teste

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pessimildo redimido

Não consigo (nem tento) disfarçar meu pessimismo sobre o futuro do país, em que pese a perspectiva de alguma recuperação à frente.

Não me interpretem mal. Acredito que estamos melhores agora do que estávamos há alguns meses e muito mais do que estaríamos caso o governo anterior não tivesse sido afastado.

Ao menos temos uma equipe econômica que entende a natureza dos problemas enfrentados pelo país, não só a questão do gasto público, mas também a necessidade de reformas que acelerem o crescimento da produtividade. E, embora tenha cá muitas dúvidas sobre a posição de Michel Temer quanto à questão fiscal, caso alguém queira defender que ele compartilha da mesma visão de seu time eu nem discutiria muito.

Isto dito, até agora, a cada encruzilhada que encontrou o governo sempre tomou o caminho errado.

O reajuste do funcionalismo pode até ter sido (como foi) negociado pela administração anterior, mas defendê-lo, argumentando que “está abaixo da inflação esperada para o mesmo período” e, portanto, de acordo com o ajuste fiscal, soa como uma tentativa canhestra de tapar o sol com a peneira.

Da mesma forma, não é possível vender como vitória da equipe econômica a meta de déficit de R$ 139 bilhões para o ano que vem, apesar de tentativas em contrário. Para que este valor se materialize será necessário obter R$ 55 bilhões de receitas ainda não especificadas que certamente não se repetirão em outros anos, ou seja, o valor recorrente do déficit, que balizará a meta para 2018, será de R$ 194 bilhões.

Acrescentando à lista, agora o governo federal cedeu mais uma vez aos estados, ao permitir que não contabilizem certos gastos no limite de sua folha de pagamento.

Seria muito fácil descrever isto como resultado de um governo fraco, ainda tentando se consolidar, mas acredito que se trata de um problema bem mais profundo.

Não chegamos aqui por acaso. Como escrevi na semana passada, muito da piora fiscal se deve ao governo anterior, em particular à presidente, que, desde que era ministra, sempre se opôs a medidas que colocassem as contas públicas numa trajetória sustentável. Ela, porém, não esteve sozinha na empreitada de demolir o orçamento, e, ainda mais importante, o próprio arcabouço institucional que havia sido criado para dar um mínimo de previsibilidade nesta área.

Quem acompanha o tema há de ter notado a situação dos estados brasileiros, esmagados pelo peso de seus gastos com pessoal. Oficialmente 17 deles estouram o limite prudencial, mas uma especialista como Ana Carla Abrão Costa, secretária da Fazenda de Goiás, estima que gastos com o funcionalismo podem ter ultrapassado 80% da receita líquida, comprometendo qualquer possibilidade de gestão.


Neste contexto a chance de se concretizar um ajuste fiscal da magnitude do requerido para estabilizar a dívida relativamente ao PIB é mínima, para colocar de forma delicada.


Assim, muito embora possamos imaginar que a economia comece a se recobrar já na segunda metade deste ano, não há como sonhar com uma recuperação vigorosa como na saída de outras recessões, pelo contrário: o fardo do setor público há de garantir crescimento medíocre ainda por muitos anos.


Ói eu


(Publicado 03/Ago/2016)

Reações:

30 comentários:

O povo tem que reclamar é de aumento salarial de deputado, promotor, juiz, enfim, de cargos políticos e de membros do judiciario (juiz) e do MP (promotor) que ganham 35 mil por mês considerando o tanto de auxílios que recebem de forma escandalosa e imoral.
Exemplo: promotor e juiz ganham auxílio moradia de quase 5 mil mesmo se tiverem residência própria. Promotor e juiz ganham auxílio educação de quase 4 mil reais. Isso tudo sem pagar IR, porque tem natureza indenizatória.
Mas, o povo gosta de crucificar aumento de servidor público abaixo da inflação e parcelado em 4 anos (escandalosos 21% em 4 anos), sendo que a galera dos auxílios recebeu aumento de 16% a vista.

Qual problema que pretende ser resolvido? Enxugar o funcionalismo permitindo ao país crescer de forma vigorosa? Acredito que não. Só queremos evitar um colapso econômico e continuaremos as próximas décadas no terceiro mundo. É isso mesmo?

Alexandre,

A triste verdade é essa.

Passada certa euforia com a queda do "Pior", nós vemos que "o que tem pra hoje" não é suficiente para fazer frente aos enormes desafios.

Viramos sim reféns desses interesses particulares (de grupos).

E, em outras palavras, ninguém parece disposto/corajoso/forte o suficiente a cortar o nó górdio, enfrentando todos esses grupos ao mesmo tempo.

É então morro abaixo mesmo, e isso é deprimente bagarái...

Brasil infelizmente é um país "half-mouth". Muitas pessoas preguiçosas, repórteres que relatam qualquer coisa sem verificar as informações, engenheiros que nem ciclovias conseguem projetar, médicos que fazem barbaridades e continuam "trabalhando", professores que ao invés de ensinar matemática, história, ciências e português, se preocupam com política de esquerda (aquela que não aguentou o peso de seus próprios muros), enfim somos um país corporativista que ao invés de punir aqueles que agem de forma errada, simplesmente varre a sujeira debaixo do tapete (com todos benefícios), nunca confrontando os erros. Não discutimos coisas simples como, fazer uma correção salarial justa para o servidor público que ganha até três salários mínimos, outro nível para quem ganha até dez, e zero para quem ganha acimo disto. Acabar com mordomias e auxílios. O importante é mandar um recado de mudança, de austeridade (como em nossas casas). Infelizmente o recado dado, é que tudo continua como sempre (continuam os sem vergonhas, sem caráter, sem rumo). Esperar bons resultados sem mudanças de atitudes é a definição de loucura. Como o ser humano precisa de esperança, torço, mesmo que com pouca esperança, para um novo Temer, um novo Congresso após 28 de agosto de 2016...

O Brasil é um país em desenvolvimento que está saindo de 13,5 anos de governo de uma organização criminosa (segundo o pleno do STF). O preço a pagar é PMDB e Temer (barato).

Próxima coluna de Delfim no Pravda : distorcer o último artigo do Blanchard para atacar o DSGE .

Fala, Alexandre!!

Você sugeriria a leitura dos trabalhos do Minsky?

O artigo do Blanchard é bom demais!!!!!

Abs

Economista X

Não discutimos coisas simples como, fazer uma correção salarial justa para o servidor público que ganha até três salários mínimos, outro nível para quem ganha até dez, e zero para quem ganha acimo disto.

Ótima ideia ... genial! Pena que vem sido implementada de longo tempo. Puxa ... Não funcionou ... O pessoal "que ganha até três salários mínimos" está ganhando acima de dez com essa política 'soçial'. E não estão satisfeitos com a fala de perspectivas ... E o pessoal de "çima" também não está satisfeito com a possibilidade de ficar na turma 3 a 10 ...

Não pode simplesmente sugerir que pós doc ganhe um salário mínimo e terceiro ano primário fique com salários igualados ao STF ???

Prezado Alex
O que vc acha: o BC consegue segurar o dólar ou vai, mesmo, despencar de novo?
Abrs.

Alexandre, por que temos a maior meta de inflacao do mundo, a maior taxa de juros e ainda assim nao conseguimos cumprir a meta? Isso é muito intrigante.

O senhor foi deselegante com os funcionários públicos, ao afirmar que não se deve aumentar os nossos salários.

"O senhor foi deselegante com os funcionários públicos, ao afirmar que não se deve aumentar os nossos salários."

E o que você vai fazer a respeito, seu bosta?

Muitos colegas que acessavam o seu Blog,irão para de acessar.

Prezado Alex,
É possível estimar o montante de reservas necessário ? Ou quanto mais, melhor?
Abrs.

Eu estudei 2 anos da minha vida para passar em um concurso o público,já cortaram a nossa aposentadoria integral e agora querem cortar o nosso aumento salaria,uma classe que carrega esse pais merece respeito.

"Eu estudei 2 anos da minha vida para passar em um concurso o público"

Se estudasse mais teria um trabalho de verdade

"Muitos colegas que acessavam o seu Blog,irão para de acessar."

Oh! Agora não vou dormir de dia, nem comer de madrugada, de tanta preocupação

"É possível estimar o montante de reservas necessário ? Ou quanto mais, melhor?"

Há um nível ótimo, mas a determinação é complicada, para dizer o mínimo. O custo de carregamento joga contra no nosso caso, mas há benefícios do ponto de vista de seguro do balanço de pagamentos, assim como no que se refere ao perfil do passivo do setor público

Eu sou auditor estadual.O maior problema não é o salario dos servidores públicos, e sim a "cultura da sonegação" promovida pelas empresas que não recolhem adequadamente os impostos.

Alexandre, por que temos a maior meta de inflacao do mundo, a maior taxa de juros e ainda assim nao conseguimos cumprir a meta? Isso é muito intrigante.

Fica a pergunta:O senhor recolhe os impostos da sua empresa em dia? (Se o senhor se sentir constrangido e só não responder),não tenho a intenção de fazer patrulha.

100% kosher & proud of it.

E vc, tem culhão de se identificar e dizer se para seus impostos em dia?

Sou servidor público, também estudei para conseguir aprovação e o reajuste de praticamente todas as categorias é sim um problema. Chega a ser cretinismo em nossa conjuntura, com quase 12 milhões de desempregados, servidor advogar em causa própria por aumento. Ressalto que também é ridícula a posição do Governo em se valer da retórica de que, por já estar previsto, então é justificável e oportuno corrigir os já inflacionados salários de todos os poderes.

Como servidor público, o desconto e feito automaticamente.O maior problema da arrecadação não é o salário dos servidores públicos e sim da sonegação e do juro alto.

Ainda espero o culhão de se identificar e aproveitar para dizer se não recebe nada por fora. "(Se o senhor se sentir constrangido e só não responder,não tenho a intenção de fazer patrulha)".

"Ainda espero o culhão de se identificar e aproveitar para dizer se não recebe nada por fora."

Lacrou, Alex, lacrou!

No meu contracheque os descontos são feitos automaticamente.Os servidores públicos não podem pagar por uma conta que não é deles,os maiores problemas estão na alta divida ativa,na sonegação de impostos e no juro da divida publica.Atacando esses problemas ,não precisaríamos mexer no salario dos servidores públicos.

Responde aí cara: recebe por fora ou não?

Acho que trata-se de um troll. Não é possível alguém minimamente racional achar que - com os serviços de bosta entregues pelo estado com 45% do PIB - a solução seja dar mais dinheiro para o estado.