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terça-feira, 21 de junho de 2011

Que falta faz a aritmética

Impressionante como este pessoal não aprende. Depois da batatada da Fazenda, devidamente comentada aqui, temos agora o artigo de Fernando Ferrari e André Modenesi cometendo o mesmo erro. Vejam este trecho:

Nos últimos 12 meses, entre junho de 2010 e maio de 2011, o IPCA acumulou alta de 6,55%. A contribuição, aproximada, de cada grupo de produtos para o referido valor foi a seguinte: alimentos e bebidas, 2,0%; transportes, 1,1%; educação, 0,6%; despesas pessoais, 0,8%; vestuário, 0,5%; habitação, 0,8%; saúde e cuidados pessoais, 0,6%; artigos de residência, 0,1%; e comunicação, 0,1%. Os grupos alimentação e bebidas e transportes - influenciados pelo choque internacional das commodities - foram responsáveis por quase metade da inflação, nos últimos 12 meses.

Qual o erro? Não calcular qual o ritmo do aumento dos demais preços da economia. De fato, quem se desse ao trabalho de fazer as contas acharia que a inflação ex-alimentos no domicílio e ex-transporte estaria em 6,90% no últimos 12 meses (usando o IPCA-15 de junho; até maio seria 6,75%), acima, portanto, da inflação cheia.

Mas para chegar neste resultado temos que usar instrumentos sofisticados, como médias ponderadas e até divisão (!), indo muito além da subtração... Estas técnicas não devem ser discutidas na AKB.

Média...ponderada?

Reações:

37 comentários:

Quer dizer que a inflação não é de commodities?

Ai meu Deus!!!

Meu deus, esses Ferrari e Modenesi alem de nao saberem economia, sao ignorantes de aritmetica! Que selva que nos vivemos, hem? Cada mula!

Alex, nao me surpreende. Fui aluna do Ferrari, Economia Internacional II, pós-graduaçao. Falando rapidamente sobre a condição de Marshall-Lerner, ele não se lembrava exatamente do que significava o sinal era maior ou menor que um, e disse "vcs que gostem de matemática façam a conta (!) aí e descubram!". Repito, ele era professor de Economia Internacional!!!!!
Tb disse que não adotava o Obstfeld e Rogoff como livro base pq era muito pesados (matematicamente) para ele.
Estas e outras pérolas renderiam um loooongo comentário!

Vocês já viram as análises econométricas do Modenesi?
Essa é curta e divertida (pp. 80-83): http://www.ppge.ufrgs.br/akb/dossie-crise-II.pdf

Prezado Alex,

Presumo que, com uma ferramenta que gerenciasse as informações, nesse nível de detalhes, a nossa inflação seria bem maior?

Veja:

http://www.nytimes.com/interactive/2008/05/03/business/20080403_SPENDING_GRAPHIC.html

Realmente tem gente que deveria ter repetido alguma série do primário ou do ginásio por não dominar todas as 4 operações básicas da matemática.

Cnpq...nosso dinheiro tá sendo gasto nisso dai

O alegado erro matemático não invalida o argumento fundamental do artigo: não há como se afirmar que há uma inflação de demanda. É claro que, para os 'astutos' seguidores deste 'brilhante' blog, mais vale a tentativa de desqualificar o autor e não o contra-argumento. Ademais, como estava o Brasil quando os 'brilhantes matemáticos' (pseudo-economistas) da PUC e GV ditavam as regras econômicas??? Acho que não precisa de muita matemática para a resposta!

Eu acho que o que a fazenda antes e talvez os dois mencionados agora quiseram dizer e' quanto seria a inflacao com os precos de alimentos estaveis.(mantidos os pesos)

Modenesi para o BC.
estou achando que ate eu posso me dizer economista.

"O alegado erro matemático não invalida o argumento fundamental do artigo: não há como se afirmar que há uma inflação de demanda."

Nao, de forma alguma; os preços ex-alimentos e ex-transportes crescem quase 7% ao ano e não se trata de problema de demanda... Francamente...

"Eu acho que o que a fazenda antes e talvez os dois mencionados agora quiseram dizer e' quanto seria a inflacao com os precos de alimentos estaveis.(mantidos os pesos)"

Como eu disse: a única operação que eles sabem fazer é subtração...

Um professor disse que a média de cada aluno seria 60% de notas de prova e 40% de notas de lista de exercício.

Um aluno ficou com média 6 nas provas e média 4 nas listas. Ao ver que sua média foi 5,2 o aluno foi indignado reclamar com o professor.

Professor minha média nas listas foi baixa e elas representam 40% da nota. O senhor deveria desconsiderar as listas, neste caso a minha média final seria 6/0,6 = 10,0.

O professor ficou impressionado com a clareza e genialidade do argumento e aprovou o aluno com média 10,0.

Responda rápido: Quem é o professor?

Veja bem Alex, o artigo é ruim - isso é fato - mas como já foi apontando no tópico de tempos atrás, se ao invés de refazer o índice com as devidas ponderações, considerar-se a hipótese que os preços em questão são constantes (alimentos e etc...) a aritmética não estará errada, podem passar de ano sem ter que ouvir sua ladainha, que a propósito só desqualifica o debate. Esse seu comportamento é algum trauma sexual com o pessoal da quermesse? Você andou sendo "bulinado" nos tempos da graduação por algum "quermesseiro" das antigas?

"se ao invés de refazer o índice com as devidas ponderações, considerar-se a hipótese que os preços em questão são constantes (alimentos e etc...) a aritmética não estará errada"

Neste caso o melhor é fazer a hipótese que estes preços estão caindo, né? Ou melhor, vamos fazer a hipótese que todos os preços estão caindo.

Isto não muda o fato que os demais preços da economia seguem crescendo a taxas inclusive mais altas que a inflação cheia, mostrando que se trata de uma elevação GERAL e PERSISTENTE do nível de preços, aka, INFLAÇÃO.

Quanto ao trauma sexual, comigo não, mas é um terreno pantanoso para uns e outros.

Confesso que recorri ao Google para saber que catso siginificava AKB, não é da minha época, ainda bem. Essa discussão é algo inútil,os preços estão subindo o próprio BC acordou e mudou a sua política, ainda que tardiamente, isso a despeito de manobras de preços controlados, como os combustíveis, só esqueceram de combinar com os usineiros pois o preço do etanol está em alta em plena safra. Penso que só tende a piorar, com os gastos públicos fora de controle, agora até por força de lei. Já escrevi aqui outras vezes que o sonho petista é trazer de volta as práticas dos militares, do Brasil grande, das "grandes obras", do populismo barato, estamos vendo tudo isso novamente e veremos também o que derrubou os milicos, ou seja o descontrole da economia, esse pessoal é de esquerda, mas nunca estudou dialética, afinal é meio complicado para eles, precisa pensar um pouco, mas no fim a população pagará a conta, com empobrecimento e uma ou duas décadas perdidas....

"O alegado erro matemático não invalida o argumento fundamental do artigo" ????

"mas como já foi apontando no tópico de tempos atrás, se ao invés de refazer o índice com as devidas ponderações, considerar-se a hipótese que os preços em questão são constantes (alimentos e etc...) a aritmética não estará errada" !!!!!!

Realmente, se acabar a alfafa do mundo muita gente vai ter problemas.

Se o desvio do IPCA da meta deve-se mais a fatores externos e climáticos (caso do etanol) do que a demanda, não justifica o BC acomodar os choques e evitar que o PIB cresça muito abaixo do PIB potencial?

Outro ponto: nunca vi um economista analisar profundamente a inflação de serviços. Por que não estudar os subitens mais relevantes que compõem o IPCA?

"Ademais, como estava o Brasil quando os 'brilhantes matemáticos' (pseudo-economistas) da PUC e GV ditavam as regras econômicas??? Acho que não precisa de muita matemática para a resposta!"

Para alguém responder, precisa de alguma matemática...
Como, por exemplo, conseguir entender que uma inflação de 40% ao mês é muito mais nociva que uma de um dígito ao ano.

Sugiro ao 'brilhante' comentarista o acesso ao site abaixo. Será de grande utilidade a boa parte dos heterodoxos.

http://bancodeatividades.blogspot.com/2009/09/matematica-primeira-serie.html

"Ademais, como estava o Brasil quando os 'brilhantes matemáticos' (pseudo-economistas) da PUC e GV ditavam as regras econômicas??? Acho que não precisa de muita matemática para a resposta!"

Esses brilhantes derrubaram a inflação de mais de 1000% a.a. para valores civilizados. Tá bom ou quer mais?

Ok, também introduziram o arranjo institucional vigente até hoje para a política econômica. Eu que pergunto: se está ruim, por que não trocaram?

"Se o desvio do IPCA da meta deve-se mais a fatores externos e climáticos (caso do etanol) do que a demanda"

Esta é a questão: se fosse isso, veríamos os preços de alimentos e combustíveis subindo muito acima dos demais, que estariam bem comportados. Mas, como mostrei, eles sobem à velocidade de quase 7% ao ano. Entendeu?

Alexandre, mas isso é nos últimos 12 meses, não? E no acumulado de 2011? Outra questão: o IPCA vai começar agora e nos próximos meses a sentir o impacto do ajuste da Selic, que não é pequeno, além da moderação da alta das commodities, o que aponta para um cenário dovish para a inflação.

Com relação aos serviços, você não concorda que faltam análises mais aprofundadas dos economistas que trabalham com conjuntura? Por que não analisar os subitens do IPCA com lupa?

"Responda rápido: Quem é o professor?"

hahaha anônimo, que tal esse caso.

O aluno tirou 6 na prova e 4 na lista de exercício.

No dia da entrega de resultados, o professor comunicou ao aluno que ele tinha sido reprovado: estava com média 4.

Aí o aluno perguntou: por quê?

O professor respondeu: ora, suponha que você tivesse tirado zero na prova...

Abs

Leo

"Alexandre, mas isso é nos últimos 12 meses, não? E no acumulado de 2011? "

Usando o IPCA-15 de junho como se fosse o fechado, teríamos 4,13% ex-alimentos e combustíveis e 4,21% ex-alimentos e transporte. O IPCA cheio seria 3,95%.

Mês-a-mês desde janeiro para o IPCA ex-alimentos e ex-transportes teríamos:

0,53 1,12 0,60 0,61 0,68 0,60

Ex-alimentos e combustíveis ficaria assim:

0,75 0,99 0,70 0,50 0,52 0,60

Olhando para estes números um economista sério diria que a inflação resulta de alimentos e transporte (combustíveis)?

Mas Ferrari e Modenesi não são sérios ou economistas.

Lucas deixe de ser bobo, controle seus hormônios e repita menos as piadas dos outros. Quando falei sobre a forma como montavam o índice quis mostrar que não se trata de um erro matemático de um idiota mas de uma forma equivocada de enxergar o problema . . . Vai estudar pra não ter que ficar dividindo a alfafa com os outros . . .

Food for thought: de fato, Ferrari e Modenesi são bastante abaixo da crítica. No entanto, a culpa de se publicar such piece of shit é deles ou da editora de opinião (Maria Christina Carvalho) do Valor? Como anda o filtro do que é publicado no que deveria ser o melho jornal de economia do país? Qual é o papel de um editor?

Anônimo,

Não se preocupe. Pode ficar com toda a alfafa para você.

Quem causa essas confusões no público em geral (e na imprensa, principalmente) é o IBGE.

São eles que divulgam os números do IPCA com afirmativas do tipo "Os preços dos alimentos foram os que mais contribuíram para a o índice de março"

Uma reportagem-padrão fica assim:

"Os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) divulgados hoje pelo IBGE revelam que, de março para abril, o aumento dos preços dos alimentos passou de 0,40% para 1,28%, e o grupo foi responsável por cerca da metade do IPCA-15 de abril, com contribuição de 0,28 ponto porcentual para a taxa de 0,59% do mês."

Alexandre,

à luz dos números, não dá mesmo para dizer que o IPCA aumentou somente por alimentos e combustíveis. Quando você calcula IPCA ex-alimentos e ex-transportes, você recria o IPCA sem os dois grupos, reponderando os grupos restantes, não é isso? Mas, não cabe a ressalva que este "novo IPCA" na verdade não representa fielmente uma cesta do consumidor, afinal você exclui 40% do IPCA? Ainda assim, capta aumentos em tarifas de ônibus, água e esgoto, mensalidades escolares que não se repetirão na mesma intensidade até o final do ano.

haahahahahah

Muito feio mesmo!!!

Alex, gostaria que vc tbm comentasse o erro do André Lara na coluna dele no valor.. Errou feio numa identidade nacional, disse que Déficit público = Popuança privada + Poupança externa..

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/16/a-curto-prazo-remedio-para-o-juro-alto-e-cortar-o-deficit-publico

Pobre Lucas seus hormônios a flor da pele vivem lhe pregando peças, além de repetir piada alheia com frequência não consegue perder a oportunidade do silêncio.

Alexandre,
Não fui aluno do Ferrari, mas tive colegas que foram na graduação em Economia na UFRGS.
Certo dia, esse senhor foi ministrar uma aula sobre os tipos de regimes cambiais, e começou enumerando-os: câmbio fixo, flutuação suja, câmbio flexível.
Ao chegar no tópico câmbio flexível ele riscou o tópico no quadro e disse: "Isso aqui não é importante, não serve pra nada mesmo".
Welcome to the jungle, baby.

Ainda bem que aqui tem bastante gente que entende de aritmética (sic), pq entender de economia aqui está difícil...

Alexandre, você pega no pé do Oreiro mas o Adolfo escreveu uma asneira muito maior que qualquer uma do gordinho: "Vamos repetir: choques monetários SÓ AFETAM a atividade econômica se forem uma completa surpresa". O que se passa? Quer dizer que só porque o cara é de direitcha ele pode rasgar tudo que se escreveu em teoria macroeconômica nos últimos 20 anos? Por que tem tanto cabra burro e vagabundo no Brasil?

Essa do Adolfo foi complicada, ele perdeu uma oportunidade de ficar calado.

Mas o que tem a ver ser de direita com isso? Desde quando teoria monetária define o espectro político em que o indivíduo se enquadra?

O Friedman é considerado de direita e acreditava no poder da política monetária.

Há marxistas nos EUA que criticaram a política de salvamento dos bancos feita pelo FED.

As pessoas têm muita dificuldade em separar os conceitos ortodoxia, heterodoxia, liberalismo, intervencionismo, direita e esquerda.

Você pode ser ortodoxo, de direita (costumes) e comunista - vide Oskar Lange.

Abs

Leo

Devo dizer ao menos que o Prof. Ferrari é consistente. Comete esses erros mesmo fora dos canais de comunicação.
Ter aula com ele foi uma das experiências mais inusitadas que eu tive na UFRGS, escatologias à parte.

Difícil de acreditar que ele é o professor da UFRGS com maior projeção na televisão...ou talvez nem tanto, afinal, todo brasileiro gosta de novela.

Atenciosamente,
Um ex-aluno do Ferrari.
Ou talvez todos.