teste

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Chame o ladrão

Flagrado, o larápio esperto apela para o tradicional berro de “Pega ladrão!”, na esperança de se safar no meio da confusão, deixando que outro pague pelo seu crime. A mesma ética exemplar pode ser encontrada na tentativa recente de economistas vinculados ao PT de atribuir as atuais dificuldades enfrentadas pelo país à suposta austeridade fiscal, deixando de lado sua responsabilidade pelas políticas que, ao final das contas, jogaram o país na crise.

Segundo este pessoal, nada justificaria a reversão da política econômica adotada a partir deste ano. A que propõem, portanto, é essencialmente a mesma que guiou o país no primeiro governo Dilma: expansão do gasto, redução na marra da taxa de juros e intervenção pesada do governo no domínio econômico. Não por acaso, muitos dos autores da atual proposta são os mesmos que manifestaram apoio à reeleição da presidente no ano passado, embora tenham tentado se passar por críticos da política econômica quando a coisa ficou feia.

Aparentemente, inflação superior a 6% ao ano, mesmo com preços reprimidos, não seria motivo de preocupação. Nem, é claro, um déficit externo que superou US$ 100 bilhões no ano passado, e muito menos o virtual desparecimento do superávit primário do setor público, que por muitos anos havia se mantido na casa de 3% do PIB, mas que em 2014 se transformou num déficit (oficial) de 0,6% do PIB, enquanto estimativas de especialistas sugerem que, descontadas as “pedaladas”, o número verdadeiro teria se aproximado de 1,5% do PIB. Da mesma forma o crescimento da dívida pública de quase 10 pontos percentuais entre 2010 e 2014 não mereceria qualquer reparo.

Deixa-se convenientemente de lado o fracasso do crescimento no período, quando o PIB se expandiu a pouco mais de 2% ao ano, atribuído à “crise internacional”, muito embora o crescimento mundial tenha se mantido praticamente inalterado (3,6% ao ano) e a relação entre os preços das exportações e importações brasileiras tenha sido simplesmente o mais favorável desde 1978, pelo menos.

A verdade que os punguistas econômicos querem esquecer é que as políticas que defenderam então, e que agora pedem de volta, colocaram o país numa situação insustentável. Sua manutenção poderia até adiar o encontro com a realidade por mais um ano ou dois, mas apenas à custa do aprofundamento das distorções que se acumularam nos últimos anos: inflação mais alta, dívida em crescimento e déficits externos ainda maiores.

Note-se que isto provavelmente não conseguiria impedir a recessão. De fato, como notado pelos economistas que fazem parte do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, a recessão se iniciou em meados do ano passado, muito antes de qualquer discussão sobre a possibilidade de alteração da tal Nova Matriz Macroeconômica.

Em particular, o investimento, variável-chave para o crescimento sustentável, vem em queda desde 2013, e acumulava retração de quase 8,5% quando os punguistas louvavam a política em vigor.


O que eles hoje recomendam é exatamente o que nos trouxe à situação lastimável em que estamos. Confesso que, apesar disto, meu lado cruel adoraria tê-los de volta no comando da política econômica. Seria péssimo para o país, mas divertidíssimo vê-los chamando o ladrão quando o caos se instalasse de vez.

2011-2014

(Publicado 30/Set/2015)

Reações:

13 comentários:

E tem alguns heterodoxos (keynesianos?) e "desenvolvimentistas" arrependidos (não confessos) que passaram a defender superávit primário. Uns até dizem que Keynes era contra gastos públicos. Keynes elogiou a construção das pirâmides, das catedrais, mandou furar buracos e depois tampar. Mas continuam receitando juros baixos e câmbio competitivo (administrado?). Não diferenciam taxa básica de juros de mercado (curva de juro então nem conhecem). Não falam se a selic deve ser abaixo da adequada (o argumento é sempre abaixar o juro). Não falam que Adam Smith escreveu criticando o excesso de gastos improdutivos, que se forem representativos em relação aos produtivos a riqueza cai (PIB).
Parabéns pela postagem.

As críticas ao PT não possuem valor algum, pois nos somos o único partido que deixou um legado de inclusão social!!

A maior inclusão social dos últimos anos chama-se Plano Real, que o PT votou contra. Brasil felizmente está acordando... PT, adeus, saudações!

A coluna de hoje (7/10/2015, no dia em que Dilma sofreu três derrotas: congresso, STF e TCU) do Delfim na FSP saúda "a disposição da presidente Dilma de reassumir com vigor o seu protagonismo"

Finalmente

Com a sua mensagem de 2/10, Dilma fez o que deveria ter feito em dezembro de 2014: 1º) reaproximou-se da sua base legislativa da qual se afastara na disputa desinformada com Eduardo Cunha e 2º) cuidou da reorganização interna para dar maior governança ao seu governo.

As mudanças sugerem um recomeço [...] Sua qualidade e efetividade se revelarão nas próximas semanas.

Delfim é um pândego.

Como fica a credibilidade do Joaquim caso seja confirmado que as pedeladas continuaram em 2015?

Vai ter bolão do prêmio Nobel??

Para o Brasil começar a andar mesmo precisa fechar essa fábrica de desenvolvimentistas que é o curso de economia da Unicamp.

Should Keynes be alive, he would be a neoclassical economist

Alex, vc que trabalhou como diretor do banco central, como viu a notícia que o BC ajudou a encobrir as "pedaladas fiscais" ao não lançar as operações como dívida?

Será que foi ordem de cima ou os órgãos técnicos do BC não consideraram as operações irregulares?

Abraço,

Marcelo

Caro Alexandre

você está corretíssimo de novo.

Olha como João Sicfú também pratica este exercício.



http://www.cartacapital.com.br/economia/pacote-de-credito-qual-a-novidade-8566.html

Como cantava Bezerra da Silva, “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”. Só nesse país de bacana que os larápios do PT ainda estão soltos e no poder para continuarem suas práticas criminosas e imorais. A mudança de rumo será muito difícil, os sindicatos e esquerdistas farão de 2016 um ano totalmente perdido, mas sem a necessária correção de rumo, vamos todos para o saco. Inclusão social se constrói com trabalho, produção e distribuição. Mas sem produção não haverá o que distribuir...

Atenção economistas e jornalistas está na hora de trocar DESENVOLVIMENTISTAS por SUBDESENVOLVIMENTISTAS.

Entendo perfeitamente o que quer dizer quando afirma que quase gostaria de vê-los no poder quando a bomba estourar. Assim eles não vão ter para onde correr e essa máscara política vai cair, mostrando como eles são realmente uns ladrões de marca maior.