiência nos dizem que o efeito deve ser inflacionário."

Estranho, muito estranho. Até onde saiba os EUA estão com déficit público, e alto. Desta forma nos EUA vemos emissão e déficit público. Por que não causa inflação?

Por outro lado, o que acontece quando a emissão de moeda é feita sem o governo ter déficit? Nada? Inflação? Outra coisa? Cuidado, se a resposta for inflação temos que moeda causa inflação com ou sem déficit. Neste caso a conclusão não me parece muito diferente do que o Adolfo está dizendo.

Espera, li de novo, você não disse emissão com déficit, você disse emissão para financiar o déficit. Acho que entendi, o BC emite moeda, o pessoal pergunta: Dr BC a emissão foi para financiar o déficit? Se ele disser que sim temos inflação se ele disser que não, que foi para reativar a economia, então tudo bem. Gostaria de ver tudo isto organizado em um modelinho, o Krugman ganharia outo Nobel e finalmente teria uma resposta para o Mankiw, aliás, afinal ele topou a aposta com o Mankiw? Aquela do Nobel. Ou continua correndo?

Agora sério. Novos-keynesianos, novos-clássicos, novo-monetaristas e etc bebem na mesma fonte. Todos trabalham com a a idéia de escolhas racionais, mercados equilibrados (competitivos ou não) e etc. A grande diferença é o purismo de cada um, precisamente, quanto cada um está disposto a sujar o modelo para chegar a resultados de política, especialmente de política monetária. Como disse um professor meu: se eles (os novos-keynesianos) concordarem que o curto prazo é de mais ou menos duas horas não temos mais o que discutir. Não gosto dos modelos novos-keynesianos, mas não os vejo como um grande problema, aliás não foi o dono deste blog que disse DSGE é único "game is town"? Mudou de idéia? Por que? Seus leitores merecem um post sobre o tema.

Quanto a neo-keynesianos, o que é isto? Este negócio de xxx-keynesiano é confuso. Qual a diferença entre um neo-keynesiano, um pós-keynesiano, um keynesiano e o Papai Noel? É que o Papai Noel existe? Será que toda crise alguém vai querer refundar a economia? Está cheio de problema em macro, começando pelo modelo de agente representativo, mas falar em dark-ages? voltar aos anos 70? Fala sério.

Abraço,

Roberto

P.S. Usando este arcabouço neo-keynesiano é possível dizer qual o tamanho do défict público ou daxa de desemprego em que o BACEN pode começar a emitir modeda sem causar inflação?

A curva de juros americana ainda está em níveis historicamente baixíssimos.

A economia está começando a dar sinais de retomada. É razoável esperar que a curva suba um pouco mais se a retomada se mantiver nos próximos meses.

Rogerio,

Leia o artigo ‘Monetary Neutrality’ do Lucas no JPE na metade dos anos 90.

Ele explica bem que não faz sentido falar em ‘elevação de M’ sem especificar o mecanismo gerando essa elevação.

"Confesso que esperava uma resposta mais contundente, ao estilo Alex, para humilhar de vez o rapaz. Afinal, como disse o Alex certa vez, não devemos nos furtar à missão civilizatória."

O Adolfo não come crianças nem pariu uma hiperinflação :)

Esse assunto ja rendeu tudo que tinha para render.

Que tal juntarmos as forcas novamente contra o que realmente vai esfolar o Brasil em alguns anos: esqueletos fiscais!

Mesmo se o governo cortar os 50bi que anunciou, a mais nova opcao de capitalizar BNDES e CAIXA com acoes da Petrobras desfaz o esforco. Pior ainda, aa hora que a barata voar, o abacaxi vai parar na mao do tesouro que repassa pro contribuinte.

Eu queria saber de quem sao essas ideias mirabolantes? Nao acho que seja do Mantega. Ou vem da cabeca da Dilma, ou tem mente mais perigosa por ai sobre as quais a gente nao esta falando....

"O Samuel Pessoa nao só disse que o corte é crivel, como também suficiente pra trazer o primario pra meta...

E cá entre nós, prefiro acreditar no Samu..."

Levante a mão quem acha que o Samuel -- o mais novo defensor da CPMF -- é inimputável?

“O”

Sapere aude! 

“A Teoria Quantitativa da Moeda tem poder explicativo zero para a determinação da taxa de inflação no curto e no longo prazo nas últimas três décadas nos EUA (vide Sargent e Surico, AER 2011)”.

A respeito da assertiva, nada posso afirmar ou negar porque não conheço os autores citados. No entanto, e na suposição de que as fontes sejam verdadeiras, sua premissa epistemológica é correta. Isto é, o conhecimento científico das coisas é útil e vantajoso principalmente quando mostra o que a coisa não é. Assim, o conhecimento que nos diz “o que não é” é libertador e, consequentemente, um poderoso agente no combate aos erros e aos dogmatismos.

Se bem entendi, a discussão que você trouxe é tão somente que a TQM não tem valor de lei geral na economia, posto que elementos empíricos logicamente analisados mostraram que a TQM não tem validade científica no exame de um período de 30 anos na economia americana. O que deve ser debatido é se esses estudos de fato falsearam ou não a TQM.

Enfim, não basta afirmar de modo dogmático o princípio da emissão monetária como causa de inflação para negar a assertiva. É preciso provar que a assertiva é falsa para as “últimas três décadas nos EUA”.

"A curva de juros americana ainda está em níveis historicamente baixíssimos."

Pois é, nos anos 70 diria-se que a economia americana está na armadilha de liquidez. Neste caso a política monetária não teria efeito sobre o produto. Como justificar o QE usando os modelos pré "dark-ages"?

Abraço,

Roberto

"Eu queria saber de quem sao essas ideias mirabolantes? Nao acho que seja do Mantega. Ou vem da cabeca da Dilma, ou tem mente mais perigosa por ai sobre as quais a gente nao esta falando...."

Eu apostaria no Luciano Coutinho.

Ele provavelmente deve achar que não destruiu a economia brasileira suficientemente com sua política industrial nos anos 80...

“Estranho, muito estranho. Até onde saiba os EUA estão com déficit público, e alto. Desta forma nos EUA vemos emissão e déficit público. Por que não causa inflação?”

Porque a âncora nominal é determinada pela disposição das autoridades monetárias em combater a inflação e sua independência para perseguir este objetivo.

”Por outro lado, o que acontece quando a emissão de moeda é feita sem o governo ter déficit? Nada? Inflação? Outra coisa? Cuidado, se a resposta for inflação temos que moeda causa inflação com ou sem déficit. Neste caso a conclusão não me parece muito diferente do que o Adolfo está dizendo.”

A evidência nos últimos 30 anos – período associado com o Fed respondendo agressivamente contra pressões inflacionárias – é que a taxa de crescimento da moeda guarda absolutamente nenhuma conexão com a taxa de inflação nem no curto nem no longo prazo. Se o seu modelo não comporta este fato, jogue fora o seu modelo ou entenda que este não é geral.

”Espera, li de novo, você não disse emissão com déficit, você disse emissão para financiar o déficit. Acho que entendi, o BC emite moeda, o pessoal pergunta: Dr BC a emissão foi para financiar o déficit? Se ele disser que sim temos inflação se ele disser que não, que foi para reativar a economia, então tudo bem.”

Mais ou menos isso mesmo... Um banco central que emite para cobrir um déficit fiscal é um banco central que perdeu sua autonomia e portanto não vai conseguir estabilizar as expectativas de inflação.

“Gostaria de ver tudo isto organizado em um modelinho, o Krugman ganharia outo Nobel”

Kydland e Prescott, Lucas já ganharam Nobel por modelos em que expectativas de políticas futuras determinam o equilíbrio. Mais cedo ou mais tarde, o John Taylor recebe o dele também.

“Agora sério. Novos-keynesianos, novos-clássicos, novo-monetaristas e etc bebem na mesma fonte. Todos trabalham com a a idéia de escolhas racionais, mercados equilibrados (competitivos ou não) e etc. (...). Não gosto dos modelos novos-keynesianos, mas não os vejo como um grande problema, aliás não foi o dono deste blog que disse DSGE é único "game is town"? Mudou de idéia? Por que? Seus leitores merecem um post sobre o tema.”

Não entendi o que você disse. Não existe incoerência alguma em dizer que DSGE é o único “game in town” e a taxa de crescimento da moeda é irrelevante em alguns contextos para a determinação da taxa de inflação. Vide o livro do Woodford.

”Quanto a neo-keynesianos, o que é isto? Este negócio de xxx-keynesiano é confuso. Qual a diferença entre um neo-keynesiano, um pós-keynesiano, um keynesiano e o Papai Noel? É que o Papai Noel existe? Será que toda crise alguém vai querer refundar a economia? Está cheio de problema em macro, começando pelo modelo de agente representativo, mas falar em dark-ages? voltar aos anos 70? Fala sério.”

A reconstrução da macro é inevitável. Desde os anos 80, a escola de RBC diz que choques de produtividade têm papel importante nas flutuações econômicas. Mas quando a maior recessão dos últimos 70 anos aconteceu, não houve choque negativo algum de produtividade. Pelo contrário, produtividade bombou nos EUA em 2007, 2008, 2009... Isso é amplamente reconhecido na comunidade RBC como algo ‘highly embarassing’ (segundo um professor de Minnesota).

”P.S. Usando este arcabouço neo-keynesiano é possível dizer qual o tamanho do défict público ou daxa de desemprego em que o BACEN pode começar a emitir modeda sem causar inflação?”

Se você tem um modelo robusto e estável para o NAIRU (a taxa de desemprego consistente com inflação estável), e a taxa de desemprego de seu país é maior do que o NAIRU, é obrigação de qualquer banqueiro central relaxar a política monetária, desde que não exista outros motivos para não o fazer (por exemplo, preocupações macro-prudenciais).

“A respeito da assertiva, nada posso afirmar ou negar porque não conheço os autores citados.”

Thomas Sargent é um dos gigantes da profissão.

Caro "O" isto vai longe...

"Não entendi o que você disse. Não existe incoerência alguma em dizer que DSGE é o único “game in town” e a taxa de crescimento da moeda é irrelevante em alguns contextos para a determinação da taxa de inflação. Vide o livro do Woodford."

A incoerencia está em voltar aos anos 70 e usar modelos DSGE, um ou outro. Se derrubarmos a racionalidade, ou a tratarmos como moda dos anos 80, vão juntos os modelos RBC e DSGE. Voltamos a Keynes e as leis psicológicas. E, por favor, não venha com papo de comportamentais, ainda existe um longo caminho para andar antes destas teorias terem uso em macro.

"Mas quando a maior recessão dos últimos 70 anos aconteceu, não houve choque negativo algum de produtividade."

Ainda precisamos saber se o barril de petróleo a mais de U$ 150,00 não foi um choque de oferta e, se tiver sido, se foi um choque temporário ou permanente. Certamente não ocorreu uma falta de demanda efetiva (é assim que os neo-keynesianos falam?), pricipalmente com o governo gastando o que tinha e o que não tinha. Crises financeiras continuam sendo um problema a ser explicado, não será com os modelos do livro do Woodford que consigueremos. Aliás os modelos já eram usados antes da crise...

A questão do RBC é capiciosa, se for para fazer graça eu também sei. Se modelarmos o sistema financeiro como parte do sistema produtivo (e ele é, no sentido dos artigos do Jovanovic) podemos ver uma crise financeira como uma redução no nível de produto relacionada a uma dada quantidade de capital (ou de poupança, já que o problema seria na transformação de poupança em capital) e de trabalho. Se o seu modelo é agregado e não diferencia setores esta redução sairá como choque de produtividade. Fazer isto é trapaça? É, por isto ninguém fez e espero que não façam. Usar a macro dos anos 70, onde uma crise desta deveria ser explicada por falta de demanda efetiva, para explicar a crise é tão trapaça quanto, mas tem gente fazendo... triste.

"Se o seu modelo não comporta este fato, jogue fora o seu modelo ou entenda que este não é geral."

Meu modelo não tem moeda nem inflação e explica 70% da variação do PIB americano em um período de 50 anos, não explica crises específicas...

Não era preciso uma crise deste tamanho para ver que os modelos com moeda eram muito ruins e os com moeda e mercado financeiro pior ainda. Mas isto não nem nada que ver com o pessoal de Minessota, quem "desenvolveu" o lado monetário e financeiro do modelo que se explique (hint: eles estão mais perto do mar).

O fato é que o Krugman vem enchendo o saco com esta história de IS-LM desde de muito antes da crise. Qunado a crise veio saiu correndo para gritar "eu não disse", esqueceu que esta crise também não é explicada pelo modelo IS-LM. Pior, começou a comparar esta crise com de 1929 para justificar sua grita. Se esta crise for comparada com alguma outra é com a de 1907 (por aí), mas aí ele não podia dizer "eu não disse"

Abraço,

Roberto

“Como justificar o QE usando os modelos pré "dark-ages"?”

Mas o “dark ages” é definido exatamente pelo esquecimento por muitos economistas da sabedoria acumulada no passado. Não se esqueça que o resultado da armadilha da liquidez é perfeitamente modelável dentro de modelos de equilíbrio geral com todos os sininhos e apitos (bells and whistles). Vide Eggertsson, Bernanke, Woodford etc.

"Não se esqueça que o resultado da armadilha da liquidez é perfeitamente modelável dentro de modelos de equilíbrio geral com todos os sininhos e apitos (bells and whistles). Vide Eggertsson, Bernanke, Woodford etc."

Não esqueci, até fui dar uma olhada nos argumentos do Eggerstsson antes de comentar. Modelos de equilíbrio geral, dinâmicos ou não, podem reproduzir qualquer coisa, até o IS-LM! Mas o fato de ser possível colocar armadilha da liquidez nestes modelos não tem nada que ver com o que eu falei.
Assim você me decepciona.

Minha pergunta é como um modelo pré dark-ages (tipo IS-LM) pode justificar o QE. Até onde eu saiba (não é ironia nem retórica, não pesquiso nesta área, trabalho com PTF e growth) em situação de armadilha de liquidez a política monetária não afeta o produto. Aliás, se bem me lembro, o Krugman usou este argumento para justificar o estímulo fiscal do Obama, não foi?

Abraço,

Roberto

"Mas o “dark ages” é definido exatamente pelo esquecimento por muitos economistas da sabedoria acumulada no passado."

Touché.

Roberto

"Minha pergunta é como um modelo pré dark-ages (tipo IS-LM) pode justificar o QE. Até onde eu saiba (não é ironia nem retórica, não pesquiso nesta área, trabalho com PTF e growth) em situação de armadilha de liquidez a política monetária não afeta o produto. Aliás, se bem me lembro, o Krugman usou este argumento para justificar o estímulo fiscal do Obama, não foi?"

De fato, num modelo microfundamentado (Krugman, 1998), nenhum estímulo monetário, por si só, tiraria a economia da armadilha da liquidez. Caso, porém, as expectativas de inflação sejam positivas, a política monetária pode dar tração e ajudar na recuperação econômica.

Concretamente, após um breve período (final de 2008, começo de 2009), pelo menos a inflação implícita (penso na inflação a termo de 2 a 5 anos) ancorou ao redor de 2%. Nestas condições, uma política que reduza a taxa nominal de juros neste setor da curva deve implicar uma redução da taxa real de juros também.

Faz sentido Roberto?

Abs

Alex

Economia com cambio flutuante deve praticar política monetária anti-cíclica. Dada as circunstancias e alternativas, QE foi uma escolha adequada e o Bernanke fez certinho. Simplório, não e mesmo?

Alex,

O fato do FED alterar a taxa de juros real usando a política monetária, não estou dizendo que concordo com a afirmação, não diz nada sobre a possibilidade de um modelo explicar ou não este efeito.

A pergunta é sobre a capacidade de um determinado modelo explicar um fenômeno, não sobre a possibilidade do fenômeno ocorrer. A presença de expectativas de inflação pode ser um caminho a ser seguido, mas os modelos IS-LM tratam as expectativas de forma mal e porca e praticaqmente ignoram o processo de formação das expectativas. Logo não creio que o uso de expectivas responda minha pergunta.

Faz sentido?

Mantenho o que disse anteriormente. Não temos bons modelos que casem macro e mercados financeiros. Que os modelos de equilíbrio são ruins para explicar o mercado financeiro sabemos desde de Mehra e Prescott, nada novo aqui.

Os novos-keynesianos encheram o modelo de equilíbrio de distorções, conseguiram uns resultados interessantes mas na hora do pau não tinham nada a dizer.

Os pós-keynesianos tem um ponto interessante sobre a possibilidade ou não de formar as expectativas, alguém aqui fez piada com a ergodicidade, eu não faço. De fato, se não existir uma medida limite (será o caso se o processo que gera os dados econômico não for ergótico), os modelos de expectativas racionais caem por terra (não a racionalidade dos agentes, mas as expectativas racionais). Talvez se os pós-keynesianos tentassem incorporar a literatura de expectativas Knightianas (é este o nome?) nos modelos macro eles tivessem algo a dizer. Infelizmente os pós-keynesianos não tomaram este caminho, deu no que deu.

Existe um gigantesco campo de pesquisa a ser seguido. Concordo que devemos aprender com o passado (concordo também que vários colegas simplesmente ignoram toda a literatura de macro que não estava no curso que fizeram, isto é muito ruim, por isto o touché) mas não devemos voltar ao passado. Assimetria de informação? Falta ou inexistência de informação para formar expectativas? Heterogeneidade de agentes? Todos são pontos interessantes a ser seguidos, devem ser seguidos.

Até lá fico com a turma da TQM, antes safe do que sorry. É mais ou menos como a medicina do século XIX, feriu a perna? Amputa. É o mais seguro para evitar a gangrena e a morte. Hoje vemos que era uma estupidez brutal, bastava um antibiótico e pronto. Mas certamente quem amputou a perna ficou bem melhor do que os que tentaram as várias magias da época...

Abraço,

Roberto

P.S. Caros estudantes não fiquem desestimulados com meu exemplo, estuda-se biologia desde sempre e só no século XX Alexander Fleming descubriu a penicilina, e foi meio por acaso...

"Minha pergunta é como um modelo pré dark-ages (tipo IS-LM) pode justificar o QE. Até onde eu saiba (não é ironia nem retórica, não pesquiso nesta área, trabalho com PTF e growth) em situação de armadilha de liquidez a política monetária não afeta o produto. Aliás, se bem me lembro, o Krugman usou este argumento para justificar o estímulo fiscal do Obama, não foi?"

Caro Roberto, não é nenhum segredo que Krugman e outros que pensam como ele gostariam que houvesse um estímulo fiscal adicional nos EUA. Mas existem duas restricões a tal política: [1] um novo pacote fiscal não passaria no Congresso; [2] um dos pré-requisitos para o estímulo fiscal é a sustentabilidade fiscal (ou percepcão desta).

Neste contexto, o QE é um second-best. E se levarmos em conta que a despeito da armadilha de liquidez uma politica monetária mais relaxada tende a depreciar o dólar, sem dúvida alguma o QE tem o efeito de estimular a economia (via expenditure-switching).

"Os novos-keynesianos encheram o modelo de equilíbrio de distorções, conseguiram uns resultados interessantes mas na hora do pau não tinham nada a dizer."

Tenho que discordar... Na hora do pau, os novos-keynesianos pediram estímulo fiscal e monetário e a economia mundial evitou uma catástrofe.

Enquanto isso, o mentecapto do Casey Mulligan, com aquela baba hidrófoba escorrendo pelo canto da boca, atribuía a crise econômica a um movimento para a esquerda da curva de oferta de trabalho (afinal TFP continuou crescendo...).

"O", olha o que você, citando esse cara, me fez ler.

http://economix.blogs.nytimes.com/2010/05/05/what-it-really-a-bubble/

"Neste contexto, o QE é um second-best. E se levarmos em conta que a despeito da armadilha de liquidez uma politica monetária mais relaxada tende a depreciar o dólar, sem dúvida alguma o QE tem o efeito de estimular a economia (via expenditure-switching)."

"O", de modo algum o estímulo fiscal é um first-best. O Fed se comprometer com uma inflação mais alta é. QE2 não gera déficits astronômicos, ainda por cima.

O Krugman explicou isso de uma manereira melhor do que eu poderia:

"We’re in a liquidity trap, with interest rates up against the zero bound. This means that conventional monetary policy isn’t sufficient. What should we do?

The first-best answer — that is, the answer that economic models, like my old Japan’s trap analysis, suggest would be optimal — would be to credibly commit to higher inflation, so as to reduce real interest rates."

http://krugman.blogs.nytimes.com/2009/11/13/its-the-stupidity-economy/

Outra coisa, estímulo fiscal deveria estar sempre fora da mesa no debate americano, é politicamente inviável, e o Krugman mesmo já chegou ao cúmulo de dizer que os EUA não fizeram estímulo fiscal!

Precisamos de alguem com autoridade suprema para resolver esse debate. O que pensa o Ricardo da reportagem abaixo (nao o David)?

http://diversao.terra.com.br/gente/noticias/0,,OI4953219-EI13419,00-Exapresentadora+da+TV+Globinho+esta+namorando+diretor+global.html

"Eu apostaria no Luciano Coutinho."

Nelson Barbosa é o principal formulador de políticas, segundo algum jornal que eu li essa semana.

"Tenho que discordar... Na hora do pau, os novos-keynesianos pediram estímulo fiscal e monetário e a economia mundial evitou uma catástrofe."

É mesmo? Tomaram a carteirinha do Mankiw?

Repito: na hora do pau os novos keynesianos não tinham o que falar. Digo mais, os argumentos que apresentaram não foram muito além do que estava no velho IS-LM, minto, o Mankiw foi além...

Roberto

P.S. Casey Mulligan? Tá tirando mano? Falo de gente como Tim Kehoe, Lee Ohanian, Harold Cole, Edward Prescott...

afinal TFP continuou crescendo...

Medir a TFP é complicado, principalmente com dados do momento. As medidas de capital, trabalho e produto não são tão claras e muitas vezes precisam de várias revisões até chegar o número certo. Feito o alerta os dados que achei mostram uma queda na TFP americana já no quarto trimestre de 2007. Quando ajustada por utilização (não chequei os detalhes da construção da série) a queda só ocorre em 2009. Desta forma a afirmação relativa a TFP deve ser qualificada antes de ser desqualificada.

Roberto

"P.S. Casey Mulligan? Tá tirando mano? Falo de gente como Tim Kehoe, Lee Ohanian, Harold Cole, Edward Prescott.."

Não sei o que você quis dizer com isso. O Ed Prescott é um velho senil que ninguém leva a sério, um verdadeiro queima-filme. O Ohanian é um bobo... Ja o Tim Kehoe concorda comigo que crise econômica com TFP bombando é altamente embaracoso para os modelos com RBC.

Caraca,
Depois da TQM agora querem trazer do alem RBC.
Será tão difícil ver que QE funciounou?

"Levante a mão quem acha que o Samuel -- o mais novo defensor da CPMF -- é inimputável?"

Maozinha levantada.

Roberto, em tempo (apesar de totalmente irrelevante para a discussão) eu que fiz a piada, mas não foi sobre ergodicidade, e sim sobre pós-keynesiano.

Estudo ergodicidade na análise de sistemas dinâmicos e fico espantado como alguns "autores" marxistas e pós-keynesianos usam o conceito para desqualificar qualquer lei econômica que não lhes convenha, mas depois esquecem tudo o que disseram antes (no mesmo texto!) para provar irrefutavelmente o que lhes convém.

Abs

Leo

"Não sei o que você quis dizer com O Ed Prescott é um velho senil que ninguém leva a sério, um verdadeiro queima-filme. O Ohanian é um bobo... Ja o Tim Kehoe concorda comigo que crise econômica com TFP bombando é altamente embaracoso para os modelos com RBC."

Tá na hora de tomar seu remedinho...

Roberto

Ohanian um bobo? O que está falando, "O"? Em que se baseia pra dizer isso?

Que o Prescott é um velho danado, isso está certo. Mas o Ohanian...fala sério!

O único game in town é o RBC model. Os modelos NK são uma merrequinha.

Um bom livro para estudar esses modelos de ciclo econômico real é The ABCs of RBCs by MCCandless. Também cobre os NK Models (puaggg)

e se em ``uma economia com desemprego bem acima da taxa natural`` ``moeda for emitida para financiar déficit público`` ...o que acontece entao? Esse exemplo parece bem mais pertinente...

Leo,

Concordo contigo. O que mais impressiona é que alguns usam econometria!!!

Roberto

Prezado "O"...

Se economia e tão complexa pra ser explicada por slogans... Pq você os usa tanto?

Você posta textos complexos, faz duas ou três piadas que tentam insinuar um conhecimento superior e passa a xingar os outros. Você e' um dos maiores usuários de slogans dos sites de economia... Pra não deixar duvidas desse fato, que mostra sua falta de coerência, farei uma coletânea do vasto uso deles feito por você nesse blog.

Sobre o post, você fulgiu do assunto. Teu debate com o Adolfo começou quando você postou o texto do Krugman e você desqualificou a colocação do Adolfo sobre o aspecto monetário da inflação. Agora tenda dizer que seu ponto foi outro, que suas colocação foram outras... Mas elas não foram.

Por fim... Você falar de slogan e realmente piada! Usa isso toda hora.

Abs

José Carneiro

“Que o Prescott é um velho danado, isso está certo. Mas o Ohanian...fala sério!”

Eu acho o Ohanian bobíssimo. Toda sua carreira se baseia em torturar os fatos para encaixá-los no modelo neoclássico. Ele daria uma contribuição muito maior para o conhecimento se ele tentasse falsificar o modelo neoclássico... Sinceramente, eu não considero Lee Ohanian um pesquisador sério, mas sim um propagandista.

“Pra não deixar duvidas desse fato, que mostra sua falta de coerência, farei uma coletânea do vasto uso deles feito por você nesse blog.”

Boa sorte, estou esperando.

“e se em ``uma economia com desemprego bem acima da taxa natural`` ``moeda for emitida para financiar déficit público`` ...o que acontece entao? Esse exemplo parece bem mais pertinente...”

Uma premissa escondida por trás de toda a análise neo-keynesiana é que o banco central pode perseguir seus objetivos de estabilização de preços e nível de atividade sem ter que se preocupar com a sustentabilidade da política fiscal. Usando a taxonomia do Eric Leeper, política fiscal deve ser passiva para que preços sejam estáveis. No seu exemplo, política monetária é passiva. É outro regime. Outras regras do jogo. Vide Lucas Critique.

"Eu acho o Ohanian bobíssimo. Toda sua carreira se baseia em torturar os fatos para encaixá-los no modelo neoclássico. Ele daria uma contribuição muito maior para o conhecimento se ele tentasse falsificar o modelo neoclássico... Sinceramente, eu não considero Lee Ohanian um pesquisador sério, mas sim um propagandista."

Ele foi seu professor em UCLA?

"Uma premissa escondida por trás de toda a análise neo-keynesiana é que o banco central pode perseguir seus objetivos de estabilização de preços e nível de atividade sem ter que se preocupar com a sustentabilidade da política fiscal. Usando a taxonomia do Eric Leeper, política fiscal deve ser passiva para que preços sejam estáveis. No seu exemplo, política monetária é passiva. É outro regime. Outras regras do jogo. Vide Lucas Critique."

tudo bem....o que perguntei nao esta nas premissas no modelo neokeynesiano....mas ainda assim repito.... o que acontece? Ou vc acha a situacao impossivel de acontecer?

"tudo bem....o que perguntei nao esta nas premissas no modelo neokeynesiano....mas ainda assim repito.... o que acontece? Ou vc acha a situacao impossivel de acontecer?"

Se a politica fiscal se torna ativa e a politica monetaria passiva o sistema perde sua ancora nominal: inflacao!

O Eric Leeper tem alguns artigos bem interessantes discutindo esse tema, um deles que saiu recentemente tem um survey da literatura sobre interacoes entre politica fiscal e monetaria e vale muito a pena ler.

Caro "O",

Você confia demais nos indices de preços como medidas de inflação. Tais indices não passam de uma medida grosseiras do preços em uma economia, são uma contrução teórica que agregam muitas coisas e não levam em consideração milhares de outras. Tal medida "geral" de preços é uma armadilha para os economistas como você, que confiam demais em modelos matemáticos e estatisticos. Nos EUA, por exemplo, durante a era Greenspan, a oferta de moeda cresceu fortemente, mas, segundo os seus idolatrados indices, a inflação estava permanecia controlada. Por que?? Expansão monetária não gera inflação??? Óbvio que não. A expansão monetária não ocorre em todos os setores da economia ao mesmo tempo (caso único onde a moeda seria neutra), mas sim em uns setores primeiro e depois se espalha. A expansão monetária do Greenspan, juntamente com outras medidas do governo americano (Fannie Mae e outras), afetou, principalmente, o setor imobiliário americano. Assim, sendo que, os indices de inflação utilizados pelo FED desconsideram (ou consideram de forma irrelevante) os preços do setor imobiliário, a expansão monetária pareceu para você não inflacionária.

Aprenda "O", os indices de inflação privilegiam uns preços e desconsideram outros. Por issom nunca veremos bolhas em preços que são importantes na formação desses indices. Além disso, tendo como hipotese que um indice mede todos os preços de uma economia, mesmo que tal indice permaneça inalterado após uma expansão monetária, a moeda pode não ser neutra. Por ser uma construção teórica de um agregado, o indice esconde mudanças nos preços relativos dos produtos, estes que, vc deve saber, tem papel fundamental nas decisões dos agentes econômicos. A moeda não é e não pode ser neutra......

Enfim, "O", no seu perfil vc diz que possui doutorado numa universidade TOP, mas desconfio que estudou mesmo é na UNICAMP.

Meus caros,
Só um pequeno e humilde pitaco nesta discussão (em especial para os alunos que estão aqui).
Devemos tomar cuidado com algumas afirmações fortes e gerais que ouvimos por aí (muitas vezes variantes do modelo clássico da economia). Isto está errado. Um ponto fundamental que a atual teoria econômica gerou é que é muito difícil existir resultados gerais. Quase tudo pode acontecer dependendo das circunstâncias (e em todas as áreas da teoria econômica, estão sendo gerados modelos específicos sobre temas específicos que mostram isto). Como vivemos em mundo second best, isto é praticamente inevitável. Isto, na verdade, é muito instigante e excitante. Assim, o conselho é estudem muito e fujam de slogans.
Saudações

“Você confia demais nos indices de preços como medidas de inflação. Tais indices não passam de uma medida grosseiras do preços em uma economia, são uma contrução teórica que agregam muitas coisas e não levam em consideração milhares de outras.”

Falou asneira. Isso não é verdade. Índices de inflação se não consideram todos, consideram quase todos os preços relevantes para a TQM.

“ Tal medida "geral" de preços é uma armadilha para os economistas como você, que confiam demais em modelos matemáticos e estatisticos. Nos EUA, por exemplo, durante a era Greenspan, a oferta de moeda cresceu fortemente, mas, segundo os seus idolatrados indices, a inflação estava permanecia controlada. Por que?? Expansão monetária não gera inflação??? Óbvio que não. A expansão monetária não ocorre em todos os setores da economia ao mesmo tempo (caso único onde a moeda seria neutra), mas sim em uns setores primeiro e depois se espalha.”

Falso. Factualmente falso. Fenômenos inflacionários se caracterizam pelo aumento generalizados dos preços.

“A expansão monetária do Greenspan, juntamente com outras medidas do governo americano (Fannie Mae e outras), afetou, principalmente, o setor imobiliário americano. Assim, sendo que, os indices de inflação utilizados pelo FED desconsideram (ou consideram de forma irrelevante) os preços do setor imobiliário, a expansão monetária pareceu para você não inflacionária.”

Errado. A TQM diz que expansão monetária afeta os preços dos bens e serviços produzidos na economia. A inflação de bens e serviços imobiliários nos EUA não foi nada extraordinária durante o período Greenspan (pode checar, vagabundo) e está plenamente incorporada nos índices de preço.

”Aprenda "O", os indices de inflação privilegiam uns preços e desconsideram outros. Por issom nunca veremos bolhas em preços que são importantes na formação desses indices.”

Não seja ridículo. Crie algum auto-conhecimento. Olhe-se no espelho. Reflita sobre quem você é e seus limites. E pare de ler economia austriana – vai assistir Star Trek, pelo menos você não corre o risco de sair repetindo asneira ignorante por aí.

"O", o "Contra o austrianismo" significa "contra a economia austríaca stricto sensu" ou "contra as interpretações mais toscas (slogans)"?

No primeiro caso, qual seria sua discordância mais geral?

“Tal pergunta começa de uma premissa errada”
“O” Anonimo
Palavras têm significado!, quando usadas de forma desconexa evidenciam duas possibilidades (ou três): ou o orador é ignorante; ou lhe falta caráter, pois tenta de fato manipular ignorantes.
A frase no começo deste post foi escrita pelo “O” Anonimo. Homem de coragem e coerência, tão corajoso que é... anônimo (essa é uma terceira possibilidade, ironia), mas ataca de forma enfática pessoas que não são... anônimas, mas assumem para bem ou mal as conseqüências de suas idéias e ideais. Já aí temos outra prova do tipo de índole de cada debatedor .
Voltemos a frase original, evidência cabal de uma tentativa (dentre várias, por vezes mais complexas) de manipulação para fuga do debate.
Segundo o dicionário Houaiss, premissa é: “ponto ou idéia de que se parte para armar um raciocínio” ou “cada uma das proposições que compõem um silogismo e em que se baseia a conclusão”. Já uma pergunta é: “...frase com que se faz uma interrogação” ou “questão que se submete a alguém de quem se espera que a resolva”.

Quando uma pergunta é proposta, como vez o Adolfo ao “O”, o que se tem é uma “questão que se submete a alguém de quem se espera que a resolva”! Não há premissa, pois a pergunta não traz em si nenhum raciocino dedutivo que possa conduzir à inferências. Também não há, na pergunta em questão, ponto ou idéia da qual se parte para armar um raciocínio.

A questão levantada pelo Adolfo é duvida!, resultado de colocações ambíguas e por vezes logicamente conflitantes proposta pelo “O” Anonimo.

É útil perceber que não necessariamente há conflito lógico nas propostas do “O” (apensar de eu acreditar que eles existem), mas a crença de que eles existem origina a dúvida e, conseqüentemente, a pergunta.

Por sua vez, a pergunta, por ser pergunta, não pode ter, por definição, “premissa errada”, visto que ela não carrega premissa alguma! Mas ao invés, solicita ao “O” que clarifique suas próprias premissas, e assim esclareça possíveis conflitos lógicos presentes em seu raciocínio e conclusão.

Afirmar que a pergunta “começa de uma premissa errada” é tentar desqualificá-la sem justificar, pois a continuação do texto não o faz, como a pergunta partiu de uma premissa. O que faz o texto é afirmar que houve premissa por tentativa de dedução lógica, mas a questão levantada é genérica de mais para que essa tentativa seja no mínimo razoável.
Então, solicito eu, sem premissa alguma, que a pergunta seja respondida de forma completa, embasada e objetiva. Se não pelo “O”, pelo Alex, pois mesmo outros blogs, como o Selva Brasilis, não têm corroborado a posição até agora assumida aqui, ou mesmo ajudado a esclarecê-la.
Por justiça, publico esse comentário tanto no Mão Visivel como no Blog do Adolfo.
Abs

José Carneiro

Existem interpretacoes menos toscas?

Calma aí, "O",

A equação da TQM original é:

MV = PQ

onde PQ é o produto dos vetores de preços e quantidades das transações - quaisquer transações. É praticamente uma identidade contábil.

A versão mais utilizada recentemente:

MV = PY

decorre justamente da dificuldade (impossibilidade) de se medirem transações e da facilidade de se usar o que já é calculado para as contas nacionais.

É incorreto dizer que inflação nos preços dos ativos não tem nada a ver com a TQM, uma vez que o aumento na liquizdez da economia em grande parte das vezes impacta esses preços (como um aumento nos preços dos imóveis, ou nas ações, ou de um título público).


Abs

Leo

De qualquer forma, é bom colocarem os pingos nos i´s aqui, para não se discutir definição.

Como dizem no MIT, antes de começar o debate, certifiquem-se de que não estão disputando uma definição.

A discussão relevante é a relação de causalidade nas variáveis, o que é endógeno, o que é exógeno...

"O"

Exatamente como o Adolfo disse:

"Seu problema “O” é que o fracasso lhe subiu a cabeça... você está tão acostumado a falar besteira e sair ileso que isso lhe deu a falsa sensação de que fazer a platéia rir é o mesmo que estar certo."

Prefiro te fazer uma pergunta ao invés de responder aos seus pitis de ataques pessoais. Embora ache, da mesma forma que vc fez com o Adolfo e como todo bom economista da escola campineira (como realmente desconfio que vc seja), que vc não vai responder......

Se os indices são tão perfeitos quanto vc acha, porque existem bolhas?

Como vc pode dizer que a inflação no setor imobiliario permaneceu estável?

Não sei quanto ao "O".
Minha restrição às metodologias heterodoxas (e a austríaca entra nesse rol) é simplesmente metodológica.
Por exemplo, o post do "Trade-Off" (e que tem a ver com o artigo original do Sachsida). O cara mostra uma limitação dos índices de preços (até aí tudo bem). Daí, conclui que, como eles são limitados e não conseguimos observar, a TQM vale.
Seria o mesmo que, no campo da física, alguém usar o princípio da incerteza para dizer que, como ninguém conseguirá determinar a posição e a velocidade de um elétron com precisão ao mesmo tempo, dizer que ele estará perfeitamente em órbita do próton. Isso não é científico. Vira profissão de fé... se no mainstream já há o problema da ideologia afetar as análises, imagina as alternativas.

Segue um link com uma discussão sobre a escola austríaca.
http://mises.org/daily/4993

Não entendo essa fixação na TQM, o pouco que sei de escola austríaca aponta para uma visão de não neutralidade da moeda e da instabilidade de V.

Ideias que levaram grande parte dos países, principalmente os da América Latina, à hiperinflação: "É lícito crer que a manutenção mais ou menos contínua de uma situação de pleno emprego exigirá a baixa acentuada da taxa de juro, salvo se se verificar uma forte modificação na propensão global a consumir (incluindo o estado).” “Tão logo se alcance o pleno emprego, a unidade de salários e os preços é que subirão na medida exatamente proporcional ao aumento da demanda efetiva.” “O remédio para o AUGE não é portanto a alta, mas a BAIXA da taxa de juros; porque aquela pode fazer perdurar o chamado auge.”
J. M. Keynes
Talvez por isto e mais alguma coisa é que a turma fala que um pouquinho mais de inflação não faz mal (qualquer que seja a conjuntura).

“Seria o mesmo que, no campo da física, alguém usar o princípio da incerteza para dizer que, como ninguém conseguirá determinar a posição e a velocidade de um elétron com precisão ao mesmo tempo, dizer que ele estará perfeitamente em órbita do próton. Isso não é científico. Vira profissão de fé... se no mainstream já há o problema da ideologia afetar as análises, imagina as alternativas.”

Matou, Galego.

O austrianismo do Adolfo e alguns outros é religião. Não existe nada que a trajetória histórica dos preços e da oferta de moeda possa fazer para mudar a visão de mundo deles. Nem o artigo do Sargent, nem a experiência de expansão da base monetária dos EUA pode mudar a idéia deles. That is evidence-free knowledge. Ou traduzindo para o português: religião.

“Se os indices são tão perfeitos quanto vc acha, porque existem bolhas?”

Pelo mesmo motivo que o Flamengo pode ser campeão carioca no dia de uma nevasca na Sibéria. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

“Como vc pode dizer que a inflação no setor imobiliario permaneceu estável?”

Sugiro que você olhe os índices de preço. E venha falar comigo quando você me trouxer qualquer informação que corrobore a TQM baseada no comportamento dos preços do “setor imobiliário” americano. Não precisa trazer um smoking gun. Se você tiver um fragmento de evidência, traga, agora se não tiver, vai fumar maconha que você ganha mais.

“O”

"O", você pode pegar leve com o messias, mas ele não retribui e o grupo de fieis que passa o dia inteiro adulando o mestre e postando aqui no blog continua falando asneira raivosa contra você. O Brasil tem sorte de ter o Mantega como ministro ao invés desses desajustados, mas a seita esta ai... Parabéns pelo serviço publico que esta prestando (embora eu me pergunte de onde vem tanta bondade)

"Existem interpretacoes menos toscas?"

Interpretações não sei. Mas indo às fontes, Hayek não é exatamente um tosco, pelo menos antes de 1950.

E o Adolfo agora está censurando posts (diga-se, sem ofensas pessoais)!
Respondendo duas questões secundárias do Adolfo (que deixam ainda mais claro que ele não sabe muito bem do que está falando):

1-"Você conhece algum modelo teórico (novo-keynesiano ou novo-clássico) sem moeda que tenha inflação? Você já notou que inflação só aparece nos modelos teóricos quando incluímos moeda?"

Conheço. Quase todos! Os modelos novo-keynesianos, em geral, não incluem moeda. Isso vem do resultado do modelo de cashless economy do Woodford. Não à toa ele é explicado nos primeiros capítulos do seu livro (assim como o do Galí), para na sequência apresentar apenas modelos SEM moeda. Não preciso nem falar que existe inflação mesmo assim, né?

2-"Por acaso a hipótese da neutralidade da moeda não aparece em vários textos do main-stream? Como vê, neste item, seu problema é de interpretação de texto."

Não. Essa não é uma hipótese, mas sim um RESULTADO teórico de alguns modelos. No caso do modelo novo-keynesiano básico, a NÃO-neutralidade no LP é inclusive uma possíbilidade teórica (resolva a curva de Phillips para o equilíbrio de LP), porém rejeitada pelos dados. No CP a não-neutralidade está na cara. Parafraseando: como vê, neste item, seu problema é de desconhecimento mesmo.

Agora duas dúvidas:
1)qual a evidência que os austríacos têm em favor da TQM (inclusive no CP)?

2)se essa pergunta do Adolfo é capaz de derrubar o argumento do Sargent, pq ele não escreve uma nota para a AER e faz seu nome?

Daniel

"“Como vc pode dizer que a inflação no setor imobiliario permaneceu estável?”

Sugiro que você olhe os índices de preço."

Não sou o cara do questionamento original, mas o índice S&P/Case-Shiller passa de 8% em 2002 para 20% em 2005. Isso é estabildiade?

Não que eu ache que tenha algo a ver com a TQM.

Alguém, acho que o Leo, falou da importância das definições, eu concordo.

Quando eu vejo um modelo macro com um ativo negociável a cada período eu já começo a ver moeda, se o ativo é emitido pelo governo o cheiro de moeda começa a ficar forte, se, além disto, o ativo é o numerário aí é duro não chamar de moeda. Veja bem o referido ativo é reserva de valor e é unidade de conta, não é meio de troca, mas o modelo não tem trocas...

Mas o ativo paga juros e moeda não paga juros!!! Então tá bão, se tão dizendo que num é mueda eu é qui num vou discutir

"Mas indo às fontes, Hayek não é exatamente um tosco, pelo menos antes de 1950."

Hayek eh um austriaco, nao um austriano.

"Não sou o cara do questionamento original, mas o índice S&P/Case-Shiller passa de 8% em 2002 para 20% em 2005. Isso é estabildiade?"

O que você quer dizer com 8% para 20%? Para comecar, a grande expansão monetária aconteceu em 1998. E desde então o preco das casas caíram...

"se essa pergunta do Adolfo é capaz de derrubar o argumento do Sargent, pq ele não escreve uma nota para a AER e faz seu nome?"

Hahaha...

"É incorreto dizer que inflação nos preços dos ativos não tem nada a ver com a TQM, uma vez que o aumento na liquizdez da economia em grande parte das vezes impacta esses preços (como um aumento nos preços dos imóveis, ou nas ações, ou de um título público)."

Se preco de ativos fazem parte da TQM, entao eh mais facil ainda jogar a TQM no lixo.

A ideia de que precos de ativos sao explicados pela quantidade de moeda nao chega nem a ser ridicula.

"“Se os indices são tão perfeitos quanto vc acha, porque existem bolhas?”

Pelo mesmo motivo que o Flamengo pode ser campeão carioca no dia de uma nevasca na Sibéria. Uma coisa não tem nada a ver com a outra."

Argumento falso e frágil. Se os índices fossem perfeitos como vc acha, os banco centrais poderiam tomar medidas preventivas evitando a formação de bolhas. Se o BACEN faz a politica monetário com base no índice oficial de inflação, os preços que não fazem parte de tal indice podem estar sujeitos ao aparecimento de bolhas.

"“Como vc pode dizer que a inflação no setor imobiliario permaneceu estável?”

Sugiro que você olhe os índices de preço. E venha falar comigo quando você me trouxer qualquer informação que corrobore a TQM baseada no comportamento dos preços do “setor imobiliário” americano. Não precisa trazer um smoking gun. Se você tiver um fragmento de evidência, traga, agora se não tiver, vai fumar maconha que você ganha mais."

Vc parece estar seguindo o próprio conselho fumando maconha antes de vir postar aqui. Vc realmente vai me dizer que os preços dos imóveis não subiram assustadoramente durante os anos Greenspan, subiram demais e sem qualquer fundamento econômico, subiram por estarem subindo. Álias, não é essa a difinição de uma bolha???

Dê uma olhada nesse link: http://www.fhfa.gov/Default.aspx?Page=14

Será que essa evidência não é boa o suficiente para vc!!Provavemente vc vai desmerecer o índice, enrolar e me atacar pessoalmente, mas tente, ao menos uma vez na sua vida, refutar opiniões opostas com argumentos e não com seus pitis......

"“Se os indices são tão perfeitos quanto vc acha, porque existem bolhas?”

Pelo mesmo motivo que o Flamengo pode ser campeão carioca no dia de uma nevasca na Sibéria. Uma coisa não tem nada a ver com a outra."

Argumento falso e frágil. Se os índices fossem perfeitos como vc acha, os banco centrais poderiam tomar medidas preventivas evitando a formação de bolhas. Se o BACEN faz a politica monetário com base no índice oficial de inflação, os preços que não fazem parte de tal indice podem estar sujeitos ao aparecimento de bolhas.

"“Como vc pode dizer que a inflação no setor imobiliario permaneceu estável?”

Sugiro que você olhe os índices de preço. E venha falar comigo quando você me trouxer qualquer informação que corrobore a TQM baseada no comportamento dos preços do “setor imobiliário” americano. Não precisa trazer um smoking gun. Se você tiver um fragmento de evidência, traga, agora se não tiver, vai fumar maconha que você ganha mais."

Vc parece estar seguindo o próprio conselho fumando maconha antes de vir postar aqui. Vc realmente vai me dizer que os preços dos imóveis não subiram assustadoramente durante os anos Greenspan, subiram demais e sem qualquer fundamento econômico, subiram por estarem subindo. Álias, não é essa a difinição de uma bolha???

Dê uma olhada nesse link: http://www.fhfa.gov/Default.aspx?Page=14

Será que essa evidência não é boa o suficiente para vc!!Provavemente vc vai desmerecer o índice, enrolar e me atacar pessoalmente, mas tente, ao menos uma vez na sua vida, refutar opiniões opostas com argumentos e não com seus pitis......

"O que você quer dizer com 8% para 20%? Para comecar, a grande expansão monetária aconteceu em 1998. E desde então o preco das casas caíram..."

"O"

Vc conseguiu mesmo um doutorado em economia??
Assim tá fácil!!

vc não de um humorista que leu um livro de introdução à economia escrito por um imbecil keynesiano ou por um cepalino retardado e acha que entende de economia...

Olhe isso:
http://research.stlouisfed.org/fred2/series/USSTHPI

vc não faz piada, vc é uma piada!!

"Neo-keynesianos como o Krugman e “O” por sua vez acertaram e têm acertado seguidamente que os riscos maiores têm sido de deflação nas economias avançadas"

Se comparar com orgulho ao Krugman já mostra o quão economista vc não é....

vc achou que o mundo ia acabar em 2004 também??? como o Paul Keynes Krugman achou???

"O que você quer dizer com 8% para 20%?"

A variação do índice aumenta de +8% (aprox) em 2002 para +20% em 2005 (aprox).

Mas, novamente, não afirmei nem acho que tenha a ver com emissão de moeda/TQM etc. Só quis dizer que o comportamento do índice não é estável.

"... 1998. E desde então o preco das casas caíram..."

Não consigo achar um dado que justifique isso.

Alex, tem como dar mais detalhes ?

abs

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/02/21/gabrielli-ex-diretor-do-bc-batem-boca-por-causa-da-capitalizacao-da-petrobras-923848249.asp

""... 1998. E desde então o preco das casas caíram..."

Não consigo achar um dado que justifique isso."


ops! Quis dizer 2008.

"O ETERNO TRADE-OFF disse...
"Se comparar com orgulho ao Krugman já mostra o quão economista vc não é...."

Meu amigo, o unico motivo que voce escreveu isso eh o fato de voce ser nao so ignorante de pai e mae, mas tambem um asno.

Krugman eh um genio. Muito provavelmente, voce vai passar toda a sua vida sem nunca ter a oportunidade de interagir em pessoa com genio como o Krugman.

Ja disse, vai fumar maconha. A natureza eh ingrata. Para algumas pessoas ela dah o potencial para o debate inteligente; para outras, dah a liberdade inconsequente de fumar maconha. Aceite o seu quinhao.

"Olhe isso:
http://research.stlouisfed.org/fred2/series/USSTHPI

vc não faz piada, vc é uma piada!!"

Meu caro, isso esta incluido no indice de precos. Tenta de novo.

""Olhe isso:
http://research.stlouisfed.org/fred2/series/USSTHPI

vc não faz piada, vc é uma piada!!"

Meu caro, isso esta incluido no indice de precos. Tenta de novo."

Deve estar mesmo, mas qual a importancia desse preços na formação do índice?? concorda que dependendo do que acontece com os outros preços, o indice oficial dos EUA poderia ter caido mesmo com a elevação forte dos preços dos imóveis??

percebe agora a deficiência dos indices??

sem falar que todos os preços relativos podem mudar e o indice continuar exatamente o mesmo......

A TQM é teóricamente errada porque desconsidera o tempo, o aumento da oferta monetária não acontece em todos os setores ao mesmo, uns preços sobem antes de outros modificando os preços relativos.....
Na prática (aplicações), a TQM é ainda mais falha devido aos problemas de construção dos indices. Por mais sofisticado que seja a metodologia, não se pode confiar demais nestes agregados....

"O", você está igual a uma metralhadora e por isso não dá nem para saber o que você está questionando ou discutindo e para onde está atirando.


Você acha absurda a idéia de que preços de ativos possam ser alterados por conta da quantidade de moeda (liquidez) da economia? Que diabos.

Como o BACEN altera o preço dos títulos de renda fixa da economia? Comprando ou vendendo títulos, isto é, colocando ou retirando moeda na economia. A alteração dos preços desses títulos impactam, por si só, a demanda pelos demais ativos e, conseqüentemente, seus preços.

Enfim... não faz sentido discutir isso.


Abs

Leo

"Vc parece estar seguindo o próprio conselho fumando maconha antes de vir postar aqui. Vc realmente vai me dizer que os preços dos imóveis não subiram assustadoramente durante os anos Greenspan, subiram demais e sem qualquer fundamento econômico, subiram por estarem subindo. Álias, não é essa a difinição de uma bolha???

Dê uma olhada nesse link: http://www.fhfa.gov/Default.aspx?Page=14

Será que essa evidência não é boa o suficiente para vc!!"

Para mim não é!

Os preços de ativos podem subir "sem fundamento econômico" por muitos motivos, não necessariamente por política monetária frouxa.

Incentivos ficais torpes, por exemplo... Estrutura organizacional ruim nas empresas de construção, avaliação e financiamento de ativos...

Entre 2002-2005 nos EUA, a inflação estava abaixo e o desemprego acima da tendência. Você queria que Greenspan colocasse uma pressão deflacionária na economia inteira só para eventualmente reduzir o preço das casas?

Doutores, uma solicitação de esclarecimento:

A emissão nos EUA não tem causado inflação lá - como está claro pelos dados - mas e no resto do mundo, a emissão americana não tem tido consequências inflacionárias?

;^?

“Você acha absurda a idéia de que preços de ativos possam ser alterados por conta da quantidade de moeda (liquidez) da economia? Que diabos.”

Não é isso. A quantidade de moeda – assim como o volume de neve caindo no Nordeste Americano – é mais um fator que afeta preços de ativos. Mas não é um fator importante de maneira alguma! Estou dizendo isso, porque alguns dos austrianos fanáticos têm respondido que o total fracasso da TQM em explicar o comportamento da inflação americana se deve ao fato dos índices de preços usados nos testes do Sargent não incluírem preços de ativos.

Bem, qualquer pessoa que passou mais do que cinco minutos estudando preços de ativos sabe que oferta de moeda é um péssimo previsor ou fator explicativo de preços de ativos – portanto, é absolutamente ridículo imaginar que incluir preços de ativos nos índices de preços vai salvar a TQM de ser rejeitada pela realidade.

Resumindo: querer explicar preços de ativos usando a TQM é atestado de analfabetismo econômico.

“Deve estar mesmo, mas qual a importancia desse preços na formação do índice??”

É proporcional à importância desses preços no gasto das famílias.

“ concorda que dependendo do que acontece com os outros preços, o indice oficial dos EUA poderia ter caido mesmo com a elevação forte dos preços dos imóveis??”

Sim, e daí? Qual a relevância disso?

“percebe agora a deficiência dos indices??”

Não.

“sem falar que todos os preços relativos podem mudar e o indice continuar exatamente o mesmo......”

Sim, também pode acontecer de um dia você ter um pensamento inteligente e o Botafogo perder do Madureira. Capisce?

“A TQM é teóricamente errada porque desconsidera o tempo, o aumento da oferta monetária não acontece em todos os setores ao mesmo, uns preços sobem antes de outros modificando os preços relativos.....”

Isso que dá ser vagabundo e ignorante. Se tivesse lido o artigo do Sargent e Surico, saberia que não existe relação entre oferta de moeda e preços em qualquer freqüência. Traduzindo: não é por causa do tempo que a TQM foi rejeitada.

“Argumento falso e frágil. Se os índices fossem perfeitos como vc acha, os banco centrais poderiam tomar medidas preventivas evitando a formação de bolhas. Se o BACEN faz a politica monetário com base no índice oficial de inflação, os preços que não fazem parte de tal indice podem estar sujeitos ao aparecimento de bolhas.”

Deixa eu ver se eu entendo: nosso amigo austriano acha que o governo deve intervir no mercado para evitar a formação de bolhas?! Genial.

“O” escreveu:
‘Sugiro que você olhe os índices de preço. E venha falar comigo quando você me trouxer qualquer informação que corrobore a TQM baseada no comportamento dos preços do “setor imobiliário” americano. Não precisa trazer um smoking gun. Se você tiver um fragmento de evidência, traga, agora se não tiver, vai fumar maconha que você ganha mais."’

“Vc parece estar seguindo o próprio conselho fumando maconha antes de vir postar aqui. Vc realmente vai me dizer que os preços dos imóveis não subiram assustadoramente durante os anos Greenspan, subiram demais e sem qualquer fundamento econômico, subiram por estarem subindo. Álias, não é essa a difinição de uma bolha???”

É um saco discutir com quem não consegue entender o que eu digo. Eu disse que se você olhar qualquer índice de preços imobiliários você não vai encontrar evidência que corrobore a TQM. A TQM – na versão abestada dos austrianos tupiniquins – diria que preços de ativos no longo prazo seguiriam a oferta de moeda. Se você olhar a história recente americana, certamente vai encontrar uma correlação negativa ou nenhuma correlação entre aumento de moeda e preços de imóveis.

A QE nãp está causando inflação pq não gerou emprego, logo nao chega como grana no bolso da gamela. Mas nas bolsas, incluindo alimentos, tá causando inflação sim, ô se tá.

Mas keynesianus nunca verão isso, afinal, para os fieis desta escola, o segredo é parir dinheiro. Sempre!

Bowser

"Deixa eu ver se eu entendo: nosso amigo austriano acha que o governo deve intervir no mercado para evitar a formação de bolhas?! Genial."

É claro que não. Acho justamente o contrário. Álias, o governo tem grande potencial para criar bolhas, gerando incentivos que distorcem os preços (tanto pelo da oferta como pelo lado da demanda) e assim criando um ambiente ficticio, dependente de tais incentivos. Fannie Mai e Freddie Mac são bons exemplos de como o governo pode ajudar a construir bolhas.

Os banco centrais também devem ser comedidos. Qualquer um que tenha um pingo de keynesianismo em sua formação como economista deve ficar longe do controle de um banco central.

"Eu disse que se você olhar qualquer índice de preços imobiliários você não vai encontrar evidência que corrobore a TQM."

Mesmo que não havendo evidência isso não invalida meu ponto. O setor imobiliário foi só um exemplo, poderia ocorrer com qualquer outro preço, como ocorreu com a bolha do setor de informática no começo desta década.
´
A ação do FED, tentado manter os preços das casas e dos ativos podres, é um exemplo de quão dementes keynesianos como Bernanke, Krugman e "O" são. A RESPOSTA DELES PARA UMA BOLHA É INFLAR OUTRA!!!! Estes keynesianos são tão retardados que se não estivessem no controle das politicas fiscais e monetárias, me fariam rir.






Ao anômino das 12:01

"Para mim não é!

Os preços de ativos podem subir "sem fundamento econômico" por muitos motivos, não necessariamente por política monetária frouxa.

Incentivos ficais torpes, por exemplo... Estrutura organizacional ruim nas empresas de construção, avaliação e financiamento de ativos...

Entre 2002-2005 nos EUA, a inflação estava abaixo e o desemprego acima da tendência. Você queria que Greenspan colocasse uma pressão deflacionária na economia inteira só para eventualmente reduzir o preço das casas?""

Vc está totalmente correto. Outras distorções de incentivos podem tambem causar bolhas. Meu ponto é que o banco central tem grande poder para isso também.

Quanto a outra pergunta, o periodo que vc citou é consequencia do estouro da bolha do setor da informatica. Como disse Friedman, " there is no such thing as a free lunch". Toda a farra monetária final do ultimo século precisava ser paga, o que o FED fez?? criou outra bolha.... o que o FED quer fazer agora em relação a bolha imobiliária?? criar outra bolha!! onde?? não sei.....

o problema não que os preços das casas e outros ativos imobiliários estão caindo, o problema foi que eles subiram demais e sem qualquer fundamento, eles precisam cair.... o que qualquer bom livro de introdução à economia diz sobre controle de preços??? que nunca funcionaram e nunca vão funcionar porque atacam as consequencias e não as causas do problema......

Perdoem a intromissão no debate, mas:

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/02/21/gabrielli-ex-diretor-do-bc-batem-boca-por-causa-da-capitalizacao-da-petrobras-923848249.asp

Muito bom Alex!

""Doutores, uma solicitação de esclarecimento:

A emissão nos EUA não tem causado inflação lá - como está claro pelos dados - mas e no resto do mundo, a emissão americana não tem tido consequências inflacionárias?

;^?""

Excelente pergunta. Acho que até o "O" concordaria que os EUA são um caso diferente, o fato de o dolar ser moeda de reverva muda muita coisa. Vc está certo, os EUA podem sim exportar inflação, está acontecendo principalmente na China, devido ao peg da moeda chinesa ao dolar.....

Se fosse qualquer outra moeda, expansões como as que o FED está fazendo certamente acarretariam em forte inflação. Mas como estamos em um "dolar standart" no sistema financeiro internacional, há sempre demanda pelo dolar..... mas isto não é eterno. A Turquia e a China firmaram um acordo para realizar transações sem o dolar: http://online.wsj.com/article/SB10001424052748704657304575539592036945472.html

isso deve começar a acontecer com mais frequencia com a continuidade das politicas do FED...

abs,

Uma dúvida...
Na página 470, 2 ed, do Advanced Macroeconomics, do David Romer, livro, segundo o Mankiw, adotado pelas principais escolas do mundo no primeiro ano do curso de Macro (PhD), há a seguinte afirmação:
“...Thus there are many potential sources of inflation. ... Nonetheless, when it comes to understanding inflation over the longer term, economists typically emphasis just one factor: growth of the money supply. The reason for this emphasis is that no other factor is likely to lead to persistent increases in price level.”
Na página 471, volta a afirmar: “Since money growth is the main determinant of inflation…”
Minha dúvida então é: será o Romer um analfabeto em economia? Pelas colocações do “O” Anônimo é o que parece.
Então “O”... para você o Romer é ou não um analfabeto em economia? Ou Austríaco demais talvez?
Abs
José Carneiro

Alex,

O gabrielli deu a deixa para uma boa coluna provando (com números e exemplos) os motivos da capitalização da petrobras ter sido uma piada...


Doutrinador

“para você o Romer é ou não um analfabeto em economia? Ou Austríaco demais talvez?”

[1] Nenhum dos dois. O Romer é um bom amigo e um dos melhores professores que já tive. O livro dele é um dos melhores resumos do conhecimento macro pré-crise – mas o conhecimento evoluiu. O artigo do Sargent e Surico foi publicado em 2011.

[2] Nenhuma das afirmações do Romer corrobora o que o Adolfo e outros escreveram aqui. O Adolfo chegou ao ponto de dizer que expansão monetária sempre gera inflação. Romer nunca disse isso.

"O",

o debate tem girado em torno da inflação, mas invertendo o assunto, quais os riscos da deflação?

É, parcialmente,... mas ele afirma claramente ser o crescimento na oferta monetária o principal determinante da inflação.
Bem , o Prescot já havia documentado uma relação parecida com a descrita pelo Sargent e Surico. Ao menos outro autor fez o mesmo e o Roberto e o Vitor tem um artigo com conclusão semelhante para o Brasil.
Mesmo o artigo tendo sido publicado em 2011, a amostra do Sargent e Surico é pré-crise (termina em 2005, mesmo ano da 3 ed do Advanced Macroeconomics). Portanto, a crise não pode ter tido impacto nas conclusões empíricas dos dois, ou mesmo os resultados empíricos terem proporcionado informações úteis para alterações de premissas teóricas que tenham se mostrado falhas por causa da crise.
Dessa forma, se a colocação do Romer não é mais válida, pois reflete conhecimento pré-crise, Sargent e Surico também não deveriam receber tanta atenção nesse debate.
Na página 510, o Romer afirma: “...cause of most, if not all, episodes of high inflation... … is seingnorage”… na página 471 ele plota um gráfico e chama atenção para interessante relação oferta de dinheiro e taxa de inflação.
Bem... se no logo prazo a inflação é explicada predominantemente pela expansão monetária e a causa de altas taxas de inflação é monetária, como poderíamos ex-antes assumir que uma política monetária expansionista não será inflacionária? Aparentemente seriam choques que estão fora do controle da autoridade monetária os responsáveis por “impedir” que a expansão fosse inflacionária. Nesse caso, a ação deliberada não deve considerar apenas o resultado mais provável? Ou seja, que a expansão contínua mais cedo mais tarde resultará em inflação.
Adicionalmente, pela forma como colocou parece que o Romer “mudou” de idéia. Há algum embasamento para isso? Seria bastante útil se puder esclarecer esse ponto, não conheço trabalho recente dele que esclarece isso.
Por fim, o debate todo não começou quando você refutou uma colocação do Adolfo que questionava um gráfico do Krugman? Creio que a afirmação dele foi que a inflação era um fenômeno predominantemente monetário (ou algo assim, não achei o post).
Abs

José Carneiro

Desconfiado, e com receio de ver seu país ser literalmente “comprado” pelos Estados Unidos, em fevereiro de 1965, Charles De Gaulle, então presidente da República Francesa, abre denúncia sobre o que chama de “privilégio exorbitante”, alegando que a América gastava à custa de uma inflação exportada para o resto do mundo uma vez que negociava com dólares ociosos...

Interessante!!!

Creio que é exatamente o ponto que o Flavio abordou.

“Mesmo o artigo tendo sido publicado em 2011, a amostra do Sargent e Surico é pré-crise (termina em 2005, mesmo ano da 3 ed do Advanced Macroeconomics). Portanto, a crise não pode ter tido impacto nas conclusões empíricas dos dois, ou mesmo os resultados empíricos terem proporcionado informações úteis para alterações de premissas teóricas que tenham se mostrado falhas por causa da crise.”

Leia o artigo do Sargent de novo. Eles afirmam que se interessaram pela questão novamente devido à expansão monetária ocorrida desde a crise.

”Dessa forma, se a colocação do Romer não é mais válida, pois reflete conhecimento pré-crise, Sargent e Surico também não deveriam receber tanta atenção nesse debate.”

Não entendi a lógica de seu argumento. Só se for a lógica do avestruz: enfia a cabeça no buraco para não reconhecer os fatos que contradizem seu preconceito religioso.

”Na página 510, o Romer afirma: “...cause of most, if not all, episodes of high inflation... … is seingnorage”… na página 471 ele plota um gráfico e chama atenção para interessante relação oferta de dinheiro e taxa de inflação.”

Eu concordo, a maioria se não todos os episódios de alta inflação são causados pela necessidade de seignorage. Não existe nada questionável nesta frase nem absolutamente nada nesta frase que seja incongruente com a conclusão baseada em fatos que a TQM não tem poder explicativo para a inflação americana nos últimos 30 anos.

“Bem... se no logo prazo a inflação é explicada predominantemente pela expansão monetária e a causa de altas taxas de inflação é monetária, como poderíamos ex-antes assumir que uma política monetária expansionista não será inflacionária?”

E como não? Não existe lógica nenhuma em sua afirmação.

“Aparentemente seriam choques que estão fora do controle da autoridade monetária os responsáveis por “impedir” que a expansão fosse inflacionária.”

Errado. O que você diz é o perfeito oposto do que a evidência empírica mostra: toda a evidência dos últimos 30 anos corrobora a hipótese que o controle da inflação pelas autoridades monetárias é perfeitamente factível --- mesmo que estas não controlem os agregados monetários!

“Nesse caso, a ação deliberada não deve considerar apenas o resultado mais provável? Ou seja, que a expansão contínua mais cedo mais tarde resultará em inflação.”

Não é o que Sargent e Surico mostram: se o banco central aumenta os juros agressivamente em resposta a pressões inflacionárias, a expansão monetária não causa inflação necessariamente.

“Por fim, o debate todo não começou quando você refutou uma colocação do Adolfo que questionava um gráfico do Krugman? Creio que a afirmação dele foi que a inflação era um fenômeno predominantemente monetário (ou algo assim, não achei o post).”

O Adolfo não estava contestando um gráfico do Krugman, mas sim fazendo uma profissão de fé negando a realidade objetiva.

"Não é o que Sargent e Surico mostram: se o banco central aumenta os juros agressivamente em resposta a pressões inflacionárias, a expansão monetária não causa inflação necessariamente."


"O"

E, por acaso, como o Banco Central aumenta os juros?

Abs

Leo

pessoal aí que tratou sobre exportação de inflação, meus agradecimentos.

;^)

“E como não? Não existe lógica nenhuma em sua afirmação.”
Não foi uma afirmação, foi uma pergunta. Por isso tem ponto te interrogação no final.
“Errado. O que você diz é o perfeito oposto do que a evidência empírica mostra: toda a evidência dos últimos 30 anos corrobora a hipótese que o controle da inflação pelas autoridades monetárias é perfeitamente factível --- mesmo que estas não controlem os agregados monetários!”
Como é?! A idéia de juros é justamente controlar a demanda manipulando agregados monetários. O que a evidência mostra é que é possível controlar agregados monetários de forma eficiente em janelas de 3 meses.
Determinar política monetária por regras não é não controlar a base monetária, mas deixar claro como será a política de gestão dos.... agregados monetários. Os agregados continuam sob controle, mas menos ações de intervenção direta são necessárias.
Quer dizer que você afirma que um descontrole (é esse o antônimo de controle) dos agregados monetários não levará a prováveis problemas inflacionários?
Aliás, meu ponto falava em expansão.
“Não é o que Sargent e Surico mostram: se o banco central aumenta os juros agressivamente em resposta a pressões inflacionárias, a expansão monetária não causa inflação necessariamente.”
Ué... essa me confundiu?! Quando o BaCen aumenta juros ele não expande a base monetária, mas a contrai. Isso mudou no pós-crise?! Então, em sua colocação, o BaCen aumenta agressivamente a taxa de juros enquanto expande a base monetária!
Então, qual é o mecanismo operacional que ele usa para aumentar os juros?
“Leia o artigo do Sargent de novo. Eles afirmam que se interessaram pela questão novamente devido à expansão monetária ocorrida desde a crise.”
O ponto não foi esse, e foi claro! Os dados deles são pré-crise. Logo a crise em si não pode gerar novas evidências empíricas, ou mesmo os dados empíricos alterarem alguma premissa teórica por causa da crise. No máximo, a crise faz o que fez... aguça a curiosidade dos pesquisadores, mas não gera nenhum quebra estrutural de paradigmas.
“Não entendi a lógica de seu argumento. Só se for a lógica do avestruz: enfia a cabeça no buraco para não reconhecer os fatos que contradizem seu preconceito religioso.”
Cara, foi você quem desqualificou a afirmação do Romer com o argumento de ser conhecimento pré-crise. Então, fica a dúvida nova: quem decide o que é conhecimento válido pós-crise? Você? Pois você cita sistematicamente os trabalhos dos últimos 30 anos, mas também afirma que textos baseados neles são bons, mas são conhecimento pré-crise.
Por exemplo, antes da crise o governo reduzia, através da venda de títulos, a base monetária para aumentar juros, agora após a crise você afirma, como está recortado acima, que o governo aumenta juros expandindo a base monetária... é uma revolução completa!
Abs

José Carneiro

"O",

Uma perguntinha:

Como você explica o fato de que a correlação entre PIB nominal e PIB real é NEGATIVA para alguns períodos da história brasileira?

"Quando o BaCen aumenta juros ele não expande a base monetária, mas a contrai."

Mas isso só no curtíssimo prazo, tipo, no dia ou semana seguinte ao aumento.

Passando um pouco o tempo, dependendo da "demanda" por moeda, o agregado monetário pode aumentar mesmo com o aumento da taxa de juros.

Aliás, essa é a graça dos juros como meta operacional (em vez de agregado): é mais fácil acomodar variações.

Complementando: pelo que entendi, um aumento de juros pode conter a inflação, mesmo que isso não signifique uma redução de base monetária e Ms.

José Carneiro: “Bem... se no logo prazo a inflação é explicada predominantemente pela expansão monetária e a causa de altas taxas de inflação é monetária, como poderíamos ex-antes assumir que uma política monetária expansionista não será inflacionária?”

Eu: “E como não? Não existe lógica nenhuma em sua afirmação.”

“Não foi uma afirmação, foi uma pergunta. Por isso tem ponto te interrogação no final.”

Foi uma pergunta que contém uma afirmação que não é derivada das leis da lógica. Você vai me desculpar, mas se você não consegue se expressar logicamente, não vou perder meu tempo respondendo.

“Como é?! A idéia de juros é justamente controlar a demanda manipulando agregados monetários. O que a evidência mostra é que é possível controlar agregados monetários de forma eficiente em janelas de 3 meses.”

Errado. O aumento da taxa de juros pode controlar a demanda sem fazer coisa alguma com os monetários agregados. Leia o Woodford e o modelo de cashless economy. É exatamente por isso que ninguém que conta no mundo real olha para a base monetária hoje em dia: porque ela é irrelevante para o controle inflacionário se o Banco Central segue uma regra de Taylor e a política fiscal é passiva.

“Determinar política monetária por regras não é não controlar a base monetária, mas deixar claro como será a política de gestão dos.... agregados monetários. Os agregados continuam sob controle, mas menos ações de intervenção direta são necessárias.”

Errado, você está uns 20 anos defasados em matéria de prática e teoria de política monetária. Não tenho mais o que a dizer sobre isso.

“Quer dizer que você afirma que um descontrole (é esse o antônimo de controle) dos agregados monetários não levará a prováveis problemas inflacionários?”

Novamente, incapacidade de pensamento lógico gera ausência de resposta do tio “O”

“O ponto não foi esse, e foi claro! Os dados deles são pré-crise. Logo a crise em si não pode gerar novas evidências empíricas, ou mesmo os dados empíricos alterarem alguma premissa teórica por causa da crise. No máximo, a crise faz o que fez... aguça a curiosidade dos pesquisadores, mas não gera nenhum quebra estrutural de paradigmas.”

Oh, besta-comedora-de-grama! Como que um ser humano capaz de se manter vivo por mais do que 24 horas consegue ser tão estúpido para não computar que o fato da maior expansão da base monetária da história do dólar americano não ter gerado praticamente efeito algum no nível de preços é tão forte uma evidência para completamente destruir a teoria quantitativa da moeda do que jamais poderia ser imaginado?

(Frase longa, não? Fico empolgado quando mato morcegos).

“Por exemplo, antes da crise o governo reduzia, através da venda de títulos, a base monetária para aumentar juros, agora após a crise você afirma, como está recortado acima, que o governo aumenta juros expandindo a base monetária... é uma revolução completa!”

Às vezes eu acho que você está de gozação... ninguém pode ser tão burro assim.

O pessoal (inclusive eu) não gosta do "O" porque retoricamente ele se expressa com a sutileza de uma mula...

Mas, amabilidades à parte, convenhamos que neste debate não é ele que está passando por equino.

Talvez o debate esteja capengando porque tem gente confundindo TQM com a equação MV=PY.

A equação é isso mesmo, só uma equação, uma identidade... Se vc tomar 3 variáveis como exógenas e definir a quarta em função das outras vai dar certo sempre, é claro. Isso não é teoria nenhuma.

A equação vira teoria quando você sugere hipóteses sobre alguma variável (V constante, por exemplo) e tira conclusões lógicas.

Nesse sentido, o que o "O" entende por TQM (acho) são as implicações teóricas descritas por Lucas: "a given change in the rate of change in the quantity of money induces (i) an equal change in the rate of
price inflation; and (ii) an equal change in nominal rates of interest".

O,

O contrafactual da expansão da base monetária depois da crise não seria uma deflação cavalar?

A expansão monetária não teria gerado uma 'inflação' que evitou essa deflação?



the anchor

"Como você explica o fato de que a correlação entre PIB nominal e PIB real é NEGATIVA para alguns períodos da história brasileira?"

Correlacao negativa entre inflacao e crescimento? Que pode ser causada por varios mecanismos. O proximo passo de sua investigacao eh olhar qual a frequencia em que tal correlacao foi encontrada, quais periodos etc e tirar suas proprias conclusoes.

"O"

Vou repetir o post anterior, a pergunta é sincera.

"Não é o que Sargent e Surico mostram: se o banco central aumenta os juros agressivamente em resposta a pressões inflacionárias, a expansão monetária não causa inflação necessariamente."



E, por acaso, como o Banco Central aumenta os juros?

Abs

Leo

“E, por acaso, como o Banco Central aumenta os juros?”

Um minutinho!

O banco central pode expandir seu balance sheet à vontade, portanto controla a base monetária.

Entretanto, a relação entre base monetária e preços no curto e médio prazo (em altas frequências) é em geral não-existente.

Neste momento, posso dizer com um bocado de confiança que não deve existir um único banqueiro central no planeta Terra que acredite que pode controlar inflação controlando a base monetária.

Agora, em geral não existe também uma conexão estável entre preços e outros agregados monetários. Também é bem complicado o controle de outros agregados monetários pelo banco central (M1, M2 etc).

Por essas e outras, praticamente nenhum banco central no mundo escolhe controlar agregados monetários. Afinal, eles querem estabilidade de preços. A experiência e evidência empírica mostra que controlar a base monetária não é o método mais efetivo para atingir este objetivo.

"O contrafactual da expansão da base monetária depois da crise não seria uma deflação cavalar?

A expansão monetária não teria gerado uma 'inflação' que evitou essa deflação?



the anchor

23 de fevereiro de 2011 20:29"


acho q o titular do blog já mencionou algo parecido...

;^/

"E, por acaso, como o Banco Central aumenta os juros?"

Pode fazer isso de várias maneiras diferentes, algumas delas causadoras de uma diminuição de seu passivo (base monetária): pode vender ou comprar dólares, títulos publicos ou títulos próprios; pode determinar tetos e chãos para as taxas de juros nos depósitos bancários, na taxa de suas operações repo etc.

"Nesse sentido, o que o "O" entende por TQM (acho) são as implicações teóricas descritas por Lucas: "a given change in the rate of change in the quantity of money induces (i) an equal change in the rate of
price inflation; and (ii) an equal change in nominal rates of interest"."


Isso mesmo...

“Complementando: pelo que entendi, um aumento de juros pode conter a inflação, mesmo que isso não signifique uma redução de base monetária e Ms.”

Isso mesmo. Um aumento dos juros pode afetar a inflação por vários outros canais do que redução da base monetária (exemplo: via apreciação cambial, via queda na riqueza dos detentores de dívida pública nominal etc)

“O contrafactual da expansão da base monetária depois da crise não seria uma deflação cavalar? A expansão monetária não teria gerado uma 'inflação' que evitou essa deflação?”

A expansão monetária evitou uma maior deflação principalmente nos preços dos ativos – se Bernanke fosse um mentecapto e resolvesse manter a taxa de crescimento da base monetária constante, certamente poderiamos ter tido algo como a Grande Depressão II.

Mas preste atenção no que disse: nada do que escrevi acima invalida o que tenho dito que Deus (Darwin? Demo? Lula?) odeia a Teoria Quantitativa da Moeda e governa o mundo de modo a gerar séries estatísticas que a rejeitam. 

Vamos nós de novo. Por tudo que falei aqui (e no blog do Adolfo) eu não sou da turma que tem de defender a TQM. Acredito que todas as teorias monetárias são ruins e a TQM é útil por ser um guia simples para estabelecer a relação entre moeda e inflação. Afinal não existe inflação na ausência da moeda (eu sei que vão dizer que o Woodford bla bla bla, deixo as polemicas sobre a toeria fiscal para outro momento) e, neste sentido, inflação é um fenômeno puramente monetário.

Dito isto não vejo como o artigo do Sargent e Surico pode servir de base para afirmar que a TQM está morta. Eles mesmos dizem que a TQM está dormindo nos últimos 25 anos. Lamento, dormindo não quer dizer morta. Mas eles vão além, afirmam que o que coloca a TQM para dormir é uma política monetária agressiva contra ainflação. Ou seja, a TQM está viva e precisa de um BC ativo para que ela não acorde.

Mal comparando é como dizer que eu posso pular de um avião e não me espatifar no chão. Posso fazer isto mil vezes, muita gente pode fazer isto, basta usar uma ferramenta apropriada. Isto não elimina nem "mata" as leis de queda livre. Apenas coloca que existem ferramentas que, se utilizadas de forma apropriada, impedem que lei funcionem. Descobrir leis não implica que não existe como desenvolver ferramentas para evitar as implicações das leis. Se o pessoal de moentária conseguiu isto, parabéns!!! É muito, principalmente considerando a fragilidade dos modelos monetários.

O mais irônico é que esta discussão começou por conta do QE. O texto do Sargent e do Surico pode ser visto como um alerta a este respeito. De fato eles dizem que uma política que chancela crescimento da moeda respondendo de forma fraca a pressões inflacionárias pode acordar a TQM (sei que no momento não existem pressões inflacionárias, mas...). Como cidadãos eles preferem que a TQM continue dormindo, quase um alerta do tipo: não pule sem paraquedas.

Por fim é preciso deixar claro que não devemos nem podemos importar esta discussão para o Brasil. Caso alguém queira é preciso antes checar se nossa política monetária é do tipo que bota a TQM para dormir. No momento creio que a TQM deva estar bem acordada por aqui.

Toda esta discussão já me fez gastar mais tempo do que eu queria com questões ligadas a moeda. Aprendi e me diverti, parece ser bom o suficiente.

Abraço,

Roberto

""E, por acaso, como o Banco Central aumenta os juros?"

Pode fazer isso de várias maneiras diferentes, algumas delas causadoras de uma diminuição de seu passivo (base monetária): pode vender ou comprar dólares, títulos publicos ou títulos próprios; pode determinar tetos e chãos para as taxas de juros nos depósitos bancários, na taxa de suas operações repo etc."

"O", tem um pessoal principalmente em sociologia econômica que acha que existe uma espécie de "canal de crença" de transmissão da política... Quer dizer, todo mundo acredita que "mais juros = menos preços" e, portanto, se os juros sobem, as pessoas (em contextos estáveis) se comportam conforme a "crença" e tomam decisões no sentido de baixar os preços.

Vc acha isso muito absurdo?

"O"

Ou seja, a única forma de o BACEN aumentar juros é reduzindo a liquidez da economia. Sua frase:

"se o banco central aumenta os juros agressivamente em resposta a pressões inflacionárias, a expansão monetária não causa inflação necessariamente."

É basicamente: se o Bacen reduz a liquidez quando há pressões inflacionárias, o aumento de liquidez anterior, causada pelo aumento da base monetária, não causa inflação necessariamente.

Por isso repito:

"De qualquer forma, é bom colocarem os pingos nos i´s aqui, para não se discutir definição.

Como dizem no MIT, antes de começar o debate, certifiquem-se de que não estão disputando uma definição.

A discussão relevante é a relação de causalidade nas variáveis, o que é endógeno, o que é exógeno..."


A relação que você explicita é:

"a relação entre base monetária e preços no curto e médio prazo (em altas frequências) é em geral não-existente."

Isso sob a condição de que a política monetária seja ativa no sentido de estabilizar o nível de preços.

Ora, se a quantidade e velocidade da moeda são endógenas, a relação de causalidade M -> P, não é controlada diretamente pelo Bacen por meio da base monetária.

Enfim, muito do que foi discutido não passou de erro de entendimento (como na discussão com o Roberto), cada um falando uma coisa, a menos da discussão com o José Carneiro, em que se discutiu efeito da base sobre preços.

Eu prefiro menos metralhadora e mais clareza na discussão. Com relação ao post sobre os economistas liberais ou direita, minha decepção não é nem com relação à TQM, pois se você ler com calma o texto do Sachsida, por exemplo, verá que a idéia dele é diferente do que você ataca. O que me preocupa é o casuísmo com respeito à defesa da liberdade individual.

Abs

Leo

"tem um pessoal principalmente em sociologia econômica que acha que existe uma espécie de "canal de crença" de transmissão da política..."


Hum... expecativas?

Sim, expectativas são importantes na formação de preços, principalmente nas disputas sindicais...

"O que me preocupa é o casuísmo com respeito à defesa da liberdade individual."

Nao entendi.

Quanto ao resto do que voce escreveu, concordo. Infelizmente, e eu tenho culpa nisso tambem, as vezes a discussao tem sido feita sem uma clara definicao do que esta sendo debatido (!).

Lendo o Blog do Adolfo e do Shikida, por exemplo, vê-se a defesa da liberdade de escolha em vários casos, desde métodos de bronzeamento artificial a uso de antibióticos.

Em nenhum momento os autores e comentadores levantam questões de custo-benefício para os casos. Inclusive, apontam, corretamente, o erro de se fazer esse tipo de conta, ainda mais levando em consideração saúde pública.

Entretanto, quando tocam no assunto de drogas, esses argumentos passam a ser utilizados. Liberdade individual não pode ser defendida apenas quando vai ao encontro do que se acredita. Aí é fácíl demais.

"Entretanto, quando tocam no
assunto de drogas, esses argumentos passam a ser utilizados. Liberdade individual não pode ser defendida apenas quando vai ao encontro do que se acredita. Aí é fácíl demais."

boa!

falta princípio mesmo.

Que bom que os keynesianos estão sempre certos. Ô religião boa!