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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Para fugir do Dr. Einstein

Dizia Einstein que a definição de insanidade consiste em fazer as mesmas coisas, do mesmo jeito, e esperar que os resultados sejam diferentes. Lembrei-me disto ao ler artigo publicado na semana passada acerca da possibilidade do Tesouro passar a intervir no mercado cambial com o objetivo de evitar a apreciação do câmbio. Visto que a intervenção ocorreria da mesma forma que a praticada pelo Banco Central, se há quem espere um resultado distinto, o Dr. Einstein não se furtaria a alguns minutos de conversa e uma bela dose de haloperidol. Vamos entender o porquê.

Ao adquirir dólares o BC deposita reais na conta do banco vendedor, que não deixa estes recursos ociosos, mas tenta emprestá-los, trocando-os por títulos públicos, levando assim à queda da taxa de juros. Entretanto, como o BC tem uma meta para a taxa Selic, determinada pelo Copom, ele está comprometido a tomar e emprestar recursos ao mercado àquela taxa (hoje 8,75% a.a.). Assim, caso a taxa de juros caia abaixo da meta, o banco sempre pode optar por emprestar este dinheiro ao BC a 8,75%, na prática comprando dele títulos públicos presentes em sua carteira, reduzindo assim a liquidez.

Isto ocorreria até que a taxa de juros de mercado voltasse a ficar igual à meta da Selic, ou seja, quando toda a moeda criada pela compra de dólares fosse reabsorvida pelo BC. Esta forma de intervenção, caracterizada pelo “enxugamento” da liquidez criada pela compra de moeda estrangeira, é chamada de “esterilizada”, pois o BC torna os reais “estéreis” (no sentido bíblico do termo) ao trazê-los de volta para seus cofres.

Agindo desta forma o BC consegue comprar dólares sem pôr em risco a meta para a inflação. Não consegue, contudo, evitar a apreciação cambial. Poderia fazê-lo se optasse por não enxugar os reais emitidos para adquirir moeda estrangeira, mas, nesta hipótese, não teria como perseguir a meta de inflação.

Ou pelo menos era o que se pensava até economistas (?) pátrios descobrirem a pedra filosofal, afirmando que caso fosse o Tesouro a comprar os dólares, não haveria criação de liquidez. Assim o BC poderia ainda buscar a meta de inflação e a moeda se desvalorizaria.

Este raciocínio (se é que podemos assim chamá-lo) perde de vista que o Tesouro tem que obter os recursos para comprar dólares de apenas três fontes. Ele poderia, por exemplo, sacar reais da Conta Única que mantém no BC, mas isto criaria liquidez adicional que, se não enxugada, ameaçaria a meta de inflação, replicando rigorosamente a situação acima descrita.

Alternativamente o Tesouro emitiria títulos, receberia os reais e os usaria para comprar dólares. Bastam, porém, dois neurônios para concluir que se trata da mesma operação anterior, exceto que a venda de títulos agora precede a compra de dólares; quer dizer, em ambos os casos faríamos a mesma coisa, do mesmo jeito. Apenas na ausência de haloperidol pode-se imaginar isto traria algum resultado diferente do que obtemos hoje.

Resta a terceira alternativa: o aumento do superávit primário para comprar dólares. Neste caso não haveria criação de liquidez e as compras poderiam desvalorizar a moeda. Isto, todavia, ocorreria mesmo sem a compra de dólares, pois o superávit mais alto levaria à queda da taxa de juros necessária para se atingir a meta de inflação. Ou seja, se alguém quer enfraquecer o real, basta adotar uma política fiscal oposta à que temos posto em prática. É mais eficiente do que botar duas instituições governamentais batendo cabeça no mercado de câmbio e, principalmente, evitaria a visita ao Dr. Einstein.

(Publicado 14/Out/2009)

Reações:

78 comentários:

Agora sim. Voltou com obras primas de artigos. Parabéns!
Mas o fato é que na proposta de Oreiro e cia foi claramente exposta a necessidade de grande aperto fiscal. Nesse sentido sua crítica pareceu um pouco viesada.
Roger

Caro Alex, faltou ler mais a quem pretende criticar. Retirado do blog do Oreiro:
"Os recursos para o fundo serão originados da venda de títulos públicos de longo-prazo, de forma que as operações de compra de moeda estrangeira não terão nenhum impacto sobre a base monetária, deixando o BCB livre para fixar a taxa Selic no patamar requerido para o atendimento das metas de inflação. Uma outra vantagem do ”fundo soberano” com respeito as operações normais de compra de reservas por parte do BCB refere-se ao prazo de maturidade dos títulos usados para financiar a compra de dólares no mercado a vista. Nas operações de compra de reservas, o BCB utiliza títulos de curto-prazo, nas assim chamadas “operações compromissadas”, para “esterelizar” o efeito que a compra de moeda estrngeira tem sobre a base monetária. Dessa forma, o custo da dívida pública fica muito atrelado aos “humores” do mercado financeiro, aumentando a fragilidade financeira do governo."

Acho que sua crítica perdeu um pouco de sentido agora...

"Os recursos para o fundo serão originados da venda de títulos públicos de longo-prazo, de forma que as operações de compra de moeda estrangeira não terão nenhum impacto sobre a base monetária, deixando o BCB livre para fixar a taxa Selic no patamar requerido para o atendimento das metas de inflação"

Como eu disse, bastam dois neurônios para ver que vender títulos e usar os reais para comprar dólares é exatamente igual a emitir reais para comprar dólares e aí enxugar os reais via emissão de títulos para manter a taxa de juros na meta (ou a base monetária inalterada), ou seja, fazer intervenção esterilizada.

"Mas o fato é que na proposta de Oreiro e cia foi claramente exposta a necessidade de grande aperto fiscal."

Roger:

Se for feito um grande aperto fiscal, não é sequer necessário comprar os dólares. Isto é Mundell-Fleming 101!

Alex,

esta era uma pergunta que eu iria te fazer antes: o aumento do superavit primario por si só não é uma medida contracionista? E medidas contracionistas não permitiriam a redução da taxa de juros?

Mas parece ser mais fácil criar este fundo, é mais "bonitinho".

Você mesmo já escreveu aqui que só tem sentido criar um fundo deste se o país fosse superavitario no resultado final das contas publicas, e não só no resultado primário.

Viu a "capitalização" do BB e da Caixa? E viu como não vai afetar o resultado do governo?

É só botar a cachola pra funcionar.

Se não fosse pelo banco públicos, teríamos contração do PIB esse ano.

"Viu a "capitalização" do BB e da Caixa? E viu como não vai afetar o resultado do governo?

É só botar a cachola pra funcionar."

Se alguém colocasse a cachola para funcionar veria, por exemplo, que a dívida federal deu um salto de mais de R$ 50 bilhões por conta da "capitalização" do BNDES.

Mas não se preocupe: o requisito de cachola em funcionamento não permite que você veja isto ...

" aumento do superavit primario por si só não é uma medida contracionista? E medidas contracionistas não permitiriam a redução da taxa de juros?"

Rogério: é isto mesmo. Se fizesse o aperto fiscal a trajetória de juros seria outra e da moeda também.

Abs

Alex

Alex

não pretendo ocupar o espaço dos comentários falando do Oreiro, mas como você está tratando de neuroses e esquizofrenias, como pode a mesma pessoa defender um fundo soberano assentado num maior ajuste fiscal e ao mesmo tempo afirmar que:

"Aqui fechamos nosso argumento: não existem condições objetivas na economia brasileira que permitam uma expansão dessa magnitude nas decisões de gasto do setor privado. Daqui se segue que para a economia brasileira crescer 4,5% a.a em 2010, o ritmo de expansão dos gastos públicos terá que ser consideravelmente superior a sua média histórica, pondo assim em risco a solvência do setor público a médio prazo."

Oreiro (Retração do Investimento é entrave a recuperação da economia brasileira)

(o final é dúbio, mas ele deixa claro no comentário que a saída é maior gasto publico - ele não diz, mas também não nega que deseja a elevação do gasto público).

Alex
Excelente post sobre a pretensa "solução" da apreciação cambial.
Em relação a afirmação extraída do artigo:

"Com efeito, a participação dos manufaturados na pauta de exportações brasileira tem se reduzido, assim como a participação da produção doméstica no consumo aparente de produtos manufaturados. Tratam-se de sinais inequívocos de desindustrialização da economia brasileira, com efeitos negativos sobre as perspectivas de crescimento de longo prazo, ..."

Vc não quis se pronunciar ou ainda o fará? Lembro-me que vc já postou algo s/ a trajetória das exportações por conteúdo. Seria o post ainda válido(adequado)?
Bom dia.

Isso me lembra a banda cambial endogena.O BC define quanto o cambio vai flutuar.

"Vc não quis se pronunciar ou ainda o fará? Lembro-me que vc já postou algo s/ a trajetória das exportações por conteúdo. Seria o post ainda válido(adequado)?"

Martins:

Eu tenho 3500 caracteres para expor uma tese. Ajuda a disciplinar (ainda mais no meu caso, desacostumado a limites de espaço, e com tendência a ser prolixo), mas implica que só possa tratar de um assunto por vez. De qualuer forma o post sobre a maior participação dos primários na pauta continua válido (e, diga-se de passgaem, a participação mais elevada de primários está longe de se configurar como confirmação da desindustrialização do país).

Abs

Alex

"como você está tratando de neuroses e esquizofrenias, como pode a mesma pessoa defender um fundo soberano assentado num maior ajuste fiscal e ao mesmo tempo afirmar que:

(...)para a economia brasileira crescer 4,5% a.a em 2010, o ritmo de expansão dos gastos públicos terá que ser consideravelmente superior a sua média histórica, pondo assim em risco a solvência do setor público a médio prazo."

Só mandando para o Dr Einstein. Haloperidol nele!

Carequinha é só aumentar a meta de inflaação que o cambio se desvaloriza.

Lucrécio

"Carequinha é só aumentar a meta de inflaação que o cambio se desvaloriza."

E se reduzirem o tamanho do centímetro para 50 mm eu passarei a ter 3,90 metros. Não ia ser bom ser tão alto?

Lembrei de um detalhe: pós keynesiano defendendo maior ajuste nas contas públicas? Invocando o superavit primário? Não, isto não pertence ao mundo deles.

Para não ser necessário um maior ajuste fiscal, a solução é simples, o intrigante “controle abrangente de capitais”.

Esta é a tríade da macroeconomia pos keynesiano: fundo soberano, ajuste fiscal e “controle abrangente de capitais”.

E sem surpresa nenhuma, o ajuste fiscal está ali apenas como enfeite na mesa. É mais uma desculpa para o fundo e o controle de capitais do que uma política efetiva de ajuste.

Não é visto como um caminho a ser seguindo e sim como um mal a ser evitado.

Pô Rogério. Justo você duvidando da sinceridade do rapaz?

Abs

Alex

"Haloperidol no Lucrécio!"

Nahhh. Haloperidol é antipsicótico; não cura cretinismo. Precisa de iodo mesmo.

"Precisa de iodo mesmo."

É bócio!

Carequinha,

Voce fala dificil porque quer enganar a gente. Porque no final das contas, isso tudo eh desculpa para tirar do povo passando fome para dar prus ricu. Ainda bem que o Oreiro eh patriota e nao riquiota, melhor seria se fosse pobriota. Poxa vida, isso ateh rima com toyota!

"Poxa vida, isso ateh rima com toyota!"

E com outras coisas também!

Alex II, o desesperado,

o homem está cuspindo maribondo, e já colocou uma resposta no blog dele.

Eu não sou economista (falo isto não como ressalva) e nem trabalho com o mercado, mas queria saber se há ainda incertezas do investidor estrangeiro em relação ao país, mesmo com o “grau de investimento”.

Porque o único argumento dele é afirmar que o ajuste fiscal não é condição suficiente para o ajuste da taxa de câmbio. No exercício dele, o aumento de 1% no superávit primário poderia levar à apreciação do câmbio. Há tanto temor assim lá fora? Que o aumento no superávit em 1% levaria à redução do nível de risco, elevar a entrada de capitais e apreciar o câmbio?

Se isto fosse plausível, a constante redução que o governo vem fazendo no superávit deveria levar ao resultado inverso, que é a fuga de capitais. Isto está ocorrendo? Não. Se estivesse acontecendo não teria sentido, no modelo deles, a proposta de controle de capital.

Seria a hora de outra visita ao Dr. Einstein?

A mesma medida, no sentido inverso, deveria provocar o resultado inverso. A redução do superávit primário deveria levar à fuga de capitais (corrijam se estiver errado).

Então não precisaria de fundo soberano nem controle de capitais, bastaria o governo continuar reduzindo o superávit primário como vem fazendo. A fuga de capitais, que já deveria estar ocorrendo, ajustaria o câmbio.

E há outro erro cometido por eles, ao afirmarem que estão conseguindo “convencer a opinião pública e os formuladores de política econômica a respeito da necessidade de mudar a política econômica”.

O que eles fazem, em nome do “desenvolvimento”, é dar “cientificidade” ao choro daqueles que sempre gostaram do amparo do Estado. Se há o “bolsa-família” para o mais pobres, defendem o “bolsa-câmbio” para os “acomodados”.

É a visão que reduz o país ao parque industrial.

Carequinha inflação mais alta desvaloriza o cambio.Eliane Cardoso da EESP ja sugeriu essa medida há alguns anos atras.

Lucrécio

Xoxota?
Lorota?
Janota?
Patota?

O que serah?

Alex,

você, que disse se interessar por história das religiões, sabe que os dogmas colocam sempre limites nos debates.

Como debater um assunto dogmático? "Isto existe ou é assim, e não adianta discordar" (os exemplos de dogmas são vários, mas religião, futebol, politica... não é bom começar).

Então, os pos keynesianos também possuem alguns dogmas, e um deles explica a dificuldade em entender e trabalhar com os dados que eles possuem.

Segundo eles, o dogma da "incerteza pos keynesiana" é incompátivel com o pressuposto da "ergodicidade" utilizado na análise de séries temporais. Por isto estariam impedidos de utilizar modelos econométricos.

Ergodicidade implica em previsibilidade, mas a "incerteza pos keynesiana" não permite previsões.

No máximo podem utilizar modelos de simulação computacional. Mas para calibrar o modelo, precisar estimar corretamente os parâmetros, e sem utilizar econometria, o resultado não fica muito bom.

Acho que esta limitação em trabalhar com dados e as "idiossincrasias" deles explicam a consistência das propostas deles.

"Carequinha inflação mais alta desvaloriza o cambio.Eliane Cardoso da EESP ja sugeriu essa medida há alguns anos atras."

Já eu proponho que um quilo passe a ter 2000 gramas. Resolveria o meu problema de peso...

Sr. Alex, sei que essa minha pergunta pode ser motivo de chacota em vários outros posts, mas já me antecipo: NÃO SOU ECONOMISTA, sou apenas um curioso que há quase 1 ano acompanha seu blog TODOS OS DIAS, mas vamos lá...

"Alternativamente o Tesouro emitiria títulos, receberia os reais e os usaria para comprar dólares. Bastam, porém, dois neurônios para concluir que se trata da mesma operação anterior, exceto que a venda de títulos agora precede a compra de dólares; quer dizer, em ambos os casos faríamos a mesma coisa, do mesmo jeito."

No 1º caso o BC, no limite, emite $$ para compra dos USD junto aos bancos e "recompra" esses reais para conter a inflação.

Se o Tesouro emite títulos, ele capta reais por meio das tesourarias dos bancos, por exemplo, diminuindo a qte de $$ em circulação. Estando capitalizado, o Tesouro compraria USD, "devolvendo" os reais para o sistema financeiro, ou seja, em meu entendimento não houve "criação" de moeda.

O que poderia complementar essa linha de pensamento?

Obrigado, um abr à tds que frequentam o blog!

Fábio

Poder-se-ia pensar que nesse tempestivo artigo a evocação do Dr. Freud teria sido preferível à do Dr. Einstein. Afinal, sobre distúrbios mentais quem sabe das “coisas”… Mas o Sr. foi muito feliz ao pôr sob a tutela do grande físico o raciocínio lógico que desenvolveu! Explica-se: durante séculos o homem, entre infinitos sonhos, sonhou com o que se chamou “moto contínuo” — uma fonte inesgotável de geração de energia. Para os físicos, uma pura e simples revogação do Primeiro Princípio da Termodinâmica. M. C. Escher deixou um célebre desenho desse engenho fabuloso. Tomei conhecimento dessa lenda, quando ainda criança: um vizinho, homem dado a especulações pseudo-científicas e a experiências esotéricas fez uma viagem sem volta ao Ceará (e que não se tire daqui nenhuma ilação suspeitosa aos queridos irmãos nordestinos!), foi o tal vizinho à procura de um barbeiro cearense, inventor de um mecanismo desses, divulgado em um jornal de grande circulação à época. A célebre E=mc² liquidou de vez com qualquer ressurrecta miragem, agora nas fantásticas reações nucleares. Ao lado da pedra filosofal, o moto contínuo ou perpétuo seduziu corações e mentes. Mas o verbo no pretérito é ledo engano como o Sr. bem mostra. Barbeiros do Ceará continuam a prometer prodígios com “elixires” econômicos que vão sendo destilados nos laboratórios obscuros. Se forem guindados ao poder (e parece que vão), não tenhamos dúvida, “farão de novo o mesmo com convicção de que o resultado será “cientificamente” outro”!

"Rogério: é isto mesmo. Se fizesse o aperto fiscal a trajetória de juros seria outra e da moeda também."

Por que a trajetória da moeda seria outra? Qualquer estudante de primeiro ano sabe que uma política contracionista diminui a demanda por bens importados, fazendo com que a moeda local se aprecie.

"O que poderia complementar essa linha de pensamento?"

Nada Fabio. Você captou a ideia perfeitamente.

Abs

Alex

"Por que a trajetória da moeda seria outra? Qualquer estudante de primeiro ano sabe que uma política contracionista diminui a demanda por bens importados, fazendo com que a moeda local se aprecie."

Precisa passar para o segundo ano e considerar o caso com movimento de capitais.

Considere o caso de uma pequena economia aberta com movimenyo de capitais: se, para uma dada meta de inflação, há um aperto da política fiscal, a inflação tende a cair, permitindo que a política monetária seja afrouxada para trazer a inflação de volta à meta.

A redução da taxa de juros deprecia o câmbio, mas a inflação é a mesma (afinal de contas a redução de taxa de juros foi apenas para manter a inflação na meta), ou seja, há desvalorização do câmbio real. Portanto as exportações líquidas aumentam às expensas da demanda doméstica.

Quanto aos componentes da demanda doméstica, sabemos que G caiu (é o ponto de partida da estática comparativa, não é?). O que ocorre com C e I. Aí vai depender das interações dos efeitos de política monetária e fiscal. Mas dá para imaginar que, se I for bastante sensível ao juro real, deverá crescer.

Fica o exercício de estática comparativa para você fazer em casa.

"Barbeiros do Ceará continuam a prometer prodígios com “elixires” econômicos que vão sendo destilados nos laboratórios obscuros. Se forem guindados ao poder (e parece que vão), não tenhamos dúvida, “farão de novo o mesmo com convicção de que o resultado será “cientificamente” outro”!"

E como tem barbeiro!

Abs

Alex

Carequinha até mesmo uma meta de inflação mais alta faria o gasto público cair,caso não reajustado.

Uma meta de inflação de 6% durante 4 anos,caso o gasto público não cresça em termos reais ele ficaria 24% menor.

O câmbio atrapalha a vida dos exportadores,é praticamente impossível eles se protejerem da alta do dolar.

Lucrécio

Quem fala em fundo soberano sem superávit nominal consistente (no mínimo dois anos e sem manobras contábeis) está querendo sustentar uma idéia sem fundamento econômico.
Liderau Marques Junior

Alex,
pq quando vc vai na globonews vc vira uma menininha?
O vidor te amansa antes?

"pq quando vc vai na globonews vc vira uma menininha? "

Eu jamais vou NA globonews, embora tenho ido à Globonews algumas vezes. Mas nós menininhas sabemos usar as preposições.

"até mesmo uma meta de inflação mais alta faria o gasto público cair,caso não reajustado."

E, caso sua mãe tivesse saco, você teria dois pais....

"Quem fala em fundo soberano sem superávit nominal consistente (no mínimo dois anos e sem manobras contábeis) está querendo sustentar uma idéia sem fundamento econômico."

É isso aí!

"o homem está cuspindo maribondo, e já colocou uma resposta no blog dele.'

Ele cospe? Ih, perdi a aposta...

você também achava que ele engolia?

"No exercício dele, o aumento de 1% no superávit primário poderia levar à apreciação do câmbio. Há tanto temor assim lá fora? Que o aumento no superávit em 1% levaria à redução do nível de risco, elevar a entrada de capitais e apreciar o câmbio?

Se isto fosse plausível, a constante redução que o governo vem fazendo no superávit deveria levar ao resultado inverso, que é a fuga de capitais. Isto está ocorrendo? Não. Se estivesse acontecendo não teria sentido, no modelo deles, a proposta de controle de capital.

Seria a hora de outra visita ao Dr. Einstein?

A mesma medida, no sentido inverso, deveria provocar o resultado inverso. A redução do superávit primário deveria levar à fuga de capitais (corrijam se estiver errado).

Então não precisaria de fundo soberano nem controle de capitais, bastaria o governo continuar reduzindo o superávit primário como vem fazendo. A fuga de capitais, que já deveria estar ocorrendo, ajustaria o câmbio."

Excelente. Eu não tenho o que adicionar.

Prezado Alex,
Mesmo q fugindo da linha dos últimos posts: o BC nos últimos 5 anos subiu juros 2 vezes (set04 e abr09 ), sempre reagindo quando inflação vara a banda de cima. Pode-se dizer que ele sempre foi reativo e atrasado? Mantendo o padrão os juros só devem subir fins de 2010, com a inflação voltando para os 6%. Será q muda e tenta ficar a frente da curva?

"o BC nos últimos 5 anos subiu juros 2 vezes (set04 e abr09 ), sempre reagindo quando inflação vara a banda de cima. Pode-se dizer que ele sempre foi reativo e atrasado?"

Eu sou suspeito para falar do assunto, mas, a rigor, o BC quando subiu juros, o fez bem antes da inflação varar o teto da meta. Em set-04 a inflação estava a 6.7%; a meta (interpolada entre 8.5% (2003) e 5.5% (2004)) seria 6.25%.

Em abr-08 a inflação havia atingindo 5% contra uma meta de 4%.

De qualquer forma, tanto no ciclo de 2004-05 como no de 2008 a inflação ainda subiu depois do início do aperto monetário.

Minha impressão agora é que o BC pode tentar o primeiro pouso suave.

Caro Alex, seus números estão perfeitos.Detalhando meus imprecisos números que fundamentam minha impressão que o BC foca a inflação e foi sempre reativo, sem tentar atuar muito na linha de "indicadores antecedentes-juros neutros-crescimento potencial". Usei inflação média de 6 meses: em 04 o BC subiu juros quando inflação atingiu 7,7 contra teto de 8 (vc tá certo, não interpolei);em 08 ficou mais perto ainda: teto 6,5 inflação de 6,4. A economia está mais madura, mas BC teve dificuldades de buscar um pouso suave também pelos "puxões de orelha" políticos. Em 2010 com eleições será diferente? Mesmo com toda pressão que ainda vemos sobre esse tema? Ainda por cima com o dolar em R$1,6 e neguinho (opa!!)juntando "maçãs com laranjas" macroeconômicas. Subir os juros aos poucos a partir de jan-10 seria bom, mas vão berrar: o BC joga contra, valoriza o Real e impede nosso destino glorioso. Difcil acreditar. Me parece que terá que subir o triplo para segurar a coisa quando a inflação varar os 6%.
Grande abraço

Alex se você trabalhasse em alguma empresa exportadora,caso o cambio se valorizasse e você visse os lucros encolheres,você pediria ajuda do governo?

Professor, me tira uma duvida.

Ao comprar dolares o BC expande a base monetaria, que caso nao seja enxugada tal liquidez faz o BC sair da meta de juros estipulada. Assim , o BC enxuga a liquidez vendendo titulos de seu ativo, para que a intervencao no mercado de cambio nao atrapalhe a Meta de juros. Certo?

Mas a apreciacao/depreciacao cambial é resultado da demanda/oferta de dolares ou resultando da relacao Real/ Dolar disponivel no mercado? Porque se for resultado da primeira relacao,o BC consegue depreciar a moeda exercendo demanda no mercado cambial. Assim, enxugar liquidez do mercado de reservas bancarias, nada afetaria a trajetoria do cambio, certo ou errado?

Por favor, este tema é importante para minha monografia, tente me explicar, se possivel...

Abraco, Carlos Arthur

Alex,

Concordo que o BC agiu corretamente nos aumentos anteriores da taxa Selic, mas agora há um componente novo. O mandatário do BC, não só tem pretensões políticas como se filiou ao PMDB, a cereja do bolo da política nacional e está cotado até para ser vice na chapa governista. Mesmo que ele não sai candidato a nada, não ficará um ruído aí? Sabemos que a decisão na sala daquele belo Portinari não é monocrática, mas...gostaria de sua opinião. Se não for possível eu vou entender. Afinal, além da família vc tem que cuidar da Guiomar e do resto da matilha!

Abs

Carequinha para voce Aldol resolve.Se com inflação de 6%, os gastos não aumentendo vai se perveber um forte ajuste fiscal,o gasto caiu 24%.

Lucrécio

"e com inflação de 6%, os gastos não aumentendo vai se perveber um forte ajuste fiscal,o gasto caiu 24%."

Se sua mãe tivesse 8 pares de tetas ela seria uma porca...

"Usei inflação média de 6 meses: em 04 o BC subiu juros quando inflação atingiu 7,7 contra teto de 8 (vc tá certo, não interpolei);em 08 ficou mais perto ainda: teto 6,5 inflação de 6,4. A economia está mais madura, mas BC teve dificuldades de buscar um pouso suave também pelos "puxões de orelha" políticos. Em 2010 com eleições será diferente? "

Entendi, mas acho que mesmo uma média de 6 meses não é boa para "limpar" a sazonalidade (qualquer período, exceto 12 mesese e múltiplos, que abranja fevereiro mostra aceleração da inflação porque é o mês em que bate o reajuste anual das escolas). De qualquer forma, você colocou uma boa pergunta. Eu prefiro acreditar que o BC será técnico.

Abs

Alex

"Mas a apreciacao/depreciacao cambial é resultado da demanda/oferta de dolares ou resultando da relacao Real/ Dolar disponivel no mercado?"

É bem mais complicado que isto. Me mande um e-mail e conversamos.

lex,

Além dos problemas operacionais da proposta do Professor Oreiro que você já discutiu, existem outros problemas mais profundos, que demonstram falta de reflexão sobre processos históricos e de economia política, algo irônico em se tratando de um economista que se entende como heterodoxo.

Vejamos, o objetivo do professor é recuperar a competitividade da indústria manufatureira brasileira, que teria sido prejudicada pela apreciação cambial. A premissa, compartilhada por economistas como Dani Rodrik, é que o Brasil sendo um país em desenvolvimento (não é), existem falhas de mercado que impedem o desenvolvimento de nossa manufaturas. Para tanto, ele sugere políticas econômicas que dentro de sua argumentação causariam uma depreciação da taxa de câmbio efetiva (que eu acredito ele define implicitamente como a razão de nosso índice de preços em dólar com os preços de nossos parceiros comerciais).

Mas este é um erro conceitual. A variável que de fato dita a competitividade de nossa indústria não é o preço relativo dos bens que nós consumimos, mas sim os custos unitários do trabalho em dólar relativamente a nossos parceiros comerciais. Estes custos dependem crucialmente de fatores como o nível do salário mínimo, do salário de reserva e dos custos extra-salário, que pelo menos na base da distribuição de salários e no setor formal da economia são variáveis de política.

Mas aqui mora a ironia. O professor ignora a história e a economia política brasileira. Existe um consenso em nossa sociedade, que certamente vai ser refletido na política econômica de qualquer grupo político no poder, que o Estado deve agir para reduzir nossa desigualdade e aumentar a participação dos salários na renda nacional, principalmente aqueles da maioria de trabalhadores com menor qualificação. Deste consenso emanam várias políticas públicas desde a Nova República que com diferentes graus de efetividade visavam reduzir a concentração de renda ou consumo: a aposentadoria rural, o programa do leite, o aumento do salário mínimo real, a expansão da rede de proteção social, o Bolsa Família etc.

Não tenho dúvidas, este objetivo é nobre, e certamente vai ser uma diretriz básica de nossa política econômica desde que continuamos sendo uma democracia. Mas esse objetivo está em direta contradição com a competitividade em setores da indústria manufatureira intensivos em mão-de-obra.

Minha opinião é que a escolha já foi feita: desde que o Brasil se tornou uma democracia, tanto os eleitores quanto a classe política têm demonstrado com votos e escolhas de política econômica que nossa prioridade (como alguns gostam, nosso projeto nacional) é melhorar a distribuição funcional e pessoal de renda, não competir com as Chinas do mundo na fabricação de roupas ou sapatos.

Então, posso agora concluir com uma metáfora: o professor Oreiro está esgrimindo contra moinhos de vento como se fossem dragões e a vasta maioria dos brasileiros torce para os moinhos e não tem medo de dragões.

Abraços,

Irineu de Carvalho Filho

Prezados, discussão ótima.

Tento fornecer alguma contribuição com meu post.

É de comum conhecimento o Trilema de Pol. Econômica: A impossibilidade de uma economia, simultaneamente, possuir 1) livre mobilidade de k; 2) cambio fixo e 3) pol. monetária independente.

No fundo, é isso que o post do Alex diz. Não adianta tentar nenhum tipo de artifício mirabolante. Para se estabilizar a taxa de cambio, tem-se, necessariamente de abrir mão da autonomia na condução da pol. monetária.

Nesse caso, a maneira mais simples de se evitar a continuidade da atual trajetória de apreciação cambial é realizar uma pol fiscal mais contracionista que reduza a taxa de juros doméstica de maneira consistente com a meta de inflação. Esse é o argumento do Alex. Correto, Alex?

Ao seu raciocínio, adiciono que uma pol. fiscal contracionista reduziria o nível de atividade econômica.

Agora vamos ao Oreiro.

Pelo que eu acho que pude entender (confesso que acho meio complicado pensar do jeito dele), ele propõe, nos termos do trilema de pol. economica:

1) cambio fixo/administrado; 2) algum controle de k (de forma que a curva BP não seja perfeitamente elástica) e 3) pol. monetária independente.

A análise dele é que o a realização do aumento do superávit primário de 1% geraria uma apreciação cambial brutal devido a redução mais que proporcional da percepção de risco do país, agravando o problema do cambio apreciado.

Acho que ele tem um ponto importante.

O debate é caloroso.

abraços

Alex,
Excelente demonstração das condições de equlíbrio para câmbio e juros. Fiquei com uma dúvida: não haveria, na situação em pauta, condições para o COPOM reduzir a taxa SELIC de 8,75% para 8,50% ou até patamar mais baixo, desde que ainda conseguindo "esterilizar" os dolares, sem que a meta de inflação fosse alterada?

"A análise dele é que o a realização do aumento do superávit primário de 1% geraria uma apreciação cambial brutal devido a redução mais que proporcional da percepção de risco do país, agravando o problema do cambio apreciado"

Excelente análise. Pena que esteja uns 5 anos atrasada.

O risco Brasil ontem era:

1 ano: 0,57%
5 anos: 1,14%
10 anos: 1,37%

Agora 1% do PIB a mais de superávit primário (via corte de gasto) vai derrubar o risco-país em quanto mesmo? Se derrubasse pela metade seria o equivalente a aumentar o diferencial de juros para um ano (parece ser marginalmente mais relevante que o diferencial Selic-Fed Funds) em...
0,28% ao ano.

Mas vamos ser extremos. Suponha que com 1% do PIB a mais de superávit eliminássemos completamente o risco-país. Seria o equivalente a aumentar o diferencial de juros em 0.57% ao ano.

Deve mesmo causar uma apreciação BRUTAL do câmbio, mas só na Dimensão Z.

Alex baixando a tarifa de importação poderia desvalorizar mais o cambio.

A grosso modo um produto importado paga em geral 100% de imposto quando entra aqui (Imposto de importação,ICMS,IPI,PIS/COFINS).O Brasil sofre com a valorização do cambio porque importa pouco.Enquanto agente importa 11% do PIB,países como México,Chile,Australia importam de 20% a 40% do PIB.

A dívida pública desde 2003 só cai,mesmo o gasto corrente aumentando a queda da dívida pública indica "alguma" austeridade fiscal.

"Marcelo -15 de Outubro de 2009 22:34"

Opa, oportuno voltar a falar disso. Ainda que seja compreensível o Alex não abordar especificamente o caso do Meirelles, um texto mais genérico sobre os riscos de contaminação política na gestão monetária, causados pelo movimento partidário da autoridade responsável, pede espaço...

E o nome do Luciano Coutinho figurando na lista de sucessão do Meirelles, caso a candidatura dele se confirme, teria que tipo de repercussão e implicações?

"A dívida pública desde 2003 só cai,mesmo o gasto corrente aumentando a queda da dívida pública indica "alguma" austeridade fiscal."

Não disse que ele é keynesiano?

"Se não for possível eu vou entender. Afinal, além da família vc tem que cuidar da Guiomar e do resto da matilha!"

Dão muito trabalho mesmo, mas a Eleni e o Maurício cuidam de tudo.

Muitos boatos e alguns fatos. Taxação sobre investimentos estrangeiros, redução no sup primário (após as retiradas de alguns "investimentos" de seu cálculo), mudanças no BC, indexações no mínimo e no funcionalismo, eleições com unânimes discursos críticos ao BC. E o Meirelles criticando o steepening da curva de juros, que só aumenta... Se o BC tiver pista subirá os juros antes do esperado e reduzirá o ruído.
Abç

Lucrécio,
Aldol não existe. Talvez você queira dizer Haldol, que por coincidência é a mesma coisa que o Haloperidol (substância ativa). Além disso, esse medicamento é um dos mais utilizados por pessoas que querem cometer suicídio. Ou seja, pode até não melhorar a psicose, mas resolve o problema. Fica aí a sugestão.

"Se o BC tiver pista subirá os juros antes do esperado e reduzirá o ruído."

Eu acho que vai acontecer mais cedo que muita gente pensa. Antes do Meirelles se desincompatibilizar.

"O"

Primário é o mínimo que se tem que fazer para pagar a dívida.Indica que o governo tem feito "algum" esforço para baixar o endividamento.

O Teorema de Lerner poderia explicar a valorização do Real.

"Primário é o mínimo que se tem que fazer para pagar a dívida.Indica que o governo tem feito "algum" esforço para baixar o endividamento."

Como eu disse, trata-se de um Keynesiano...

Já procurou seu DR.Einstein para lhe receitar Haldol? Se eu fosse Keynesiano eu defenderia que a divida/pib deveria subir.

"mesmo o gasto corrente aumentando a queda da dívida pública indica "alguma" austeridade fiscal."

Alguém que mede austeridade da política fiscal só pelo lado do superávit primário não é liberal. É alguém indiferente ao governo gastar 10% e tributar 12%, ou gastar 40% e tributar 42%.

De onde concluo, Ivo, que você se acha liberal, mas é mesmo keynesiano. Pode ir ao Dr Einstein pedir algo que pare os seus delírios...

Temos aí um classico problema de analfabetismo funcional,pessoa que sabem ler e escrever mais não sabem interpreta.

O primário indica um esforço fiscal mínimo para que a relação divida/pib não suba.Antes o Brasil nem primário fazia,só fez porque o FMI nos obrigou.

"Temos aí um classico problema de analfabetismo funcional,pessoa que sabem ler e escrever mais não sabem interpreta."

I rest my case...

Carequinha quanta ingnorancia sua a respeito do BNDES.Ele segue todos limites de alavancagem imposta por Basileia.

Esses 50 bilhões,8 vezes alavancado vai virar 400 bilhões em crédito para a economia.

Lucrécio

"Carequinha quanta ingnorancia (...)."

I rest my case...

P.S. Juro por Odin que não inventei esta figura. Em algum armário de limpeza ela existe.

"Ao comprar dolares o BC expande a base monetaria, que caso nao seja enxugada tal liquidez faz o BC sair da meta de juros estipulada. Assim , o BC enxuga a liquidez vendendo titulos de seu ativo, para que a intervencao no mercado de cambio nao atrapalhe a Meta de juros. Certo?

Mas a apreciacao/depreciacao cambial é resultado da demanda/oferta de dolares ou resultando da relacao Real/ Dolar disponivel no mercado? Porque se for resultado da primeira relacao,o BC consegue depreciar a moeda exercendo demanda no mercado cambial. Assim, enxugar liquidez do mercado de reservas bancarias, nada afetaria a trajetoria do cambio, certo ou errado?"

1) A taxa de câmbio é a preço relativo de duas moedas: A e B;
2) Dada a demanda por cada moeda, seu preço relativo depende da oferta de cada uma delas;
3) No momento que o BC compra moeda estrangeira ele aumenta a oferta da sua moeda (digamos A). Isto tenderia a depreciar a moeda A, isto é, precisaríamos de mais unidades de A para comprar uma unidade de B (no nosso caso o dólar fica mais caro)
4) No entanto, o BC retira a moeda utilizada para a compra de dólares por meio de suas operações de mercado aberto, retornando a oferta da moeda A ao nível inicial;
5) Com as ofertas relativas inalteradas (no caso de esterilização integral), a taxa de câmbio não se altera.
6) Ou seja, intervenções esterilizadas não alterariam a taxa de câmbio (ha algumas complicações que eu contornei aqui, mas a essência do problema é esta).

Alex,

o que você acha desta autorização do Lula para a edição de uma MP taxando o capital estrangeiro?

"O objetivo é taxar o capital de curto prazo --o chamado de especulativo-- e aliviar a cobrança de impostos sobre as somas que permanecem mais tempo no país." (FSP).

Segundo a FSP:
"De junho a agosto, o ingresso desse tipo de capital somou US$ 322 milhões, enquanto nos três meses anteriores, deram entrada no país US$ 186 milhões em capital de curto prazo. A alta contribui para valorizar o real e dificulta a exportação."

"o que você acha desta autorização do Lula para a edição de uma MP taxando o capital estrangeiro?"

Uma marolinha. Nos temos um deficit fiscal que estah em qualquer projecao se expandindo, alem de projetos de investimentos relacionados ao pre-sal e as olimpiadas no Rio que fazem muito provavel que tenhamos deficits em conta corrente no medio prazo (devido a investimentos crescendo mais que a poupanca domestica). Ergo, demanda continua por capital estrangeiro. O maximo que a medida que o Lula teria autorizado pode fazer eh influenciar na margem a composicao dos influxos de capital, mas mais provavelmente nem isso.

"O"

Alex,
O que você acha do uso do imposto de exportação, em situações de aumento exarcebado de produtos primários inclusive no futuro se ocorrer com o petróleo do pré-sal, para evitar a internalização da inflação provocada pelos preços externos desses produtos primários?