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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A César o que é de César


Depois de meses em negação, atribuindo o aumento da inflação a um mal definido “choque internacional de oferta” (que teve o mau gosto de afetar apenas o Brasil, poupando países como Chile, Peru, ou Colômbia), o Banco Central parece ter finalmente acordado para o problema. Se não ainda para lidar com ele, ao menos para buscar novas desculpas sobre como – depois de reiteradas juras acerca da convergência da inflação à sua meta – esta teima em acelerar.

Agora é a depreciação da moeda no ano passado que tem sido repetidamente citada por fontes governamentais entre as explicações para a alta inflacionária, tomando o lugar antes reservado ao infame “choque internacional de oferta”.

Para ser sincero, sim, é claro que um real mais fraco (ou, de forma equivalente, um dólar mais caro) se reflete na inflação. Há bens que podem ser importados e exportados sem grandes custos; assim, seus preços costumam seguir os preços internacionais de produtos similares, convertidos em moeda nacional pela taxa de câmbio. Neste sentido, não há dúvida que a desvalorização da moeda tem efeito sobre os preços destes bens e, portanto, se traduz em inflação mais alta.

Ainda que possamos concordar acerca do efeito inflacionário da depreciação, não é possível aceitá-la como desculpa para o lamentável desempenho do BC no que diz respeito a seu mandato de estabilidade de preços por um simples motivo: porque foi ele quem engendrou a fraqueza do real à que hoje atribui a culpa pela inflação mais alta.

Uma simples vista d’olhos nas suas ações, na gestão da política monetária, na intervenção no mercado de câmbio, ou por meio de medidas regulatórias, mostra, além de qualquer dúvida razoável, que o BC buscou, de forma consciente, produzir um encarecimento do dólar.

Mesmo em face de uma elevação de preços internacionais das commodities, que, em condições normais, produziria – como o fez em outras economias da região – uma moeda mais forte, o BC tomou medidas em várias frentes para manter o dólar acima de R$ 2,00.

Não é sequer necessário ler as intenções do BC nas entrelinhas de suas ações, pois em mais de uma ocasião integrantes da diretoria do órgão vieram a público afirmar seu compromisso com uma taxa de câmbio acima daquele valor, assim como assegurar que agiriam para que “o Brasil não seja uma praça de desvalorização de outras moedas”.

Obviamente esta postura gerou um impacto sobre a inflação muito maior do que no caso dos países que deixaram suas moedas se fortalecer em resposta aos preços mais altos das commodities.

Posto de outra forma, se houve efeito da desvalorização cambial sobre a inflação no Brasil (e tudo indica que sim), ele também tem que ser debitado na conta da autoridade monetária, que, ao final da história, estimulou precisamente aquele movimento, pelo menos até perceber tardiamente que sua política era inconsistente com a prometida convergência da inflação à meta. O BC colhe agora aquilo que plantou e só hipocrisia pode justificar manifestar qualquer surpresa a respeito.

Hoje, porém, o problema adquiriu outra dimensão. Não se trata mais de fazer a inflação recuar para a vizinhança de 4,5%, mas sim de evitar que rompa o limite superior de tolerância (6,5%). Ainda creio se tratar de uma possibilidade remota este ano em face da intervenção pontual sobre alguns preços, assim como a possibilidade de moderar pressões no curto prazo pelo uso mais ativo das desonerações tributárias.

Estes artifícios, porém, têm vida curta, como exaustivamente demonstrado pela experiência histórica. A verdade é que as várias inconsistências da política econômica estão cobrando seu preço na forma de tensões inflacionárias crescentemente difíceis de esconder. Se o BC quer lidar com o problema, deveria começar assumindo sua responsabilidade na criação da desordem que ele próprio ajudou a fomentar.


Quem assina a moeda se responsabiliza por ela

(Publicado 27/Fev/2013)

Reações:

110 comentários:

Decididamente, por falta de independência, a meta de inflação do Bacen passou a ser algo entre 4,5 e 6,5% ao ano. Isto é, uma taxa de inflação compatível com a sensação/percepção de pleno emprego. O governo, com o Bacen como órgão subalterno, não está muito preocupado com a moeda, mas sim em manter o projeto de poder. Ops, desculpa aos economistas "técnicos", mas não me culpem por vocês não entenderem nada de economia política.

Engraçado é que estes questionamentos passam desapercebidos pela mídia. Seria ótimo ver alguém perguntando a alguma autoridade monetária, ou do governo, se eles sabiam o que estavam fazendo ou se tinham algum planejamento/estratégia que permitia levantar o câmbio ano passado. Há exatamente um ano atrás o dólar estava cotado a R$ 1,60.

O BC está querendo dizer, não tenho culpa, pois fui obrigado a obedecer burros. Tem a culpa de ter calado e obedecido. Na verdade falou e operou a favor dos erros (até defendeu-os). O correto seria, humildemente, falar agora: errei, vamos corrigir, podem confiar.
Quiseram substituir o modelo econômico vitorioso (tripé, lei de responsabilidade fiscal, agências reguladoras, etc.) ao invés de continuá-lo e aperfeiçoá-lo. Mas isto daria trabalho (e esta turma quer sucesso sem trabalho.). O modelo econômico desta turma é: a) desvalorizem a moeda pátria artificialmente; b) reduzam a taxa básica (na verdade gostariam de dar o cano na dívida); c) controlem os preços e a oferta (e os lucros das empresas); d) gaste à vontade o dinheiro do governo (sem preocupar-se se a despesa é produtiva ou improdutiva); e) não respeite a meta de inflação (isto é coisa de economista monetarista ortodoxo). VAMOS SUBSTITUIR O TRIPÉ PELA NOVA MATRIZ ECONÔMICA (vocês ainda não entenderam).

Não é um modelo keynesiano, pois Keynes era a favor de câmbio flutuante e contra a inflação (só não conseguiu prever que sua receita, no processo, levaria `a inflação e a seguir à estagflação). É heterodoxo? Sim, pois aí cabe tudo (todas as asneiras impensáveis para uma pessoa racional). Para esta turma o mensalão não existiu e a Yoani Sanches não pode falar. É nacional-desenvolvimentista? Pode ser, pois aí cabe tudo de errado (aí entra a turma burra da direita e da esquerda).
Conseguiram amedrontar o capital (os investimentos), na verdade a todos (bem verdade que alguns quase embarcaram na ignorância).

Adoro o ar de espanto das pessoas com as tosquices que marcam tudo nesse país mas sobretudo a administração pública. Andam esquecendo que o Brasil é uma b.. de país subdesenvolvido, coisa que não é produto do acaso.

admitiu que inflação é de custos..

metas de inflação é atirar no queijo e acertar a goiabada, tanto que em serviços eles não conseguiram segurar p* nenhuma, ja que não tem muitos bens importados, e ela só apareceu chegando ao pleno emprego

"admitiu que inflação é de custos"

Mais um que confunde movimentos ao longo da curva de custo marginal com movimentos da curva de custo marginal.

Vocês nao fizeram Introdução à Economia?

tanto faz, é causada por custos, pode espernear a vontade

Alex, parece que o Ming andou lendo o seu artigo sobre emprego. Ele escreve mais facil que vc, talvez agora o governo entenda, se souberem ler.

A questão é: o juros sobe ou não sobe?

Não, bobinho.

Se ficar mais fácil, pense em oferta e demanda, sabe, aquém gráfico que você deveria ter aprendido em Introdução à Economia, mas obviamente não aprendeu.

Se há deslocamento da curva de demanda, os preços sobem ao longo da curva de custo marginal, puxados pela.... demanda!

Se há deslocamento da curva de oferta para cima,os preços sobem ao longo da curva de demanda.

E, se você não sabe a diferença, melhor se dedicar a algumamoutra coisa, porque para economia você não serve...

ai meu rim..

que deslocamento pra cima de demanda cara palida? ahh tão mais caros os importados, vou comprar mais

Aproveite e compre uns serviços importados também, quem sabe uma escola em Luanda, barbeiros em Sevilha, médicos e Cuba e, já que está procurando, deixe seu carro num estacionamento em Buenos Aires.

agente nao tava falando de serviços, tava? mas essa tu explica pelos juros também?

Alex,

Você fala pouco sobre política fiscal. Fica para mim a impressão de que ela seria menos relevante para combate à inflação. Ou, talvez, que você já tenha simplesmente desistido de esperar uma outra política fiscal do governo. Daí a pergunta: existem especificidades na economia brasileira atual que impeçam o combate da inflação via política fiscal?

Abraços

Pela logica do bobinho, inflacao eh sempre causada por custos... Pior que essa eh a mentalidade do 'pessoal' que manda hoje em dia. Comprem NTN-B, meus amigos...

abaixo do pleno emprego, sim
hiato do produto nem no mainstream é tao relevante assim (nao acelera)

Alex, choque de custos podem ter diversas causas e, ao meu ver, a principal delas é o aumento do salário mínimo.

Como o salário mínimo tem papel-chave na determinação do salário médio, tem-se que os salários na economia brasileira acabam crwscendo bem acima da produtividade, muito embora neste movimento haja também influência significativa de um mercado de trabalho apertado (puxado obviamente por um demanda em expansão).

Sem mais, o meu ponto é que existem pressões inflacionárias tanto pelo lado da demanda quanto pelo lado dos custos. A polarização do debate (que neste momento verificamos) nunca é boa para fins analiticos mais sérios.

Embora a frase tenha surgido em outra discussão, acho sempre váliso citar o Samuelson, que costumava afirmar que "supply without demand is like one hand clapping".

Em resumo, oferta e demanda se deslocam para cima na conjuntura atual. Ignorar este fato é pura ideologia.

Governou realmente abandonou superavit primario .....ta fazendo superavit nominal agora. Bom ou ruim?

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/02/superavit-primario-e-o-maior-da-historia-e-paga-todo-juro-da-divida.html

Oi, alguem poderia explicar como a politica monetaria pode afetar o produto?

sou aluna de ADM, grata

" Obviamente esta postura gerou um impacto sobre a inflação MUITO maior do que no caso dos países que deixaram suas moedas se fortalecer em resposta aos preços mais altos das commodities.

Posto de outra forma, se houve efeito da desvalorização cambial sobre a inflação no Brasil (e tudo indica que sim)..."

Tem dado? Qual o pass-through que vc estima?

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/02/superavit-primario-e-o-maior-da-historia-e-paga-todo-juro-da-divida.html

ihhh, que que o carequinha vai falar agora...

careca e "O" querem menos tarifas aos importados

ou seja querem comprar nespresso à preços suiços e destruir o cafe UNIÃO

NOT UNDER MY WATCH

ihh.. "O" o keynesiano pelado pegou pesado contigo agora

http://nakedkeynesianism.blogspot.com.br/2013/02/the-imf-and-white-mans-burden.html

"E, se você não sabe a diferença, melhor se dedicar a algumamoutra coisa, porque para economia você não serve..."

Recomendo fortemente o curso de Música na Unicamp. Só sucesso.

Juros baixos aumentam a quantidade de moeda na economia, o banco central, por meio do sistema de reservas fracionárias cria dinheiro do nada quando um empréstimo é requisitado,ou quando crédito é expandido. Inflação é a expansão monetária e nada mais.Não tem segredo e nem mistério.

Acontece que na ilha da fantasia keynesiana, imprimir dinheiro é criar riqueza. Uma moeda desvalorizada torna todos mais ricos...

Nem preciso citar as consequências disso nos e.u.a e na Europa.

"agente nao tava falando de serviços, tava? mas essa tu explica pelos juros também?"

Não, explico pela política fiscal também. Enfim, tudo que contribuiu para levar a economia além do pleno-emprego.

"Alex,

Você fala pouco sobre política fiscal. Fica para mim a impressão de que ela seria menos relevante para combate à inflação."

Pô, aí é sacanagem: eu cansei de falar sobre política fiscal. É só ver aqui no blog (o comentário acima foi feito ANTES de ler seu comentário).

Abs

"Como o salário mínimo tem papel-chave na determinação do salário médio, tem-se que os salários na economia brasileira acabam crwscendo bem acima da produtividade, muito embora neste movimento haja também influência significativa de um mercado de trabalho apertado (puxado obviamente por um demanda em expansão)."

Pois é: aí tem que mostrar evidência empírica sobre a sua primeira afirmação, que, pelo menos até onde conheço, sugere exatamente o contrário.

"Governou realmente abandonou superavit primario .....ta fazendo superavit nominal agora. "

Eita: mais um que não conhece sazoanlidade... Veja o resultado fiscal em todos os janeiros e aí conversamos

"ihhh, que que o carequinha vai falar agora..."

Outro que não conhece sazonalidade. Venha me procurar quando o número do ano inteiro sair (se tiver coragem, claro)

"Evidência empírica sobre a sua primeira afirmação, que, pelo menos até onde conheço, sugere exatamente o contrário"

Poderia me dizer as fontes Alexandre, por favor?

Abs

Economista X

Depois que a Dilma falou que o Banco Central é independente, começou-se a falar em alta de juros!

"Santa independência, Batman"

E a farra do tesouro nacional parece não ter mais fim.
Para não quebrar as distribuidoras de energia elétrica e nem darem a elas uma revisão extraordinária para tampar o rombo com a compra de térmicas e acabar com o ato elétrico eleitoral, cogita-se que o tesouro entrará na jogada.

Agora o BC inventou um novo indice para a inadimplencia que não por acaso diminui a taxa... E o governo fingindo que se importa com inflação aiai.

alex, esse cara ta certo sobre inflação?

vou cita-lo

"
Que o controle dos agregados monetários pelo Banco Central seja um tanto difícil é algo indiscutível. Agora, simplesmente dizer que "não existe também uma conexão estável entre preços e outros agregados monetários" é algo não apenas incompleto, como totalmente enganoso. Para ver se existe tal relação, é metodologicamente incorreto apenas comparar a evolução de um agregado com a evolução dos preços. Você não pode ignorar o crescimento econômico real ocorrido no período.

Explico.

Se a oferta monetária fosse fixa, os preços tenderiam a cair -- e é essa queda em potencial que você está ignorando. Assim, para termos a exata noção do efeito de uma expansão monetária sobre os preços, temos antes de considerar qual seria a queda potencial nos preços caso essa expansão monetária não tivesse ocorrido.

Para ficar mais claro: suponhamos que, em uma economia qualquer, na qual a oferta monetária fosse fixa, os preços no mercado caíssem naturalmente 5% ao ano. Agora, suponha que um banco central tenha sido criado e que, já no ano seguinte, ocorresse um aumento de 5% nos preços em relação ao ano anterior. Nesse cenário, os economistas diriam que a inflação foi de meros 5%. Mas isso estaria errado. A inflação não foi de meros 5%. Para sabermos a real inflação ocorrida, temos de comparar esse novo nível de preços com o nível que ocorreria caso não tivesse ocorrido uma expansão monetária -- isto é, caso o banco central não tivesse sido criado.

Assim, tomemos como base o ano anterior à expansão monetária. O nível de preços seria 100 (apenas para facilitar os cálculos). No ano seguinte, caso tudo continuasse como antes -- isto é, com oferta monetária fixa -- haveria uma queda de 5% nos preços. Logo, o nível de preços seria de 95. Porém, como houve uma expansão monetária e os preços subiram 5%, o nível dos preços foi de 105.

Qual a inflação real do período? Ora, se o nível de preços era para ser de 95, mas foi de 105, então a inflação real do período foi de 105/95 = 10,5%. Ou seja, nesse exemplo simples, a estatística oficial, ao declarar inflação de apenas 5%, declarou menos da metade da real inflação de preços ocorrida na economia.

Portanto, sempre que você vir um IPCA indicando 6,5%, pense em como ele seria caso não tivesse havido expansão na quantidade de dinheiro na economia. Se a economia tiver produzido 5% a mais de bens e serviços, então o IPCA teria de ser de, por exemplo, -5%. A diferença entre -5% e 6,5% (106,5/95 = 12,1%) foi a real inflação de preços ocorrida.

Traduzindo: jamais se deve ignorar os efeitos insidiosos da inflação. Analisar apenas índices de preços é algo um tanto afastado da realidade. Caso tenha ocorrido expansão monetária, mesmo que uma economia apresente 0% em algum índice de inflação, ainda assim houve inflação de preços -- haveria deflação na ausência dessa expansão.

Quando houver algum trabalho acadêmico que faça essa devida correlação, tenha a bondade de nos informar."

po Irineu, tu é contra apreciação cambial?

http://www.imf.org/external/np/res/seminars/2007/arc/pdf/icf.pdf

A entrevista hoje com o Belluzo no Valor o coloca como ministro da fazenda, conselheiro principal, enfim, o nome que quisermos dar para ele. O sujeito é muito vaidoso, e ignorante, falou como se fosse o chefe, e para variar só falou besteira.

"...ou seja querem comprar nespresso à preços suiços e destruir o cafe UNIÃO

NOT UNDER MY WATCH..."

Como assim? Por que não debaixo de seu relógio? É um relógio suiço, é isto? Ou é um paraguaio comprado com preços suíços? Agora eu realmente fiquei confuso.
Ontem li em algum lúgar que, se não fossem os estúpidos, a Internet seria muito mais chata. E é verdade. Ótimo começar o dia assim.
Saudações

Caro anônimo das 2:18.

O que o austriano escreveu é um completo nonsense. A seguir, veremos:

1 - Mostrou que NÃO conhece os estudos feitos. A maior parte dos estudos que falam da não-existência de relação estável entre agregados monetários e preços o fazem verificando a não-verificação da Teoria Quantitativa da Moeda, ou seja, verificando que a velocidade de circulação não é constante. Logo, o "ponto" de que não se leva em conta o produto, como diria o Padre Quevedo, "non ecziste".

2 - A variável de interesse é o índice de preços, e não qualquer variável como "a variação de preços versus o contrafactual de um aumento de 0% na base monetária". Aliás, quando algum economista defende políticas expansionistas por temer efeitos adversos de uma deflação, está obviamente admitindo que as políticas expansionistas aumentam o preço em comparação com o "crescimento zero da base monetária". De novo, o cara não tem sequer um ponto para discutir.

3 - Se o cara quer expansão zero dos agregados monetários, as soluções dadas pelos austrianos (parte defende padrão-ouro com narrow banking, outra parte defende quase o oposto, que cada agente possa emitir moeda livremente) não assegurará nem de longe isso.

Alex,
sobre o seu comentario das 18:53

"salário mínimo tem papel-chave na determinação do salário médio"

Aumento do salraio minimo tende a diminuir o salario medio na economia é isso?

Faz sentido, mas como racionaliza isso?

abs
Xian



Se for pensar em termos de Oferta e demanda por MDO em um mercado de trabalho no equilibrio, um aumento do salario minimo teria que ser acompanhado por um reducao dos demais salarios para que o salario medio voltasse ao nivel inicial e o mercado coltasse ao equilibrio.

Mas n consigo enxergar o Salario Medio se tornando menor.

Se bem que se for pensar em termos reais (acho q seria o correto, certo?) o salario medio real poderá sim se tornar menor.

é possivel ir por este caminho ou o raciocinio n faz mto sentido?

abs
XIan

"NOT UNDER MY WATCH..." tá mais pra "não sob minha vigilância", e não relógio.

Alex, o fato de o IPP (Índice de preços ao produtor, do IBGE) ter registrado deflação de 0,04% em Janeiro e resultados não tão altos desde outubro não pode indicar uma tendência de arrefecimento da inflação nos próximos meses? Ou não tem nada a ver o IPCA com o IPP?

O IPP começou a ser calculado em dez-09 (a primeira inflação mensal fo em jan-10). Não dá para dizer se antecipa ou não tendências do IPCA, mesmo porque em janeiro do ano passado (e fevereiro!) o IPP caiu 0,43% e a inflação foi o que foi.

Isto dito, em 12 meses o índice continuou a se acelerar, de 7,28% para 7,69%, o que não é bom presságio (feitas as ressalvas acima).

Gente, sério: alguma alma bondoso pode me dizer o que vai acontecer com as NTNBs na iminente subida dos juros? E com as LFTs? Desculpem a ignorância, mas as NTNBs cairam com meras expetactivas. Elas estão precificadas para a alta dos juros?

eu tava acompanhando a briguinha no http://nakedkeynesianism.blogspot.com
e fiquei triste que o "O" parou de responder.. que tal o alex entrar ?

Alexandre,

Onde estão os resultados que mostram que o salário mínimo não influencia o salário médio da economia?

Acho um tanto contra intuitivo pela quantidade de pessoas que recebem SM como ordenados ou que recebem um múltiplo do mesmo (SM é reconhecido com o grande farol do mercado de trabalho).

Att,

MPK

'Não há crescimento sustentável sem controle de inflação', diz secretário da Fazenda. FSP.

"Não há crescimento sustentável sem controle de inflação", disse Barbosa. Segundo ele, os indicadores econômicos de janeiro "consistentemente indicam uma recuperação da economia brasileira".

ATÉ QUE ENFIM.

Então Alex, vc sugere que uma alta de 150 bps seria pouco, quase a mesma coisa que nada. Mas não mudaria a tendência da inflação (que roda nos útimos anos em 6%)para 2013 e 2014 nem em 0,5pp ou 1pp? Ou que uma alta desta magnitude seria insuficiente para trazer a inflação à meta de 4,5% em 2014?
Dantas

Esquece as NTNB's anonimo das 11:10.

Retorno das NTNB's pode ser descrito como juro real + inflacao (r+p)
So que qdo vc compra vc esta comprando um r conhecido e um determinada expectativa de inflacao E(p).

Por nao arbitragem E(p)+r = i

onde i é a taxa das NTNF's ou do DI de vencimento (duration) correspondente.

Se a taxa de juros subir, i sobe. Se a expectativa de taxas de juros subir , i sobe por antecipacao.

Se i subiu entao o ajuste nas NTNBs tem q acontecer atravez de r ou de E(p) certo.

de qq forma as NTNBs perderao valor.

Ate o final do ano passado era um bom trade. Agora so vale comprar as NTNB's se vc puder tb "tomar o DI"(receber CDI e pagar PRE).

Dessa forma vc ficara posicionado so na inflacao e nao em um juro real menor. Ficar seco (sem a parte do CDI) nas NTNb's nao me parece um bom negocio.

Se tudo que vc pode fazer é comprar titulo publico (sem operar derivativo), vai nas LFT's que é o melhor que vc faz.

ou seja... fica com dinheiro em caixa.

abs
Xian

Xian, você confia na neo-ortodoxa Dilma? Ô anônimo, fica trank com as suas NTNBs, o trade parece ter sido ruim, ainda poderá piorar, mas no vencimento você vai bater essa LFT.
Daniel

Xian,

Você tem razão de que comprar a NTN-b seca expõe o investidor a um risco pré...
Agora, se i sobe, mas essa alta não afeta r, só E(p), as NTNbs ganham valor, ao contratio do que sua resposta parece sugerir.
É preciso lembrar também que se ICB > ICB* então r pode ser <0 para os títulos de curto e até mesmo médio prazo... (Onde ICB é o número de idiotas completos em Brasilia e ICB* é um número de idiotas completos crítico...pelos meus calculos, só o Mantega, o Augustim e o Barbosa já dão mais do que ICB*)

Vc vai perder dinheiro na ntnb se o bc subir mais o juro real do que precificado nelas e/ou se a inflacao implicita cair...ou seja, se a Dilma virar hawk.

Dificil neh?

Yankee

galego, postei teu comentario la e ele respondeu .. aqui pra tu fala diretamente com ele

http://mises.org.br/Article.aspx?id=1296

ou os donos do blog podem se somar ao debate..

Ca estou eu estudando para minha p2 de Macro II (ufrj) o texto "inflacao : uma abordagem pos-keynesiana" de SICSU, João.

Nao por coincidencia estou lendo antes de um jogo do Palmeiras.. Afinal de contas, depois de tamanha tortura, qualquer performance desastrosa do meu time será "a walk in the park"

Por causa da faculdade eu to sendo obrigado a ler o Kalecki

" O " Anônimo

Eu sou lunático ou isso é pura porcaria ?

que porra é essa ? uma economia com " 3 departamentos "
não existe nenhum flexibilidade de produção entre eles
ele toma como hipótese
que os trabalhadores n poupam
ele isola algebricamente o consumo dos trabalhadores, pra falar que o que importa é o investimento e o consumo dos capitalistas
mas ele poderia isolar qualquer uma das 3 e falar que são as outras duas que importam !
é uma economia onde todos os preços e todos os salários tem rigidez real
a proporção salários e lucros em cada setor é imutável
e a proporção de salários entre cada setor tbm é imutável
cara, que porra é essa ? hahahahaha

Pergunta séria: sou só eu ou vocês também desistem da vida quando esbarram em um "atravez" de um comentarista?

Anônimo (28/02/2013 às 02:31),
Boa a indicação do trabalho "A Micro-Empirical Foundation for the Political Economy of Exchange Rate Populism" de Irineu de Carvalho Filho (No FMI) e Marcos Chamon (Também no FMI) e apresentado em conferência do FMI realizada de 15-16 de novembro de 2007.
Eu como leigo me senti satisfeito em saber que não estou sem o apoio da academia na crítica que eu fazia à demagogia da apreciação da moeda desde que vi Carlos Menen adotando tal política na Argentina e Fernando Collor de Mello no Plano Collor I e Fernando Henrique Cardoso no Plano Real dando sinais de que fariam algo semelhante no Brasil.
Pena que se tenha demorado até 2007 para se fazer a boa crítica.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 28/02/2013

Anônimo (28/02/2013 às 02:18),
Esta questão da base monetária foi também suscitada no post anterior "Nem o bê-à-bá". Lá, em comentário enviado em 27/02/2013 às 00:48, há uma manifestação rápida e perspicaz de "O" Anonimo e que pela razoável polidez não parece da lavra dele e que por isso mesmo merece uma reprodução. Disse ele lá:
"Sinceramente, eu nao tenho paciencia ou tempo livre para dialogar com austrianos. Sao tao loucos quanto os quermesseiros, mas diferentemente dos quermesseiros, nao tem poder ou influencia alguma"
Sou leigo em economia e em medicina, mas acho o termo louco um tanto exagerado, mas o que vem ao caso no comentário de "O" Anonimo é mencionar os austrianos como um grupo que não exerce influência alguma em contraponto a influência que exerceria os quermesseiros keynesianos. Se em loucos há exagero, dizer apenas que os quermesseiros Keynesianos detêm influência sem explicar a razão peca pela falta.
Aliás, penso que este é o problema dos economistas de modo geral: eles não procuram levar mais em conta a economia como fruto da ação política. Para os keynesianos não-quermesseiros ou para os não-keynesianos a mão visivel ou invisível cuida de tudo. E os austrianos vão alem, pois a economia se resume à quantidade de dinheiro em circulação.
Com o campo aberto, fica fácil para os keynesianos quermesseiros chegarem livres aonde se exerce influência. Felizmente, eu diria.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 28/02/2013

o Fed segue a regra de taylor? se sim, porque nao aumentou os juros antes da crise

abs

Hj cedo antes de ir ao trabalho, ouço no Globo Rural uma reportagem em uma cooperativa, não me lembro de onde, mas a repórter entrevista o responsável pela Cooperativa e o cara afirma que a quebra de safra nos EUA aumentou os preços dos grãos, beneficiou a cooperativa que vai repartir um grande lucro com os cooperativados. Ou seja, corrobora que houve um choque de demanda.

Ontem, na aula de Monetária pergunto ao professor se ele conhece o Alex; o cara vem e diz que ele é muito liberal para o gosto dele e não tem fundamento. Fiquei encucado confesso. Mas depois dessa reportagem e com base no artigo Anatomia de um choque descobri que meu professor é um quermesseiro.

Será que o Alex, e mais o “O” realmente não tem fundamento no que dizem?

Gente, brigadão pelos esclarecimentos sobre as NTNBs. Impressionou quedas de 7%, enquanto os pré nominais cairam só 1%, com inflação empinando. Mais dicas sobre investimento no Tesouro Direto, o timing correto, agradeço demais.

NTNB: o jeito é segurar até o vencimento,se tiver estomago para aguentar DILMA2,LULA 3 e4,HADDAD 1e 2...

Alexandre peida na farofa para responder....

"Mas depois dessa reportagem e com base no artigo Anatomia de um choque descobri que meu professor é um quermesseiro."

Eu sinto muito, mas seu professor apresenta alguns sintomas de ser um keynesiano de quermesse.

"O" Anonimo

sinto tua falta no blog do quermesseiro, eles tão até cantando vitoria e dizendo que voce peidou na farofa

"sinto tua falta no blog do quermesseiro, eles tão até cantando vitoria e dizendo que voce peidou na farofa"

Pode lhe surpreender, mas eu tenho mais o que fazer.

"galego, postei teu comentario la e ele respondeu .. aqui pra tu fala diretamente com ele

http://mises.org.br/Article.aspx?id=1296

ou os donos do blog podem se somar ao debate"

Não tenho tempo para ir lá e ficar discutindo com o referido blogueiro. Só escrevi aqui porque havia sido colocado como comentário já em dois posts. E apenas reitero que o cara não tem um ponto: ele não refutou a evidência empírica que, se quero estabilidade no nível de preços (ou no nível de inflação), é mais eficaz usar como instrumento a taxa de juros, e não algum agregado monetário. Todos os pontos elencados por ele servem para refutar a ideia que um aumento na quantidade de moeda não causaria, ceteris paribus, um aumento de preços. Mas não é esse o ponto: o ponto, muito diferente, é que controlar a taxa de juros é mais eficiente que controlar o agregado monetário se a minha função for a estabilidade de algum índice de inflação.

De resto, austrianos são inofensivos. O risco do Brasil está no extremo oposto, que são os quermesseiros.

Da para entender o sucesso de Belluzzo e Delfin como,segundo aimprensa, interlocutores de Dilma. Belluzzo[Valor,28/2}: sugere um jurinho de 0,5%,dolar a R$2,10,manter o pleno emprego e inflaçao na meta.Ou seja: o impossivel.É só a Dilma pedir ao B. Central para dar uma rodada no SAMBA. Delfin:nao acredita em produto potencial e a inflaçao nao aparece no que escreve,o que é música para o ouvido de qualquer político;melhor que o multiplicador keynesiano.Por falar em multiplicador;para ele deve funcionar quando o espirito animal dos empresários despertar na FIESP e no BNDES.Quanto a relaçao de Delfin com a inflaçao é só relembrar o que aconteceu em 1973 e1980.

Pois é rapazeada,

mas se a inflacao implicita permanecer constante e o BC subir taxa (ou os agentees comecarem a antecipar subida de taxa) quem ta comprado na NTNB perde dinheiro.

Segurar ate o vencimento? ate 2020? com esse juro real? melhor esperar p comprar ano q vem com desconto.

A implicita da B's ta beirando o 6%.

Nao tem muito upside no juro nominal. So downside. pq comprar esse risco?

Se a expectativa media de inflacao subir 0.5% (para o teto da meta) e o copon subir ao 75bps ( e a curva toda se mexer nessa magnitude), vc perde dinheiro.

entao o ponto é que p ficar seco na B hj tem q fazer muita conta, acertar na virgula e tambe acertar nas premissas.

nao me parece uma tarefa trivial para o poupador comum....

abs
Xian

Anônimo das 17:22.

Devia ter lido a "resposta" antes de postar aqui. Se eu tivesse reparado que, a uma frase minha "O que interessa é o índice de preços", ele respondeu que eu defendo o congelamento, sequer teria escrito o que escrevi há algum tempo (e ainda não foi publicado). Minha regra de poupança de tempo me impede de travar qualquer debate com o cidadão. Deixá-lo-ei com suas maluquices (inofensivas, ao contrário das da quermesse).

"...o cara afirma que a quebra de safra nos EUA aumentou os preços dos grãos, beneficiou a cooperativa que vai repartir um grande lucro com os cooperativados. Ou seja, corrobora que houve um choque de demanda..."

Meu caro,
Cuidado com o que você diz. Quebra de safra é choque de oferta!!!
Talvez o fato da quebra ocorrer nos USA e a cooperativa estar no Brasil pode estar gerando esta confusão.
Pense em dois irmãos que plantam, na mesma propriedade, alfaces para abstecer uma pequena cidade. Ambos plantam separadamente suas alfaces e as transportam para o mercadinho em seus respectivos caminhõezinhos (eles também tem comportamento competitivo).
Aí o caminhãozinho de um fura o pneu e o deixa sozinho na estrada com suas alfaces (que apodrecem). Como somente um dos produtores chega ao mercado (devido ao choque de oferta), seus preços sobem e este ganha muita grana.
Aproveito para ampliar o exemplinho (didático para a situação do país atual). Suponha que, lá pelas tantas, uma luz cai na cabeça dos dois, estes descobrem que são os únicos vendedores de alface e combinam entre si um aumento de preço (para níveis monopolistas). O acordo é cumprido porque a respectiva mãe destes é a fiadora do acordo (e eles não desobedecem a mãe - não tem dilema dos prisioneiros). Ambos ficam mais ricos e a quantidade vendida fica menor. Ou seja, a CARTELIZAÇÃO de um setor econômico também é UM CHOQUE DE OFERTA NEGATIVO!!!!
Saudações

Alexandre,

Quais são as evidências de que o salário mínimo não importa na determinação do salário médio?

Favor esclarecer a dúvida de seus assíduos leitores assim que possível.

Abs

"Eu sinto muito, mas seu professor apresenta alguns sintomas de ser um keynesiani de quermesse"

Pois é "O" , isso realmente me preocupa, mas vou fazer como o Alex ja sugeriu para um cara da UFRJ aqui - vou tomar um engov antes e outro depois da aula rsrs

Mas só para constar também é uma Federal, mas do Nordeste.

Abs

"Cuidado com o que você diz. Quebra de safra é choque de oferta!!!
Talvez o fato da quebra ocorrer nos USA e a cooperativa estar no Brasil pode estar gerando esta confusão.
Pense em dois irmãos que plantam, na mesma propriedade, alfaces para abstecer uma pequena cidade. Ambos plantam separadamente suas alfaces e as transportam para o mercadinho em seus respectivos caminhõezinhos (eles também tem comportamento competitivo).
Aí o caminhãozinho de um fura o pneu e o deixa sozinho na estrada com suas alfaces (que apodrecem). Como somente um dos produtores chega ao mercado (devido ao choque de oferta), seus preços sobem e este ganha muita grana."

Eu estava em dúvida, mas este é, sem dúvida, o maior merecedor do Jumento de Ouro.

Aplausos para o rapaz: ele mereceu.

Quem era o outro candidato?

ja q vc estava em duvida deve ter outro candidato.

Vai se fomenta, carequinha e seus seguidores que não entendem nada de economia tirando as contribuiçoes do chutando a lata apesar de representante do pensamento dominante é um cara que agrega valor ao debate.

Equilíbrio Geral, (kkkkk) que diga os modelos DSGE que não tem banco, crédito, uma única tecnologia, firma etc..etc...e as crises aí é a explicação mainstream qual é?

TENHO UMA..... COMO FALO TAYLOR SE O FED USA-SE DE FATO A REGRA DE TAYLOR NÃO LEVARIA A ECONOMIA AMERICANA A CRISE (MEUS DEUS, PERDOE TAYLOR!!! CARA NÃO LEVA EM CONTA NENHUM GRANDE EVENTO QUE OCORREU NA ECONOMIA AMERICANA ENTRE OS ANOS 200 - 2008)

Modelos sérios devem ter microfundamentos, com algumas fricçoes nominais e reais, a lá Blanchard e Galí (2007)
Picaretagem inserir microfundamento do Calvo de rigidez, isso é ad hoc, SIM SEU CAREQUINHA.


CADE MICROFUNDAMENTO NA REGRA DE TAYLOR, PAPER DELE NÃO TEM MAXIMIZAÇÃO DE AGENTE, NEM DE FIRMA É PURAMENTE AD HOC A IMPOSIÇÃO DA REGRA DO JURO EM RELAÇÃO A MOEDA.

DEPOIS VEM GALÍ, BLANCHARD, WOODFORD COM A REGRA DE BOLSO COM O PAPER DE BLANCHARD QUANDT (NÃO ME LEMBRO COMO ESCREVE SEGUNDO AUTOR), MAS VCS MAINSTREAM DEVE SABER DECORA, REGRA DELE SE PARAMETRO FOR MENOR QUE 1 O MODELO É ESTAVÉL..(KKKKK)
ou Capítulo 4, do livro do Galí é a funçao de bem -estar achando que resolveu o problema


mas como é modelos mainstream daí é sério é coisa fina.....(kkkk).
Existe economistas que estudam todos esses modelos idiotas, Woodford, Galí, RBC, equilíbrio geral, modelos de crescimento endogéno, mas não SÃO obrigadoS a aceitar como verdade pq o núcleo de publicações, policyamakers dominam o circuito das idéias em economia.

Ansioso para os comentarios do Alex sobre o Pibao do elfo.

A minha opinião sobre a eurocrise ser uma mera questão de flexibilização de salarios como muitos conservadores falam na globonews etc (não me leve muito a sério, sou um graduando)

A flexibilização só é vantajosa se o banco central tem capacidade de responder à (de)inflação. Se estiver proximo do zero-bound a flexibilização nada mais faz do que piorar a situação. Só isso, um abraço

Pessoal,

O assunto é mais delicado do que parece (acreditem)... aqui no pós há um dr. prof. que jura de pé junto, em nome de deus nosso senhor, que a quebra de safra nos EUA é um choque de oferta. E não adianta falar, argumentar e nem desenhar, ele não se convence...

O fato é que uma quebra de safra nos EUA resulta simplesmente no aumento de preço (commodity) e no aumento na demanda pelos produtos produzidos no Brasil. Me parece um caso simples de choque de demanda. Considerei a história do caminhãozinho bem didática, mas está ERRADA. Não há escassez de produto (como a historinha supõe) nem quebra de safra no Brasil (o que tb resultaria num aumento de preço). Se o cidadão discorda, tudo bem, mas que apresente argumentos convincentes...

Alexandre,

Voce afirmou uma coisa sobre a desimportancia do salario minimo na determinacao do salario medio, alegando evidencias empiricas, e ate agora nao nos mostrou.

Esta inventando coisas? O que custa apontar as evidencias?

Abs Marcos Junior

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/apos-pib-baixo-dilma-critica-mercadores-do-pessimismo.html

ai ai...

Por que nao eh choque de oferta, alex? Nao sou economista, mas a explicação pareceu razoável!

"Por que nao eh choque de oferta, alex? Nao sou economista, mas a explicação pareceu razoável!"

Um bom começo, é um post do Alex do fim do ano. Se não me engano;
"A Anatomia de um Choque" Dá um "search" aí em cima que vc acha.

http://anpec.org.br/encontro/2011/inscricao/arquivos/000-041594af526e0e7b50137be9b9041380.pdf

Esse artigo tem o objetivo de averiguar de que maneira as alterações no rendimento médio dos trabalhadores domésticos verificadas logo após o aumento do salário mínimo são atribuídas à política de valorização do mínimo. Para isso, foi utilizado o modelo de diferenças em diferenças, cujo grupo de tratamento são trabalhadores domésticos e o grupo de controle foi formado pelos trabalhadores por conta própria e pelos empregadores. Os resultados mostraram que a política de elevação do mínimo não provoca significativas diferenças de variação de rendimentos entre os trabalhadores domésticos e os trabalhadores por conta própria.

***

http://www.ipea.gov.br/pub/td/2002/td_0873.pdf

Três tipos de grupos de comparação são usados e, apesar de todas as metodologias serem imperfeitas, os resultados concordam entre si: a elasticidade da renda com relação ao salário mínimo seria pequena (algo em torno de 0,2) para os centésimos inferiores da distribuição de renda, maior (algo em torno de 0,6) para os centésimos onde se situam as pessoas ganhando o mínimo antes do aumento e, finalmente, cai a zero para os dois quintos superiores da distribuição de renda. A conclusão é clara: o salário mínimo tem efeito redistributivo, mas este não é grande.

http://desigualdade.inf.br/biblioteca/Salario_minimo_e_pobreza_no_Brasil.pdf

Nossos resultados mostram que aumentos do salário mínimo têm efeitos negativos, ainda que diminutos, sobre o grau de pobreza, quando não se consideram os reajustes dos benefícios da previdência social. No entanto, nossas estimativas do efeito do salário mínimo sobre a pobreza passam a ser positivas quando incorporamos o aumento desses benefícios.

http://aplicativos.fipe.org.br/enaber/pdf/128.pdf

o objetivo do presente trabalho é verificar os efeitos de curto prazo para a economia brasileira diante de um choque positivo de 10% no salário, buscando analisar o comportamento de algumas variáveis macroeconômicas de modo a verificar a eficiência deste tipo de política. Para alcançar o objetivo proposto é utilizado um Modelo Computável de Equilíbrio Geral (MINIMAL) com dados da matriz insumo produto do Brasil de 1996. O cenário obtido após a simulação aponta para um quadro recessivo da economia com redução do PIB, das exportações, aumento dos preços, dos custos de produção e, principalmente, uma redução do emprego em todos os setores da economia.




http://anpec.org.br/encontro/2011/inscricao/arquivos/000-041594af526e0e7b50137be9b9041380.pdf

Esse artigo tem o objetivo de averiguar de que maneira as alterações no rendimento médio dos trabalhadores domésticos verificadas logo após o aumento do salário mínimo são atribuídas à política de valorização do mínimo. Para isso, foi utilizado o modelo de diferenças em diferenças, cujo grupo de tratamento são trabalhadores domésticos e o grupo de controle foi formado pelos trabalhadores por conta própria e pelos empregadores. Os resultados mostraram que a política de elevação do mínimo não provoca significativas diferenças de variação de rendimentos entre os trabalhadores domésticos e os trabalhadores por conta própria.

***

http://www.ipea.gov.br/pub/td/2002/td_0873.pdf

Três tipos de grupos de comparação são usados e, apesar de todas as metodologias serem imperfeitas, os resultados concordam entre si: a elasticidade da renda com relação ao salário mínimo seria pequena (algo em torno de 0,2) para os centésimos inferiores da distribuição de renda, maior (algo em torno de 0,6) para os centésimos onde se situam as pessoas ganhando o mínimo antes do aumento e, finalmente, cai a zero para os dois quintos superiores da distribuição de renda. A conclusão é clara: o salário mínimo tem efeito redistributivo, mas este não é grande.

http://desigualdade.inf.br/biblioteca/Salario_minimo_e_pobreza_no_Brasil.pdf

Nossos resultados mostram que aumentos do salário mínimo têm efeitos negativos, ainda que diminutos, sobre o grau de pobreza, quando não se consideram os reajustes dos benefícios da previdência social. No entanto, nossas estimativas do efeito do salário mínimo sobre a pobreza passam a ser positivas quando incorporamos o aumento desses benefícios.

http://aplicativos.fipe.org.br/enaber/pdf/128.pdf

o objetivo do presente trabalho é verificar os efeitos de curto prazo para a economia brasileira diante de um choque positivo de 10% no salário, buscando analisar o comportamento de algumas variáveis macroeconômicas de modo a verificar a eficiência deste tipo de política. Para alcançar o objetivo proposto é utilizado um Modelo Computável de Equilíbrio Geral (MINIMAL) com dados da matriz insumo produto do Brasil de 1996. O cenário obtido após a simulação aponta para um quadro recessivo da economia com redução do PIB, das exportações, aumento dos preços, dos custos de produção e, principalmente, uma redução do emprego em todos os setores da economia.




"Por que nao eh choque de oferta, alex? Nao sou economista, mas a explicação pareceu razoável!"

Porque os plantadores de alface não trabalham na mesma fazenda da mamãe.

São dois plantadores. Um perdeu as alfaces e ficou pobre (choque de oferta); outro não perdeu as alfaces e as vendeu a um preço mais alto, ficando mais rico do que ficaria se o primeiro infeliz não tivesse perdido suas alfaces. Do seu ponto de vista houve um aumento da demanda por seu produto, i.e., choque de demanda.

Muito obrigado, Alex!

Mas se a quebra da safra fosse no Brasil, aí sim poderíamos dizer que foi inflação de custos, certo? Foi inflação de demanda no cado porque ela foi nos EUA, logo para os produtores brasileiros houve um aumento de demanda.

Então seria relativo? Isto é, se a quebra de safra foi nos EUA, houve inflação de demanda para os brasileiros e inflação de custos para os americanos

É Alex...espero que vc seja melhor como consultor do que como professor.

Inacreditável,
"...São dois plantadores. Um perdeu as alfaces e ficou pobre (choque de oferta); outro não perdeu as alfaces e as vendeu a um preço mais alto, ficando mais rico do que ficaria se o primeiro infeliz não tivesse perdido suas alfaces. Do seu ponto de vista houve um aumento da demanda por seu produto, i.e., choque de demanda..."
Mas estávamos falando de choques agregados de oferta e demanda, não? Que bobagem é esta? Qual é a discussão? Que choques agregados podem ter impactos muito diferenciados, seja sobre produtores específicos, seja sobre consumidores específicos (o que é verdade)? É simplesmente inacreditável.
São dois produtores. Um perde a produção, a curva de oferta agregada se desloca, mas o efeito individual sobre o produtor remanescente ocorre sobre a curva de demanda de seus produtos. E ISTO GERA UMA MODIFICAÇÃO NA DEMANDA AGREGADA DESTE MERCADO????? OU, PELO CONTRÁRIO, A NÃO MODIFICAÇÃO DESTA DEMANDA AGREGADA DESLOCA A CURVA DE DEMANDA PELOS PRODUTOS INDIVIDUAIS DE CADA UMA DAS FIRMAS RESTANTES????? ISTO É UM CHOQUE DE DEMANDA AGREGADA????
Esta realmente foi inacreditável. E eu que devo ganhar o jumento de ouro.
Saudações

Alexandre,

Voce deu um google feioso para responder ao desafio de apontar a nao-importancia do minimo na determinacao do salario medio.

Vou analisar friamente a qualidade destes trabalhos e retorno com um feedback. Mas te adianto que o mesmo google feioso acha resultados diametralmente opostos.

Abraco

Carlos

esse carequinha só sabe criar espantalhos da heterodoxia.. vou agora falar q todos os ortodoxos acreditam em equivalencia ricardiana e outras coisas

ah.. demorou pra voces admitrem base monetaria endogena heim?
Ao invez de fazer concessões e concessões a cada recessão, pq não adotar logo os heterodoxos como policy makers? ta na hora ja!!

Alex, qual a reaçao dos academicos gringos ao escutar de Mantega o famoso termo "guerra cambial".. ficaram perplexos, como se fosse um animal exotico dos tropicos ou alguns loonies concordaram com a existencia de tal preocupaçao com o cambio do resto normal do mundo?

"São dois produtores. Um perde a produção, a curva de oferta agregada se desloca, mas o efeito individual sobre o produtor remanescente ocorre sobre a curva de demanda de seus produtos. E ISTO GERA UMA MODIFICAÇÃO NA DEMANDA AGREGADA DESTE MERCADO????"

Ô imbecil: o mercado é mundial, um dos plantadores é o Brasil, o outro os EUA. Ou foi tão difícil perceber?

"vou agora falar q todos os ortodoxos acreditam em equivalencia ricardiana e outras coisas"

E eu não vou dormir de dia, nem comer de madrugada, só de preocupação...

"Mas se a quebra da safra fosse no Brasil, aí sim poderíamos dizer que foi inflação de custos, certo? Foi inflação de demanda no cado porque ela foi nos EUA, logo para os produtores brasileiros houve um aumento de demanda."

Isso aí. Ao contrário do Jumento de Ouro, você entendeu o problema...

“Alex, qual a reaçao dos academicos gringos ao escutar de Mantega o famoso termo "guerra cambial".. ficaram perplexos, como se fosse um animal exotico dos tropicos ou alguns loonies concordaram com a existencia de tal preocupaçao com o cambio do resto normal do mundo?”

Acadêmicos, assim como gringos nortistas em geral, têm uma enorme dificuldade para processar a idéia que um país grande como o Brasil pode ser governado por uma trupe de imbecis.

A capa da Economist mostrando que o Brasil domina a tecnologia de foguetes no formato de Jesus na cruz não ajuda muito a compreensão da realidade deles.

Por outro lado, nossos vizinhos sulistas (argentinos, chilenos, mexicanos educados) conseguem entender a profundidade do pensamento de um mantega.

Guerra cambial é invenção do Mantega? Parece que foi um dos temas do encontro do G-20 em Moscou

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,g-20-faz-pacto-contra-guerra-cambial-global-,997933,0.htm

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/02/g20-espera-afastar-ameaca-de-guerra-cambial-em-reuniao-em-moscou.html

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/g20-espera-afastar-ameaca-de-guerra-cambial

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/11/101112_acordo_final_pu.shtml

"...Ô imbecil: o mercado é mundial, um dos plantadores é o Brasil, o outro os EUA. Ou foi tão difícil perceber?..."

Imbecil é quem confunde choque individual com choque agregado. Tudo bem!!! Uma coisa é uma coisa e outra coisa, ou não!!!!

Não discuto as análises sobre o Brasil atual. O que me deixa possesso é a lambança com os termos utilizados!!!! Impressionante.

Meus caros,
Continuando minha indiganção. A princípio, eu concordo inteiramente com a análise do Alex. Porém, agora, eu não sei (quando ele escreve choque agregado, quer dizer choque individual. Não sei o que quer dizer choque individual para ele). Quando ele diz efeitos no Brasil, será que quer dizer efeitos nos USA? Quando diz oferta, será que quer dizer demanda? Agora, estou confuso. Quando ele fala sobre jumentos, ele esstá pensando da cintura para cima ou para baixo (e olha que ele é Sãopaulino, o que não quer dizer nada, uma vez que pode significar torcedor do palmeiras, sei lá).
Saudações

"Imbecil é quem confunde choque individual com choque agregado."

Não. Imbecil é quem não consegue ver que, do ponto de vista do produtor local, o que houve foi um aumento de preço que o deixa mais rico, portanto um choque de demanda. Se você não sabe o básico de comércio internacional, não opine e vó pesquisar a parte de baixo do jumento, que tanto lhe agrada.

Alex, a desvalorização do real no último ano não deve ser credito ao ministério da Fazendo, e apenas operacionalizado pelo BACEN?

Grato.

Choque de demanda pro produtor brasileiro, choque de oferta pros consumidores brasileiros. É isso?

Se há mais gente consumindo que produzindo, pode ser considerado choque de oferta agregada?

Mas é tão claro que o lado do choque deve ser relativo ao escopo da análise.

"Se há mais gente consumindo que produzindo, pode ser considerado choque de oferta agregada?"

Se o país consome menos do que produz é, por definição, exportador líquido e o choque é de demanda; fosse importador líquido (i.e., consume mais do que produz) seria choque de oferta.

"Se o país consome menos do que produz é, por definição, exportador líquido e o choque é de demanda; fosse importador líquido (i.e., consume mais do que produz) seria choque de oferta."

Nao complica mais que isso porque senao os dois neuronios dos quermesseiros entram em curto circuito.

Anônimo (28/02/2013 às 02:18),
Tive curiosidade em acompanhar a discussão sobre a teoria quantitativa da moeda originada no post anterior "Nem o bê-à-bá" e do levantamento que eu fiz movido pela curiosidade dá para indicar os seguintes links que são bons antecedentes da discussão. Primeiro deixo o link para um post que transcreve, em 18/01/2013, um artigo de Henry Hazlitt publicado provavelmente há vinte anos, um ano antes da morte dele aos 99 anos. O artigo de Henry Hazlitt (28/11/1894 a 08/07/1993) intitulava-se “O básico sobre a inflação” e pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1296
No site, à apresentação dos comentários seguem 138 comentários, havendo no final um comentário que foi levado também para o post "Nem o bê-à-bá".
Deixo também o link para o post daqui do blog A Mão Visível intitulado “Resposta ao austriano Adolfo” de sábado, 19/02/2011, de autoria de "O" Anônimo e que pode ser visto no endereço a seguir:
http://maovisivel.blogspot.com.br/2011/02/resposta-ao-austriano-adolfo.html
O post “Resposta ao austriano Adolfo” de autoria de “O” Anônimo tem um link para o blog de Adolfe Sachsida no seguinte post “Toma Lá, Dá Cá” de sexta-feira, 18/02/2011. Reproduzo aqui também este link:
http://bdadolfo.blogspot.com.br/2011/02/toma-la-da-ca.html
E que dá continuidade a uma discussão aparecida antes no blog de Adolfe Sachsida junto ao post “Duas Perguntas” de terça-feira, 15/02/2011, no seguinte endereço:
http://bdadolfo.blogspot.com.br/2011/02/duas-perguntas.html
O que me atiçou a curiosidade, levando-me a encontrar e ler os posts nos links mostrados acima foi a lembrança de um artigo de 2002 de Antonio Delfim Netto, publicado no Valor Econômico. Trata-se do artigo “Moeda, Preços e Câmbio” em que Antonio Delfim Netto faz menção ao trabalho dos economistas portugueses (Carlos Robalo Marques e Joaquim Pina) do Departamento de Pesquisas Econômicas do Banco de Portugal intitulado “Does Money Granger Cause Inflation in the Euro Area?”
O endereço do artigo “Moeda, Preços e Câmbio” é:
http://br.dir.groups.yahoo.com/group/economistas/message/2413
E há dois links para o artigo “Does Money Granger Cause Inflation in the Euro Area?”. O primeiro link é o seguinte:
http://www.bportugal.pt/en-US/BdP%20Publications%20Research/AB200307_e.pdf
O endereço acima é de versão que saiu em setembro de 2003. A versão que provavelmente foi mencionada por Delfim Netto é a que se encontra no seguinte endereço:
http://www.bportugal.pt/en-US/BdP%20Publications%20Research/WP200212.pdf
E há com título parecido o artigo “Does Money Growth Granger-Cause Inflation in the Euro Area? Evidence from Out-of-Sample Forecasts Using Bayesian VARs” e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.nek.uu.se/pdf/wp2007_30.pdf
O artigo tem também outro link com uma data mais recente, mas no caso a redação é a mesma. O que há de mais é a chancela do FMI como se vê no link a seguir:
http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2008/wp0853.pdf
Os autores de artigo “Does Money Growth Granger-Cause Inflation in the Euro Area? Evidence from Out-of-Sample Forecasts Using Bayesian VARs” são Helge Berger e Pär Österholm. É um artigo que vale bem a leitura. De certo modo o artigo estabelece uma regra de emissão da moeda, analisando quão próximo da inflação fica a análise quando se usa determinadas variáveis, incluindo ou excluindo dentre as variáveis a moeda. A aproximação é sempre melhor quando se usa a moeda.
Lembro ainda que o artigo “Moeda, Preços e Câmbio” de Antonio Delfim Netto saiu em um ano em que o ex-ministro dava conselhos todo o dia para o PT. O conselho do artigo “Moeda, Preços e Câmbio” foi dado quase no final do governo de Fernando Henrique Cardoso, observando que anualizada a inflação em IGP nos três últimos meses de 2002 superava 50%. No artigo podia-se perceber Antonio Delfim Netto dizendo cuidado com a moeda.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/03/2013

Alexandre Schwartsman,
A pecha de jumento de ouro em um blog de economia para um leigo não me encabula, assim não me recuso a apresentar a dúvida que muitos anônimos aqui no seu blog manifestaram. Venho acompanhando a discussão sobre o choque da oferta ou da demanda em relação à seca americana que elevou nos Estados Unidos o preço de milho, soja e trigo. Sempre que você critica a afirmação de que se teve um choque de oferta, dizendo tratar-se de um choque de demanda, eu fico tentado a discordar de você. Como leigo, eu não tenho como contra-argumentar.
A percepção que eu tenho que esta discussão é mais metodológica. É mais uma convenção terminológica. Agora vejo no seu comentário enviado 04/03/2013 às 15:58 que a convenção é submetida à condição de ser exportador líquido ou importador líquido (Condição que imagino deva-se restringir aos produtos que sofreram variação de produção com a seca).
Antes de ler o seu comentário contendo esta condição, eu havia lido os dados sobre o PIB e observado que o choque da oferta nos Estados Unidos tanto poderia ser visto como afetando o PIB pelo lado da produção no “Valor adicionado bruto da agropecuária” (Para o dimensionamento do PIB fica a impressão de se ter um choque de oferta positivo), como pelo lado da demanda como a diferença da “Exportação de bens e serviços” e da “Importação de bens e serviços”.
Como leigo eu não vi razão para eu destrinçar mais o meu entendimento do assunto. Além disso, pareceu-me que o que se discute é a inflação e não o PIB. Então, eu voltei a questionar a sua informação de que a seca americana produziu para o Brasil um choque de demanda e não de oferta. Como eu não sou economista, eu preferi não enveredar por essa discussão e voltei a ver a desavença como uma questão de terminologia. Os economistas convencionaram do jeito que você expõe e eu não vou meter o meu bedelho.
Fica, entretanto, a seguinte questão. Para o combate à inflação (Supondo duas situações distintas: primeira só se dispõe do juro e segunda se dispõe do juro e do câmbio), faz distinção se, no Brasil, a seca americana for classificada como choque de oferta ou choque de demanda?
Clever Mendes de Oliveira
BH, 04/03/2013

"TENHO UMA..... COMO FALO TAYLOR SE O FED USA-SE DE FATO A REGRA DE TAYLOR NÃO LEVARIA A ECONOMIA AMERICANA A CRISE (MEUS DEUS, PERDOE TAYLOR!!! CARA NÃO LEVA EM CONTA NENHUM GRANDE EVENTO QUE OCORREU NA ECONOMIA AMERICANA ENTRE OS ANOS 200 - 2008)"

Desculpe, como não entendo macaquês não consegui compreender o que você quer dizer, além da fixação com o FALO DO TAYLOR. Favor reescrever em português, obrigado.

Caro anônimo. O que ocorre é o seguinte: se eu considero o mundo como um todo, a quebra de safra é um choque de oferta. Esse deve ter sido o contexto em que seu professor fez essa afirmação. Porém, se considerarmos o mercado brasileiro, o choque é de demanda. Porque, sob o ponto de vista da oferta e demanda de produtos brasileiros, a curva que se desloca é a da demanda.

Galego (terça-feira, 05/03/2013 às 11:52),
Ótimo o seu esclarecimento. Ainda assim ficou-me a dúvida em relação à sua última frase que eu a transcrevo com uma pequena alteração e a retirada de uma palavra e com a expectativa de que você possa fazer o fechamento da questão. Diz você com a alteração que eu proponho:
“Porque, sob o ponto de vista da oferta e demanda de produtos nos mercados brasileiros, a curva que se desloca é a da . . .?. . .
Então a minha dúvida é esta: se se considera o mercado brasileiro e não os produtos brasileiros qual seria a curva que se deslocaria a de demanda ou a de oferta? Isso, entretanto, é dúvida de leigo que pode não fazer sentido e a sua frase não comportaria o reparo que eu fiz.
De todo modo, mesmo que a sua frase esteja com uma falha que precisaria de uma retificação ela me foi extremamente útil. Útil para um leigo, pois me permite avaliar que não preciso aprofundar na compreensão do assunto.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 05/03/2013