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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O tempo não para

Se fosse pelo número em si, 0,2% de crescimento, teria até vergonha de comemorar, mas um olhar mais detalhado às entranhas das estatísticas do PIB no segundo trimestre dão um pouco mais de alento acerca do desempenho da economia no curto e médio prazos.

Muito embora o crescimento tenha ficado bem aquém daquele verificado no primeiro trimestre (1,0%), observamos agora a primeira variação positiva da demanda interna em 10 trimestres, 0,6%, puxada, como se sabe, pelo forte desempenho do consumo das famílias, que cresceu nada menos do que 1,4%.

É um bom começo, pois o consumo representa quase 2/3 da demanda interna, de longe seu maior componente, seguido pelo consumo do governo, pouco acima de 20% dela. Assim, para onde o consumo se inclina, para lá irá a demanda interna.

Por outro lado, o investimento voltou a cair. À exceção de um soluço no segundo trimestre do ano passado, vem em queda livre há quase 4 anos, acumulando declínio de R$ 108 bilhões (a preços de hoje) desde o terceiro trimestre de 2013, redução próxima a 30%.

Esta combinação de consumo em alta com investimento ainda deprimido tem implicações importantes para o padrão de recuperação da economia depois da pior recessão de sua história.

Noto, em primeiro lugar, que não há grandes problemas em recomeçar o crescimento por meio do consumo nas atuais circunstâncias. Há uma folga colossal de capacidade na economia como um todo: mesmo com a modesta queda observada do começo do ano para cá, o desemprego ainda se encontra na casa de 13%, praticamente o dobro daquele observado em 2014 (notem que falo aqui da pesquisa utilizada atualmente – a PNAD – que mede desemprego no país, e não apenas em seis regiões metropolitanas como se fazia).

Isto sugere que há espaço para a economia crescer sem pressões inflacionárias, ao contrário, por exemplo, do período de 2012 a 2014, em que restrições pelo lado da oferta (baixo desemprego, falta de mão de obra qualificada e virtual inexistência de capacidade ociosa) implicavam limites claros ao crescimento, materializados na combinação de inflação elevada (apesar de controles de preços) e expansão anêmica da atividade.

Por conta disto, o baixo investimento não deve se tornar, agora, um impeditivo à retomada. Mais à frente, porém, caso o investimento não volte a crescer, a capacidade de expansão sustentável do país ficará comprometida e os mesmos gargalos de oferta que minaram a economia brasileira anos atrás irão novamente se manifestar.

Não há, hoje, como dizer quanto tempo temos para retomar o investimento antes que isso aconteça, pois depende da velocidade de expansão da demanda interna nos próximos anos. No entanto, também este desenvolvimento sublinha a urgência de acelerarmos as reformas, visto que investimentos em grande escala dificilmente retornarão sem que haja clareza quanto à evolução do endividamento público, por um lado, bem como rumo acerca das medidas que poderão elevar a produtividade no país, por outro.

A retomada do crescimento, ainda que modesto, é motivo para celebração comedida, pois deve marcar o fim da recessão, mas também deixa clara a escala gigantesca do tanto que é preciso fazer para colocar o Brasil numa rota sustentável.


Ah, sim: mais uma vez os keynesianos de quermesse erraram feio...



(Publicado 06/Set/2017)

Reações:

11 comentários:

Alex, qual seu palpite pra crescimento potencial atual?

Alex, uma dúvida: quem são os quermesseiros?

a) aqueles que comemoram um crescimento derivado do aumento do consumo em detrimento da poupança ( boa parte do aumento do consumo veio da liberação do fgts, a poupança forcada dos trabalhadores
b)aqueles que diziam que não haveria crescimento sem equacionamento do deficit público, enquanto o mesmo está alto, foi revisto pra cima e deve ser maior do que o da revisão


Alexandre, uma duvida.

A politica do banco central, ortodoxa, está produzindo seus resultados como era esperado. Agora mais juros, menos atividade, recessão, menor inflação. Quem pode aumentar os preços se não vende. Ok
Agora como o governo gasta mais do que arrecada, e arrecada muito, não existe uma pressão estrutural sobre a inflação? Existe uma inflação abaixando, o que justifica a redução da taxa de juros, se opondo a uma tendencia de longo prazo no sentido oposto.
Você já deixou claro que o crescimento sustentado pede um gasto publico menor, mas é possível o banco central continuar abaixando os juros, ou esta interrupção deverá ser interrompida mais cedo do que nós gostaríamos, visto que o setor publico não colabora?

Alexandre, não acha que o encolhimento do BNDES pode significar de alguma forma reducao do crescimento potencial? Pergunto isto pois ele tipicamente financia acumulação de capital físico. Tudo bem, é verdade que, ao mesmo tempo, ele pode gerar problemas de missalocation e, por isso, reduzir a produtividade agregada da economia. Mas o fato é que a evidencia do efeito do BNDES no investimento é ambígua e sobre missalocation inexistente. Portanto, desconfio que podemos sim ter problemas nesse front à frente. O que acha?

Grande abraço,

Ricardo

Alex, pergunta off-topic. Pq o BC nao divulga decentemente o que faz na producao de suas previsoes de inflacao? Beijo, Vanessa Petri

https://www.youtube.com/watch?v=VC6tITfhsGU&t=2758s

Excelente vídeo para quem quer testar os conhecimentos de economia. A cada 2 minutos tem uma gafe. Nunca vi uma combinação tão grande de ignorância, arrogância e ingenuidade.

abs,
Zamba

"Pq o BC nao divulga decentemente o que faz na producao de suas previsoes de inflacao? "

Porque é uma baita salsicharia...

Ahahahahahahahahha bota salsicharia nisso..

Salsicharia !!!! kkkkkkkkk, isso estamos podendo comprovar ....
kkkkkkk, quanta bullshit .....

"Alex, uma dúvida: quem são os quermesseiros?"

Se você não sabe, está na hora de frequentar a pré-escola...