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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A República dos Abestados

De vez em quando, minha capacidade de filtrar ou relevar notícias ruins chega ao limite e tenho que desabafar. Esta semana foi barra pesada.

Primeiro, o Alex postou sobre o retorno do discurso protecionista entre nossos grandes ‘empresários’. Deprimente.

Depois, o Cláudio Shikida me levou para o Coturno Noturno, que por sua vez me apresentou para esta monstruosidade, um manifesto de uma organização de blogueiros oficialistas, digo progressistas, pela nassifização da blogosfera:

Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela blogosfera progressista (...)

Mas nada me preparou para algo que vi citado no blog do ótimo Mansueto Almeida, esse texto do professor Antonio José Alves Junior (veja o texto inteiro aqui), que apresenta um argumento que eu já havia ouvido anteriormente da boca de um economista estrangeiro de banco narrando um argumento que ele teria ouvido em Brasília, mas pensei que estava parodiando:

(...) a política de crédito direcionado vigente favorece a eficácia da política monetária.

(...) Assim sendo, não fosse a atual política de crédito direcionado, que mantém estáveis os custos do financiamento do investimento, o aumento da Selic prejudicaria desproporcionalmente a formação de capital.

(...) O efeito do aumento da Selic, ao ser canalizado pelo crédito livre, pode ser empregado para ajustar os gastos em bens de consumo, cujos preços formam o IPCA, enquanto o crédito direcionado, ofertado em condições estáveis, contribui para a manutenção do nível dos investimentos. Dessa forma, a expansão do crédito direcionado, neste momento de incerteza, impulsiona a economia brasileira rumo ao crescimento acelerado e não inflacionário.


Em outras palavras, segundo o professor Alves Junior, a SELIC deve aumentar para contrair a demanda, mas ao mesmo tempo o erário deve oferecer um subsídio aos tomadores do BNDES (Petrobrás, Vale, Friboi...) para que a demanda não se contraia.

Isto me remete então para a pergunta clássica da nassifologia: ele escreve isso porque é um boçal ou está de sacanagem?

Professor do Departamento de Economia da UFRuralRJ diz que transferências dos contribuintes para os acionistas das empresas tomadoras do BNDES aumentam a eficácia da política monetária.

A resposta neste caso é cristalina: os abestados somos nós.

Reações:

45 comentários:

E por falar em abestados, o nosso espetacular líder econômico, além de burro, é insistente! Manchete da FSP de hoje(sexta)

"O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que os empréstimos concedidos pelo Tesouro ao BNDES terão impacto positivo de quatro pontos percentuais no crescimento da economia neste ano. Na prática, significa que mais da metade da taxa de expansão do PIB será decorrente de empréstimos que somam R$ 180 bilhões ao banco de fomento, considerando a projeção de alta de 7% para a economia neste ano."

Esses presentes, digo, empréstimos do BNDES são milagrosos!!!

Pessoal,

Estou procurando o tão aguardado estudo técnico do BNDES, mas só encontrei essa apresentação que algum estagiário deve ter feito:

http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Institucional/Sala_de_Imprensa/Galeria_Arquivos/apresentaxaotesouro_final.pdf

Alguém encontrou o estudo, ou não tem mais nada mesmo?

Rodrigo

Você não tem muita moral para falar dos blogueiros progressistas. Enquanto eles têm o ideal de uma imprensa livre, porém, não manipuladora como a atual, que luta desesperadamente para eleger o Serra e mostra de forma patética e tendeciosa os aspectos negativos de Lula e Dilma, você não passa de mais uma "Reinaldete" facista, que quer juros altos para ganhar um bônus maior. Vê se cresce e deixa de ser esse economista patético.

Alguém anda nervosinha...

galera, já que é para falar do avanço das bestas, saquem essa sobre a ocupação do JB no Rio e a negação da SPU em zelar pelo mesmo:

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/08/18/secretaria-de-patrimonio-da-uniao-defende-invasores-em-vez-do-jardim-botanico-917426232.asp


tá td dominado...

O que faltou comentar e que o cara da UFruralRJ e chefe de relacoes com o Governo, la no BNDES. Ou seja, uma opiniao completamente isenta para discutir sobre o tema.

“facista”? O que essa palavra significa? Alguém que faz faces?

Ou seria uma tentativa do dito Roberto Campos de dar mais ênfase a meu argumento de que estamos nos tornando um país de abestados?

Roberto Campos

Você conhece Alan Badiou? Já leu Stendhal? Sabe que é Auerbach?

Alan Badiou é um filosofo francês anticapitalista e afinado com a esquerda europeia. Não é um Zizek, que é uma das bestas quadradas do esquerdismo pop revolution do momento. Badiou é mais sofisticado e, portanto, bem menos conhecido e muito menos lido nesse estranho mundo das ciências sociais da Botocúndia (by Monteiro Lobato).

O que nos conta Badiou em Qu’est-ce qu’un thermidorien? (Kintzler, C. ; Rizk, H. La république et la terreur. Paris: Kimé, 1995) aplica-se como uma luva à realpolitik dos “blogueiros progressistas” et caterva. E, acho, também a você.

1. Os termidorianos mataram mais adversários do que os jacobinos em todo o governo de Robespierre.

2. Os termidorianos são os remanescentes jacobinos do Terror, constituindo o grupo corrupto do que restou do jacobinismo. Jogaram fora o discurso “bravateiro” da virtude e mantiveram o procedimento terrorista de Estado, ampliando-o com a ascensão de Napoleão. Com a inestimável ajuda desses egressos do jacobinismo, o período napoleônico ficou conhecido como um jeito de governar pelo medo. Assim, nessa aliança “bons patriotas” a sociedade foi entregue às mãos da polícia, da censura, da propaganda. Isso, claro, com a ajuda dos “bons franceses”, os que espionavam a vida dos cidadãos ou “simples caseiros” para os governantes.

3. Quando na revolução o terror e a radicalização das massas atinge seu ponto máximo, Robespierre é entregue à guilhotina em nome da “governabilidade”.

4. Ao contrário do reza a lenda, Badiou mostra que “os termidorianos históricos não são os aristocratas exilados, os restauradores, ou mesmo os Girondinos. São as pessoas da base robespierrista da Convenção”.

5. Por fim, o retrato do esquerdista termidoriano, que nos é bastante familiar: sempre à procura de um cargo público em troca das precárias convicções “de esquerda”. O termidoriano conspira ativamente para por em marcha o golpe de Napoleão e também para se livrar da incômoda opinião pública.

6. Dos jacobinos esquerdistas associados ao projeto de Napoleão e à restauração monárquica, Badiou cita os casos mais chocantes de corrupção pela via das posições nos cargos públicos.

Quem pensa objetos pode ou não concordar com Badiou. Mas sua descrição minuciosa dos termidorianos é perfeita.

O peso da força policial e da censura no período napoleônico e na restauração monárquica praticamente liquidou qualquer possibilidade efetiva de vida cidadã. Esse tempo foi retratado por Stendhal em O vermelho e o Negro.

Em Mimesis (SP. Ed. Perspectiva), Erich Auerbach analisa o romance de Stendhal e examina o tédio de Julien Sorel nos salões e na vida pública. O enfado, diz Auerbach, “não é um enfado comum; não provém da casual estupidez pessoal dos seres humanos […]. No século 17 ou até no século 18, os salões correspondentes eram tudo menos aborrecidos. Mas o ensaio empreendido pelo governo bourbônico, com meios insuficientes, para reimplantar condições definitivamente superadas e condenadas fazia tempo pelos acontecimentos, cria nos círculos oficiais e dirigentes dos seus adeptos uma atmosfera de simples convenção, de falta de liberdade e de afetação, contra a qual o espírito e a boa vontade das pessoas implicadas eram impotentes. Nestes salões não se deve falar daquilo que interessa a todo mundo, dos problemas políticos e religiosos e, conseqüentemente, também não da maioria dos temas literários da época ou do passado imediato; quando muito, podem ser ditas frases oficiais, que são tão mentirosas, que um homem de gosto e de tato prefere evitá-las. Que diferença com a ousadia espiritual dos famosos salões do século 18, que, evidentemente, nem sonhavam com os perigos que desencadeavam contra a sua própria existência!”.

Como se vê, tudo muito tristemente familiar.

Zizek? Alguém leva a sério esse coiso?

Este outro trecho da carta dos blogueiros é sensacional: "Contudo, produzir um blog independente, no Brasil, ainda é um ato de heroísmo porque não existem meios sólidos de financiamento para exercer a atividade profissionalmente, ou seja, obtendo remuneração."

Mesmo não tendo custo algum fazer um blog e mesmo com a maioria dos posts progressistas sendo redigidos de sindicatos e repartições públicas ociosas, não há dúvida de que um blogueiro humanista não consegue se viabilizar se não obtiver um chupadela suplementar nas tetas estatais. Afinal a total independência de um blogueiro só pode ser totalmente guarantida pela total dependência do dinheiro público.

Esate post foi de uma contribuicao imensa ao desenvolvimento da ciencia economica, como tudo o que o "O" posta...

Triste ver como o Luis Nassif fez escola.

Anônimo 21:55: Muito obrigado pelo elogio.

"Professor do Departamento de Economia da UFRuralRJ diz que transferências dos contribuintes para os acionistas das empresas tomadoras do BNDES aumentam a eficácia da política monetária."

O pior é que se autodenominam "progressistas" (ou desenvolvimentistas).
Como entender esta turma que se diz de esquerda? Doar tributos para acionistas esttrangeiros de empresas que atuam no Brasil (brasileiras apenas no momento)?
Isto teria que ser discutido e aprovado pelo congresso (no orçamento).

“O”

Para efeito de esclarecimento. Não tenho afinidade moral e intelectual com as conjecturas antiliberais de Badiou, que despreza o Estado de direito, a democracia representativa e a economia de mercado. O texto citado, no entanto, apresenta um conceito de termidoriano interessante, e que colocou em cheque a historiografia clássica da revolução Francesa, o marxista Soboul incluído, a qual periodiza o fim do Terror no 9 Termidor (maio 1793/julho 1794).

Badiou mostra que isso não é verdadeiro. “A Convenção Termidoriana foi, ela mesma, fundada num massacre terrorista. Robespierre, Saint-Just, Couthon, foram executados no 10 Termidor, com dezenove outros, sem nenhum julgamento. Em 11 Termidor, a quantidade é de 71 mortos, a mais elevada de toda a revolução".

Nesse texto, Badiou, ao contrário da historiografia clássica, sobretudo a marxista, afirma que o 9 Termidor não representou o fracasso jacobino (o que os marxistas até hoje lamentam e o ex-maoista[?] Badiou também. Em uma entrevista), classicamente apresentado como o momento da “transmutação dialética” que totalizou o processo revolucionário em curso em sua essência burguesa.

Para Badiou, não se pode falar em fracasso da política jacobina, mas sim no fim da política jacobina. Grosso modo, pode-se pensar Badiou como fundamentalmente um leninista em política. Isso é o que eu penso pelo pouco que li desse autor.

Bem diferentes são Erich Auerbach e o majestoso Mimesis.

"O efeito do aumento da Selic, ao ser canalizado pelo crédito livre, pode ser empregado para ajustar os gastos em bens de consumo, cujos preços formam o IPCA, enquanto o crédito direcionado, ofertado em condições estáveis, contribui para a manutenção do nível dos investimentos."

Que macroeconomia é esta? Dentro dos meus poucos conhecimentos, isto é uma retórica ridícula.

A decisão de uma empresa aquirir uma máquina nova ou uma pessoa adquirir uma bicicleta são decisões bens diferentes. Pode parecer mais importante a aquisição de uma máquina, mas ambas significam, no curto prazo, maior demanda por aço. E investimento, no curto prazo, é só demanda e também atua para elevar a inflação. Ele ainda não eleva a capacidade produtiva da economia.

Não é simplesmente conter a inflação dos ítens que compõem o IPCA. A polítca de contenção de demanda perde a eficácia com a atuação do BNDES sim, pois você não consegue atingir toda a cadeia.
E aí surge a ironia que todo mundo diz, a dose dos juros acaba sendo exagerada sobre os menos favorecidos, que pagam os juros altos (por conta da ineficácia da política monetária ) e impostos altos (por conta dos subsídios ao BNDES).

Alex ou "O" uma "curiosidade":Durante o mestrado/doutorado vocês viravam a noite estudando?

Legal Paulo. Já vimos que você leu um monte de bobagem. Agora, vai procurar um blog de sociologia...

Virava a noite frequentemente, e ainda faço isso muito mais do que deveria, mas sem loucura. Quando eu terminei o doutorado, minha saúde estava péssima. Mas recuperei. Mais de dez anos depois, de vez em quando jogo 90 minutos de futebol em campo oficial, no calor úmido. Se eu tentasse isso nos tempos do doutorado, teria um piripaque em 5 minutos (largar do stress de publicar melhorou minha vida demais...)

De todo modo, meu exemplo não e' regra, tive colegas do doutorado que velejavam, corriam maratona etc e ainda assim conseguiram escrever a tese no mesmo tempo que eu.

“A decisão de uma empresa aquirir uma máquina nova ou uma pessoa adquirir uma bicicleta são decisões bens diferentes. Pode parecer mais importante a aquisição de uma máquina, mas ambas significam, no curto prazo, maior demanda por aço. E investimento, no curto prazo, é só demanda e também atua para elevar a inflação. Ele ainda não eleva a capacidade produtiva da economia.”

Rogério, você quase acertou na veia, mas pegou meio de lado... A restrição não é a quantidade de aço – que afinal é um bem comercializável – mas sim o mercado de trabalho. Se o BNDES for usado para gerar um boom de investimento, a pressão no mercado de trabalho (ou de outros fatores domésticos) é o que causa a necessidade de uma política mais restritiva para conter a demanda por consumo.

Em termos menos abstratos: se o boom de investimento causa excesso de demanda por mão-de-obra, o preço do corte de cabelo, do restaurante e dos manufaturados vão aumentar.

E não tenha dúvidas: esse processo já é visível em nossa conta corrente externa.

E não vai ser nada barato o preço do ajuste a algum choque negativo, digamos, uma redução no preço das nossas importações ou uma crise de confiança sobre os prospectos do pré-sal. Você acha que o governo vai reduzir os programas sociais, deixar os grandes conglomerados quebrarem ou dar o calote na dívida pública?

Eu acho que o P.A. deveria procurar o blog do Manicomio Judiciario.

Nao foi isso que ele falou nao, "O". Eu sei que e' bobagem falar pra voce deixar de ser desonesto, mas de qualquer maneira fica aqui o apelo mais uma vez.

Momento de catarse

mão de obra = bem não comercializável (dada a restrição à mobilidade)

Confesso que era a pecinha que faltava para entender a centralidade do mercado de trabalho. Saber eu sabia, mas não visualizava assim (resquícios de uma formação heterodoxa).

"Nao foi isso que ele falou nao, "O". Eu sei que e' bobagem falar pra voce deixar de ser desonesto, mas de qualquer maneira fica aqui o apelo mais uma vez."

Realmente não foi isto o que ele falou, ele falou coisa muito pior!


"É claro que se deve reconhecer que, durante o ano de 2009, como os bancos privados mostraram-se reticentes em realizar quaisquer operações de crédito, até mesmo as de curto prazo , coube ao setor público sustentar o volume total de crédito ."

Alex, o Santander não emprestou nem um centavo no ano passado? Viveu só da gestão de Fundos?

"No entanto, o ponto é que, em regra, a fatia do crédito direcionado em geral, e do BNDES, em particular, não concorre com os segmentos de interesse do setor bancário privado na aplicação do crédito livre."

Já aconteceu aqui uma discussão enorme sobre o BNDES e o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil. Procurem por ela aqui no blog

"É claro que esse ajuste não é trivial, especialmente nos momentos de pouca clareza quanto ao futuro da economia, tal como o que vivemos hoje."

Se o momento é de pouca clareza quanto ao futuro, como estes caras conseguirarm avaliar os projetos escolhidos para obter financiamento? Alguma coisa deve ser explicada aqui.

"É claro que a demanda agregada poderia sofrer maior contração caso os investimentos também sofressem maior redução, mas o ritmo de crescimento da oferta seria duramente desacelerado bem como seria elevado o desemprego. "

É isto aí! Inflação no presente é simplesmente maior oferta no futuro, pois como dizia o saudoso mestre Ignacio Rangel, a inflação sempre se estabiliza com o crescimento.


"No entanto, ao fortalecer as instituições financeiras públicas e determinar a expansão do crédito direcionado com taxas estáveis, o governo preserva as condições de financiamento da agricultura, do saneamento, da construção habitacional e, mais especificamente, no caso do crédito do BNDES, do investimento em máquinas, equipamentos e instalações produtivas."

Fortalecer? É o nome bonito que dão à chuva de recursos públicos para favorecer a "consolidação" de "setores estratégicos" feitos com uma precária análise de risco e retorno. Não são eles que pagam a conta.

" Todos reconhecem que essa política foi fundamental para a rápida recuperação da economia brasileira diante da crise financeira internacional."

Todos? Mas a pesquisa que definiu o resultado que todos concordam foi feita pelo Ibope ou Data Folha, pois temos que discutir a metodologia.

" O efeito do aumento da Selic, ao ser canalizado pelo crédito livre, pode ser empregado para ajustar os gastos em bens de consumo, cujos preços formam o IPCA, enquanto o crédito direcionado, ofertado em condições estáveis, contribui para a manutenção do nível dos investimentos . Dessa forma, a expansão do crédito direcionado, neste momento de incerteza, impulsiona a economia brasileira rumo ao crescimento acelerado e não inflacionário."

Aqui ele diz bem assim: juros altos e impostos altos agora e sempre para os pobres, e juros baixos e subsídios para os ricos!

O autor do texto, Antonio José Alves Junior, é um professor Doutor do Departamento de Economia da UFRuralRJ e Chefe do Departamento de Relações com o Governo do BNDES

Você confiaria em colocar sua poupança nas mão de um banco gerido por pessoas assim? O seu salário? Talvez não, mas colocaram 180 bilhões meu e seu lá.

Daqui a alguns anos, o BNDES não será gerido por economistas, mas por arqueólogos, terão muitos esqueletos para desenterrar.

Caros anônimos

Quando leio certos comentários eu e as minhas bobagens ficamos pensando o tanto que Itaguaí é aqui.

Eu ataco o antiliberalismo de serviço e os seus slogans anticapitalistas. Neste blog, eu ataquei a incultura da esquerda.

Ah! Se fosse possível fazer um teste com uma única pergunta dissertativa a respeito do que é o odiado neoliberalismo. Ah! Se indagássemos às hordas militantes nos seus blogs progressistas, e mesmo aos funding fathers do “jornalismo de serviço”, quantos livros eles leram do Hayke e do Mises ficaríamos sabendo que eles não leem essas bobagens. Pergunte-se a essa gente o que é o liberalismo e será fatal ouvir a costumeira peroração sobre o que o liberalismo NÃO É porque a escumalha NÃO SABE O QUE É.

“O” escreveu o post e aí um estafeta anônimo aparece e deixa um comentário que é exemplar da forma mentis militante: “‘Reinaldete’ facista” (sic) e “Vê se cresce e deixa de ser esse economista patético”. Confirmou, o estafeta, a atualidade e a pertinência da “pergunta clássica da nassifologia: ele escreve isso porque é um boçal ou está de sacanagem?”

Blog de sociologia é “de foder”... Pois é. Estultícia semelhante a do cara que se disse muito romântico porque adorava ler romances.

O que às vezes há é um hiperbólico cansaço e a sensação, o clima, colhido por Stendhal.

O Que Há

O que há em mim é sobretudo cansaço –
Não disto nem daquilo,
Nem se quer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo.
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém.
Essas coisas todas –
Essas e o que falta nelas eternamente – :
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvidas quem ame o infinito,
Há sem dúvidas quem deseje o impossível,
Há sem dúvidas quem não queira nada –
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

PS: Mas hoje, domingo, o dia está lindo e passeei no Parque com minha esposa.

Em termos menos abstratos: se o boom de investimento causa excesso de demanda por mão-de-obra, o preço do corte de cabelo, do restaurante e dos manufaturados vão aumentar.

A velha questão da doença holandesa? Esta pressão sobre a demanda estaria causando uma realocação entre os setores de comercializáveis e os não comercializáveis e pressionando a conta corrente? E qual é a fonte principal desta demanda (governo ou commodities)?

"Você acha que o governo vai reduzir os programas sociais, deixar os grandes conglomerados quebrarem ou dar o calote na dívida pública?"

Como a turma não se preocupa muito com a inflação, poderiam adotar a saída argentina? Calote na dívida pela manipulação dos dados da inflação oficial.

Daqui a pouco alguém volta a defender que a inflação é uma aliada do crescimento.

E sobre o pré-sal, que já foi insinuado aqui algumas vezes, há possibilidades de não ser tão confiável assim?

A corrosão da classe média nos EUA
17 por cento de desemprego
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100822/not_imp598475,0.php

o que Paul Volcker - falava a 10 anos atras, e porque esta com o rabo entre as pernas agora ?

e dificil de acreditar em um monte de teoria vomitada, a realidade parece que foge do controle de formulas e dogmas economicos,

por que Jim O'Neill considera parte do aumento de gastos no brasil algo inevitavel para o pagamento das dividas historicas sociais, e vc que seria um otimo franelinha para o Jim O'Neill nao ? porque sera , devo deduzir sozinho ?

"pagamento das dividas historicas sociais"

Que coisa é esta?

É a mesma questão da exploração de um recurso natural. A atual expansão dos gastos pode até atuar para reduzir desigualdades, mas faz isto de forma ineficiente e às custas de maior endividamento para o futuro.

Ou seja, beneficia os pobres de hoje às custas dos pobres de amanhã. E quem, da geração futura, deu esta procuração para a atua geração fazer esta gastança toda?

Investimentos em educação e infraestrutura beneficiariam muito mais a situação da atual geração e mais ainda da futura geração. A atual direção dos gastos faz o contrário.

Para reduzir a divida social elevamos a dívida publica, e comprometemos a nossa capacidade de pagamento (não há crescimento do investimento).

Discurso puramente pedante.

1. O tom e' diferente porque eu não estou tentando usar o blog para trazer negócios para meu banco. A linha de negócios do O'Neill e' trafico de influencia e conexões, não a minha.

2. Eu não tenho nada contra usar o gasto publico para redistribuição. Mas desde que seja redistribuição progressiva, como por exemplo o BF ou educação primaria e secundaria. E não o estado Robin Hood 'as avessas que e' defendido pela tua turma.

well done about the post, alex..or O.


Doutrinador

“pagamento das dividas historicas sociais"

Isso para defender a expansão da carteira do BNDES que qualquer adulto sabe, foi feita em grande parte para salvar uma certa mega-empresa e um certo mega-banco brasileiro que tomaram um corner nos derivativos cambiais.

Alex ou O,

Vocês leram isto? http://www.kotlikoff.net/content/us-bankrupt-and-we-dont-even-know-it

O que acham disso? Qual é a aplicação pro Brasil? Está o Brasil quebrado?

Abrs,

A

ótima dica do Delfim:

http://corecon-rj.blogspot.com/2010/08/valor-economico_132.html

http://research.stlouisfed.org/publications/review/current/

A "Federal Reserve Bank of St. Louis Review" é uma das mais importantes revistas que acolhem trabalhos teóricos e empíricos sobre a economia monetária. Quase centenária, ela acaba de publicar num número antológico (vol. 92, julho/agosto 2010), cinco artigos muito importantes. Quatro foram apresentados na 34ª conferência anual do banco, realizada entre 15 e 16 de outubro de 2009. Seu objetivo era focar na teoria e na sua aceitação empírica nas economias monetárias com fricções financeiras e analisar as políticas não convencionais propostas para superar as crises financeiras. Trata-se de leitura obrigatória para todos que se preocupam com o problema, principalmente para os que até hoje se supõem portadores de uma "ciência monetária".

O Kotlikoff leva o pessimismo ao extremo. Mas é um economista sério. Apenas ele subestima a capacidade do sistema se ajustar. Minha aposta é que os baby boomers vão tomar um toco.

Quanto ao Brasil, a situação não é muito diferente.

"vc que seria um otimo franelinha "

Seria uma experiência comprexa

"Trata-se de leitura obrigatória para todos que se preocupam com o problema, principalmente para os que até hoje se supõem portadores de uma "ciência monetária"."

A referência é ótima (e obrigado pelo link!), mas alguém não andou cumprindo com as obrigações, pelo que li do artigo e pelo que conheço de um dos papers, no caso Cúrdia e Woodford.

"A referência é ótima (e obrigado pelo link!), mas alguém não andou cumprindo com as obrigações, pelo que li do artigo e pelo que conheço de um dos papers, no caso Cúrdia e Woodford."

É mesmo. O Delfim achava o que? Que quem revolucionaria a tal "ciência monetária" teria doutorado em Campinas???

Ele pode até ler muito, mas fala cada bobagem de vez em quando... Os portadores da ciência monetária de hoje é que continuarão a fazer os avanços.

O Delfim vai lá, dá um volteio enorme e cita as "lacunas" nos modelos de gestão da política monetária. E no fim conclui uma única coisa: a taxa de juros no Brasil deveria estar menor. E que é ela quem valoriza o câmbio.

Ou seja, não está nem aí como é feita a política monetária. Ele quer juros baixos e câmbio desvalorizado. Se tiver uma teoria que demonstre isto agora no Brasil, ela é boa. Se não tiver, vamos fazer na marra mesmo.

O Delfim vai lá, dá um volteio enorme e cita as "lacunas" nos modelos de gestão da política monetária. E no fim conclui uma única coisa: a taxa de juros no Brasil deveria estar menor. E que é ela quem valoriza o câmbio.

Acho que faltou ele ler a revista q ele indicou... hahahah

ele cita os estudos depois não fala coisa com coisa...

típico de quem quer esbanjar erudição lendo orelha de livro.

Jim O´Neill
Penso que o Lula tem sido muito mais astuto do que muitos dos analistas locais acreditam. Creio que o Lula é um dos mais, se não o mais interessante, de todos os criadores de políticas do G20 na última década. E em parte, é porque ele sabe que para adotar políticas econômicas ortodoxas no Brasil — um grande país em desenvolvimento — ele precisa, por outro lado, adotar outras políticas, como o aumento do número de servidores. E eu aplaudo as políticas de Lula.

volta pra escolinha de economia.

Estou lançando uma nova campanha, em homenagem à foto colocada no post.

"Para Presidente do IPEA, nomeie o Tiririca. Pior que tá, não fica".

Meus caros,
É simplesmente inacreditável como este pessoal é desonesto. Citar a atual desigualdade brasileira para defender programas de transferência como o Bolsa-Família é bastante óbvio (e todos nós conhecemos o modelo do eleitor mediano). O problema é pular deste raciocínio para defender o descontrole fiscal dos últimos anos devido a políticas bastante concentradoras de renda. O custo fiscal do BF é baixíssimo. É muito louca esta atitude. Agora a frase acima ganha o prêmio da imbecilidade-mor.
"E em parte, é porque ele sabe que para adotar políticas econômicas ortodoxas no Brasil — um grande país em desenvolvimento — ele precisa, por outro lado, adotar outras políticas, como o aumento do número de servidores. E eu aplaudo as políticas de Lula."
O que catzo isto significa? A única conclusão possível é que os aplausos do autor da frase acima não tem muito valor, uma vez que ele formulou a frase acima.
Saudações.

"E em parte, é porque ele sabe que para adotar políticas econômicas ortodoxas no Brasil — um grande país em desenvolvimento — ele precisa, por outro lado, adotar outras políticas, como o aumento do número de servidores. E eu aplaudo as políticas de Lula."
O que catzo isto significa?

Eu acho que e uma afirmacao de cunho politico. E nao e absurda, nao (infelizmente). Voce distribui os cargos pra esquerda do partido, e mantem as politicas economics necessarias para manter o pais com a estabilidade necessaria para crescer economicamente...

Ale,

Confesso que vomitei um pouco na minha boa ao ler os trechos selecionadados. Sei como se sente!