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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Smith, Ricardo e o lobo

A “falácia do valor adicionado” é uma das manifestações mais comuns do analfabetismo econômico. Geralmente se expressa como indignação pelo país exportar alguma matéria-prima (minério, petróleo, algodão) ao invés de seu correspondente manufaturado (aço, gasolina, têxteis), clamando a seguir pela atuação do governo para: (a) desvalorizar o câmbio; ou (b) taxar as importações de manufaturas; ou (c) taxar as exportações de matérias-primas; ou (d) dar crédito subsidiado à produção local; ou (e) subsidiar diretamente a produção local; ou (f) todas as alternativas anteriores.


Embora as políticas acima tenham como efeito inequívoco o benefício de poucos em detrimento de muitos, são comumente apresentadas como de “interesse nacional”, mas não é esse o caso. Para entender isso, vamos usar um exemplo obviamente irreal, que, todavia, ajuda revelar a estrutura básica do problema.

Imagine que haja 100 trabalhadores disponíveis e cada um possa produzir 2 toneladas de minério de ferro, ou meia tonelada de aço. Por outro lado, cada tonelada de aço, produto de maior valor agregado, vale duas toneladas de minério. Como deveriam então ser distribuídos os trabalhadores entre a produção de aço e minério, considerando que o país precisa de 25 toneladas de aço?

À primeira vista bastaria empregar metade dos recursos para a produção de minério e metade para a produção de aço, obtendo assim 100 toneladas de minérios e as requeridas 25 toneladas de aço.

Há, contudo, uma alternativa melhor: todos os trabalhadores poderiam ser empregados na produção de minério, gerando 200 toneladas, das quais 50 poderiam ser trocadas por 25 toneladas de aço. Mesmo concentrando a produção no bem de menor valor adicionado, obtém-se o aço necessário, mas com um saldo maior de minério de ferro (150 toneladas contra 100) do que na primeira opção.

O exemplo é confessadamente imaginário e os números foram escolhidos para mostrar um caso em que o foco na produção do bem de menor valor adicionado gera resultados superiores. Ainda assim, ele revela verdades importantes. Vale mais produzir minério do que aço em nosso exemplo porque a produtividade relativa (2 toneladas/trabalhador no primeiro setor versus 0,5 tonelada/trabalhador no segundo) supera o preço do aço em termos de minério (2 toneladas de minério por uma de aço). Não é difícil concluir que seria mais vantajoso empregar todos os recursos na produção siderúrgica apenas se o preço do aço ultrapassar 4 toneladas de minério por uma de aço.

Como, porém, podemos saber se a produtividade relativa entre os setores supera, ou não, o preço relativo desses dois bens? Basta observar o comportamento das empresas: face à alternativa de produzir minério ou aço, qual é a atividade escolhida? Dado que empresas privadas, em geral, não estão no negócio de rasgar dinheiro, a escolha mais lucrativa revela a relação entre preços e produtividade.

No entanto, seria esse comportamento míope, dado que a empresa estaria preocupada apenas consigo mesma, e não com “os interesses do país”? Não. No primeiro caso, temos a produção de 100 toneladas de minério e 25 de aço, que, ao preço de 2:1 equivale a um PIB de 150 toneladas de minério (ou 75 de aço). No segundo caso, o PIB equivale a 200 toneladas de minério (ou 100 de aço), mostrando que a otimização individual também implica otimização para a sociedade como um todo.

Assim, a menos que se consiga mostrar que há custos (ou benefícios) envolvidos na produção dos diferentes bens não plenamente refletidos nos preços (por exemplo, se uma atividade é mais poluidora que a outra), a solução de mercado revela a forma mais eficiente de produção. Os “interesses do país” serão melhor servidos se aprendermos a respeitar os resultados da busca pelo interesse individual, coordenados pelo sistema de preços, não pelo intervencionismo governamental. 

Hmmm... Minério....
(Publicado 12/Abr/2011)

Reações:

119 comentários:

Mais oportuno impossível! Principalmente quando o discurso atual do governo é justamente esse.
Os leigos em economia agradecem.

Abs

Gustavo

Considerando um sistema de câmbio flutuante:
(a) desvalorizar o câmbio; = reuzir poder de compra de todos em benefício de poucos?
(b) taxar as importações de manufaturas; = mais ainda? acima do que já são?
(c) taxar as exportações de matérias-primas; = mas não dizem que as exportaçõe devem ser livres de tributos? Como mineiro até concordo que o minério de ferro deveria ser tributado pelos municípios em 5 A 7% SOBRE O PREÇO DE VENDA (hoje são 2% sobre o preço líquido. Não dá para tapar os buracos.). MINERAÇÃO = DEVASTAÇÃO AMBIENTAL (TEM QUE SER TIBUTADO).
(e) dar crédito subsidiado à produção local; = mais BNDES?
(f) subsidiar diretamente a produção local; = mais desvios?
(g) todas as alternativas anteriores. = bagunçou geral!

Na verdade precisamos de um sistema previdenciário com sustentação atuarial (igual para todos os brasileiros, SEM PRIVILÉGIOS). As assistências sociais devem ser separadas da previdência obrigatória (CONTABILIDADE MAIS CLARA).
O imposto sindical deve deixar de ser obrigatorio (de empregadores inclusive). É uma fábrica de picaretagens (não confundir com proteção da lei aos sindicatos).
O sistem S não pode ser cobrado sobre a folha (privado administrando recursos públicos rouba mais do que a turma do governo).
Se forem organizações necessárias sobreviverão, se não forem não merecem. As Associaçõe Comerciais sobrevivem. Muitos segmentos têm associações.

Mais oportuno impossível! Principalmente quando o discurso atual do governo é justamente esse.
Os leigos em economia agradecem.
(2)

Excelente, Alexandre!! Mandei cópia para todos os meus colegas de sala da faculdade, e pedi para incluir os professores que pregam cegamente este mantra do valor adicionado. Mesmo que esquecêssemos a ótica "puramente econômica", basta dizer que o trade off exigiria também know-how que muitas vezes a empresa não tem em detrimento da expertise obtida justamente pelo foco na atividade de mineração. Algo que acadêmicos de Administração também entendem.

OK, o pessoal da atual equipe econômica deve saber disso, esperamos.

Um ponto que não é considerado é o fato de tal política (de incentivos a setores de maior valor agregado), que de fato representa um custo elevado de curto prazo, potencialmente gerar benefícios de médio/longo prazo, com desenvolvimento tecnológico e ganhos de produtividade no setor.

Alex, como vc avalia essa possibilidade? Quais as condições necessárias para que o cenário mais otimista (por parte do governo)ocorra? Não vale a aposta?


Abs

Alex,
Como vc ousa trazer á voga, o modelo ricardiano e suas vantagens comparativas, algo tão antiquado em vista do "neo-manteguismo"? Como ficarão nossas futuras Elebras, Edisas, Cobras, Gradientes e etc. Como poderemos cobrar por um "Tablet" o preços de 5, 6 quem sabe 7, qdo o câmbio for "fixado" em R$/US$3,00? Você não sabe que a única coisa que interessa da teoria de Ricardo(renda-terra) é que podemos explicar nossa verdadeira obsessão; A doença HOLANDESA!!! Alex "the great", vc é um sabotador!!!

Cara, o que os imbecis chamam de setor de "alto valor agregado" e' a siderurgia, uma das indústrias com mais excesso de capacidade no Planeta Terra.

Entao a idéia desses mentecaptos e' sugar recursos de um setor que tem barreiras de entrada e onde temos lucros extraordinários para investi-los em setores (refinarias, siderurgia) onde nao temos nem nunca vamos ter poder de mercado, onde nao há barreiras a entrada e onde há excesso de capacidade (e no caso da siderurgia, competição chinesa).

E' uma idiocracia mesmo.

"O"

Só pra deixar a coisa mais absurda: o aço produzido aqui estava há pouco tempo mais caro que o importado! Mas não peguem pesado com o governo, ele nem sempre faz m. (só em 95% dos casos)

Alex, entendo que, no curto prazo, essa é uma estratégia burra (ou política). Mas e no longo prazo? O foco em indústrias de alto valor adicionado não poderia gerar ganhos de produtividade ao longo do tempo para as empresas do país se tornarem produtivas nesses produtos no futuro?

Dessa vez você me surpreendeu, Alex. Por mais que eu não simpatize com a lorota do valor adicionado e de seu uso para ampliar o acesso às tetas generosas do Estado, buscar Vantagens Comparativas para orientar política comercial no século XXI é brincadeira... Nenhuma referência a complexa controvérsia sobre os efeitos do comércio na geração de empregos? Criação e difusão tecnológica? Path dependece? O que deu o prêmio nobel ao Krugman?

Caro Anônimo-13 de abril de 2011 10:48.
Do jeito que anda a maré, que outras empresas coloquem as barbas de molho!

Dawran Numida

Muito bom o post. Me fez lembrar a falácia da indústria, brilhantemente exposta por Jagdish Bhagwati:
http://www.project-syndicate.org/commentary/bhagwati3/English
Liderau

"Nenhuma referência a complexa controvérsia sobre os efeitos do comércio na geração de empregos? Criação e difusão tecnológica? Path dependece? O que deu o prêmio nobel ao Krugman?"

Tudo isto é muito legal (o modelo ricardiano com um contínuo de bens é a base do modelo de path dependence do Krugman, etc, etc), mas, a bem da verdade, aqui ainda precisamos discutir o básico. (O próprio Krugman fez isso brilhantemente nos ensaios do Pop Internationalism).

A menos que alguém queira argumentar que haja enormes externalidades tecnológicas (learning-by-doing, p.ex) ana produção siderúrgica (ou refino de petróleo, ou na indústria têxtil).

Abs

P.S. Os modelos do Krugman também se amparam em vantagens comparativas; o que difere é a fonte destas vantagens.

"A menos que alguém queira argumentar que haja enormes externalidades tecnológicas (learning-by-doing, p.ex) ana produção siderúrgica (ou refino de petróleo, ou na indústria têxtil)."

Ou mesmo na industria de TI criada no brasil anos atrás.

"a"

"O que deu o prêmio nobel ao Krugman?"
Foi o Banco Central sueco.

Vc não citou a indústria naval!

O discurso não muda. Com este argumento podemos perceber que a melhor opção para o Brasil seria de nos tornarmos exportadores de produtos com baixo valor agregado (soja, minério de ferro etc), enquanto os chineses agregagam valor e exportam de volta para nós. A grande questão é em qual país estaria a maior parte da de emprego, inovação e consumo(depende do preço das commoditties)? Qual país que conseguiria as maiores taxas de crescimento?
Se quiser voltar ao brasil agroexportador se muda para zimbabwe.

Mais do que discutir valor agregado, deveriamos discutir, conhecimento agregado e isso temos pouco a oferecer. Além do mais aço não é assim um produto da fronteira tecnológica e do conhecimento, ou é? Pior do que isso é ficar discutindo se podemos atrair empresas "maquiladoras" para montar iPad no país. Uma coisa que também deveriamos discutir mais é se vale a pena termos mais industrias altamente poluidoras por aqui. A cia do Atlântico CSA recem instalada no RJ tem sido sistemáticamente multada por poluir uma grande área em seu entorno. Cubatão já foi (eu acho que continua) um inferno de poluição, sendo que a Cosipa era e é uma das maiores poluidoras.Precisamos discutir como alterarmos nosso crônico problema de baixo investimento em P&D e nossa péssima educação, quando resolvermos esses problemas, o valor agregado de nossos produtos deixarão de ser um problema.

Caramba,

Essa logica de padaria esquece apenas pequenos detalhes: historicamente qual foi a nação que se transformou em potência tendo sua economia baseada em materias primas ? Por que nos ultimos 100 anos os termos de troca foram sempre tão desfavoráveis para os produtores de matérias primas ?
Que pais de deselvolvimento retardatário não se esforçou para criação de uma indutria nacional ? Vc não estudou Coreia ?? Ja ouviou falar na china ??

Essa sua afirmação é bem típica do mainstream:Se o mundo não é como os nossos modelinhos dizem azar da realidade..

Esse modelinho está básico demais. A intuição dele é válida, evidentemente, mas o questionamento que me parece válido a respeito do foco (que, logicamente, deve ser provado empiricamente) em commodities é a dependência do preço internacional destas commodities, reconhecidamente mais volátil. Não sei se é uma denominação de cunho heterodoxo, mas cabe o termo "economia reflexa". Outra questão é "Dado que empresas privadas, em geral, não estão no negócio de rasgar dinheiro, a escolha mais lucrativa revela a relação entre preços e produtividade." Para essa observação de fato valer as empresas teriam que estar aptas a trocar de atividade sem custo ou fricção, certo ? Saudações, JA

Anônimo das 15:28, a história econômica recente não mostrou que é mais fácil mudar a localização da sua produção de manufaturados do que da sua produção de soja, fazendo a turma da CEPAL passar vergonha?

"historicamente qual foi a nação que se transformou em potência tendo sua economia baseada em materias primas?"

Já ouviu falar de um país chamado Austrália? Fica perto de outro chamado Nova Zelândia.

"Para essa observação de fato valer as empresas teriam que estar aptas a trocar de atividade sem custo ou fricção, certo ?"

Ou, pelo menos, fazer planos para mudar seu seu mix.

"Se quiser voltar ao brasil agroexportador se muda para zimbabwe"

Essa rapaziada me diverte. Eu realmente não consigo mais saber se estão falando sério ou estão de sacanagem.

Colega, depois da wikipedia ninguém mais precisa passar por ignorante assim:
http://en.wikipedia.org/wiki/Land_reform_in_Zimbabwe#Economic_consequences

a

"Vc não estudou Coreia ?? Ja ouviou falar na china ??"

Sim, e você já estudou economia?

a

Que bom que mencionou a Australia. Funciona como uma especie de cisne negro do seu argumento. Eu prefiro a infinidade de cisnes brancos: Inglaterra da revolução industrial, Alemanha,EUA, Asia emergente etc...

O placar deve estar uns 23 X 1 contra a sua argumentação....

Os “interesses do país” serão melhor servidos se aprendermos a respeitar os resultados da busca pelo interesse individual, coordenados pelo sistema de preços, não pelo intervencionismo governamental.

Essa me fez rir.... Sera que a crise de 2008 não mostrou nada ?? O pior não foi a ortodoxia não ter aprendido nada, o pior foi vcs não terem esquecido nada.

Caiu o muro de Berlin do liberalismo radical e ao invés de uma tentativa de uma revisão intelectual de valores vcs preferem ficar se debatendo sobre os escombros....

Temos um caso clássico de um novo tipo de economista: O economista avestruz

"Já ouviu falar de um país chamado Austrália? Fica perto de outro chamado Nova Zelândia"

Muito espertinho, caro Alex.

Mas vc se esquece que esse país historicamente sofreu intervençao governamental em diversas esferas da economia e já usou bastante do artíficio protecionista e intervecionista.

Recentemente (leia-se de 20 a 30 anos) que o país mudou completamente sua politica. Porem, ante, criou bases para uma estrutura economica completamente solida protegendo-a consideravelmente de choques externos. Muito diferente da nossa varonil República das Bananas.

Alias, a Uastralia exporta muito primario, mas a economia é forte mesmo nos Serviços

"A grande questão é em qual país estaria a maior parte da de emprego, inovação e consumo?"
Meus caros,
Esta é fácil (pensando em termos per capita). No país que investisse mais em educação (básica, viu galera, não é educação superior para a elitizinha).
O que estes caras não sabem de economia é brincadeira. O pior é não saber o que é vantagem comparativa nem o que são custos (se eu gasto mais grana para agregar menos valor na minha produção, eu estou perdendo), mas é não saber o que é custo-oportunidade. Se estes caras não estivessem brincando, eles deveriam estar aqui todos os dias exigindo que o governo parasse de distribuir nossa grana para os mesmos amiguinhos de sempre e passasse a gastá-la na educação fundamental e média. Como nossos jovens chegam à oitava série semi-analfabetos e só metade deles continua no segundo grau, é uma piada de extremo mal-gosto estes pitizinhos sobre a necessidade de manutenção destes políticas extremamente concentradoras de renda.
Por fim, (1) "Por que nos ultimos 100 anos os termos de troca foram sempre tão desfavoráveis para os produtores de matérias primas ?" TRAGA OS NÚMEROS, ISTO É SIMPLESMENTE MENTIRA!!!!! (2)"Que pais de desenvolvimento retardatário não se esforçou para criação de uma indústria nacional?" TODOS!!!!!! O Peru, o Gabão, a Costa do Marfim, a Bolívia, o Iemen TODOS ESTES FIZERAM POLÍTICA INDUSTRIAL!!!!!! Agora, se só dois ou três depois disto se desenvolveu, deve ser porque o remédio não é tão bom.
Saudações
PS: Desculpem o mal humor de final de expediente, mas pelo menos história, os caras deveriam saber (já que teoria não tem jeito).

Ao Anônimo das 13 de abril de 2011 15:28
Se nosso aço é produzido mais caro do que o importado o exemplo do Alex retorna sobre a proporção Minério/Aço, mas não invalida o exemplo apresentado. A ARITMÉTICA DO EXEMPLO CONTINUA BOA.
Somente retorna para um segundo problema que é preciso reduzir nossos custos industriais para sermos competitivos. Com todas as leis e também as trabalhistas, custo do dinheiro, burocracia, explica por que não somos competitivos, MAS NÃO INVALIDA O EXEMPLO. Somente leva a outro problema.

Convido os srs a ler Ha-Joon Chang.

Bom aprendizado.

"Sera que a crise de 2008 não mostrou nada ?? "

Mostrou várias coisas, inclusive que você não entendeu o que ocorreu. No mercado financeiro há um enorme problema de assimetria de informações, que desemboca em questões de risco moral e assunção exagerada de riscos.

Bem diferente do mercado de bens, onde os problemas de assimetria de informações são muito menores e onde a solução de mercado é superior à intervenção,

"Eu prefiro a infinidade de cisnes brancos: Inglaterra da revolução industrial, Alemanha,EUA, Asia emergente etc."


Já eu prefiro outros cisnes brancos: todas aquelas economias que desprezaram suas vantagens comparativas e tiveram desempenho pífio, como Argentina, Chile (até recentemente), Peru (idem), Colombia (idem), Índia (idem), China (idem - v'aestudar um pouco de história). O que não falta é exemplo de país que deu c'os burros n'água seguindo políticas cepalina.

"Porem, ante, criou bases para uma estrutura economica completamente solida protegendo-a consideravelmente de choques externos. Muito diferente da nossa varonil República das Bananas."

Realmente: o Bananal nunca protegeu a indústria local, nem impôs restrições cambiais de qualquer tipo para "se proteger de choques externos", pelo menos não na versão do Bananal que sobrevive na Dimensão Z (de zurro, como sempre lembro aqui) .

O Legal é:
Essa discussão tem 3 passos:
1) "Politica industrial" pode ser boa pro país.
2) "Politica industrial" pode dar certo, em particular, no Brasil.
3) A "Politica industrial" de hoje de Coutinho/Lula/Dilma/Mantega é boa.
Paramos no primeiro. Imagina se chegasse no terceiro?!
a

"Que pais de deselvolvimento retardatário não se esforçou para criação de uma indutria nacional ? Vc não estudou Coreia ?? Ja ouviou falar na china ??"

Esse nosso retardo não acaba nunca. Nossa indústria é protegida desde... sempre!

Vejam: http://www.youtube.com/watch?v=KSrzU9syTBs&feature=related

Alexandre,

Quem náo entendeu o que aconteceu durante (lembro da enormidade de relatorios equivocados assinados pelo nosso blogueiro)e depois foi vc. Até o velho Greenspan ja reconheceu que tudo no que ele acreditava ruiu..

Agora todo liberal adora fazer separaçao entre mercado de bens e mercado de ativos. Se tivemos um local que serviu como laboratorio para experimentos da ortodoxia foi o mercado de ativos... Qual o saldo final da historia ?? O bom e velho Estado teve de vir para evitar o COLAPSO do sistema.

Onde esta a eficiencia alocativa ??? Onde esta o mercado eficiente e racional, senhor absoluto da diluiçao do risco ???

Acho que aquela cancao da Maisa deveria ser o novo mantra de vcs liberais : "Meu mundo caiu"

"Agora todo liberal adora fazer separaçao entre mercado de bens e mercado de ativos. Se tivemos um local que serviu como laboratorio para experimentos da ortodoxia foi o mercado de ativos..."

Pelo que vejo, não sou o único a separar o mercado de bens do de ativos, mas, pelo menos, eu consigo perceber que o faço.

Eu consigo entender problemas de assimetria de informação; já você...hehehe. Primeiro saiba do que fala; depois consversamos...

Ensinar matematica para a criancada, ter um judiciario serio e uma policia que prende a bandidagem leva a investimento e capacidade de competicao em setores de alto valor agregado. Infelizmente falta o basico e nao adianta plano mirabolante. Enquanto o basico nao eh feito, eh melhor seguir cavando ate o pre-sal.

"historicamente qual foi a nação que se transformou em potência tendo sua economia baseada em materias primas?"

O exemplo mais obvio e' os Estados Unidos. 

"O"

"Que pais de deselvolvimento retardatário não se esforçou para criação de uma indutria nacional ? Vc não estudou Coreia ?? Ja ouviou falar na china ??"

Que pensador social retardado nao se esforcou para criacao de uma industria nacional?

Meu caro... a industrializacao no Brasil foi um problema que foi resolvido na primeira metade do seculo passado.

"O"

"O que não falta é exemplo de país que deu c'os burros n'água seguindo políticas cepalina."

A historia da America Latina desbanca as politicas cepalinas irrefutavelmente. A decadencia da regiao coincide com a adocao de politicas de substituicao de importacao. Se voce nao entende isso, um fato, vc nao pertence a um debate entre pessoas inteligentes.

Entao se voce quiser defender as politicas cepalinas, voce tem que abrir um grande paragrafo inicial explicando porque funcionaria agora aquilo que nao funcionou antes.

"O"

"Convido os srs a ler Ha-Joon Chang."

Li. Perda de tempo. Nao passa de um apologista barato da escravidao e de ditadores. Ganha dinheiro dando palestra para os chimpanzes da FGV-SP. Que selva.

Onde esta a eficiencia alocativa ???

Depois de tudo que aconteceu no século XX você ainda não viu onde está a eficiência alocativa dos mercados? Sério?

Não é o caso de de cantar Maisa, está mais para Raul Seixas: "Quando acabar o maluco sou eu..."

Gostaria de saber se o O. Blanchard sabe Economia...

"Entao se voce quiser defender as politicas cepalinas, voce tem que abrir um grande paragrafo inicial explicando porque funcionaria agora aquilo que nao funcionou antes".

Santa ignorancia Batman... O Brasil cresceu em média 7,5% entre 1950 e 1980... Sera que isso é prova de que funcionou ?

O que diferencia a experiencia brasileira da experiencia asiática ? A forma como não conseguimos lidar com a inflação. De forma mais clara: Simonsen e Roberto campos inventaram a inflação sem dor ( VIVA A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA INDEXAÇÃO).... Grande contribuição liberal para o progresso do Brasil

Ah claro. Se o preço do aço passar a 4:1, podemos ver surgir durante a noite indústrias siderurgicas e pela manhã já estaremos produzindo nosso próprio aço. Ou mais simples que isso, as empresas que já produzem o aço poderão aumentar sua capacidade instalada em 24h. Você é ótimo em economia e péssimo em estratégia. As coisas levam TEMPO. Lembra da aula sobre o dinheiro e o tempo? Usura? Lembra? Enquanto o país se adequasse para passar a produzir o aço os custos de importar um aço mais caro seriam repassados a consumidores finais (as usual) e todo o benefício anterior poderia ser neutralizado. Além disso, se por motivos políticos o aço deixasse de ser fornecido estaríamos em situação ainda pior, já que o país agrário-exportador ficou completamente refém dos exportadores de aço. Seguir o manual é realmente brilhante, raciocinar em cima do que se aprendeu é ainda melhor.

"A" anônima.

O que o BC está fazendo de tão errado? Será que muitos economistas não estão subestimando o efeito das medidas macroprudenciais sobre o crédito livre? Parte do aumento recente da inflação tem origem na alta das commodities, a economia cresceu abaixo do potencial no segundo semestre de 2010, houve variação negativa nas vendas em fevereiro, a Selic ainda será reajustada, haverá menor impulso fiscal... Não são fatores que tendem a reduzir o IPCA?

A esquerda planejando políticas industriais para o país é a mesma coisa que o Zezé Moreira falando para o Garrincha: "você dribla o primeiro russo, dribla o segundo, vai até a linha de fundo, cruza e o Vavá faz o gol".
Aí o Garrincha pergunta: "O senhor combinou com os russos?".

"Até o velho Greenspan ja reconheceu que tudo no que ele acreditava ruiu.."

Incrível como as pessoas deturpam a realidade.

a

Oba! Vamos transferir recursos escassos, tirando um pouco da saúde outro pouco da educação, coloca no bolso de um empresário paulista para ele produzir aço ao custo de 1,5 quando no mercado este produto vale 1. Para que? Tchan! Para quando o preço do aço multiplicar por 4 já estarmos produzindo! Muito bom! Bom raciocínio, lógica cristalina. O governo, apoiado pelos pensadores pós-marxistas brasileiros vão definir quais os produtos que terão seus preço multiplicados por 4 no futuro próximo(essa galera é muito experiente nisso!) e o Brasil já vai na frente! Isso nunca deu errado!
Fernando A.

"Realmente: o Bananal nunca protegeu a indústria local, nem impôs restrições cambiais de qualquer tipo para 'se proteger de choques externos', pelo menos não na versão do Bananal que sobrevive na Dimensão Z"

Nao inverta as coisas.
Se é assim eu posso dizer que o Brasil segue exportando bens primarios sem atingir o nivel da Austrália.
E o expediente de prevençao a choques externos da Australia nao é a restrição de capital.

Saia da dimensão X e G (Xarlatão e Guinorante)

A Austrália por mais de 130 anos aplicou politicas protecionistas, empresas estatais atuando na infraestrutura e mercado de trabalho altamente regulado.

"Santa ignorancia Batman... O Brasil cresceu em média 7,5% entre 1950 e 1980... Sera que isso é prova de que funcionou ?

O que diferencia a experiencia brasileira da experiencia asiática ? A forma como não conseguimos lidar com a inflação."

Meo dels...

“Santa ignorancia Batman... O Brasil cresceu em média 7,5% entre 1950 e 1980... Sera que isso é prova de que funcionou ?”

1950 a 1980 é uma comparação bem desonesta... Como se a crise toda que durou do começo dos anos 80 até a metade dos anos 90 não fosse consequência óbvia, direta e inevitável das políticas cepalinas. Se você tirar a média do crescimento contando com os anos de ressaca, nosso crescimento foi bem medíocre (o que é óbvio, afinal se o Brasil tivesse tido um crescimento estelar, não estaríamos ainda sonhando ser o país do futuro, ainda que mais pobres que o México).

Este comentário foi removido pelo autor.

"A Austrália por mais de 130 anos aplicou politicas protecionistas, empresas estatais atuando na infraestrutura e mercado de trabalho altamente regulado."

Isso é boçalidade...

(1) Se mercado de trabalho altamente regulado for um fator de sucesso, nós estamos bem na fita. Esta ‘alavanca do desenvolvimento’ nós estamos puxando desde os anos 50...

(2) Segundo, além de ‘empresas estatais atuando na infraestrutura’, a Austrália também tem homens e mulheres em sua população, e quando as pessoas nascem elas são crianças... Deve ser esse o segredo australiano!

(3) Se você soubesse um pouco mais sobre o assunto, você saberia que o Brasil tem, desde talvez a segunda metade do século XIX, tarifas mais altas ou equivalentes as da Austrália. Além disso, a Austrália sempre foi aberta ao comércio dentro da Commonwealth (que representava uma parcela considerável da economia mundial). Então dizer que a Austrália foi fechada ou protecionista um dia é piada. Não só a Austrália sempre foi mais aberta ao comércio de bens que o Brasil, como também sempre foi mais aberta ao comércio de capitais que o Brasil. Dizer que o Brasil deveria ser mais protecionista para ser tão protecionista quanto a Austrália não chega nem a ser piada, é pedir atestado de mentecapto mesmo.

"Entao se voce quiser defender as politicas cepalinas, voce tem que abrir um grande paragrafo inicial explicando porque funcionaria agora aquilo que nao funcionou antes."

Não funcionou antes por causa do imperialismo!

É muita ignorância. Para cada experiência "bem-sucedida" de crescimento com protecionismo, há dez mil fracassos.

E coloco o "bem-sucedida" entre aspas porque em geral o sucesso ocorreu apesar do protecionismo, não devido a ele. É impressionante como as pessoas teimam em ignorar coisas óbvias como taxa de poupança (como efeito temporário, mas relevante) e educação.

Dizer que o crescimento entre 1950 e 1980 mostra o sucesso cepalino é uma imbecilidade constrangedora.

"Ah claro. Se o preço do aço passar a 4:1, podemos ver surgir durante a noite indústrias siderurgicas e pela manhã já estaremos produzindo nosso próprio aço."

Cara "A" Analfabeta:

Para quem consegue pensar um pouquinho (mas não tente tudo de uma vez; sem prática você pode se machucar), a mensagem é que as decisões de produção e investmento são melhor orientadas pelos preços do que pela intervenção do governo (aliás, eu gostei do comentarista que disse "Oba! Vamos transferir recursos escassos, tirando um pouco da saúde outro pouco da educação, coloca no bolso de um empresário paulista para ele produzir aço ao custo de 1,5 quando no mercado este produto vale 1. Para que? Tchan! Para quando o preço do aço multiplicar por 4 já estarmos produzindo! Muito bom! Bom raciocínio, lógica cristalina." - o ponto é precisamente este.

Quem você acha que está melhor preparado para avaliar a conveniência de investir num setor ou em outro? As empresas, cuja spbrevivência depende disso; ou políticos com interesses para lá de escusos?

"Enquanto o país se adequasse para passar a produzir o aço os custos de importar um aço mais caro seriam repassados a consumidores finais (as usual) e todo o benefício anterior poderia ser neutralizado. "

Ah, perfeito. Melhor mesmo é repassar os custos hoje, vendendo aço aqui dentro a custos maiores que os do mercado internacional. Para quem escreve "tempo" em maiúsculas, você não parece entender do assunto. Tente esquecer as maiúsculas.

"Depois de tudo que aconteceu no século XX você ainda não viu onde está a eficiência alocativa dos mercados?"

Certamente não nas experiências dirigistas do século XX, pelo menos neste quadrante da Galáxia...

"Se é assim eu posso dizer que o Brasil segue exportando bens primarios sem atingir o nivel da Austrália."

Considerando que entre 1979 e 2009 o Brasil exportou mais bens manufaturados que primários, eu sugeriria que você se desse ao trabalho de olhar os números antes de proferir asneiras. Mas talvez esteja pedindo demais...

Não entendo como alguém que escreve um post tão coerente como "À meia noite...." pode vir com essa convicção Ricardiana ultrapassada. É o que disseram nos comentários aí pra cima, falamos de comércio do séc XXI. Conceitos básicos precisam ser discutidos mas para a nossa infelicidade a economia não é uma ciência exata, então conceitos básicos não são conceitos pétrios. Ao longo do caminho conceitos podem ser alterados ou simplesmente não aplicáveis, considerando realidades distintas. Quanto a este assunto, só podemos ter uma afirmação categórica quando houver quantificação do que se fala, como foi feito no seu outro post. Se você escrever um post sobre o mesmo assunto analisando quantitativamente os ganhos em importar aço, vamos supor em dez anos, e depois incluir nas contas o gasto necessário para se implantar uma indústria siderurgica em caráter emergencial (considerando a compra da tecnologia, já que optamos por não desenvolvê-la aqui), tentar estimar e subtrair os gastos com a "dependência" para o caso político e ainda assim demonstrar ganho, dá até para concordar. Since you treat people really badly in your comments I see myself in the perfect right to use CAPITAL letters. Tks.
"A" anônima

"Considerando que entre 1979 e 2009 o Brasil exportou mais bens manufaturados que primários"

Foi isso!
Em 1979 nos tornamos uma nação subdesenvolvida.

Saudades da época que éramos uma potencia. Éramos um país ultradesemvolvidos.
Saudades de Deodoro da Fonseco, Floriano, Artur Bernardes.

Isso sim era uma nação desenvolvida, com grandes indicadores socioeconomicos.
Deviamos ter deixado o pais exportando café cana ouro etc

faz-me rir!

Fiquei com uma dúvida depois do eu último comentário: é Zorro ou Zurro?

Acho que o "espírito" do post é defender que "criar" um setor industrial artificialmente (ou seja, fora dos determinantes da empresa e do mercado) não é um bem em si mesmo e pode até ser um mal.

Agora, se alguém propor uma alocação de recursos que sacrifique parte do produto do país, precisa explicar melhor o que ganhamos com isso e não simplesmente bater na tecla do valor adicionado.

E eu fiquei com a certeza:
Charlatão!

A propósito, repetindo um dos seus primeiros comentarios aqui nesse post:
Argumento, por favor.

Depois desse ultimo posto do Zorro nao da nem para continuar a discussao... Manda um feno para o apedeuta.

Vejo que o debate aqui está muito ultrapassado, com referências a políticas cepalinas e desenvolvimentistas.

O quente agora é o Novo Desenvolvimentismo.

Vão se atualizar!

Pode piorar, olhem o que pensa a alternativa ao PT:

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/negocio-da-china/


Roberto

A última do Oreiro - o cara realmente não tem nenhuma vergonha:

"É o momento do governo da Presidente Dilma Rouseff pensar seriamente na introdução de uma política de rendas que vincule a taxa de crescimento dos salários com a taxa de crescimento da produtividade na indústria. (...) A idéia é taxar as empresas que concederem aumentos salariais acima de um certo patamar de crescimento da produtividade do trabalho considerado como “padrão” ou “normal” para o setor no qual a empresa está inserida."

Eu me divirto com o estilo krav maga de debate por aqui. Alex, ainda que o modelo de Ricardo seja impecável do ponto de vista da lógica matemática, a evidência histórica mostra que os países que se desenvolveram mais foram os páises industrializados e com mais tradição de pesquisa e investimento tecnológico. Citar Australia e Nova Zelândia é complicado pelas particularidades desses países, principalmente pela baixa população, a Australia inteira tem menos população do que a grande São Paulo. Agora como criar as condições para o investimento privado acho que é o detalhe mais importante. Aqui tudo joga contra e a escolha de "vencedores" pelo governo é muito complicado, até porque os "vencedores" são sempre os mesmos, o que mostra que esse jogo é viciado.

Eu postei o link para este post no meu blog e lembrei justamente do Internacionlismo Pop do Krugman. Dois comentaristas (um recorde!) escreveram meio que nao acreditando que o Krugman poderia ter tb criticado a falacia do valor adicionado.
Está na hora do pessoal parar tudo para ler Ricardo's Difficult Idea:
http://web.mit.edu/krugman/www/ricardo.htm

Ps. EU acho que o Zorro estava sendo ironico.

PS2. O melhor comentario foi de um anonimo
"O Legal é:
Essa discussão tem 3 passos:
1) "Politica industrial" pode ser boa pro país.
2) "Politica industrial" pode dar certo, em particular, no Brasil.
3) A "Politica industrial" de hoje de Coutinho/Lula/Dilma/Mantega é boa.
Paramos no primeiro. Imagina se chegasse no terceiro?!"

Frases:
"A Austrália por mais de 130 anos aplicou politicas protecionistas, empresas estatais atuando na infraestrutura e mercado de trabalho altamente regulado."

"O que diferencia a experiencia brasileira da experiencia asiática ? A forma como não conseguimos lidar com a inflação."

O argumento é: A Austrália deu certo porque foi, por 130 anos, protecionista e o Brasil deu errado por causa de uns ministros "liberais" do castelo Branco!

Excelente esse argumento. Não há argumento melhor pra provar que os "desenvolvimentistas" brasileiros são completamente idiotas. Começo a suspeitar que o Zorro é o "O" anônimo usando um argumento por absurdo.

a

Como imaginava: é Zurro mesmo...

Da coluna do Ming-OESP;

Em entrevista publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na última segunda-feira, um dos maiores especialistas em indústria no Brasil, o economista Antonio de Barros Castro, advertiu que há uma revolução do setor produtivo mundial. Lá se foi o tempo retratado nos anos 50, pelo economista alemão Hans Singer, em que as relações internacionais de troca determinavam que o produto industrializado era mais nobre e mais valorizado; e em que as matérias-primas e a energia eram desprezadas como bens de baixo valor agregado. Hoje as commodities passaram a ser o produto escasso e estratégico.

Não faz mais sentido – adverte Barros de Castro – proteger a indústria existente e esperar que agregue valor às cadeias de produção porque a concorrência externa, armada da mais avançada tecnologia, chega antes e mais barato. E é possível, até mesmo, que os novos investimentos asiáticos no Brasil se encarreguem de alijar a tradicional indústria brasileira em sua própria cozinha.

“Mesmo se o câmbio e o custo Brasil forem neutros, boa parte da indústria brasileira não é competitiva porque o sistema industrial chinês é mais eficiente. A indústria tem de se reinventar.”


Show!!!

Anônimo "a"

Nao tire do contexto as minhas afirmações.

A Austrália foi usada como argumento, previamente, pelo bravo Alex como exemplo de um país primario exportador com uma economia avançada. Alem disso eles tem hoje uma economia bem liberal.

No entanto, nao é (necessariamente) verdade que se o brasil liberalizar sua economia e acabar com intervençoes no comercio exterior que "estaria bem das pernas".

Por fim, existem particularidades na economia australiana, dentre elas, e principalmente, a sua historia de protecionismo e atuação do governo, que os permitem serem hoje uma economia livre e que exporte produtos primários

Como já sabia: é charlatao mesmo

E o Jumento de Ouro vai para nosso colaborador Zurro, vindo diretamente da Dimensão Z.

Argumento que é bom nada [32432867]

Só serve para quem entende; senão é desperdício.

Faço minhas as suas palavras.

Se vc nao entende nada sobre a economia australiana além de que ela é primario exportadora fica dificil mesmo.

O orgulho nao permite posição diferente por sua parte além de ser evasivo e indireto

O Zorro mandou o telefone dele ou e' impressao minha??

Meus caros,
O que mais irrita nestes caras é que a educação brasileira é simplesmente ridícula. E eu estou falando da EDUCAÇÃO BÁSICA!!!!!Se estivéssemos em uma situação com segundo grau universalizado mesmo com má qualidade má qualidade (mas tendo aplicado todos os remédios óbvios e não termos conseguido melhorá-la), poderíamos começar a brincar com estas magiquinhas que eles defendem. Mas o fato é que nossa educação básica é uma lástima. A taxa de cobertura do segundo grau é só de 50%. E os caras ficam querendo gastar dinheiro público com os mesmos ricaços de sempre (e ainda tem o displante de chamar isto de desenvolvimentismo!!!!!). É demais para mim. Se a população pobre deste país efetivamente entendesse esta discussão, este Zorro, esta A anônima iriam levar uma sova (das massas populares - não defendo nenhum tipo de violência) inominável. Não é uma boa idéia começar a gastar a grana pública com os pobres e não com os muito ricos? E olha que eu nem falei de outras coisas como infra-estrutura.
Saudações.
PS: Quando o governo reajustou o bolsa-família, neste início de ano, em até 45%, o impacto fiscal foi de 2,5 BILHÕES!!!!!! Olhe só a absurda diferença. Para melhorar substancialmente a vida de 50 milhões de brasileiros foi necessário um adicional só de 2,5 bilhões (um NADA dentro do orçamento federal). Comparem esta quantia com qualquer uma gasta nestas políticas concentradoras de renda. É eticamente indefensável estas doações ao setor privado (mais uma vez, só para as empresas de pessoas muito ricas, se você ter uma pequena empresa, o governo te ferra) neste país tão desigual.

Mandou o telefone e convidará os debatedores a tomar um vinho nacional produzido pelos esforços da política industrial brasileira. Afinal, a Austrália faz bons vinhos também!

Zurro:

Não fique tão irritadinho. Pelo menos a gente te respeita o suficiente para tirar sarro; tem outros que nem merecem isso.

“Por fim, existem particularidades na economia australiana, dentre elas, e principalmente, a sua historia de protecionismo e atuação do governo, que os permitem serem hoje uma economia livre e que exporte produtos primários”

Ó criatura de rabo! Que protecionismo? Vai estudar moleque. O Brasil desde a segunda metade do século XIX é tão ou mais protecionista que a Austrália. Então porque o tal “protecionismo” só teria sido bom para a Austrália? E nem vamos discutir a falácia de dizer que um país que desde sempre teve livre comércio com a maior potência industrial da época pode ter sido protecionista – a Austrália é membro da Commonwealth.

"a sua historia de protecionismo e atuação do governo, que os permitem serem hoje uma economia livre e que exporte produtos primários"

Ah, agooora eu tendiiii: a manha é deixar o governo mandar em tudo por um tempo pois só assim poderemos construir uma economia livre!

Argumento genial, e fortemente amparado em experiencias semelhantes! Quero ver alguém rebater!!!

Imaginem só a rapazeada do PT, depois de uns 40 anos de governo "desenvolvimentista" chegando e dizendo: "já deu né galera, esse negócio de a gente mandar em tudo e em todos já atingiu o estado de maturação necessário. Vamos agora graciosamente nos retirar, devolver a economia ao pais e nos exilar no planeta hoth"

Bowser

Alex,

Ok. continue se escondendo atras desse seu ar de superioridade.

"o" anonimo.

Sua ignorancia impressiona:

1911-1983 – ascendancy of labourist-protectionism up to 1967, then beginning of crisis. The regime had seven key features, some of which were continuous from previous eras:
(i) (...)(ii) (...)
(iii) centralised bureaucratic conciliation and arbitration system for industrial relations and the labour market
(iv) (...)(v)(...)
(vi) industrial protectionism
(vii) state ownership of key sectors of national economic
infrastructure and productive capacity, notably railways,
telegraphs, airlines, postal services, and banks


Fonte:Lloyd, C. From Labourist-Protectionism to Globalisation in Australia: A Case of Necessary Regime Adaptation?

O protecionismo é um desses que se encaixa nas "previous eras". Posso te dar mais fontes se quiser.

Ser um lambe-saco do Alex não te credncia a nada.

Browser,

Se fosse um tiquinho mais esperto entenderia o que falei.
A AUSTRALIA TEM PARTICULARIDADES QUE AS PERMITEM LIBERALIZAR SEM SOFRER GRANDES CONSEQUENCIAS.

Uma dessas particularidades é historica. Portanto, energumeno, vamos estudar um pouquinho mais.

Ai ai ai...

Primeiro você não conseguiu responder àquilo que eu disse: não mostrou que a Austrália tenha sido mais protecionista que o Brasil. Eu afirmo que desde a metade do século XIX, o Brasil foi mais protecionista que a Austrália. Se você tiver alguma dúvida, ó criatura de rabo, basta fazer um google scholar no Jeffrey Williamson + tariffs. Ele têm vários artigos medindo e comparando tarifas desde o século XIX.

Segundo, você não me respondeu sobre o tratamento dispensado aos produtos manufaturados da Grã-Bretanha na Austrália. Eles pagavam mais do que 0% de tarifas ou não?

Alex

Ótimo post.

Com dados reais e conhecimento elementar da história da siderurgia é possível demonstrar a “falácia do valor adicionado” (no caso, ausência de valor agregado ao minério de ferro).

Tecnologia: altos-fornos (século XV ou antes)

Problema: Como produzir ferro-gusa sem utilizar carvão vegetal? (século XVIII)

Solução: Coqueificação do carvão mineral metalúrgico (início do XVIII)

Problema: Gusa com presença de enxofre

Solução: Forno revérbero e puddlage (final do XVIII)

Problema: Produtividade qualidade e custo na fabricação do aço

Solução: Conversor Bessemer (início da segunda metade do século XIX)

Problema: Processo inviável para minérios de ferro com alto teor de fósforo

Solução: Processos Siemens-Martin (terceiro quartel do século XIX) e Linz-Donawitz (início da segunda metade do século XX)

Problema: Produtividade, qualidade e custo na fabricação do aço

Solução: tecnologia do minério de ferro:

Granulado: material grosseiro peneirado a partir do ROM [Run of Mine = minério] britado e com tamanho máximo variável.

Sinter feed: para ser utilizado na siderurgia, o sinter feed é submetido a uma operação de aglomeração, na qual se forma o sínter, produto que alimenta o alto forno. O sinter feed de Carajás é considerado referência mundial, com alto teor de ferro, baixos níveis de impurezas e boas propriedades metalúrgicas.

Pellet feed: material super fino com alto teor de ferro e baixos níveis de impurezas. Para ser utilizado no alto forno, ele deve passar pela pelotização.

Pelotas: pequenos aglomerados de minério de ferro feitas a partir de uma tecnologia que permite utilizar os finos gerados durante a extração do minério, antes considerados resíduos do processo. Usado na fabricação do aço, o material serve como matéria-prima de agulhas a foguetes espaciais.

[Fonte: http://www.vale.com/pt-br/o-que-fazemos/mineracao/minerio-de-ferro-e-pelotas/processo-industrial/paginas/default.aspx]

Conclusão

Ao contrario do que pregam os desenvolvimentistas e demais ignorantes, o minério de ferro não é uma simples matéria-prima, mas um conjunto de produtos com valores agregados que resultaram de investimentos em pesquisa mineral e em tecnologias de ponta para o processamento.

Um exemplo entre outros: ThyssenKrupp CSA Siderúrgica do Atlântico Ltda (TKCSA): A Vale e a ThyssenKrupp inauguraram em Junho/2010 a ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico, uma das maiores e mais modernas siderúrgicas do mundo, localizada no bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. A usina tem capacidade de produção anual de 5 milhões de toneladas métricas de placas de aço. O projeto – que recebeu investimentos de 5,2 bilhões de Euros (cerca de US$ 8,2 bilhões) – engloba, além de dois altos-fornos e aciaria, porto, coqueria e uma termoelétrica, movida a gases gerados no próprio processo de produção, como capacidade de 490 MW. O empreendimento é fruto da parceria da ThyssenKrupp Steel, maior produtor de aço da Alemanha, principal acionista da CSA (73,13%), e da Vale. A construção do complexo siderúrgico envolveu 30 mil trabalhadores. [Fonte: idem]

Onde se lê: Solução: Gusa em forno revérbero e puddlage (final do XVIII)

Entenda-se: Solução: Refino do gusa em forno revérbero e puddlage (final do XVIII)

Para quem não sabe ler, segue desenho:

Ricardianamente, empresas siderúrgicas e empresas de mineração associam-se, isto é, somam suas vantagens comparativas.

Esse modelo de associação multinacional é vantajoso para quem produz minério de ferro e para quem o transforma em derivados.

A China não tem como “roubar” da Vale a tecnologia do minério de ferro [no caso, e se não me engano, a Vale é líder mundial na produção de pelotas] simplesmente porque o minério de ferro chinês [entenda-se, o minério na China] comparativamente ao minério de ferro da Vale [nas minas do Brasil e nas de outros países] é de qualidade inferior. Ricardianamente, para a China [entenda-se, para os gestores da economia chinesa] é mais vantajoso associar-se ao seu principal fornecedor de minério de ferro [entenda-se, a Vale]. Os chineses associaram-se à Vale em empreendimento para operação de uma planta de pelotização na China.

Conclusão: a Vale fecha acordos de cooperação técnica com siderúrgicas da Ásia e da Europa porque desenvolveu tecnologias na área de ferrosos. As parcerias permitem ganhos de ambos os lados: a Vale vende mais minério, os clientes dela reduzem custos e melhoram qualidade dos produtos siderúrgicos. Assim opera esse mercado que, desse modo, prescinde da intervenção do Estado para existir e se regular.

Pergunta aos desenvolvimentistas:

É verdadeira a assertiva de que o minério é simples commodity? Se sim, como encaixar na equação desenvolvimentista o elemento “produto [entenda-se, minério de ferro] com desenvolvimento de soluções para os clientes”?

Fato 1:

A Hyundai Steel queria comprar 33% do minério que precisava da Vale e o restante de BHP e Rio Tinto.

"Pedimos a eles para simular outras condições e provamos, pelos testes feitos, que, mesmo com o DIFERENCIAL DE FRETE de frete em relação à Austrália, poderíamos fornecer um produto que lhes garantiria desempenho mais adequado em termos de custo e qualidade", [Rogério Carneiro, gerente-geral de pesquisa e desenvolvimento de ferrosos da Vale].

Fato 2:

Centro de Tecnologia de Ferrosos (CTF) da Vale

Em 2008, o CTF iniciou um programa de treinamento com os coreanos da Hyundai Steel, responsáveis pela montagem de uma usina de produção de aço para 12 milhões de toneladas/ano. Hoje, o produto da Vale tem participação de 45% no mix de produção da Hyundai.

Atualmente e salvo engano, o CTF coordena 35 projetos de pesquisa e desenvolvimento. Desses, 15 são exclusivos para clientes. O restante são projetos feitos para a própria Vale.

No CTF há plantas-piloto que operam em condições semelhantes às encontradas nos altos-fornos industriais. O objetivo é testar para os clientes o comportamento dos minérios nas linhas de produção. Os projetos contemplam simulações numéricas [modelos matemáticos] que indicam custos de produção, consumo de combustível e qualidade do aço.

E aí? È verdadeira a assertiva desenvolvimentista de que o minério de ferro é uma simples commodity carente de valor adicionado?

Caro Paulo,

Acho que você sofre do mesmo erro que alguns desenvolvimentistas na definição de valor adicionado.

Valor adicionado tem pouco a ver com conteúdo tecnológico. Existe mais valor adicionado em sugar o petróleo de uma poça e colocar no barril do que em buscá-lo no fundo do mar com tecnologia Star Wars.

Para economistas, valor adicionado é o valor de mercado do produto menos o preço dos insumos intermediários.

Não sei o que valor adicionado significa para nossos desenvolvimentistas, mas desconfio que eles não entendam o conceito, que confundam o conceito de valor com o conceito de custo (erro típico de infelizes que foram ensinados na tradição marxiana).

Sera o problema politica industrial, ou o uso de alavancas (macro) economicas geralmente indiscriminadas para a execucao de tais politicas?

Vamos pegar o exemplo da informatica. Um ponto de vista e que o mercado resolveria o problema de alocacao de recursos e se o pais pudesse estabelecer uma industria de informatica, aconteceria, senao nao.

Outro ponto de vista e que barreiras de importacao de produtos de informatica e susbsidios seriam beneficos.

Na minha opiniao de leigo, os dois estao errados. O Brasil nao tem como competir em certas areas de informatica como semis, nem com os que manufaturam com fabs (Intel, IBM, TI analogico), nem com os fabless. E nao ha chance de o pais se tornar competitivo nos proximos 50 anos.

Mas o que ha de errado se o governo resolver, por exemplo, criar um polo tecnologico de desenvolvimento de software e servicos de IT da seguinte maneira: investir bilhoes de reais nos proximos 5 anos na criacao de mao de obra qualificada em todos os niveis relevantes em uma area geografica especifica (sei la, Florianopolis ou Itacare), e prover emprestimos c juros baixos (desde que haja um nivel minimo de investimento de equity tbem) para companhias que a) empregarem a tal mao de obra e b) abrirem operacoes no local pre determinado.

O que ha de errado numa versao mais ou menos assim de politica industrial?

Caro "O"

Obrigado pela correção e acho que agora entendi melhor o conceito.

Tenho dúvida também a respeito do conceito de commodity. O conceito pode ser aplicado tranquilamente ao que a Vale produz?

No caso da Vale há, basicamente, dois tipos de produto. Um é o minério de ferro britado e o outro são os aglomerados com diferentes composições e que são formulados a partir de demanda. Se não me engano, o ideal é que o teor de ferro nos produtos seja alto (acima de 60%). E à pelota ainda podem ser agregados outros componentes, além do minério de ferro. Então, a pelotização do minério é um novo produto, diferente do minério “in natura”. Mas este assunto da composição das pelotas é para metalurgistas. Meu conhecimento de metalurgia ainda é muito rasteiro.

Minha área é história das tecnologias. Eu pesquiso a história das tecnologias da metalurgia do ferro no Brasil nos séculos XVIII e XIX. Nessa época fala-se em ustulação do minério, altos-fornos, ferro fundido, gusa, fornos de refino, fornos biscainhos, ferro doce, produção de aço por cementação, foles, rodas d’água.

Eu acho que o problema com esse tipo de estratégia eh a escolha do que investir. Quando fizemos isso com a Embrapa, que explorava vantagens comparativas nossas, tivemos sucesso e geramos valor; se fizermos isso em outros setores onde nao temo banguela comparativas, ou pior, onde o mercado já esta crowded (examplo: semicondutores), nem milagre pode evitar que o retorno social seja negativo.

Os senhores acham que a Embraer deu certo? Se sim, por quê?

Voce tocou num ponto crucial investir onde temos vantagens comparativas, no entanto adquirir know-how e investir muito em P&D na Embrapa foi fundamental, ou não foi?
Por que não investir pesadamente em pesquisa sobre novos compostos e medicamentos com base em plantas da Mata Atlantica e floresta Amazonica?
Com certeza temos vantagens comparativas não? Mas temos know-how?

“Voce tocou num ponto crucial investir onde temos vantagens comparativas, no entanto adquirir know-how e investir muito em P&D na Embrapa foi fundamental, ou não foi?”

Sim, foi fundamental. O investimento na Embrapa possibilitou que pudéssemos fazer bom uso de nossa terra abundante no cerrado e nosso clima tropical.

”Por que não investir pesadamente em pesquisa sobre novos compostos e medicamentos com base em plantas da Mata Atlantica e floresta Amazonica?”

Ou um instituto da malária.

“Os senhores acham que a Embraer deu certo? Se sim, por quê?”

Boa pergunta, com uma resposta bem complicada.

Primeiro, você tem que entender porque a Embraer foi criada. Não foi para gerar retorno econômico nem para desenvolver a indústria nacional, mas sim como parte crucial de nossa estratégia de defesa. Ao que consta, o medo de nossos militares de que fossemos invadidos pelos argentinos ou por alguma potência longínqua não se concretizou – o que não quer dizer que o medo fosse injustificado.

Quanto ao retorno econômico, nunca vi ninguém calcular, mas se levarmos em conta que a Embraer fazia parte de um complexo militar (incluindo Engesa e outras), que consumiu milhões ou bilhões de dólares por décadas, eu não me surpreenderia que a Embraer tenha sido um investimento de retorno negativo. Mas não sei.

O:

A escolha de areas de investimento e crucial. E infelizmente e' a decisao com maior potencial de influencia politica...

Eu diria que os criterios de decisao apropriados sao menos a respeito das "vantagens comparativas," e mais relacionados a estrutura das industrias. Em semis voce tem um numero minimo de companhias em escala que sao lucrativas (Intel, Qualcomm, ARM, TI, Broadcom e eu acho que e so), todas com propriedade intelectual desenvolvida durante decadas e algumas com modelos de negocios requerendo investimentos em fabs de bilhoes de dolares cada. E obvio que um investimento de alguns bilhoes de dolares nao sera suficiente para criar um setor competitivo num pais como o Brasil a medio prazo.

Quanto a Embraer, para ser justo, seria prciso considerar o custo dos subsidios da industria militar bem como os beneficios associados a criacao de todo o polo aerospacial: o CTA/ITA, o INPE, etc. E eu arriscaria dizer que mesmo que o NPV do projeto como um todo seja negativo de acodo com algum calculo, a Embraer e sim um sucesso.

Que existem outras areas onde ha sim possibilidade de se criar setores competitivos a longo prazo (sem subsidios implicitos ou explicitos) tambem parece obvio: todo o setor de servicos de TI, desenvolvimento de software em areas/verticais especificas, certas areas de biotecnologia sao candidatas claras.

Mas esse tipo de discussao - como a discussao sobre disciplina fiscal do governo - carece de realismo por que realidade politica, incentivos, interesses, e a natureza humana (principalmente dos que estao no poder hoje no brasil) e' o que e'.

Ainda que a malária seja um problema, a vacina para a Dengue seria mais urgente. Essa discussão seria infindável, eu concordo em parte com vocês e em parte não. Acho que o nosso problema é muito mais complicado do que opções de investimento e proteção de industria, mas eu concordo que onde o estado botou a mão a coisa foi um desastre. Vocês não mencionaram a famigerada lei da informática. Lembram-se da "reserva de merdado"? E das empresas nacionais? Lembro-me de uma, a Cobra. Era uma merda como todas as outras.

"O" ou Alex,

Já li sobre esta questão do conceito de valor marxista ser uma confusão com a questão do custo e tal, mas perdi a refrência. Seria possível passar alguma dica de algum texto que trate disso?

Grato de antemão.

Meus caros,
Um pequeno comentário sobre os rumos que esta discussão está tomando. O problema destas políticas industriais citadas é o seu custo-benefício. Alguém sugeriu gastar 5 bi para fazer um pólo de TI. Será que estes 5 bi não gerariam um retorno social maior caso fossem investidos na educação básica? Ou na Infra-estrutura? Temos tantos problemas e tantas carências, que me parece absurdas demais estas propostas.
Agora, vamos supor que estes problemas e estas carências já estivessem resolvidas (ou seja, estou supondo que não existe lugar óbvio para investir este dinheiro público como existe atualmente no país). A proposta pareceria correta? Veja, este investimento gearria retorno privado extremamente concentrado e muito bem identificado (não sei se existiriam claras externalidades). Se o retorno social é claro e óbvio, por que o setor privado não o faria? É o mesmo caso da siderúrgia. Se o retorno social é tão óbvio e as externalidades existentes no setor são claramente negativas (poluição), por que as empresas privadas não fazem estes investimentos? Aí uma moça aqui no blog (que nunca, tal qual eu, deve ter administrado uma empresa) fica com raivinha porque alguém duvida que este retorno seja efetivamente grande (usa um argumento impressionantre: "É lógico que é").
É isto. Por fim, não sei se o sujeito que ficou defendendo que a Austrália era protecionista entendeu o argumento. Mas é necessário colocar tudo sob a mesma regra. Ele citou alguém falando que a Austrália era protecionista. O que quer dizer isto? Como comparar com a gente? A gente chega na década de 80 como uma autarquia econômica (e muita gente comemorava isto!!!!) Só importavámos petróleo e trigo - geramos um dos piores PTF distribuição de renda do planeta. É isto que queremos?
Saudações

O Zurro tá citando texto do Christopher Lloyd, que é o cientista do De volta para o futuro. Muito oportuno!!

a

"Se o retorno social é claro e óbvio, por que o setor privado não o faria? É o mesmo caso da siderúrgia. Se o retorno social é tão óbvio e as externalidades existentes no setor são claramente negativas (poluição), por que as empresas privadas não fazem estes investimentos?"

Essa questão é fácil de responder. A empresa privada não investe em siderurgia porque o que lhe interessa é a margem de lucro e dificilmente o aço vai superar a margem atual do minério de ferro, que deve estar em uns 200% pelo menos e, portanto, tende a captar a maioria dos investimentos.

A questão realmente espinhosa é se as externalidades positivas de uma indústria siderúrgica em relação à extração de minério são suficientes para compensar a perda de eficiência alocativa da intervenção estatal.

A contabilidade de externalidades é difícil, pois exige hipóteses sobre causalidades (ao contrário do lucro, que é simplesmente um cálculo aritmético). Portanto, é um negócio que nunca pode ser definido de modo totalmente objetivo.

Em geral, as evidências históricas tendem a mostrar que as intervenções são prejudiciais, mas não se deve estabelecer isso como regra absoluta.

Siderurgia acho ruim, mas investimentos em tecnologia, farmácia/biomedicina e ramos tradicionais de difícil entrada talvez não sejam má ideia.

"Quanto ao retorno econômico, nunca vi ninguém calcular, mas se levarmos em conta que a Embraer fazia parte de um complexo militar (incluindo Engesa e outras), que consumiu milhões ou bilhões de dólares por décadas, eu não me surpreenderia que a Embraer tenha sido um investimento de retorno negativo."

"E eu arriscaria dizer que mesmo que o NPV do projeto como um todo seja negativo de acodo com algum calculo, a Embraer e sim um sucesso."

Mas, de todo modo, criou-se uma indústria nacional de ponta internacionalmente competitiva.

Talvez exatamente porque, mesmo com proteção, ela não tenha mercado interno suficiente...

A identidade secreta do Zorro (quer dizer, Zurro) foi revelada:

http://www.blogger.com/profile/14154829871308956239

A Embraer só se tornou uma grande empresa depois de privatizada. Veja quantos Bandeirantes e Brasílias caíram. Essa era de jatos só ocorreu pós-privatização. O mesmo ocorreu com todas as privatizadas. A Vale não rendia nada ao governo até ser privatizada, o mesmo para as siderurgicas e as teles.Eram cabides de emprego atrasadas.

Difícil acreditar que tem gente que não concebe o processo de desenvolvimento econômico como setor específico. Ainda estão no tempo de Ricardo... risível. Onde está o exemplo de um país desenvolvido que abriu mão do setor industrial, que nunca usou de protecionismo? Especialmente durante o processo de catching up. Livre mercado, isso sim é uma verdadeira piada, a menos que você viva em um país que tenha um setor produtivo extremamente eficiente,o que definitivamente não é o caso do Brasil.

É lamentável que alguém com nível superior acredite nessa estória (fundamentada em valores completamente arbitrários!). Mais absurdo é achar que isso é ciência. Vou te ensinar um pouco sobre Nova Zelândia e Austrália. Estes países participaram do processo de industrialização de sua metrópole. Com a abolição das corn laws, a Inglaterra renunciou ao setor agrícola, transferindo seu abastecimento para Nova Zelândia, Austrália e Argentina. Quer isto dizer que o crescimento destes países foi comandado pelo setor industrial inglês, só que instalado geograficamente em outra parte do mundo. A Argentina apresentava nas primeiras décadas do século XX um PIB per capita maior do que o da França, por exemplo. Contudo, quando a Inglaterra priorizou o abastecimento por suas antigas colônias, a Argentina retornou ao subdesenvolvimento. Siga as recomendações de Schumpeter, estude História e procure saber mais sobre o mundo que te cerca em vez de inventar peças de ficção como essas.

Sua incapacidade de pensamento abstrato revela burrice paranormal. Talvez haja um lugar para você na divisão psíquica do FBI. Boa sorte.