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domingo, 4 de setembro de 2011

Crédito a quem merece: Professor Oreiro sobre a recente redução da SELIC

Gostei do artigo do professor Oreiro sobre a redução em 50 b.p. da SELIC.

Em suas palavras:

(...) A justificativa vinculada na grande mídia é que o BCB estaria se adiantando ao agravamento da crise econômica internacional para não repetir os erros de 2008. Trata-se de um evidente non sequitur. Em primeiro lugar não está claro que a atual desaceleração do crescimento na Europa e nos EUA irá resultar, inexoravelmente, numa crise financeira de grandes proporções como se observou em setembro de 2008. Até agora, repito, o cenário é de soft-landing. Em segundo lugar, caso um novo “momento Lehmam” (sic) ocorra no futuro próximo, nada impede a realização de uma reunião de emergência do Copom onde se decida por uma redução forte e imediata da Selic...

... se um novo “momento Lehmam” (sic) não ocorrer podemos antecipar uma forte expansão da demanda agregada (e dos custos de produção das empresas) em 2012 em função (i) da redução da taxa real de juros; (ii) da forte elevação do salário mínimo em termos reais; (ii) da manutenção da taxa de desemprego em níveis históricamente baixos. Nesse cenário uma elevação da taxa de inflação para 8% a.a não é improvável. (grifo meu)

Reações:

36 comentários:

Só o pessoal do BC mesmo é que não percebe a pataquada que estão fazendo.

Tem alguma coisa errada nesse mundo. Oreiro dizendo que o corte foi errado... Mantega, Bresser e Delfim defendendo a necessidade de um ajuste fiscal para, enfim, conseguir reduzir a taxa de juros .... Será que eles finalmente compreenderam???

De fato, o mundo parece estar de pernas para o ar, “O”.

Eu gostei dessa: “Se nada for feito para impedir isso do lado da política econômica, o que demandaria uma elevação DROCINIANA da taxa de juros para abortar na marra a aceleração inflacionária”

Considerando o curioso erro de digitação, o que nos garante que “8%” também não foi outro?

Não sei bem por que lembrei esta

Em 21 de abril de 1965, dia comemorativo de Tiradentes, estreou no RJ o musical “Liberdade, liberdade”, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel. Era, por óbvio, um musical de protesto em uma época de clima político já bastante tenso. O musical teve vida relativamente longa, mas acabou morrendo com a censura.

Conta-se que no ensaio final aberto a convidados o arquiteto Lúcio Costa ficou incomodado com as cadeiras da plateia que rangiam a não mais poder. Não tendo uma solução técnica para o problema, Millôr apelou ao humor. No primeiro ato, em meio a rufar de tambores e jogos de luzes, encenava-se o julgamento de Sócrates. Ao final da cena o palco escurecia completamente. A luz geral volta e no palco estão Paulo Autran, Nara Leão, Oduvaldo Vianna e Tereza Rachel.

Vianna volta-se para plateia e bem sério e em tom firme e autoritário:

“E aqui, antes de continuar este espetáculo, é necessário que façamos uma advertência a todos e a cada um. Neste momento, achamos fundamental que cada um tome uma posição definida. Sem que cada um tome uma posição definida, não é possível continuarmos. É fundamental que cada um tome uma posição, seja para a esquerda, seja para a direita. Admitimos mesmo que alguns tomem uma posição neutra, fiquem de braços cruzados. Mas é preciso que cada um, uma vez tomada sua posição, fique nela! Porque senão, companheiros, as cadeiras do teatro rangem muito e ninguém ouve nada.”

O Oreiro no Banco Central me faria um homem rico. MUITO rico...


Abracao

Nossa, bom mesmo o texto do Oreiro. Será que é ele mesmo? Talvez o site tenha sido invadido..

Sabe, depois de ler o artigo com atencao, eu fiquei com a impressao de que o professor bebe um pouco. Talvez nao tao pouco. Num sei porque...

E viva o Conde Drocon!


Abracao

E a briga continua

Agora, lê-se no blog do Oreiro

"Se nada for feito para impedir isso do lado da política econômica, o que demandaria uma elevação DROCONIANA da taxa de juros."

hehehe

Finalmente,

Se nada for feito para impedir isso do lado da política econômica, o que demandaria uma elevação DRACONIANA da taxa de juros para abortar na marra a aceleração inflacionária.

Até que enfim! Deve estar acompanhando seus comentários por aqui.

Eta cachaça boa de Porissunanga!

"O"

Wow! Estou apertando F5 sem parar, para ver se estou no blog certo!

Alex, o que você acha de novamente as LFTs estarem sendo acusadas de serem uma causa importante da dificuldade da queda dos juros no Brasil? Como você percebe a possibilidade do BC reduzir a Selic na marra e com isso espantar os carregadores de LFTs para outros títulos (NTNb e LTN). Como a curva nesse processo deverá ficar muito inclinada o efeito na demanda estaria limitado? Será que o BC pode num momento desse tensionar o mercado para melhorar seu perfil de endividamento?
Fernando A.

"Até agora, repito, o cenário é de soft-landing. "

Esse negócio está mais para estacionado no hangar a espera de peças de reposição, combustível e tripulação treinada, pois com o que tinha foi preciso arremeter na última tentativa de decolagem, agora a reforma vai ser mais cara e demorada.

Quando os pé trocados concordam é um sinal que não deve ser desperdiçado.

A taxa nominal caiu 0,5%, ele preve a inflação vai subir mais que 0,5% e a taxa de juro real tá caindo?

Alex e outros,

Aos fatos:

- Mantega e equipe anunciam reforma fiscal e dizem que agora os juros podem cair;

- Tombini corta a selic em 50 bps

- A 'responsabilidade' de mostrar que juros mais baixos cabem com inflação na meta está com a política fiscal.

Agora, ou há de fato uma política fiscal restritiva, ou a inflação vai acelerar, perigando furar o topo da meta.

Na segunda hipótese, Tombini e equipe explicitam em carta ao CNM toda a incapacidade do min. da fazenda de walk the talk e cumprir aquilo que disse.

Seria uma boa prova de que o min. da fazenda foi incapaz de entregar o prometido e o faria alvo da reforma ministerial de 2012.

Estaria Tombini (afinal, ele eh phd) abdicando do mandato de entrar a inflação na meta e fazendo o nosso ministro da fazenda tropeçar na propria lingua?



The Anchor

Anonimo das 22:52:
É exatamente pelo fato do juro nominal cair e a inflação subir que fará com que o juro real caia, afinal de contas o juro real é dado pela diferença entre a taxa nominal e a inflação esperada. Ok?

"Estaria Tombini (afinal, ele eh phd) abdicando do mandato de entrar a inflação na meta e fazendo o nosso ministro da fazenda tropeçar na propria lingua?"

Voce esta sobreestimando a capacidade estrategica do rapaz.

Alguém tem dúvida que o juro real vai pra 2%, como prometeu a presidente?!

Nenhuma. Com a expectativa de inflação "lambendo" (já estamos com juro real na casa de 4,9%), não precisa muito para chegarmos aos 2%: só mais um pouquino de queda de juro e outro tantão de subida de inflação esperada.

Mas eu acho que os juros reais não ficam nos 2% apenas. As expectativas de inflação ainda se concentram dentro da banda do regime de metas de inflação, porque o banco central ainda tem um pouco de credibilidade a gastar.

Mas se este estoque de credibilidade se exaurir, não há nada que segure as formações de expectativas, que podem pular de 5.5% para 12% sem nem passar pelos 8% que o Oreiro mencionou.

"O", a situação é ainda mais desconfortável pq estamos no topo da meta e não há espaço para acomodar choques, qualquer desvalorização cambial mais robusta empurrará os preços para cima.
Pensei que ter um Phd nos EUA bastasse para não fazer lambanças...

Engraçado pessoas que se dizem novos-keynesianos darem tanto peso para expectativos dos agentes na formação da inflação...

Vocês acham que o fato do Oreiro ser ligado a partidos de oposição ao governo da Dilma influencia a análise dele?

Enquanto isso, o Reinaldo Azevedo vira heterodoxo...

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/inflacao-avanca-037-em-agosto-e-ja-acumula-mais-de-7-em-um-ano-ou-nao-da-mais-para-prender-os-supeitos-de-sempre/

Vitória heterodoxa no Brasil. Pior para o Brasil.

"Engraçado pessoas que se dizem novos-keynesianos darem tanto peso para expectativos dos agentes na formação da inflação..."

Você leu o Woodford? Blinder? Bernanke? Galí?

"Engraçado pessoas que se dizem novos-keynesianos darem tanto peso para expectativos dos agentes na formação da inflação..."

Mais engraçado ainda é palmeirense no Parque Antartica vestindo camisa verde KKKK

"O"

Como as letras do Tesouro remuneram a soma de: tx juros selic + inflação, FICA TUDO IGUAL para o investidor estrangeiro. Diminui a tx de juros, mas aumenta a inflação. Para o investidor estrangeiro o que interessa é a soma das duas parcelas da remuneração da LTN, em comparação com o dólar e se este está baixando, o seu rendimento é ainda melhor.

Nossa, até o Oreiro discordou!!

O BC mandou muito mal mesmo!

O peso que vocês dão é típico de novos-clássicos e não novos-keynesianos. Nada contra, mas para mim fica meio contraditório...Muito novos keynesianos enfatizam a existência de rigidez nos preços, como Mankiw e David Romer.

"O peso que vocês dão é típico de novos-clássicos e não novos-keynesianos. Nada contra, mas para mim fica meio contraditório..."

Volto a insistir para que dê uma olhada na literatura novo-keyenesia a respeito.

Por acaso (nem tanto, porque foi recomendação do "O") estou com o "Unemployment Fluctuations and Stabilization Policies - A New-Keynesian Perspective" do Jordi Galí em mãos.

Pelo autor e título já se imagina a corrente do autor, certo?

Neste livro ele mostra como a curva de Philliips novo-keynesiana (wage inflation equation) vem justamente de...

1) Rigidez de preços (tipicamente pela abordagem do Calvo - não, não há qualquer relação comigo); e

2) Expectativas.

Capice?

Ok, Alex. Obrigado pelos esclarecimentos. Preciso ler um pouco mais sobre economia novo-keynesiana.