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terça-feira, 13 de março de 2012

Entrevista ao Broadcast

16:59 SCHWARTSMAN CONSIDERA EQUÍVOCO CÂMBIO ADMINISTRADO

São Paulo, 13 - É "equivocada" a avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, feita hoje no Senado segundo a qual administrar a cotação do real ante o dólar é a melhor forma de proteção do País em meio ao recrudescimento da guerra cambial, comentou à Agência Estado Alexandre Schwartsman, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central de 2003 a 2006. "O câmbio é flutuante, mas só flutua para o lado que o governo quer?", questionou. Para ele, o Poder Executivo está "estabelecendo metas para o câmbio", o que pode "colocá-lo no corner" em algum momento no curto prazo.

Segundo Schwartsman, caso os preços das commodities subam 20% por qualquer motivo, facilmente o câmbio alcançaria o patamar de R$ 1,70. Ele tem dúvidas se o governo faria intervenções nos mercados a vista e futuro de dólar caso a cotação da moeda ante o dólar registrasse desvalorização súbita. "Uma desvalorização forte do câmbio pode gerar uma megainflação, como ocorreu no final de 2010 e início de 2011. Não me parece ser uma coisa das mais inteligentes", disse.[não foi bem isso o que eu disse; eu falei que se o preço das commodities subisse e o governo corresse para impedir a apreciação do câmbio, teríamos uma forte aceleração da inflação, como observado no final de 2010 e começo de 2011

Para o ex-diretor do BC, é "um cretinismo atroz" do ministro da Fazenda dizer que os países avançados realizaram operações de centenas de bilhões de dólares de afrouxamento monetário para desvalorizar suas moedas e com isso elevar suas exportações, a fim de estimular o mercado doméstico. "Isso foi feito para elevar a demanda interna, basta ver que as exportações nos EUA têm um tamanho bem menor do que o seu PIB", apontou . Ele citou que os EUA vendem para o exterior US$ 1,5 trilhão em mercadorias e serviços, enquanto seu produto interno bruto é de US$ 14 trilhões. "No caso da Europa, as injeções de liquidez do BCE estão fortalecendo o euro perante outras moedas", destacou.

Puro Chute

Na avaliação de Schwartsman, "é puro chute" de Mantega quando diz que caso o governo não tivesse feito intervenções no câmbio nos últimos meses, a cotação estaria abaixo de R$ 1,40 e a indústria no Brasil estaria quebrada. "Eu duvido que ele tenha um modelo econométrico que mostre isso", destacou. O ex-diretor do BC disse que estudou a variação do câmbio com um modelo baseado em quatro variáveis - variação da taxa de juros, o índice de volatilidade Vix, o preço de commodities e a variação da cotação do dólar [relativamente às demais moedas] - e chegou a conclusão que o câmbio estaria hoje do mesmo jeito ao redor de R$ 1,70, sem as intervenções feitas pelo Poder Executivo.

De acordo com Alexandre Schwartsman, a ação administrada do câmbio pelo governo tem um objetivo claro: beneficiar a indústria. "Se eu fosse industrial, estaria feliz da vida com esse tipo de proteção. Mas para o Brasil, isso é péssimo", disse. Segundo ele, seria positivo para a economia do Pais outros fatores, entre eles a melhoria da gestão das contas públicas pelo governo, modernização da infraestrutura e redução da carga tributária sobre as empresas, o que incrementaria o ambiente de negócios e incentivaria os investimentos.

Na opinião de Schwartsman, a postura do governo de usar o câmbio para proteger a indústria não ajuda no combate da alta do IPCA pela autoridade monetária. Segundo ele, apesar do Palácio do Planalto ter uma visão de que o governo precisa balancear estabilidade de preços e crescimento da economia, pois inclusive o ministro Mantega reiterou que tem como objetivo fazer com que o PIB suba 4,5% neste ano, compete ao Copom dar a última palavra sobre a gestão da política monetária.

"A responsabilidade final para o controle da inflação é do BC", disse Schwartsman. "Mas parece que a meta de inflação de 4,5% não é a primeira, nem a segunda nem a terceira prioridade do Banco Central", ponderou. "O regime de metas de inflação está morto e enterrado", disse. "Como as expectativas para o IPCA estão subindo e o BC ainda corta juros?", perguntou.

O economista ponderou que em dezembro de 2011 o BC manifestou que num cenário que leva em consideração algumas variáveis, entre elas a Selic a 9,5%, a inflação alcançaria 5,3% em 2013. "Mas agora, o Copom cortou os juros para 9,75%, que deve ir para 9% em abril. Com a redução dos juros pelo BC, a inflação deve ficar ao redor de 5,5% em 2012 e no ano que vem ficará acima disso. A meta de inflação de fato é 4,5%?", destacou. (Ricardo Leopoldo)

- Câmbio flutuante é bom se flutuar para cima
- Mas não muito pra cima, senão é bom que flutue para baixo
- E aí é bom que flutue para cima
- E depois para baixo...
-Aí então (etc, etc)

Reações:

4 comentários:

Ficou bou essa foto do pândego.

Quando você está amparado num modelo, fica mais fácil analisar o problema. Se o modelo é bom, as previsões ou prescrições seriam adequadas. Claro, os modelos trazem simplificaçoes da realidade. Vejo que este post traduz o que digo. Por isso faço algumas observações. Em primeiro, como câmbio envolve todos os paises que se comunicam pelo seu balanço de pagamentos, direta ou indiretamente, o efeito dos preços das commodities tem que se dar também nesses outros países e portanto seria dificil precisar seu efeito no câmbio local. Nesta mesma linha, as previsões para os outros países teria que se confirmar também, quer numa direçao , quer noutra. Em segundo lugar, o efeito das commodities teria que se dar em mão dupla e não sei se, de fato, isso ocorreu.

Pelo jeito temos um longo caminho de queda dos juros pela frente...

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,mantega-acena-com-juro-de-6-e-promete-pacote-para-a-industria,105942,0.htm

Será que vamos partir pro modelo Kichner de metas de inflação? Eu finjo que cumpro e o mercado finge que acredita (até porque se não acreditar tem censura).

Será que a bolsa vai ser o melhor investimento do ano?

Será que Sarney vai ficar orgulhoso da Dilma?

Mistérios...

Caro Alex, é parte do senso comum a estreita correlação entre “governos populistas” e inflação. O atual momento parece deixar claro o motivo. A inflação é a melhor variável de “ajuste” quando se quer estar bem com “todos os aliados”, cada qual com sua boquinha respectiva teta (o que engloba quase todo mundo mesmo), sem se responsabilizar por eventuais frustrações de expectativas. Afinal a inflação não é fruto de uma deliberação direta do governo... é, por assim dizer, um acidente – um “governo populista” é sempre um governo opaco. A incompetência do atual governo em particular, e a do Estado Brasileiro como um todo, ainda é amplamente subestimada. Estamos produzindo, passo a passo, uma estagflação genuinamente nacional.