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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Homens de pouca fé

Dentre as obsessões já conhecidas pelos 17 leitores, a Síndrome do Déficit de Atenção aos Dados (SinBad), doença que atinge com especial intensidade nossos keynesianos de quermesse, ocupa lugar de honra. A capacidade de certos economistas pátrios de ignorar a evidência empírica, em particular se esta refuta suas teses, chega às raias do lendário.

No entanto, durante uma cerimônia de batismo no fim de semana passado tive uma epifania: o padre, discorrendo sobre fé e ciência, lembrou que só a segunda requer evidência; a primeira não apenas a dispensa, como faz questão de desafiá-la. Credo quia absurdum est (creio porque é absurdo) poderia ser o lema dos keynesianos de quermesse, caso decida-se que a SinBad deixe de ser considerada doença, passando à categoria de religião. Faria sentido: só mesmo o profundo sentimento religioso é capaz de explicar como é possível citar os números para defender o oposto do que os próprios dados dizem.

Por exemplo, as contas nacionais divulgadas há duas semanas mostraram forte recuperação do investimento, que teria crescido 6,5% no terceiro trimestre na comparação com o segundo. Trata-se de um número bastante positivo, ainda mais porque se segue à expansão de 2% no segundo trimestre. Desta forma, o investimento no terceiro trimestre atingiu pouco menos de 18% do PIB, nada brilhante, é fato, mas, ainda assim, bem melhor que os parcos 16% do PIB registrados no trimestre anterior.

Este desempenho contradiz frontalmente as “análises” dos keynesianos de quermesse. Os mesmo que diziam “existir evidências de que a apreciação da taxa real de câmbio está tendo um impacto negativo sobre as decisões de investimento, não apenas dos setores exportadores, mas também dos setores voltados para o atendimento do mercado doméstico”, agora celebram o comportamento do investimento, aparentemente esquecidos de suas afirmações anteriores, a ponto de reafirmá-las veementemente, a despeito da evidência em contrário. Errarão de novo.

De fato, voltando ao tópico que expus há algumas semanas, para conciliar a expansão da demanda doméstica com a capacidade de crescimento da oferta local é necessário complementar a segunda por meio do aumento das importações líquidas. Ou, de modo equivalente, dada a poupança bruta pouco superior a 15% do PIB, o aumento do investimento só pode se materializar tendo como contrapartida a elevação do déficit externo, ou a redução do consumo do governo.

Contudo, no último ano a taxa de poupança caiu o equivalente a 3% do PIB, enquanto o consumo público (sem contar as transferências) aumentou em pouco mais de 1% do PIB, atingindo seu maior valor desde 2002 (20,6% do PIB). Assim, na falta do necessário ajuste fiscal, só resta a alternativa externa e, com ela, a apreciação da taxa real de câmbio.

Posto de outra forma, o câmbio real mais forte é a solução para o problema colocado pela expansão do investimento num contexto de baixa poupança que, em parte ao menos, resulta da incapacidade do setor público de controlar suas despesas. Obviamente, quem professa a SinBad pode dispensar as evidências e declarar sua crença na Doutrina da Transferência Imaculada, mas nós, homens de pouca fé, continuaremos, como Tomé, a exigir a evidência empírica. Pode não garantir o Paraíso, mas ajuda um bocado quem vive no plano terrestre.

E, aproveitando o tema, meus votos de Feliz Natal (e Chanucá!) e um próspero 2010 a todos, em especial para Reynaldo Fernandes, que sai do serviço público após contribuição inestimável para a educação no Brasil.

(Publicado 23/Dez/2009)

Reações:

51 comentários:

Parece que os keynesianos de quermesse vão ter que sair do recesso para escrever outro artigo "rebatendo", Alex..

Confio em vc! Vamos selar o caixão!

Abs,

RFP

"O essencial da política econômica não é a autonomia informal do Banco Central, mas o desenvolvimentismo. A declaração é do ministro Guido Mantega (Fazenda), ao comentar as possibilidades de mudanças na economia no próximo governo."

Cada um que me aparece... Já to desistindo de ficar aqui no país...

O fogo já foi sagrado, as pedras tinham alma, os deuses proliferavam… A Terra já foi plana, ficava parada assistindo ao Sol dar-lhe a volta, os astros ditavam (ainda ditam) o destino humano… A luta contra o obscurantismo não parece ter fim. Entre muitos economistas brasileiros, não é diferente!
Boas Festas, Saúde e Paz! Que em 2010 possamos continuar contando com as brilhantes análises com que o Senhor enriquece a cultura econômica do país!

Alex, poderia dizer quem são os keynesianos de quermesse (ou "keynesianismo tropical") mais "notáveis" do país? Seriam Belluzzo, Mantega, Bresser e Nakano? E quem seriam os verdadeiros keynesianos, se é que existem?

Pra terminar: tem em mente lançar um livro com uma colêtanea de suas colunas, à la "Textos escolhidos" de Simonsen ?

Abs.

Amiguinhos,

Culpar o governo pelo baixo investimento no país é bater em bêbado. É claro que o investimento público é baixo, é claro que a poupança governamental é baixa, é claro que a carga fiscal é alta. Não há o que discutir, ainda que haja bêbados que mereçam apanhar.

Mas é claro também que, se quisermos elevar a poupança (e investimento) a 25% do PIB, esses recursos deverão vir da iniciativa privada. Um esforço governamental de investimento público da ordem de 5% do PIB incentivará sobretudo os setores fabricantes de meias e cuecas. E uma redução da carga tributária será em grande parte direcionada para o consumo.

Como é que a gente faz para aumentar a poupança interna PRIVADA? Quais os entraves? Culturais? Duvido! Já tivemos taxas de investimento mais elevadas. E a poupança externa é um paliativo que cobrará custos altos no longo prazo.
O que fazer? Essa é a questão mais importante daqui em diante.

Chucky

"Como é que a gente faz para aumentar a poupança interna PRIVADA?"

Menos aposentadoria, menos seguro social para a classe media/media-alta; menos subsidio para a educacao superior.

Existem dois erros no seu artigo:

Poupança vem antes do investimento,se o investimento caiu é porque a poupança aumentou,(empresas tiveram que cortar custos por causa da crise).

Segundo não é "Síndrome do Déficit de Atenção" e sim transtorno... .

"Poupança vem antes do investimento,se o investimento caiu é porque a poupança aumentou,(empresas tiveram que cortar custos por causa da crise)."

Na boa Ivo: éramos mais felizes antes de ouvir tanta cretinice. Você não comia peixe quando era pequeno?

Na teoria austriaca a poupanca vem antes do investimento.É preciso poupar para investir.

Infelizmente você segue os "manuais" de economia que dizem que poupança é igual ao investimento.

1) Eh por isto que nenhum economista leva os austriacos a serio;

2) Mesmo se esta teoria fosse correta, sua afirmacao continuaria cretina, simplesmente porque nao faz sentido algum em qualquer lugar do U iverso

Mais uma dica sobre livros:

Acabou de sair o livro do Vito Tanzi sobre 5 países da America Latina: Brasil, Peru, Chile, Costa Rica, and Guatemala. Eis aqui o link: http://www.iuniverse.com/Bookstore/BookDetail.aspx?BookId=SKU-000137773
É do mesmo jeito que o livro que escreveu sobre a Argentina: http://www.pintobooks.com/newbooks5ArgentinaVTanzi.html

Eu já encomendei!

Abrs,

A

Na Teoria Austríaca, a poupança vem antes do investimento. Agora, no mundo real, o que ocorre é quase que exatamente como o Alex escreveu.
É por isso que eu sempre defendo que a grande utilidade dos liberais ditos austríacos é a de combater fé com fé...

Alex,

Muito legal a lembrança ao Reynaldo Fernandes! Realmente, ele fez muito (em pouco tempo!) pela educação Brasileira.

Abs,
Rodrigo

(Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha ?)

O raciocíno tem como pressuposto a impossibilidade de se influenciar a taxa de poupança com intervenções no câmbio.

Ao que parece mais a poupança e as preferências temporais são tomadas como coisas que independem da política monetária ou cambial ou sujeitando o efeito dessas políticas necessariamente a uma contrapartida fiscal.

Mas... Ainda que sem contrapartida fiscal e mesmo que a sinalização do BACEN (1) para uma taxa mais alta não baste, passando ele a emitir para sustentar uma certa cotação - o que eu não sugiro - ainda assim a tendência é um aumento da poupança bruta, com a redução das importações e aumento das exportações e com o conseqüente encarecimento da oferta interna de "tradables".

E essa poupança é convertida em investimento externo com o real mais depreciado, já que o preço dos "non-tradables" tende a não acompanhar o preço dos "tradables" na mesma proporção (exemplo: o preço do carro aumenta 20% mais o do corte de cabelo e da hora trabalhada numa indústria uns 4%)

O artigo adicionalmente parece desconsiderar o efeito dos juros sobre a formação da taxa de câmbio e sobre a conseqüente formação da própria poupança bruta.

(Nota 1: Acima do equilíbrio o Banco Central vai acabar tendo que emitir para manter sua sinalização - se não emitir os bancos se encarregam disso com o aumento dos depósitos bancários lastreados no câmbio comprado deles, o que dá no mesmo)

Ah... Duas coisas:

a) Algumas sugestões caso se decida modificar a taxa de poupança via câmbio com impactos fiscais neutros ou positivos, na linha do dito acima:

Instituição de um IOF sobre câmbio (importação/exportação/financeiro de saída) sendo o valor arrecadado usado para compras pelo BACEN a fim de garantir certa taxa - a sinalização é necessária para dar um horizonte ao exportador/investidor com a redução do risco percebido e menor necessidade de hedge.

Com isso encareceríamos os nossos "tradables" internamente - vendendo maior proporção deles no exterior - com aumento da poupança agregada pela redução de importações e aumento das exportações.

O aumento da taxa de câmbio compensa o aumento do IOF para exportadores e investidores diretos.

A contrapartida - a majoração do investimento - volta na forma de um real mais acessível ao investidor estrangeiro - 'non tradables' relativamente mais baratos.

O mesmo efeito se verificaria com a "desincentivo" ao carry trade, com taxas de juros menores.



b) O artigo cita os gastos públicos mas... o Poder Público é superavitário em termos primários e há um tempo considerável, não ?

Talvez a questão também resida na composição dos gastos públicos - voltados ao consumo e transferências e pouco ao investimento - mas não se pode deixar de considerar uma Taxa de remuneração de títulos públicos que vem sendo uma das maiores - senão a maior - do mundo.

Se considerarmos o impacto dessa remuneração nos últimos anos na composição da dívida mobiliária, talvez cheguemos à conclusão que taxas mais próximas da média nos teriam levado a um principal muito menor e quem sabe até a um superávit operacional, sem falar numa folga para investimento/endividamento muito maior - com aumento do investimento

Posto isso,

Boas Festas e um 2010 próspero para todos.

abs.

"O artigo cita os gastos públicos mas... o Poder Público é superavitário em termos primários e há um tempo considerável, não ?"

Ser superavitário é uma coisa. O nível de gastos é outra. Há 10 anos o setor público geral superávits primários, mas fez isto em 1999 tributando 28,8% do PIB e gastando 26,2% do PIB. No ano passado tributou 35,8% do PIB e gastou 32,3%.

"O raciocíno tem como pressuposto a impossibilidade de se influenciar a taxa de poupança com intervenções no câmbio.

Ao que parece mais a poupança e as preferências temporais são tomadas como coisas que independem da política monetária ou cambial ou sujeitando o efeito dessas políticas necessariamente a uma contrapartida fiscal."

Não é pressuposto. É fato...

"Ainda que sem contrapartida fiscal e mesmo que a sinalização do BACEN (1) para uma taxa mais alta não baste, passando ele a emitir para sustentar uma certa cotação - o que eu não sugiro - ainda assim a tendência é um aumento da poupança bruta, com a redução das importações e aumento das exportações e com o conseqüente encarecimento da oferta interna de "tradables"."

Seu raciocínio pressupõe o resultado, isto é, você supõe que a taxa real de câmbio se desvalorize para concluir que os tradables ficaram mais caros. É algo como supor que se acelerarmos um corpo, ele andará mais rápido.

O problema é desvalorizar o câmbio real e já está provado à exaustão que não se obtem este resultado controlando o câmbio nominal, pois os preços domésticos ficam desancorados.

O resto eu deixo para os demais leitores comentarem.

viche...
saiu um "mais" ao invés de "mas" no meu texto.

beg your pardon.

Alex,

há uma falha grave no seu artigo, e fiquei surpreso que você não percebeu.

Uma contradição enorme que não combina com o seu estilo.

Primeiro tenho que citar o artigo do Oreiro da semana passada. No artigo, quase que ele coloca a ortodoxia na parede.

Com base nos dados do pib do último trimestre ele conclui que não precisamos de aperto monetário por causa da pressão inflacionária (o pib cresceu menos que o esperado e puxado pelo investimento e não pelo consumo) e, justamente por causa do incremento do investimento, devemos rever a política cambial para estimulá-lo ainda mais, já que "parte considerável" dele é feito pelo setor voltado para exportações.

Com base na análise do Oreiro, os dados mostram ser desnecessária a alta dos juros e que devemos intervir no câmbio imediatamente.

Aí vem você no seu artigo e mostra que, na verdade, os pressupostos da análise dos keynesianos levam a conclusões inversas da que eles apresentam. Colocando novamente os bois à frente do carro, a elevação dos investimentos tem como contrapartida valorização do cambio (sem o ajuste fiscal). Além de lembrar o efeito Dolly (Procurando Nemo - perda de memória recente) que sempre ataca nossos keynesianos (uma curiosidade: quem são estes empresários otimistas e generosos que mesmo com o câmbio operando contra investem mesmo assim? Será a época do natal?).

E onde está a contradição? No seu último parágrafo. Como é possível, após desmontar a tese dos keynesianos, ainda desejar um "feliz natal a todos"? Os keynesianos não terão um natal feliz! Não terá tempero ou vinho que melhore este gosto amargo que deve ter ficado na boca deles após terem lido o seu artigo.

"O",

você que um dia colocou ordem neste boteco, tenho um desafio para te fazer.

Aposto um centavo se você adivinhar quem escreveu recentemente um artigo sobre a desindustrialização e a doença holandesa. E aposto mais um centavo se você acertar, sem ler o artigo, pelo menos um dos autores citados na bibliografia.

E de onde sairão estes dois centavos, caso eu perca? Dos direitos autorais que temos direito a receber pela utilização de idéias debatidas neste blog. Em tempos de internet acreditar em coincidência de idéias? É ruim hein!

E falta alguém aparecer aqui para explicar a coincidência ou reivindicar a autoria das idéias (não vai aparecer porque já mudou de nome).

Careca, o Brasil tem poupança baixa porque falta crédito de longo prazo.Se o governo colocar a TJLP em 2% ,em 3 anos o Brasil tem uma taxa de investimento de 25 % do PIB.

Lucrécio

Parece q o puxa saco deu as caras

Alex, saberia dizer se o Dr. Carlos Kirjner fez algum estudo ou tem alguma relação com a indústria de PE&VC no Brasil?


abs. e boas festas

"Careca, o Brasil tem poupança baixa porque falta crédito de longo prazo.Se o governo colocar a TJLP em 2% ,em 3 anos o Brasil tem uma taxa de investimento de 25 % do PIB."

Indulto de Natal no zoológico!

"Alex, saberia dizer se o Dr. Carlos Kirjner fez algum estudo ou tem alguma relação com a indústria de PE&VC no Brasil? "

Não sei. Ele trabalhou muito tempo na McKinsey, na área de telecomunicações. Posso perguntar a ele.

Abs

Alex

"Careca, o Brasil tem poupança baixa porque falta crédito de longo prazo.Se o governo colocar a TJLP em 2% ,em 3 anos o Brasil tem uma taxa de investimento de 25 % do PIB.

Lucrécio"

BUURRROOO!!!!

"Não é pressuposto. É fato..."

Isso é que keynesianismo radical ! Só a política fiscal resolve !!

Mas aí eu pergunto:

Se eu me contento com 6% de remuneração na caderneta de poupança, a fixação de uma taxa básica de 10% não acaba mudando minha preferência temporal, sem que haja necessariamente impacto fiscal ?

Se eu aceito renunciar a um corte de cabelo para ter esse mesmo corte mais seis por cento dele, vou continuar aceitando esses mesmos seis por cento se eu suponho que o Banco Central me garante esse mesmo corte mais dez por cento ?

Se o Banco Central, com seus compromissos de recompra, consegue alavancar a efetividade de sua carteira de títulos do Tesouro para manter a SELIC no patamar de 10%, ele não altera a preferência temporal de quem antes se contentava com seis por cento ?

Se o Banco Central edita uma Resolução do CMN determinando uma valorização nominal real (acima da inflação) e gradual do piso da taxa de câmbio, majorando o preço do carro que eu quero tanto comprar - porque o pessoal começa a comprar dólar para arbitrar com a SELIC fazendo a taxa subir - eu não vou poupar mais, retendo um pouco mais da minha renda - que não aumenta no mesmo ritmo da taxa de câmbio ?

E finalmente:

Quando importamos poupança, essa poupança vai sempre para investimento ou para a conta bancária (em dólar) da... Beyoncé(!! - até isso estamos importando agora...) ?


um abraço.

Rogerio,

Em breve eu envio para o Alex meus comentario sobre essa verdadeira obra-prima de nosso anonimo que leu Tregenna... Prometo que vou trata-lo com o respeito que ele merece.

"O"

"Se eu me contento com 6% de remuneração na caderneta de poupança, a fixação de uma taxa básica de 10% não acaba mudando minha preferência temporal, sem que haja necessariamente impacto fiscal ?"

Nossa! Muita confusão numa frase só, mas vamos lá.

Preferência é uma coisa, preço é outra. Se você está disposto a pagar $80 por uma entrada de cinama, mas a entrada custa $ 20 você concluiria que suas preferências mudaram porque o entrada custa menos do que você está disposto a pagar? Consegue ver o paralelo? Se não, desista de economia.

""Se o Banco Central edita uma Resolução do CMN determinando uma valorização nominal real (acima da inflação) e gradual do piso da taxa de câmbio, majorando o preço do carro que eu quero tanto comprar - porque o pessoal começa a comprar dólar para arbitrar com a SELIC fazendo a taxa subir - eu não vou poupar mais, retendo um pouco mais da minha renda - que não aumenta no mesmo ritmo da taxa de câmbio ?"

Ai, ai... Se o mundo fosse tão fácil que resoluções do CMN resolvessem problemas com que economistas lutam há séculos...

Você acabou de descrever a política que vigorou no Brasil por anos a fio (indexação do câmbio à inflação - sem descontar a inflação externa, portanto buscando uma desvalorização real do câmbio). Dá para mostrar que esta política deixa o nível de preços indeterminado, o que ajuda a entender como este arranjo contribuiu para as taxas baixinhas de inflação que observamos até 1994.

tente, pelo meno, vir com erros novos. Os antigos a gente já conhece.

Sério mesmo, para de criar fantoche burrinho! Fico adimirado do "O" tb acreditar nessa bobagem.
Eu citei tregenna pq era o artigo mais recente tocando o tema mais metodologico da abordagem de desindustrialização. Se alguém conhecer outro mais recente ou melhor me conte.
Alguém tem dúvida que o Oreiro le a resvista de Cambridge?!? Alguém tem dúvida que ele não é o único?!
Já falei que sou do Rio burrinho...

Ahh, sobre o artigo do Oreiro que vc se refere, eu mesmo posso fazer várias criticas...

Depois do auge de tentar falar em econometria, vc melhorou e parou com seus palpites desinformados. Mas a babação de ovo continua a todo vapor. Modere burrinho.

Abraços

hmmmm, ninguém gostou da dica do livro do Vito Tanzi?

Eu disse que não responderia mais ao anônimo, mas só para situar a afirmação sobre ergodicidade e econometria, leiam esta frase abaixo retirada do blog do Oreiro:

"Alguns pós-keynesianos acham que a econometria é irrelevante uma vez que a mesma se baseia no pressuposto da ergodicidade das séries de tempo, pressuposto esse que é incompatível com o conceito pós-keynesiano de incerteza. Dessa forma, esses autores afirmam que o único procedimento “empírico” aceitável é a simulação computacional de modelos teóricos."

link de acesso: http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/06/30/integra-de-entrevista-concedida-ao-valor-economico-sobre-o-manifesto-da-economia-pos-autista/

Se um pos keynesiano de destaque diz isto da escola dele, como eu posso dizer o contrário dele? E sobre valorização e poupança do post anterior, será que as pessoas não sabem identificar um erro de digitação? E se é possível trabalhar com séries temporais sem o pressuposto da ergodicidade, vá lá e ensine isto aos pos keynesianos. O problema é deles e não meu.

E sobre elogiar o Alex, o "O", o Pastore ou qualquer outro que eu queira, faço isto tranquilamente. Quem eu ache que não mereça elogio, eu digo aqui mesmo. Não concordo com o que o Oreiro, Gala ou o Bresser Pereira e outros escrevem, e digo isto aqui. Eu tenho a minha opinião, elogio e concordo com quem apresenta os argumentos mais sustentáveis. Não tenho medo de dizer quando não concordo.

Mas aqui, se eu pensasse em benefício próprio, eu deveria elogiar outras "pessoas", ficaria mais fácil conseguir uma consultoria ou publicação em algumas revistas de "prestígio" na CAPES que existem por aí.

E não me importo com suas charadinhas amigo, nem com suas provocações. Não é a sua opinião que irá me fazer sentir pior ou melhor. Não tenho problema de frustração ou ansiedade como você parece ter.

Você é anônimo, não sei e nem interessa saber quem você é. Agora, sobre as coincidências, enquanto você não se apresentar, eu e o "O" podemos achar o que quisermos.

Eu disse que não responderia mais ao anônimo, mas só para situar a afirmação sobre ergodicidade e econometria, leiam esta frase abaixo retirada do blog do Oreiro:

"Alguns pós-keynesianos acham que a econometria é irrelevante uma vez que a mesma se baseia no pressuposto da ergodicidade das séries de tempo, pressuposto esse que é incompatível com o conceito pós-keynesiano de incerteza. Dessa forma, esses autores afirmam que o único procedimento “empírico” aceitável é a simulação computacional de modelos teóricos."

link de acesso: http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/06/30/integra-de-entrevista-concedida-ao-valor-economico-sobre-o-manifesto-da-economia-pos-autista/

Se um pos keynesiano de destaque diz isto da escola dele, como eu posso dizer o contrário dele? E sobre valorização cambial e poupança no post anterior, será que as pessoas não sabem identificar um erro de digitação? E se é possível trabalhar com séries temporais sem o pressuposto da ergodicidade, vá lá e ensine isto aos pos keynesianos. O problema é deles e não meu.

E sobre elogiar o Alex, o "O", o Pastore ou qualquer outro que eu queira, faço isto tranquilamente. Quem eu ache que não mereça elogio, eu digo aqui mesmo. Não concordo com o que o Oreiro, Gala ou o Bresser Pereira e outros escrevem, e digo isto aqui. Eu tenho a minha opinião, elogio e concordo com quem apresenta os argumentos mais sustentáveis. Não tenho medo de dizer quando não concordo.

Mas aqui, se eu pensasse em benefício próprio, eu deveria elogiar outras "pessoas", ficaria mais fácil conseguir uma consultoria ou publicação em algumas revistas de "prestígio" na CAPES que existem por aí.

E não me importo com suas charadinhas amigo, nem com suas provocações. Não é a sua opinião que irá me fazer sentir pior ou melhor. Não tenho problema de frustração ou ansiedade como você parece ter.

Você é anônimo, não sei e nem interessa saber quem você é. Agora, sobre as coincidências, enquanto você não se apresentar, eu e o "O" podemos achar o que quisermos.

Feliz natal a ano novo, e vê se volta mais criativo em 2010, você e alguns outros sempre falam a mesma coisa.

"E se é possível trabalhar com séries temporais sem o pressuposto da ergodicidade, vá lá e ensine isto aos pos keynesianos. O problema é deles e não meu."

Para vc ver que eu não sou o Oreiro. Ele erra ao dizer que o único metodo empirico aceitável quando não se assume ergodicidade é é a simulação computacional de modelos teóricos.

Mas eu, diferentemente de vc, não saiu por ai fazendo afirmações sobre algo que não conheço, apenas pq outro disse.

Em resumo, vc e o Oreiro falaram merda econométrica. E novamente provou a tese que vc é apenas um "rec repete" sem o menor conhecimento técnico.

Aquele abraço!

"Ahh, sobre o artigo do Oreiro que vc se refere, eu mesmo posso fazer várias criticas"

nem perca tempo, esse artigo eh meu.

"O"

Ahh só para encerrar, eu não tenho nenhum problema em elogiar alguém ou alguma coisa. Mas eu jamais elogiaria o trabalho de um físico quantico, pelo simples motivo que não tenho conhecimento para avalia-lo. Lembre-se disso.

Feliz natal pra vc tb!

Relacionar poupança com crescimento é um assunto complicado.A medida que existe aumento de riqueza,aumento de produtividade,a tendencia é a poupança cair.

EUA na era Reagan (até hoje) viu a poupança cair,o déficit em CC aumentar.Isso não causou nenhuma catastrofe na economia,o que se observou foi um aumento na produtividade da economia,surgimento de novas tecnologias,fortalecimento do mercado de capitais.


Austrália e Nova Zelândia,Inglaterra tiveram processos parecidos.

"Relacionar poupança com crescimento é um assunto complicado.A medida que existe aumento de riqueza,aumento de produtividade,a tendencia é a poupança cair."

No, no, no... A evidencia empirica eh bem convincente que poupanca aumenta com aumento da renda.

"O"

Para ser mais preciso, existe uma correlacao positiva, bem robusta, entre renda e taxa de poupanca.

"O"

Alex,

Quando eu decidi começar a escrever revisões críticas de artigos acadêmicos de nossos aprendizes de feiticeiros, eu não sonhava encontrar uma peça com tanto valor de entretenimento quanto um post recente no blog do cuncorrido Professor Oreiro.

Posso afirmar sem uma ponta de dúvida: o autor daquele post é um homem sem vergonha de quebrar tabus. Erros primários? Not a problem! Contradições lógicas? É para já! Uso de estatísticas sem saber o que elas significam? Com ele mesmo!

Vou tentar ser parcimonioso, portanto não me deterei muito na coragem moral do professor de admitir que correlação não implica causalidade e algumas linhas abaixo, despindo-se de qualquer coerência, concluir que os “dados nos permitem, ainda que de forma preliminar, apontar para a apreciação da taxa real de câmbio como a causa fundamental do processo de desindustrialização da economia brasileira.”

Vou portanto direto ao principal erro grosseiro, crasso, digno de um aluno de graduação preguiçoso. Escreve o professor: “os dados do IPEADATA mostram que entre 1981 e 2008 a participação da indústria no valor adicionado caiu de 44,31% para 27,34%, uma queda de cerca de 17 pontos percentuais em 27 anos. Trata-se de uma redução expressiva da importância da indústria para a geração de valor adicionado na economia brasileira.”

Vamos deixar bem claro: isso é uma pataquada.

Os dados realmente podem ser encontrados no website do IPEA. Mas junto com os dados, vêm os comentários sobre as séries, que creio que em um momento de fraqueza da carne ou fervor revolucionário, o professor tenha esquecido de ler... Pois bem, durante o período de 1981 e 2008, houve duas mudanças de base nas contas nacionais brasileiras.

Qualquer economista que vale seu próprio peso em feijão sabe que os dados em bases diferentes não são comparáveis. Mais que isso, os dados mostram claramente que durante os períodos em que os dados são comparáveis, não houve desindustrialização alguma.

A saber: em 1981 a participação da indústria era 44% e cresceu durante a década para 46% em 1989. Em 1990, foi adotado um novo ano de referência, o que reduziu a participação da indústria para 39%. De 1990 para 1994, a participação aumentou 1 ponto percentual (40% em 1994), caindo então em 1995 para 28% quando a série passa a refletir outro ano de referência. E de 1995 para 2008, houve um declínio dramático de 1 ponto percentual para 27%. Em resumo, da queda na participação da indústria no PIB de 17% que o Professor Oreiro encontrou entre 1981 e 2008, 20% foram causados por mudanças de base no sistema de contas nacionais!

Para finalizar, faço um apelo... Será possível que o professor não tenha um único amigo na AKB ou UNB que se preocupe com sua reputação pessoal ou das respectivas instituições que se interesse em ler o que ele escreve e alertá-lo dos erros mais básicos? Ou será que o professor perdeu a vergonha de se expor. errado, demonstravelmente errado?

"O"

"Para ser mais preciso, existe uma correlacao positiva, bem robusta, entre renda e taxa de poupanca."

E também evidência bem convincente que é a renda que gera a poupança, e não o contrário (como menos consumo poderia gerar mais renda?)

Mas a literatura não é contundente em que sentido se da a causalidade poupança x renda.
Correto "O"?

"tente, pelo menos, vir com erros novos. Os antigos a gente já conhece."


Não dá para comparar a situação fiscal daquela época, em termos de déficit nominal - porque o real era baixo já que a inflação comia tudo, era um baita imposto -com a situação fiscal atual.

A situação na década de 80 e começo da década de 90 era caótica e não era (ao menos só) por causa da política cambial.

Mas sim, o correto seria o BACEN indicar uma taxa alvo - se ele decidir por um piso - mas limitar as intervenções em valor, vendendo "puts", por exemplo.

Caso contrário se ele errar a mão na cotação e as expectativas não tiverem bastado, com a vinda de uma chuva de dólares, ele "toma na caçoleta", correndo o risco de ter de extrapolar a meta dos meios de pagamento para manter a taxa de câmbio alvo. Talvez isso tenha acontecido vez e outra com as máxis.

De qualquer modo, talvez esse seja um erro novo, tal qual o foram e são os swaps cambiais (reversos ou não). Nós sabemos que nos swaps o Banco Central, quando perde, perde mesmo. É perda líquida de contrapartida em qualquer ativo cuja valorização ou desvalorização posterior venha a compensá-la, ao contrário da venda de opções.

Eu acho que também tenho o direito de arriscar um erro, dados os antecedentes, não ? Aliás, honestamente eu não entendi até hoje qual a serventia desses swaps.

O resto eu deixo de comentar aqui para evitar um texto muito longo.

Como explica o caso do EUA? A poupança das famílias caiu nos último 20 anos de 10% do PIB para 0,enquanto a riqueza aumentou.

Off-topic: alguém saberia informar se os livros da FCE Consultoria (do Gyorgy Varga) são bons?
A coleção completa (3 livros) sai por R$630,00. Será que vale?

"Para ser mais preciso, existe uma correlacao positiva, bem robusta, entre renda e taxa de poupanca."

Eu acho que existe uma correlacao bem robusta entre o numero de BMWs e o numero de televisoes em uma casa. (^:

PIG

O:

Como você parece ter muito tempo, se você tivesse um blog que servisse pra bater nos papers heterodoxos seria um sucesso. Você sabe que esses caras tem muito espaço no Brasil, nos jornais e universidades. Seria por uma boa causa.

Só uma sugestão...

Complementando a informação do "O", pela série antiga do IBGE, a participação da indústria de transformação era 21,8% do PIB em 1991 (início da série), caindo para 21,3% nos quatro trimestres terminados em 2006 (a partir daí a série foi interrompida pela nova base, 2000, "retropolada" até 1995).

Nos 12 meses que antecederam o Plano Real a participação da indústria de transformação no PIB era 19,5% do PIB, tendo caído para 18,2% em 1T99. A partir daí, recuperou-se para os já mencionados 21,3%, com a média no período 2003-06 registrando 21,5% (mínimo 21,1%; máximo 22%; ; mediana 21,4%).

Que erro grosseiro!

A correlacao positiva, bem robusta, e prevista pelo modelo de Solow, por exemplo, e entre Renda x Investimento.

O assunto poupanca e crescimento nao e nada obvio....segue um exemplo

http://www.aeaweb.org/annual_mtg_papers/2007/0107_1015_0602.pdf

Quem me dera ter tempo livre :)

"O"

de fato, o assunto poupanca (domestica) x crescimento exige tempo livre...nao e tao obvio assim... ainda rende papers interessantes

Nao quero dizer que vc `o` nao saiba disso... vc claramente e um economista muito bem treinado .... mas muitas pessoas que ainda estao se formando como esconomistas(no meu caso doutorado, mas ainda nao me considero economista!) fazem confusao nessa questao `poupanca x crescimento`.... Nao fico tao incomodado ja que no livro ` The elusive quest for growth`, o autor mostra que esse foi um erro cometido por diversos economistas e instituicoes como World Bank e FMI, etc durante muitos anos....

enfim....Feliz 2010 a todos

"A correlacao positiva, bem robusta, e prevista pelo modelo de Solow, por exemplo, e entre Renda x Investimento.

O assunto poupanca e crescimento nao e nada obvio...."

Caro anonimo,

Voce esta correto. Mais que isso, se voce for levar as ultimas consequencias o que o Easterly fala, o assunto crescimento x [qualquer variavel economica] nao eh nada obvio. (O problema eh que regressoes de crescimento sao em geral misspecified). Por isso em tempos recentes muitos economistas tem tentado explicar o nivel de renda, nao a taxa de crescimento.

Mas o que voce diz nao muda o fato que existe uma correlacao positiva entre nivel de renda e taxa de poupanca.

Abracos e continue estudando!

Tio "O"