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domingo, 10 de fevereiro de 2008

Os profetas da desindustrialização e a encarniçada defesa da realidade

Destaco abaixo alguns excertos das profecias acerca da iminente destruição do parque industrial brasileiro. Volto depois para comentá-las.

Câmbio, internacionalização e desindustrialização
A opinião é de empresários, aliás, de grandes empresários: o câmbio está levando o Brasil a uma desindustrialização. Não confundir o processo que os empresários estão apontando com a internacionalização da empresa brasileira, a qual, já vinha ocorrendo e ganhou força nos últimos anos em função de uma importante reestruturação empresarial ocorrida no país.

(...)

Seja da indústria, agroindústria ou agropecuária, ninguém falou em exportar menos no curto prazo, mas todos concordaram que o emprego, assim como a produção industrial local, já está arcando com o ônus de tantos desajustes. A médio prazo, as exportações deverão declinar, senão em termos absolutos, pelo menos em termos comparativos ao avanço do comércio mundial.

(Júlio Gomes de Almeida, 11/Mai/2006)

Carta IEDI n. 252 - Desindustrialização e Dilemas do Crescimento Econômico Recente

Podemos dizer que a desindustrialização está aumentando e indicamos como causas:

a) A política de altas taxas de juros que afeta a demanda agregada de 3 formas: inibindo o investimento e o gasto público, componentes da demanda que geram renda e emprego, e as exportações pelo efeito que elevadas taxas de juros exercem sobre a conta financeira e de capital. Inibir o crescimento implica em comprometer o crescimento da produtividade industrial e conseqüentemente da competitividade da economia.

b) A tendência à valorização do câmbio, resultado da política de elevadas taxas de juros doméstica, é reforçada pela valorização internacional do preço das commodities. Essa excessiva apreciação cambial e aquecimento no mercado de commodities desestimulam a exportação de outros produtos que perdem competitividade.

c) A valorização cambial provoca a substituição de produção doméstica por produtos importados, o que se observa em especial no setor produtor de bens duráveis de consumo nos períodos mais recentes.

d) O ambiente de política econômica pouco propício ao crescimento não tem estimulado o investimento privado, mesmo com o câmbio favorável à importação de máquinas e equipamentos.

e) Em síntese, mesmo dotado de um parque industrial amplo e diversificado, verifica-se nos últimos anos um processo de desindustrialização no País, fruto da combinação perversa de taxa de juros elevada e câmbio valorizado. Tal combinação restringe a expansão do investimento e das exportações, corroendo a competitividade e levando a perdas de produtividade na indústria.

Belluzzo adverte para real supervalorizado e desindustrialização

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo afirmou que o "forte declínio da participação da indústria manufatureira" no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro – situação revelada a partir da nova fórmula de cálculo da riqueza nacional – e no emprego revela um processo de desindustrialização. "Há fortes indícios, ademais, de que a valorização do real está promovendo o rompimento dos nexos inter-industriais das principais cadeias de produção", assinalou, em artigo para a "Folha de S. Paulo".

(Hora do Povo, 13/Abr/2007)

Negociações comerciais e desindustrialização

Embora bem menos do que a Argentina e a maioria dos latino-americanos, o Brasil já sofre de desindustrialização precoce, que pode se agravar se cairmos na armadilha que se prepara nas negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio). O que se trama para o final da Rodada Doha é a refilmagem do "happy end" (para os desenvolvidos) da Rodada Uruguai. Começando pela reunião de Hong Kong, de 12 de dezembro, para culminar, provavelmente em junho de 2006, prazo limite para as negociações, os europeus estão articulando, como em "O Poderoso Chefão", uma "oferta que não poderemos recusar". Isto é, a oferta em agricultura será irrisória, mas virá embrulhada em embalagem publicitária para nos fazer assumir o ônus de enfraquecer a OMC, se a rejeitarmos.

(Rubens Ricupero, 27/Nov/2005)

Economistas alertam para desindustrialização

Apesar do crescimento de 6,8% da indústria apontado pelo PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre do ano, economistas e entidades ligadas ao setor afirmam que a chamada “desindustrialização” do país está se aprofundando.

“É o câmbio, estúpido!”, afirmou ontem o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, coordenador do 4º Fórum de Economia, promovido pela FGV (Fundação Getulio Vargas), ao discutir os motivos que estariam agravando o problema. Bresser-Pereira afirmou que o governo Lula vem praticando “populismo cambial” para segurar a inflação por meio do real valorizado, o que faz os preços de importados ficarem mais baratos.Com os juros ainda elevados atraindo dólares ao país e altos saldos comerciais sustentados por fortes vendas externas, além de preços altos nos setores agrícola e de minérios, o economista prevê um aprofundamento da “desindustrialização” em setores de maior valor agregado.

(...)

Edgard Pereira, economista-chefe do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), disse que metade do valor adicionado (a riqueza gerada) pela indústria já depende hoje de setores que têm por base recursos naturais. “Não se trata de ser contra os setores de commodities ou mais básicos, mas, sem estratégia para os segmentos mais sofisticados da indústria, chegaremos a um resultado ruim.”

Seminário Internacional Industrialização, Desindustrialização e Desenvolvimento

A política de juros altos brasileira é a grande razão para o processo de desindustrialização precoce pelo qual passa o País. A opinião é do vice-presidente da República, José Alencar, e foi expressa durante o seminário Industrialização, Desindustrialização e Desenvolvimento, realizado dia 28 de novembro, na Fiesp

(...)

O vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), João Sayad, utilizou os juros altos adotados no País como explicação para a desindustrialização brasileira. "A política macroeconômica brasileira não privilegia o emprego e não tem escrúpulos em fixar a taxa de câmbio a valores altamente insatisfatórios".

Dólar abaixo de R$ 2 acelera desindustrialização

O dólar abaixo dos R$ 2 vai acelerar a perda de participação da indústria na economia brasileira. A avaliação é de Edgard Pereira, economista-chefe do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

(17/05/2007)


* * *

Estas foram as profecias. Agora vamos aos fatos.

Em 2007 produção industrial brasileira apresentou crescimento de 6%, alcançando 5% a.a. de crescimento médio nos últimos 4 anos, a média mais alta desde 1997.

O setor com crescimento mais acelerado foi o de bens de capital (19,5% de expansão no ano), com a produção de bens de capital para uso industrial crescendo a bagatela de 17%. Curiosamente, os empresários desmentem a Fiesp, Iedi e seus asseclas e, de forma impatriótica, resolveram investir, desmentindo a tese da desindustrialização.

Os cinco segmentos que mais cresceram foram os seguintes:

a) Máquinas e equipamentos: 17,7%;
b) Veículos automotores, 15,2%;
c) Máquinas para escritório e equipamentos de informática, 14,4%;
d) Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, 14,0%;
e) Outros equipamentos de transporte, 13,9%.

Os cinco piores desempenhos foram registrados por:

a) Fumo, -8,1%;
b) Madeira, -3,2%;
c) Calçados e artigos de couro, -2,2%;
d) Diversos, -1,6%;
e) Material eletrônico e equipamentos de comunicação, -1,1%.

As listas são auto-explicativas, mas, como este pessoal sofre de déficit de atenção aos dados, é bom trocar em miúdos. Nenhum dos setores de crescimento mais acelerado é remotamente associado a commodities. Pelo contrário, são setores produtores de bens diferenciados com conteúdo tecnológico de médio para alto. Em contraste, entre os segmentos que tiveram pior desempenho apenas o setor de material eletrônico e equipamentos de comunicação pode se classificar como tal. Os demais segmentos se caracterizam pelo baixo conteúdo tecnológico, inclusive o sempre citado setor de couro e calçados.

Quanto às exportações, se é verdade que o crescimento da exportação de primários alcançou 29% nos 12 meses terminados em janeiro, o crescimento da exportação de manufaturados, embora menor, atingiu 13%, no contexto em que o comércio mundial se expande a cerca de 14%. No entanto, é bom lembrar que vários produtos da pauta de manufaturas são, na verdade, commodities (suco de laranja, açúcar refinado, placas de aço), o que poderia distorcer este cálculo.

Olhando a exportação brasileira por uma ótica um tanto diferente (commodities X produtos diferenciados), observamos, nos últimos 12 meses, uma expansão de 18% das commodities contra 14% dos produtos diferenciados. Mesmo retirando das exportações de produtos diferenciados as plataformas de Petrobrás (“exportação ficta”), o crescimento dos produtos diferenciados atingiria 13%, dificilmente um sinal estagnação.

Quanto ao emprego industrial, o Caged revela a criação de 395 mil novos postos de trabalho no setor em 2007, quase 60% a mais que no ano anterior. No ano passado, de cada quatro empregos gerados, um foi criado no setor industrial. Em 2006 a indústria respondeu por um em cada cinco novos empregos. Para uma política que “não privilegia o emprego e não tem escrúpulos em fixar a taxa de câmbio a valores altamente insatisfatórios”, os resultados me parecem bastante bons.

Em suma, os profetas da desindustrialização erraram feio. Não que isto vá fazer qualquer diferença em suas “análises”, já que a conclusão já foi alcançada antes do começo do processo e as evidências empíricas em contrário são apenas aspectos irritantes de uma realidade que se recusa a se render a estas mentes superiores.

Reações:

36 comentários:

Opa, escapou um "contesto" espertinho ali em cima, em vez de "contexto".

No mais, um texto excelente, esclarecedor como sempre!...

Obrigado. Já corrigi o erro.
Abs,
Alex

Essa carta do IEDI (foi a mesma instituição que se manifestou favorável ao expurgo no IPEA), entendi não... o gasto público no Brasil está inibido? puxa... imagina se não estivesse...

No mais, Bilu, acho que você dá importância demais a gente do quilate do MR8, do Franklin Martins, que edita o Hora do Povo (povo que paga impostos que não atendem a suas necessidades, mas financiam HP e TV-Lulla).

E quanto aos dados da economia, acho que explicam pouco o que está em curso, já que sabemos que o parque industrial está no limite da capacidade produtiva, por um lado, e, por outro lado, os projetos de draw back estão a pleno vapor, o que explicaria algumas das percentagens que você indica.

Contudo, um dos dados mais interessantes, não tem a ver com a taxa de câmbio ou juros, e muito menos com gastos públicos, qual seja, o aumento verificado no setor de TI, que reflete consumo interno gerado pela redução de impostos.

Este seria de fato o maior motor da economia brasileira: MENOS IMPOSTOS.

"projetos de draw back"

O que ser isso? Mim estupido, nao falar ingres.

Meus caros,
Este forte processo de desindustrialização já está em curso DESDE 1991, quando começamos a abrir nossos portos. Este processo ocorre CONCOMITANTE AO FIM DOS EMPREGOS (já vão umas duas décadas com isto). Só não vê quem não quer.
Quanto aos dados, faz-se necessário analisá-los com um pouco mais de maldade sob uma ótica político-dialética.
Como diria Marx, "Agora é nóis". Não, não é esta a citação que eu estava procurando.
Saudações.

Acho que a citação que você queria é: "aí, praibói; perdeu".

Abs

Alex

meninos, ôceis são tão inteligentes, mas tão inteligentes, que não precisam de interlocutores, precisam só de platéia.

Então observe, relaxe e aprenda.

é que eu cobro prá ser platéia, e, com perdão da modéstia, cobro caro.

como vc sabe q nao ha um atraso de 2 ou 3 anos pro cambio ter um impacto no nivel de industrializacao do pais?

No entanto, aqui está (e de graça).

Faça as estimações e ache a meia-vida do processo. A meia-vida é de entre 2 e 3 trimestres, sugerindo que os efeitos do câmbio são relativamente rápidos.

Mais interessante que isto, porém, é observar o que pensam as pessoas diretamente envolvidas na história. Dificilmente os empresários estariam investindo se não tivessem uma percepção muito mais positiva das perspectivas da indústria que seus líderes e os lobistas de sempre.

de graça? não acho não... mas preço é sempre uma questão subjetiva, é aquele que se paga, né?

e interessante que voce estime a meia vida do processo em 2 ou 3 trimestres. aposto que a estimativa e baseada em alguma regressao de dados macro, certo? eu acho que sua estimava esta errada.

Os processos de investimento empresariais funcionam geralmente baseados num ciclo anual de planejamento. O impacto do cambio na melhor das hipoteses deveria ter um atraso de no minimo 18 meses, pelo menos as maiores.

Provavelmente mais. Pode ser que a tese que o cambio nao esta levando a desindustrializacao e furada. Mas eu acho que os seus fatos sao insuficientes...

Realmente um comentário inteligente. Você não apresenta qualquer evidência que seja para apoiar sua tese e diz que minhas evidências são insuficientes...

Como você é provavelmente aqueles economistas que sabem como o mundo é poderia aproveitar e revelar a todos os verdadeiros parâmetros da economia.

Quando uma multinacional fecha uma fábrica de componentes eletrônicos em virtude de que os importados lhe fazem uma concorrência insustentável, este não é um dado da realidade?

Quando multinacionais decidem então instalarem projetos de draw back (dados da realidade?) intensivos na importação de bens de capital (o que explicaria um dado da realidade), e exportarem ao menor preço possível, tirando proveito da taxa de câmbio, este não é um dado da realidade?

Quando um funcionário de um banco recebe um bônus, não por ter produzido um lápis, nem uma folha de papel, mas por defender a alta taxa de juros, este não é um dado da realidade?

E não é lobby o que faz um funcionário de um banco - um bancário mesmo que mais graduado, e pago portanto não por nenhuma empresa filiada à FIESP, mas pelo setor que se beneficia da alta de juros no país que derruba artificialmente a taxa de câmbio prejudicando o setor produtivo do país -, ao defender a política monetária e econômica concernida?

E não é idiotice este funcionário não perceber que entre os números que arrota há uma verdade que interessa ao país, ao setor produtivo e também ao setor financeiro - que colhe os frutos do setor produtivo, é bom lembrar -, e que por outro lado implicaria na redução da receita do Estado levando assim a uma espiral de crescimento sustentado?

Ou será idiotice o diretor do banco pagar bonus a tal funcionário que fica instaurando ingrisia entre o setor produtivo e o setor financeiro, encobrindo com isso o papel deletério que os impostos cumprem hoje no país?

De repente, o melhor lugar para tal funcionário é uma capelinha qualquer em uma instituição "de ensino" dessas que pipocam graças ao Pró-Uni, ou seja, graças aos impostos extorquidos da economia brasileira. Lá, tal funcionário teria platéia à vontade, poderia dar ordens à vontade e se sentiria, como todo capelão, dono de seu rebanho.

E quem sabe os setores produtivo e financeiro do país pudessem assim ter menos motivos para não encetarem seus esforços na redução dos impostos no país... talvez a capelinha do ex-funcionário fechasse, mas sempre tem uma boquinha de caixa para um economista neste mundo...

Quando multinacionais investem US$ 35 bilhões no país (recorde histórico), dos qais US$ 13,5 bilhões no setor industrial (outro recorde histórico) também deve ser interpretado como sinal claro de desindustrialização...

E exportar pelo menor preço possível é o que faz qualquer empresa no mundo, desde que sujeita à concorrência. Seria bom que você aprendesse isto.

No que se refere a importar bens de capital, ainda bem. É tecnologia e modernização. Mesmo porque no setor doméstico de bens de capital quase não há mais capacidade para atender a demanda de investimento. Tente comprar uma máquina hoje (ou caminhão, ou trator) e veja o tamanhinho da fila.

Quanto a me acusar de trabalhar em banco... Na boa, se você não consegue um argumento melhor que esse, faria bem de refletir um pouco, levantar números, fazer análise econômica de verdade.

E, amigo, se você não tem competência para trabalhar em banco, me desculpe, mas o problema não é meu.

Este blog discute idéias, com um certo sarcasmo é verdade, mas nada diferente do que fazem todos os bons economistas ( De Friedman a Solow, passando por Delfim e Siomonsen, o sarcasmo e humor refinado andam junto com as boas discussões econômicas).
Agora este "anônimo" está levando a discussão para o lado : de onde você vem ? onde vc trabalha ? o que você defende ? que é exatamaneto aquilo que os economistas radicais gostam de falar quando os fatos teimam em desmentí-los. Sejam de esquerda ( se é que isso existe no Brasil) ou de direita( isso eu sei que não existe no Brasil).
Caro anônimo, se for para transformar este blog em um botequim, não venha mais aqui. Ou convide o Sicsu e companhia e montem um. Eu, com toda a certeza, incluirei em meus favoritos, lerei todos os dias, se for composto de idéias e críticas...quem sabe você não critica os artigos do autor deste Blog? Seria uma boa maneira de manter o debate...e não briga de botequim.

Para contribuir, a Empresa que trabalho presta consultoria a uma empresa do setor metal mecânico no sul do país, a quarta do Brasil em sua áera de atuação, e a opinião e constatação dos diretores da empresa corrobora aquilo que o Alexandre S.. ( eita sobrenome complicado) escreveu aqui...sobre importação de máquinas, produtividade, efeitos do câmbio....
Contra fatos, não existem o argumentos...ou existem ?

1 abraço

Álvaro:

Este tipo de "argumentação" é conhecido como falácia "ad hominem" (pode estar errado; não é só "Schwartsman" que é difícil de soletrar)): quando alguém ataca o autor do argumento ao invés do conteúdo. É só sinal de fraqueza intelectual.

Abs

Alex

Argumentos, Álvaro, são aqueles com que você concorda. Isso não se chama argumentos.

Pode ilustrá-los com números inúmeros, não significam nada, já que números podem dizer tudo o que se quer que se diga, portanto não são A verdade.

A verdade está entre os números. Pode soletrá-los à vontade, não são como suco de laranja, não adianta espremer.

E se sua empresa está tão bem assim, imagino que seu bonus neste ano será ainda maior, o que de certa forma justifica seu otimismo.

Boa sorte.

Vamos lá. Números não servem. Argumentos não servem. A única coisa que vale é a posição profissional do autor do argumento e se ele recebe ou não um bônus no final do ano...

Zero em matemática. Zero em estatística. Zero em lógica. Zero em argumentação. E uma tremenda inveja de quem recebe bônus.

hmmm tchitcher... será mesmo? vamos às partes:

Argumentos exclusivamente considerados como sendo aqueles com os quais se concorda não são argumentos, são postulados.

Números são apenas números, e podem ser usados ao bel prazer do usuário para sustentar postulados. E mais do que qualquer pessoa, um bancário sabe como é importante ser capaz de ler entre os números: disso depende o bônus.

Inveja de bônus? Sei não... quem sabe o preço que se paga por um bônus, pensa duas vezes antes de aceitar tais condições, isto é, claro, se tiver outras faculdades (mentais, também) que lhe permitam vencer na vida sem vender a alma a quem lhe pagaria o bônus, constatação que todos os que sabem quem paga o teu bônus estão em condição de lembrar... afinal, você (ao contrário do que pensam teus "seguidores incondicionais", sim, todo amor é cego) não é Deus, nem divino, nem infalível, nem imparcial.

E devo dizer que, além de tudo, está sendo míope: só vê com os óculos de quem te paga o bônus, o que torna tuas análises pobres e mesquinhas (a arrogância é puro resultado).

PS: "seguidores incondicionais", please (ver dicionário), arrumem rápido uma capelinha para o tchitcher, porque esta que vos fala tem mais o que fazer.

Só quem nunca lidou com números pode dizer uma barbaridade como esta. Aliás, só quem nunca fez uma pesquisa científica séria, sujeita a julgamento dos pares diria que "Números são apenas números, e podem ser usados ao bel prazer do usuário para sustentar postulados. E mais do que qualquer pessoa, um bancário sabe como é importante ser capaz de ler entre os números: disso depende o bônus."

A verdade é que os dados não aguentam desaforo. Podem não provar que determinada hipótese é verdadeira (não há milagres com o método indutivo), mas são fatais para hípóteses cretinas, como, aliás, é a hipótese da desindustrialização, como mostrei. Se acha que não, apareça com números que mostrem o contrário, ou - como diria o padre - cale-se para sempre.

Quanto a ver com "os óculos de quem me paga", já respondi. É um não-argumento de quem não consegue pensar em nada além de desqualificar o autor da tese adversária. Truque velho e ineficaz.

Agora licença que vou pensar em como gastar meu bônus.

Alex,
Eu sugiro que voce nao poste os ataques ad hominem de anonimos, afinal tais ataques soh baixam o nivel deste ponto de encontro.

Caro Alexandre,

Como sempre, ótimo post. Hoje o "Jornal Hoje" mostrou uma reportagem que certamente auxilia suas conclusões, conforme link que segue :

http://jornalhoje.globo.com/JHoje/0,19125,VJS0-3076-20080213-316265,00.html

Espero ansioso pelo próximo post.
Abraços,

Anônimo:

Como regra, eu libero todo comentário (a menos que venha alguma coisa racista ou semelhante, que, a bem da verdade, ainda não aconteceu). Tem seus custos, mas acredito ser boa prática.

Homo Racionalis:

Obrigado pelo comentário. Mais um número para mostrar que os dados não aguentam desaforo mesmo.

Abs a ambos,

Alex

Caros,

o melhor livro de Schopenhauer não é nenhuma daquelas bobagens niilistas dele, mas sim um pequeno texto chamado "Como vencer um debate sem precisar ter razão".

Entre as inúmeras "técnicas" que o autor ironicamente enumera, acho que a melhor é: "quando não puder contra-argumentar, estereotipe seu adversário e ataque o estereótipo". Os comentários do Anônimo deixam claro que essa técnica continua viva.

Acho um tanto óbvio que trabalhar ou deixar de trabalhar em banco não é determinante do caráter (e mesmo da qualificação) de ninguém. Quem pensa assim só pode estar naquele mundo bangue-bangue dividido entre "bonzinhos" (o aviltado setor produtivo) e "malvados" (os terríveis banqueiros). Para quem ainda acha que o setor financeira não produz, minha sugestão de leitura é "Saving Capitalism from the capitalists". Não cabe nem discutir uma asneira desse tamanho.

Concordo com o Anônimo no sentido de que números podem ser manipulados e dizer qualquer coisa. Por isso, a estatística se desenvolveu fortemente nas últimas décadas, criando um excepcional conjunto de testes e outros procedimentos que, nas mãos de bons profissionais, permitem inferências com grande rigor.

Se ele (ou ela) acha que esse instrumental não está sendo usado com o rigor devido, que apresente seus motivos. É isso que acontece todos os dias nos bons departamentos de economia.

O que não vale é simplesmente desqualificar qualquer "número" como farsa de banqueiros malvados, sem apresentar nenhum outro método para avaliar a realidade, e escolher os dados que deseja para sustentar sua tese.

Abs a todos.

Excelente comentário Pedro. Enriquece muito o blog.
Abs
Alex

É impressionante como existem pessoas com tão baixo senso crítico. E ficam refluxando (sim, isso é um silogismo) Marx como se realmente tivesse lindo suas obras.
Bom mas não vamos mais perder tempo...
Alexandre você tem razão, apesar de eu achar que só o argumento do crescimento da produto industrial versos os demais seja um pouco "vago".
No número 26 da Visão do Desenvolvimento publicado Pelo BNDES, Fernando Pimenal Puga discute um otimo trabalho sobre esta questão, porém de outro ponto de vista.
Ele observa o movimento de aumento das e importações no período de 1996 - 2006, traçando uma relação com o coeficiente de penetração das importações. Quem em suas palavras "Este indicador mede a participação das importações no consumo doméstico, o que ajuda a identificar movimentos de substituição da produção nacional por produtos importados". ( Tese da desindustrialização).
Bom resumo da Opera... Essa "confirma" (mesmo que provisoriamente, se é que o mocinha ou mocinha - Anônimo, conhece Popper) que a tese da desindustrialização esta por hora equivocada. E pelo que ando acompanhando pelos indicadores oficiais do IBGE o apetite do empresariado continua elevado vide os (agora sim...)os indicadores de crescimento da FBCF e dos próprios indicadores de crescimento do produtos industrial.
Bom, por hora encerro meu comentário.
Parabéns Alexandre pelos comentários.
Ps: Para você também Pedro, são poucos os que gastam tempo lendo a consciência subjetiva embutida nas análise de Schopenhauer com o toque da sutileza da filosofia kantiniana.

Thiago:

Estou gostando cada vez mais dos comentários no blog. Vou dar uma olhada no trabalho do Fernando Pimentel.

Abs

Alex

O companheiro anônimo heterodoxo podia argumentar usando uma frase dele mesmo. Ora, se é verdade que os números podem dizer qq coisa, ele podia fazê-los dizer o contrário do que diz o post - mostrando incoerência. Pq não o faz?? Será q ele já fez ao menos uma visitinha de cortesia ao Ipeadata? A resposta é óbvia....

Belo ponto Joper. Se é tão fácil, por que não "demonstra" o contrário do que eu afirmei?

Ipeadata? Não deve em saber que existe...

O anônimo heterodoxo? melhor ser assim, pelo menos não fico que nem vocês, sem assunto... ficam só no amém... divirtam-se, elogiando uns aos outros.

Considero este espaço de discussão bastante saudável, especialmente por ser aberto a diferentes opiniões. Muito interessante a participação do Anônimo Heterodoxo, com opiniões tão distantes das do autor do blog. São poucos os foruns para boa discussão econômica no país.

Mas acho que o AH poderia retomar o caminho das réplicas e tréplicas, além das ironias ("ficam só no amém... divirtam-se, elogiando uns aos outros"). Não que essas não caibam, mas há espaço para mais em qualquer debate. Por exemplo: pedro, thiago rocha e joper (além do próprio autor do blog) me parecem ter feito contra-pontos relevantes ao que foi dito por AH. Seria interessante ver a discussão seguir - incluindo ironias, mas não se limitando a elas.

Abs a todos.

Ótimo> Alguém se habilita?
Abs
Alex