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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pequeno esclarecimento

Uma nota aos freqüentadores do blog. O artigo abaixo é muito parecido com o post anterior. Acontece que eu preciso escrever a cada duas semanas para a Folha e não é sempre que me vêm idéias novas. Além disto, o tema é bacana e eu achei que valia a pena dividir com o público leitor do jornal, que não necessariamente é o mesmo do blog (imaginem só, milhões de leitores ávidos pelos meus artigos; quem diz que economista não sonha?).

Como regra, tudo que sai na Folha, sai também no blog. Aí ficou repetitivo. Mas prometo buscar uns assuntos novos para os próximos posts e artigos.

Abraço a todos,

Alex

P.S. Ao anônimo que sugeriu o termo "keynesianos de quermesse": fica aqui registrado não só que gostei da expressão (e vou adotá-la permanentemente), mas também que o verdadeiro autor não sou eu.

Reações:

31 comentários:

Agora soh falta usar o termo "inflacionista" para substituir a designacao "desenvolvimentista"!

O Anonimo

Aos poucos... Aos poucos...
Abs
Alex

"o" anônimo, um oxímoro, pois, em sendo anônimo, não te cabe pronome definido... mesmo porque você é da tchurma da HP, um mero print.

é preciso mais do que alguns cartuchos de tinta na cabeça para ser capaz de pensar.

Nossa! Não sabe ler, mas sabe o que é um oxímoro. Mandem um Biscroque para O Anônimo Erudito Analfabeto Heterodoxo.

Caro Alexandre,
Você recentemente comentou sobre as teorias de crescimento que estavam em voga na época do seu phD (Crescimento Endógeno, Modelos Schumpeterianos, Retornos Crescentes etc.) que é um tema bem interessante. Uma curiosidade: a sua tese foi nessa área ou mais voltada para o curto prazo (como os modelo neo-keynesianos)? Você fez mestrado aqui no Brasil antes de ir para lá ? Se sim, onde ? E, por último, você tem algum toque para dar para um estudante de economia que tem interesse em um dia participar de um programa de phD no exterior ?

Henrique:

Dois dos ensaios da minha tese tratavam da questão de crescimento de longo prazo e um terceiro de uma questão mais de curto prazo (uma metodologia para avaliação da taxa real de câmbio com base no passivo externo líquido).

Quanto ao mestrado, fiz na USP.

Por fim, no que se refere a ir para o exterior, eu acho um tremendo projeto. Sugiro que você converse com pessoas que voltaram há pouco e professores para saber quais são os bons departamentos e, principalmente, quais são suas forças e fraquezas. Busque um casamento entre o que você gosta e o depto. oferece de bom.

Por exemplo, se você gosta de economia internacional, não aplique para deptos que sejam fortes em, digamos, microeconometria. Pode te frustrar.

Faça também um esforço de preparação em matemática e estatística. É equivalente ao aprendizado da língua e vai te poupar muito stress num doutorado.

E vá pronto para se dedicar como nunca ao estudo.

Idéia para um novo post: Pochman escreve no Valor defendendo a adoção da regra 158 da OIT. Minha mulher morou na Alemanha, não tem NENHUM treinamento em Economia, e quando viu a notícia na televisão falou: "Lá na Alemanha não deu muito certo, as firmas passaram a contratar menos".

É disso que preciso! Abs
Alex

perdão, mas você está parecendo um vampiro.

(quanto ao incauto que não consegue chegar a uma definição de desindustrialização - talvez o mestre não lhe tenha dito - basta pensar no grau de diversidade industrial de um país, que os índices de emprego industrial mostram tão claramente dentre os DIFERENTES setores analisados, e não apenas os que apresentam sinais positivos, como o Nosferatu autor deste blogue gosta de fazer manipulando os números para provar seus postulados, como qualquer marxista faria)

Então use a sua definição e mostre que o país está se desindustrializando. Tudo o que você copiou do site diz exatamente o contrário, a menos que maior crescimento de emprego industrial queira dizer precisamente o inverso.

Vlad Dracul

é porque você não considera a indústria de calçados, de móveis, etc. como indústria.

e acho que é porque os dados que apresentam não corroboram teus postulados, o que tem me levado a afirmar que você manipulado os números para confirmarem tuas idéias, o que é um péssimo uso da aritmética, principalmente em se tratando de um analista financeiro.

Claro que considero, mas - volto a repetir - 65 dos 76 segmentos cresceram. O fato de 11 segmentos não crescerem não pode ser tomado como sinal de desindustrialização (isto é meio óbvio, mas com certas pessoas há que se insistir). Mesmo em fase de expansão não serão 100% das indústrias que irão crescer.

Mais: dentre os que mais caíram, dois são de commodities (fumo e madeira), um de baixa tecnologia (calçados e couro) e um é de média-alta tecnologia (eletrônicos). Entre os que mais subiram, todos são de média para alta tecnologia.

Buscar números não significa dizer "ah, mas o setor de calçados não cresceu", e sim ter uma visão do conjunto. E a visão de conjunto, baseada em vários dados, não um escolhido a dedo, mostra:

1) Crescimento vigoroso da indústria;
2) Crescimento difundido da indústria (ou seja, não é o resultado de uns poucos setores se expandindo);
3) Investimento bombando, i.e., os empresários com uma visão positiva das perspectivas de expansão futura, mesmo com suas lideranças choramingando pelos cantos;
4) As mais rápidas taxas de crescimento do emprego industrial. Se achou 2.2% baixo (mesmo sendo o mais alto da série do IBGE), o dado da CNI mostra cerca de 4% de expansão do emprego e o dado do CAGED é aquele que já mencionei.
5)Mas a padaria da esquina quebrou! Estamos desindustrializando o pão...

Já sei, se a empresa é exportadora e o câmbio desaba então temos desindustrialização. Por outro lado, se a empresa importa produtos (Ex varejistas que compram o sapato da China) e o câmbio subir ocorre desindustrialização. Portanto quando o câmbio se mexe temos desindustrialização de pelo menos 1empresa no Brasil inteiro. Nossa verdade temos desindustrialização sempre.

Acho que então o câmbio deve ser fixo novamente, aí ele não desindustrializa ninguem.

And they lived happily ever after

O que é o grau de diversidade industrial de um país?

Número de setores industriais representados no país? Participação da indústria no PIB?

Índice Herfindel-Hirshman (a partir da participação no pib industrial de cada setor)?

Percentual de setores industriais em expansão? Dispersão e evolução do emprego industrial? Distribuição geográfica da indústria? Uma combinação de todas essas coisas?

Colocado de maneira vaga, permanece o problema: quem quiser "ver" desindustrialização, vai ver, bastando escolher os setores "certos" (dado que, em média, a produção e o emprego industriais vêm crescendo).

De fato, o mestre não me disse. Incauto como sou, continuo incapaz de enxergar como os índices de emprego industrial possam ter mostrado diminuição da "dispersão industrial", seja lá o que for isso.

Por isso, em prol do debate, repito a pergunta: o que é "desindustrialização"? O que é "dispersão industrial"? Uma definição mais precisa provavelmente eliminaria acusações de manipulação de dados e números.

Abs.

Alex,

Que tal comentar a declaracao do Bombinha que o atual ministro da Fazenda argentino eh incompetente e mente sobre a inflacao?

Ao contrario do Lavanha, que por coincidencia do destino, compartilha com o Bombinha o merito de um calote...

Devem ambos fazer parte da AMACALOTE (Associação dos Amigos e Moradores do Calote)...

Bacana como só agora o Bombinha passou a ver problema com a Argentina. Até há pouco era um exemplo de política econômica autônoma.

Bela sugestão. Dá um post legal.

Abs

A

Alem do problema do conteudo dos comentarios, a forma tambem.

Afinal como funcionario de alto escalao do governo brasileiro, ele nao deveria abrir a boca EM PORTAS ABERTAS sobre o governo de um de nossos principais parceiros comerciais.

Isto não chega a ser um problema para o Bombinha, já que critica até o BC brasileiro...

Caro Alex,

O problema eh que para o publico medio no Brasil, o fato que o Bombinha critica o Banco Central nao parece algo desabonador, pois o publico nao entende o papel do Banco Central.

Entretanto, o fato que o Bombinha faz papel de ridiculo na Folha, eh desautorizado no dia seguinte pelo Manteguinha no painel do leitor, por ofender um parceiro comercial e diplomatico eh evidentemente uma demonstracao de incompetencia e estupidez a toda prova.

Existe um outro angulo interessante.

Bombinha estah em Washington para representar o governo brasileiro no FMI. Portanto, seria esperado que ele contribuisse para qualquer negociacao importante naquela organizacao (digamos, algum pais estrategico para o Brasil precisa ir ao Fundo). Entretanto, o fato dele parecer fora de controle faz que ele seja inefetivo.

Digamos que o diretor frances e o americano querem fazer um back room deal sobre, digamos, a Bolivia.

Voce acha que eles convidariam o Bombinha para a reuniao, sabendo que a crianca escreve regularmente colunas para suas "leitoras", frequentemente humilhando seu chefe, e depois tem que ser publicamente despido pelo Manteiguinha?

Tem razão, até porque o Bombinha tem, de fato, atrapalhado as coisas no FMI e em outros fóruns internacionais. Cedo ou trade nem seus padrinhos conseguirão mantê-lo no cargo.

O contraste com os demais ocupantes da cadeira não poderia ser maior.

Mas Alex, quem sao os padrinhos do Bombinha?

Pergunto isso porque ele bate de frente no Manteguinha parece-me dia sim e dia nao.

Os mesmoso que o colocaram no atual cargo...

João Sicsú: "É preciso ainda um programa de administração dos preços administrados, que são mais livres do que os preços livres;"

fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u114459.shtml`

roberto campos: "A burrce no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor."

Sobre o Bombinha:

Em qualquer governo que se pretende sério uma declaração pública de um de seus membros em descordo com a orientação geral seria caso de demissão. Certamente não é o nosso caso.

Acerca do assistente do Torquemada:

Não bastasse a mão que os administrados têm dado à inflação nos últimos tempos, a experiência de controle de preços (porque é isto exatamente o que ele prega) já se mostrou um fracasso retumbante onde quer que tenha sido testada.

Mais recentemente na Argentina os controles sobre estes preços têm gerado um quadro cada vez mais grave de oferta de serviços públicos. Não é à tôa que a discussão pesou na última reunião Argentina-Bolívia-Brasil: a produção de gás natural tem caído desde o início de 2007, resultado direto do controle de preços.

Com gente deste naipe não há motivo para se precoupar com o futuro da burrice no país.

Abs

Alex

Mas no Brasil tem ministra do turismo que manda "relaxar e gozar" durante uma crise no trafego aereo e ela mantem a pasta e continua sendo considerada presidenciavel...

Aqui vale tudo, eh uma terra selvagem. Incompetencia e burrice nunca atrasou vida de ninguem, vide o Luciano Coutinho.

Alex,

Ja que esta sem assunto, que tal escrever um artigo sobre a morosidade nas decisoes envolvendo infraestrutura, focando na reportagem do ultimo domingo do Estadao sobre os diversos planos para os estadios dos gambás da segundona???

O GambaStadium é como a reforma tributária: a cada 5 anos aparece uma proposta e a gente bem sabe como termina.

No caso do GambaStadium, como não poderia deixar de ser, na lata de lixo, junto com a torcida...

Sugestão para post, relacionada ao tema "por que devemos combater a desindustrialização, quer ela exista, quer não".

O Luciano Coutinho repete há anos um mantra sobre macroeconomia e política industrial, resumida num texto escrito, se não me engano, em 2002.

Na tentativa de defender P.I., ele divide regimes macroeconômicos em dois tipos: os benignos (juros baixos e câmbio desvalorizados, que permitiriam P.I. eficiente) e os malignos (juros altos e - advinhe - cambio valorizado). Só isso, nada mais.

É impressionante como sobrevive a idéia de que existe um "atalho" para o crescimento econômico rápido (a combinação benigna), no qual a inflação seria magicamente controlada com alguma pirotecnia do Sicsú (de brinde, não haveria déficit público, pois os juros pagos seriam insignificantes, nem crise cambial, por conta dos superávits que tal política permite).

Parece claro que esse atalho passa por alguma forma de substituição de importações (e, portanto, estímulo à indústria, daí a relação com P.I.), por ser baseado na restrição às compras externas.

De minha parte, não conheço nenhum trabalho que indique relação positiva e causal entre tal combinação de políticas e crescimento econômico de longo prazo quando é feito o controle ao menos para poupança doméstica e amplitude do sistema financeiro (noves fora qualidade das instituições, nível de concentração em mercados importantes, abertura comercial, investimento em educação,...).

Referência: http://www.bndes.gov.br/conhecimento/livro_debate/2-PolitIndustrial.pdf

Abs.

Meus caros,
Um pequeno comentário que uso com meus alunos sobre esta suposta dicotomia expressa pelo Luciano Coutinho. O BC poderia escolher entre dois pontos, um com baixo juros, alto crescimento, câmbio desvalorizado e baixo desemprego. O outro ponto apresentaria altos juros, câmbio valorizado, desemprego alto e baixo crescimento. Maldosamente, os caras sempre escolhem o segundo ponto. O que digo aos meus alunos é muito simples. Neste tipo de análise não existe trade-off. Ou escolhemos um ponto com tudo bom (apesar de ser controverso esta questão do câmbio) ou outro onde tudo é ruim. E sempre escolhemos o ponto errado. Como assim? Será que esta análise está correta? Cadê os trade-offs? É isto que me cansa.
Saudações.
PS: Alguns anos atrás, durante meu doutorado em uma escola do Rio, uma aluna de centro heterodoxo saiu conosco. A moça era muito simpática. Lá pelas tantas, começamos a falar de nossos projetos de tese. Ao ouvi-la, um colega meu (de forma muito educada) perguntou para ela qual era o trade-off envolvido no trabalho desta (eu não lembro qual era o assunto) e ela simplesmente não entendeu a pergunta. Têm cabimento uma coisa destas?

O atalho da estrategia passa por controles de capitais. A ideia eh que com controles de capitais (saida principalmente), os policymakers podem baixar os juros a la Venezuela, e portanto liberar toda a poupanca que teima em financiar o setor publico para oportunidades de investimento produtivas... Problemas de inflacao sao sempre pontuais e podem ser lidados com persuasao e politicas setoriais...

Eh dificil de dizer quantas idiotices estao contidas nessa estrategia:

- como assim liberar a poupanca se superavit nominal do setor publico nao faz parte da estrategia?

- como assim, o gasto do governo eh improdutivo? Entao porque eles teimam em sempre gastar mais?

- como assim, e a inflacao?

E vai longe...

Mas nao pense que eles sao todos desonestos, o sicsu (assim mesmo, com s minusculo), o cardim de carvalho etc nao entendem mesmo do riscado.

"O" Anonimo