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terça-feira, 8 de março de 2016

Trivial requentado

Fiéis ao espírito do aniversário do partido, economistas do PT propuseram um programa de emergência que prega a volta da política econômica aos padrões que vigoraram no governo Lula. Seria ótimo se fosse verdade.

Entre 2003 e 2010 o superávit primário recorrente atingiu, em média, 2,6% do PIB, considerando o afrouxamento da política fiscal em 2009 e 2010 (nos demais anos a média foi 3,2% do PIB). Já o desvio médio da inflação com respeito à meta foi inferior a 0,7% por ano, cerca de um quarto do observado no governo Dilma, refletindo tanto o melhor desempenho fiscal como a autonomia do BC.

Aquele período (ao menos até 2006) foi também marcado por reformas: a criação do crédito consignado, a reabilitação das garantias no crédito habitacional, assim como a nova lei de falências. Soma-se a isto a reforma previdenciária que elevou a idade mínima para aposentadorias dos servidores e criou a possibilidade de fundos de pensão para o funcionalismo.

Por fim, na política social tivemos a fusão dos vários programas de transferência no Bolsa-Família, inicialmente execrado pelos economistas do partido como Maria da Conceição Tavares, que classificou um de seus defensores, Marcos Lisboa, como “débil mental”, sem, diga-se, qualquer protesto de nossos sempre tão sensíveis “keynesianos de quermesse”.

Infelizmente, porém, as propostas petistas não trarão de volta a política econômica do governo Lula, mas sim o que preconizavam antes de 2003 e que veio a se tornar a tal “Nova Matriz Econômica” (NME), já no primeiro governo Dilma.

Redução na marra da taxa de juros (a despeito da inflação crescente), “revitalização” do PAC e aumento do gasto público são todos elementos do trivial requentado da NME. A estes se somam elevação de impostos e, coroando a obra, a proposta de utilização de parte das reservas internacionais para financiar novos gastos.

Esta última, em particular, promete ser especialmente danosa. Equivale, em última análise, a vender as joias da família para bancar novos gastos, ao invés de aproveitá-las para reduzir o endividamento. No fim da história sobrariam mais gastos e dívida mais alta, acompanhada de crescente fragilidade externa resultante de um colchão menor de proteção em moeda forte.

O desastre de 2011-2014 – estagnação seguida de recessão, inflação alta, desequilíbrio externo e redução dramática do ritmo de crescimento da produtividade – deveria bastar para convencer qualquer um que a retomada da NME, vitaminada por atrocidades adicionais, nos levaria de vez ao fundo do poço.

Até o Ministro da Fazenda, um de seus criadores, ainda hesita em levá-la às últimas consequências, mas isto não é suficiente para os seguidores do “princípio da contra indução” (segundo o qual o fracasso de uma experiência, ao invés de resultar na rejeição da hipótese, torna-se pretexto para nova tentativa, na esperança que desta vez funcione) reconhecerem os problemas dela originados.


Com o perdão do clichê, não aprenderam nada, não esqueceram nada. Por conta disto, às vezes me pego torcendo para que executem o que prometem para ver se novo fracasso retumbante lhes ensinaria algo de útil; mas depois me lembro de que tratamos de gente imune ao aprendizado. Seria um enorme custo sem sequer este modesto benefício.

Vai um pouco mais da Nova Matriz Econômica?

(Publicado 2/Mar/2016)

Reações:

30 comentários:

Maria Conceição Tavares nao fez parte do grupo de economistas que ajudaram a perpetuar o PT no poder.O senhor,Marcos Lisboa fizeram parte desse grupo,Belluzzo e Bresser nao!!!

Belluzo nunca trabalhou no governo do PT,nem o Bresser.O senhor fez trabalho bem feito,isso e inegável,entretanto ele beneficiou o grupo político errado.

Guilty as charged.

Se não fôssemos tão competentes este governo não teria sobrevivido. Teria seguido o que a Lusa Louca e Porco Mau falavam e acabado já em 2006...

Bom texto.

É, mas não vejo possibilidades de voltarmos à NME. Só mais um delírio do PT.

Alexandre, o que você acha da proposta de reforma fiscal apresenta pelo Nelson Barbosa?

Valeu. Abraço!

"Belluzo nunca trabalhou no governo do PT"

"29/08/2011 às 20h03 | Postado por: Sergio Lamucci O encontro de Mantega com Delfim, Belluzzo e Nakano O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniu-se na semana retrasada com o ex-ministro Antonio Delfim Netto, o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, e o ex-secretário da Fazenda paulista Yoshiaki Nakano

http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/991680/o-encontro-de-mantega-com-delfim-belluzzo-e-nakano

"BRASÍLIA – A presidente da República, Dilma Rousseff, reuniu nesta segunda-feira para um almoço o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e economistas “pesos-pesados”, como o ex-ministro Delfim Netto e o ex-secretário de Política Econômica do governo Sarney, Luiz Gonzaga Beluzzo. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a ideia do encontro foi fazer uma avaliação sobre a atual conjuntura econômica com foco no crescimento e na disparada da inflação desde o início do ano.

Também participaram do almoço o secretário do Tesouro, Arno Augustin, e o professor da Escola de Economia da FGV Yoshiaki Nakano, que já foi consultor do Banco Mundial.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/dilma-chama-delfim-beluzzo-para-avaliar-alta-dos-precos-8063170#ixzz42K6n0RnT
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A convite da presidenta Dilma Rousseff, três pesos-pesados da economia, além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, participaram de um almoço no Palácio da Alvorada, na segunda-feira 8. A inflação, que voltara a ser assunto no País inteiro, foi um dos temas debatidos pelo heterogêneo trio de economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, Delfim Netto e Yoshiaki Nakano, todos conselheiros da anfitriã. Logo na entrada do cardápio, o tomate-vilão-da-inflação estava literalmente à espera dos convidados, na bandeja. Ao contrário do que faria uma dona de casa comum, a cozinha presidencial não substituiu o tomate, cujo preço subiu 122,13% nos últimos 12 meses.

http://www.istoedinheiro.com.br/pt/components/news/cmp-news-body/6/2/114426.inc

Eutanásia dos Rentistas-Trabalhadores

27 de maio de 2013/0 Comentários/em Sem categoria /por Zé Dirceu
{mosimage}Fernando Nogueira da Costa



A Presidenta Dilma, segundo informações de jornalistas, busca respaldo em algumas decisões econômico-financeiras em um trio de renomados economistas: Antônio Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e Yoshiaki Nakano.

http://www.zedirceu.com.br/eutanasia-dos-rentistas-trabalhadores/

"É, mas não vejo possibilidades de voltarmos à NME. Só mais um delírio do PT"

Sim, mas não custa alertar...

Economista ou leitor que defende Belluzzo, Nakano e Bresser não merecem ler este blog.

Parabéns, Alex.
Havia algo de estranho nas afirmações de leitores que afirmaram não terem dados economistas contribuído com o governo. Acontece, porém, estavam lá, sim.

Não é fácil crer que o que já deu errado esteja sendo requentado. Em economia, além de não existirem milagres, há sério problemas quando a inflação supera metas e há improvisações com nomes pomposos (NME) como se fossem salvar a lavoura.

O PT acabou. Dia 13 milhões de cidadãos do bem estarão nas ruas deste Brasil para mais uma vez levantar a bandeira da decência e ética na coisa pública. A balança do congresso está rapidamente mudando. Dilmanta vai renunciar em breve!

Acredito que comentários sobre as propostas do Temer seriam mais relevantes no momento.

Alex,

Quanto vc tem de ipca pra 2016? E 2017?

Abs

Economista X

Independente da NME, uma queda de juros agora seria bom?

OFF Topic:
https://mansueto.wordpress.com/2016/03/09/mudanca-dos-juros-da-divida-dos-estados/

Comenta aí Alex!!!
O que vc pensa sobre isso?

Com a inflação caindo nos próximos meses os salvadores da pátria através dos juros baixos já estão ouriçados : o Valor deve soltar um editorial logo ;Nakano,o cientista monetário, deve voltar à inflação trimestral como base para o Copom ...


"O que vc pensa sobre isso?"

Nada a acrescentar ao que o Mansu disse. Esta renegociação (mesmo que a estupidez do juro simples não prevaleça) vai soltar de vez a rédea dos estados.

Estava trabalhando com 4 cenários democráticos como alternativa à Dilma. Parece que surgiu outro: Renan primeiro-ministro.

Alex,

quanto de ipca, po? fala ae pra massa funkeira...

Alexandre, como bater naquele argumento do Bresser de que no Brasil houve substituição de poupança interna pela externa para financiar consumo e regressão tecnológica?

Alexandre, a CEPAL estava certa?

http://www.paulogala.com.br/?p=3966

Alex,

Ja leu isso: Fiscal deficits, economic growth and
government debt in the USA
Lance Taylor, Christian R. Proan˜o, Laura de Carvalho and Nelson Barbosa 2012?

Alexandre
parabéns pelo artigo.

Mas parece que alguns economistas desligaram o sinal do wi-fi da realidade e escrevem isso:

http://www.cartacapital.com.br/economia/ainda-da-tempo-de-arrumar-a-economia-e-so-querer

Para as viúvas do Keynes, basta apertar um botão e a economia cresce.

Não é uma crítica, só uma curiosidade.

Por que os economistas geralmente usam estimativa por ponto ou com uma
precisão irreal (ex. do IPCA 2016: 8,00 com erro implícito de 1/800) e raramente por intervalo (ex.: 6,0 +/- 1,0)?

Por que esse descaso com a margem de erro? Limitação dos modelos?

O melhor é a contraçao fiscal do governo Dilma...


Alexandre, no programa Globo News Painel você falou que o mercado é sincero porque aposta o seu dinheiro. Mas não existe ai uma indução? Grandes investidores não são também formadores de opinião e criam tendências com as suas ações?

O Ricardo Amorim em algumas entrevistas falou que a recuperação seria relativamente fácil caso a crise politica seja superada. Não me parece ser a sua opinião. Caso o que ele falou seja verdade não seria sinal de que os fundamentos da nossa economia não estão tão ruins assim? Se estão após uma mudança de governo, se positiva, ainda teremos que superar muitos problemas?

Por ultimo no programa da Miriam Leitão o representante da indústria têxtil ao responder sobre o que tem levado o setor a se recuperar foi direto: O Cambio.
A Miriam ainda deu uma cutucada perguntando o que eles estão fazendo para ganhar competitividade para quando o dólar voltar a uma valor mais razoável. Esta pergunta ele não respondeu. As vezes tenho a impressão que se o dólar começar a cair cada vez que a situação do governo piorar do ponto de visto do seu fim, os empresários da indústria vão fazer coro ao fica Dilma

A nova matriz econômica pode até voltar, mas será necessário que proceda um governo reformador do atual conjunto fiscal. "Deixei-os reconstruir, para que nós possamos destruir."

Alexandre, onde podemos ver os slides dessa sua apresentação : https://www.youtube.com/watch?v=WV4xb8JreuY


By the way, uma apresentação completaça!! Parabens

O senhor e um dos culpados pela saida de Tombini do BC,caso ela se confirme.Ruim com o Tombini,pior sem ele.

"O senhor e um dos culpados pela saida de Tombini do BC,caso ela se confirme."

UHU! MANDEI BEM!