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sábado, 12 de julho de 2008

Remédio amargo? Não, obrigado!

Nunca antes na história deste país! O Banco Central está subindo os juros para conter a inflação e, exceto no que se refere aos suspeitos de sempre, não está na berlinda. Pelo contrário, na comunidade de analistas sérios é o apetite sem fim do governo por gastos que tem sido apontado (corretamente) como responsável por grande parte dos desequilíbrios que alimentam a aceleração da inflação e, como tal, tem merecido críticas bastante duras.

Há, porém, quem ainda argumente em favor da atual política fiscal. Afinal de contas, o governo aumentou a meta de superávit primário para 4,3% do PIB – informalmente, é verdade, e, pior ainda, associado ao malfadado Fundo Soberano – mostrando seu comprometimento com a inflação baixa, bem como sua disposição para ajudar o Banco Central na tarefa de reduzir o ritmo de expansão da demanda.

Temos que reconhecer certo elemento de verdade neste argumento. De fato, a situação inflacionária se tornaria ainda pior do que é caso o governo decidisse não só pela manutenção da meta em 3,8% do PIB, mas pela entrega de um superávit primário desta magnitude. Neste sentido, a proposta de elevação informal da meta se assemelha ao envelhecimento: não é bom, mas é consideravelmente melhor que a alternativa.

Isto dito, porém, fato é que o superávit primário tem ficado ao redor de 4,3% do PIB desde o início de 2007, ou seja, a elevação da meta de superávit primário não implica nenhum aperto fiscal adicional que realmente auxiliasse o processo de moderação de ritmo da demanda doméstica. Pior: não há de ter escapado ao leitor mais atento que a aceleração da inflação se deu precisamente na presença de um superávit primário que tem se mantido próximo ao nível prometido para os meses e trimestres à frente. Se este superávit não conseguiu evitar o aumento da inflação ao longo dos últimos 12 meses, o que deveria nos levar a crer que seria suficiente para reduzir a inflação nos próximos 12 meses?

Na verdade, há ainda uma questão adicional que nos auxilia a entender o que tem acontecido. Não é surpresa que a arrecadação de impostos tenda a subir, inclusive como proporção do PIB, nos períodos de maior expansão da economia e cair quando o ciclo se inverte. Impostos sobre lucros, por exemplo, devem se comportar exatamente desta forma.

E, na realidade, isto é precisamente o que observamos: entre janeiro de 2007 e maio de 2008 as receitas federais cresceram o equivalente a 0,9% do PIB (mesmo com a substituição imperfeita da CPMF pelo IOF nos primeiros meses deste ano), ou seja, R$ 65 bilhões a preços de maio deste ano. Neste mesmo período o superávit primário federal aumentou apenas R$ 11 bilhões, ou seja, as despesas cresceram R$ 54 bilhões. Em outras palavras, ajustada para o ciclo econômico, a estabilidade do superávit primário torna-se uma vigorosa expansão fiscal, ainda agravada porque muitas das despesas assumidas recentemente serão de difícil redução quando os ventos mudarem.

Não, houve, portanto qualquer contribuição da política fiscal à moderação do crescimento no passado recente, e a manutenção do mesmo padrão de comportamento sugere que também não haverá no futuro imediato. Uma política que de fato auxiliasse o Banco Central e evitasse um aumento maior dos juros teria que almejar níveis ainda mais elevados de superávit, mas o governo, sempre pronto a administrar remédios amargos nos outros, não parece disposto a provar deles.

(Publicado 9/Jul/2008)

Reações:

21 comentários:

BC brasileiro não deveria subir tanto
o juros,ele so vai aumentar a dívida
por causa dos juros mais altos.

Porque não adotar outros metodos para
controlar a inflação,porque não aumen
ta os compulsórios?Seria melhor que
uma alta de Selic.

a emissão ou destruição da base monetária é feita com base no balanço do banco central, ou mais especificamente num quadro chamado "fatores condicionantes da base monetária"

antes de mais nada cabe definir o que é afinal base monetária, base monetária é o passivo monetário do banco central, ou seja papel-moeda emitido mais as reservas dos bancos comerciais.

banco central emite ou destrói base monetária comprando ou vendendo títulos de dívida pública, mas com isso ocorre?

(A) quando o BC compra um título registra-o no ativo e o paga com um registro no seu passivo reservars dos bancos comerciais, ou seja registra um direito para o banco comercial e uma obrigação p/ o BC.

Quando deficitário é o Tesouro o BC faz operações de emissão de moeda, na prática o que ocorre é o registro acima descrito, em (A).

outro item que consta no ativo do banco central chama-se reservas internacionais, quando das operações com o exterior resultam em receitas de divisas superiores as despesas, o BC constitiui reservas e faz operação de ampliação de base monetária para compra aquisição da moeda extrangeira junto aos banco comerciais similar a operação descrita em (A)

Entrentanto as emissões de moeda acima citada acompanham a geração de renda na economia, acompanham como alguns colegas gostam de chamar o setor real.

Veja p/ simplificar que Y = C + I + G + (X-M), ou seja, o produto (do lado real) (considerando em equilíbrio) é ampliado tanto com aumento dos gastos quanto com exportações.


entretanto, o BC pode criar base monetária "emitir moeda" sem ligação com o lado real da economia, e como ele faz isto?

o principal fator chama-se PAGAMENTO DE JUROS DA DÍVIDA PÚBLICA, isto mesmo, as reiteradas decisões de aumento das taxas de juros resultaram em criação de base monetária. e veja o porquê.

na venda de títulos públicos o BC destrói base monetária, na verdade, toma dinheiro emprestado, e posteriormente, quando da operação de compra de títulos públicos p/ destruição da base monetária ou do resgate do mesmo estar-se-ia na verdade incorrendo em criação de base monetária, este montante será maior quanto maior for a taxa de juros que remunera o título, quanto maior forem os aumentos da taxas que remuneram estes titúlos, quanto maior for a SELIC.

Agora, não entendo por que os liberais aplaudem criação de moeda sem ligação com o lado real, sinceramente.

Alex,

Diversos artigos na imprensa defendem que o crescimento da dívida pública decorre de uma política errônea no câmbio.
O "diabo" da vez seria o controle do câmbio por meio do swap reverso.
O que acha?

Controlar o crédito....
Yoshiaki Nakano
"(...)Nos últimos anos, as fortes elevações os juros eram respostas a paradas súbitas no fluxo de capitais e decorrentes da aceleração da inflação, desde a implantação do câmbio flexível. Agora, trate-se de conter as expectativas e a expansão excessiva da demanda interna em alguns setores, particularmente impulsionados pela forte expansão de crédito.

Portanto deveríamos CONTER A EXPANSÃO DO CRÉDITO E PARA ISSO UTILIZAR O TRACIONAL INSTRUMENTO DOS BANCOS CENTRAIS: ELEVAR O DEPÓSITO COMPULSÓRIOS DOS BANCOS, PELO MENOS NA MARGEM, LIMITANDO A SUA CAPACIDADE DE AMPLICAR O VOLUME DE CRÉDITO.

Em vez do BC propor a alta na TJLP que incide sobre investimentos, que amplicam a capacidade produtiva e portanto contêm a inflação, deveria refrear a expansão excessiva dos agregados monetários e de crédito, pois para isso possui instrumentos convencionais e de comprovada eficácia"


É justamente o que tenho falado aqui constantemente. A inflação merece atenção, mas temos de adotar os remédios corretos. O juros já atingiu seu nível máximo, e expandir a dívida interna (como o BC vai fazer) em operações de Open Market é ridículo.

O mecanismo do aumento do compulsório é a melhor alternativa para conter a demanda nesse momento, sem prejudicar a oferta e as contas públicas.

Onde está a inteligência do Copom????


A)Política fiscal restritiva. Sem dúvida, planos de expansão dos gastos públicos devem ser contido (como o PAC), mais como ressaltou o mesmo, redução dos gastos correntes não-prioritários.

B) Controle seletivo sobre o crédito ao consumo. Essa seria a melhor medida para conter a demanda nesse momento. Aumentando o compulsório, aumentando as exigências patrimoniais sobre crédito, pelo ajuste do próprio mercado teríamos taxas de juros para consumo mais elevadas, sem gerar gastos aos cofres públicos.

C) Concordo quanto a desoneração de tributos internos e redução de tarifas de importação sobre determinados produtos. Quando a tarifa sobre exportação, parece ser um equívoco, com baixa viabilidade no mercado.

D) Medidas de estímulo a oferta. De todas essas alternativas, parece que apenas essa o governo abraçou, com o novo plano Safra 2008/2009

Creio que o aumento da Selic seria ruim,pois valorizaríamos mais o câmbio além de gastarmos por causa do aumento do juros.

Anonimo:

O controle de agregados monetarios eh uma alternativa de controle da inflacao com um pequeno defeito: nao funciona. Nao por outro motivo todos os BCs serios ao redor do mundo que tenham independencia de politica monetaria (aqui estou me referindo ao regime de cambio) adotam controle de taxa de juros, nao da quantidade de moeda. Em teoria voce pode usar um ou outro, dependendo de que tipo de choque tem maior variancia. Na pratica, parece que taxa de juros eh o instrumento.

Anonimo 2:

A divida estah caindo (como % do PIB), nao subindo, portanto o diagnostico esta errado. Se se referem aa divida interna ser mais custosa, sim, eh verdade, mas isto isola o pais do choque externo, o que tem algumas vantagens que explorei em outros posts.

Anonimo 3:

Tambem jah explorei a questao dos compulsorios X juros neste espaco. Eu prefiro a taxa de juros, pois gera menos distorcoes e permite que, no futuro, a expansao do credito aumente o poder da politica monetaria, como testemunharemos em breve no atual ciclo.

Abs

Alex

Alex mas essa inflação de custo é passageira depois os preços das commodities se ajustam.
O mesmo acontece com alimentos.um exemplo é o plano safra 2008/2009
que vai estimular a produção de
alimentos baixando seus preços.



o Alex o compulsório é o mecanismo mais rápido do que o juros (que se tem o consenso que demora em torno de 6 meses para fazer efeito).

O Banco empresta de acordo com seu compulsório e CDB. Os fundos, lembre que tem destinação específica (renda fixa, variável, etc), não podendo utilizar esse recurso para empréstimo.

O principal fonte de empréstimo é o dinheiro do depósito à vista. Ao diminuir a quantidade que os Bancos podem emprestar, tem-se uma grande redução no volume de crédito.

Lembre-se do multiplicador bancário.
Em uma economia onde exista apenas um banco, uma pessoa possui 100 reais e coloca no banco. O banco por sua vez empresta 90 para outra elemento, que gasta 20 e coloca o restante no banco, 70. Que por sua vez é emprestado novamente para um quarto indivíduo que utiliza 20 e coloca 50 , e assim por diante.

Ao ter mais exigência sobre os Bancos, através do depósito compulsório, vc reduz em muito a quantidade de dinheiro em circulação (principalmente para consumo) que por sua vez irá aumentar a taxa de juros ao consumidor.

A taxa de juros por sua vez, interfere mais nas decisões de investimento, do que no consumo. Os recentes aumentos da taxa de juros mudou em nada os valores dos empréstimos nos bancos), pelo contrário a concorrência tem feito com que os juros tenham pequena queda nesse mês. O Spread bancário torna ese mecanismo obscuro em termos de crédito pessoal.

Anonimo:

1) A aceleracao da inflacao nao eh um problema de "custos", mas de demanda;

2) Se fosse de "custos" (nao sei o que eh isto, mas vah lah), aih faria menos sentido ainda usar compulsorio;

3) A principal fonte de financiamento para bancos nao eh o deposito aa vista, mas o CDB;

4) Vc mencionou o lag de juros.Sobre compulsorios ninguem sabe lag ou intensidade. Vc quer mesmo usar um instrumento que nao se sabe como funciona, ou um que vc sabe (com todas as imperfeicoes inerentes) como funciona?

Abs

Alex

Poderia subir os compulsórios para
80% ao inves de subir a Selic.
Se você sobe Selic você aumentar o custo da dívida interna
e vai estar valorizando o câmbio e
diminuindo as exportações além de
atrapalhar investimoentos como o PAC que estar fazendo o Brasil crescer mais.


na venda de títulos públicos o BC destrói base monetária, na verdade, toma dinheiro emprestado, e posteriormente, quando da operação de compra de títulos públicos p/ destruição da base monetária ou do resgate do mesmo estar-se-ia na verdade incorrendo em criação de base monetária, este montante será maior quanto maior for a taxa de juros que remunera o título, quanto maior forem os aumentos da taxas que remuneram estes titúlos, quanto maior for a SELIC.Por isso que nem sempre subir
juros seria a solução.

No caso até um calote na dívida poderia resolver a inflação.Governo
não teria que pagar o juros da dívida.

Alex,

Peço desculpas por me intrometer em um assunto que não conheço - Economia -, mas você fez uma ponderação que certamente está corretíssima segundo a teoria econômica.
De que o aumento da taxa de juros é o melhor remédio para controle da inflação, superando, em muito, o aumento do compulsório.
Ocorre que a Economia é ciência humana, dependendo muito do "psiquê".
No caso brasileiro a prática é que o consumidor final não pensa se os juros estão autos, mas sim se a prestação cabe no bolso.
Assim, a subida dos juros não surte tão perfeitamente o efeito desejado.
Prosseguindo no meu "pitaco", a solução seria calibrar os juros e adotar algumas restrições ao crédito.
Ademais, esse mal hábito brasileiro tem trazido um problema, tanto aos consumidores, quanto aos bancos, a inadimplência.
Por isso essa restrição, para o bem do sistema financeiro e consumidores, deveria se dar de modo que aumentasse a segurança nas transações.
Afinal não queremos crise de subprime no Brasil!
Abraços,

Alex,

Estou lendo, e rindo, do artigo do Paulo Nogueira (aka "Bombinha") na Folha de hoje. Ate o Bombinha anda propondo cortes nos gastos do governo para conter as pressoes inflacionarias! Washington anda fazendo bem para ele...

Sds,
Ed

Alex você é a favor da privatização
de estatais como CEF,Correios,Petro,
BB,BNDS.Para abater a dívida pública?

Seria o único modo do Brasil ter
taxas de juros de um dígito.Junto
com uma política fiscal de superavit nominal.

A meta de inflação no Brasil de 4,5 não é alta?O ideal não seria uma meta próxima de 3%?

Anonimo,

- Se a decisão do consumidor depende da prestação e a prestação depende dos juros então o a decisão do consumidor depende dos juros.

- Aumento de juros afeta a decisão marginal do consumidor em comprar, ou seja, se vc está indiferente em comprar ou não dado o preço da prestação, se o bacen aumenta um pouquinho os juros vc já não compra. Portanto o Bacen escolhe qnto aumentar dos juros dependendo do quanto ele quer atingir "na margem".

-Restrição ao crédito gera ineficiencia ao afetar preços relativos da economia, gerando incerteza no investimento das empresas, e no planejamento das pessoas.


ED

Ed:

Eu bem que gostaria de acreditar nisto, mas sinto nestas propostas todas uma ideia de "emparedar" o BC. Gente que nunca defendeu a austeridade fiscal (Beluzzo, Merdacante, Bombinha, etc), de repente se convertendo ao credo do controle de gastos ao mesmo tempo me parece suspeito. Se eu fosse religioso poderia acreditar. Como ateu, permaneco cetico.


ED (com maiusculas):

Bom ponto!

Jacob:

Sim, eu sou a favor da privatizacao destas empresas todas (BNDES eh mais complicado: o melhor seria fecha-lo simplesmente). Continua achando que o problema da taxa de juros nao eh a divida publica, mas o credito direcionado. Neste sentido o fim do BNDES ajudaria a reducao da taxa de juros.

Quanto aa meta, eu acho alta sim, bem como acredito que perdemos uma grande oportunidade de reduzi-la no ano passado.

Abs

Alex (direto de Creta, depois de visitar o Palacio de Knossos, uma das coisas mais impressionantes que jah vi)

Subir juros seria a melhor alternativa para controlar a inflação?

A inflação no Brasil é de custo portanto é passageira.Ela foi causada pelo aumento nos preços dos alimentos e nas commodities,mas os seus preços estão baixando.O BC agiu errado ao subir o juros poderia esperar a inflação se estabilizar.

Quando o BC sobe o juros ele estar aumentando o custo da dívida pública sacrificando o crescimento da economia além de valorizar o cambio prejudicando as transações correntes.Se a inflação fosse de demanda poderia usar outros metodos como controle no crédito ou mesmo uma solução que o Beluzzo apontou foi a redução nos prazos de financiamento.

Brasil poderia lançar outras medidas ao invés de subir o juros:

A) aumento do depósito compulsório (medida simples, basta normativo do BC)
B) restrição ao crédito, tais como suspender empréstimos consignados, aumentar a exigência de patrimônio líquido a cada empréstimo realizado, seguindo o Acordo de Basiléia II (basta normativos do BC)
C) aumentar o IOF sobre CDC sobre as operações de crédito.

Estimulo a produção de alimentos poderíamos baixar o juros para 8% AA desvalorizarando o cambio para aumentar as exportações e garantir o superavit nas transações correntes.

Essa política de juros altos vai levar o Brasil para a bancarrota vamos ter uma diminuição do crescimento da economia,juros altos valoriza o cambio prejudicando as exportações e aumenta o deficit nas transações correntes que por sinal no Brasil ta subindo.

Temos que trocar urgentemente essa equipe do banco central ela é muito ortodoxa temos que colocar Beluzzo,Bresser,Ponchmann,Dilma Rousseff,Delfim. Caso o Brasil não queira perder mais uma década de crescimento.

Vale lembrar que o Brasil ta tendo inflação porque outros países estão tendo. Nenhum pais do mundo consegue ter inflação sozinho.

Alex você precisa ter Deus no coração para interpretar a ação humana na economia.Lembre-se que
quando você sobe o juros você aumenta os lucros dos banqueiros e quem paga é o povo brasileiro,um calote na dívida também poderia resolver o problema de inflação no Brasil governo não teria que pagar mais o juros da dívida para ninguém podendo investir no social.

"Temos que trocar urgentemente essa equipe do banco central ela é muito ortodoxa temos que colocar Beluzzo,Bresser,Ponchmann,Dilma Rousseff,Delfim. Caso o Brasil não queira perder mais uma década de crescimento."

Voce esqueceu da Conceicao Tavares, do Paulo Bombinha, do manteguinha, do sicsu, do genial e internacionalmente publicado fernando cardim de carvalho, daquele jovem com ideias arejadas da GV-SP, um tal de Nakano etc

Nenhum pais consegue ter inflação sozinho e isso estar sendo provado agora .

A inflação estar fazendo com que os brasileiros percam seu poder de compra .Não seria o caso de indexar o salário mínimo ao IGPM para eles não perderem seu poder aquisitivo?

Anonimo:

A Argentina e a Venezuela (soh para ficar na nossa vizinhanca, mas se quiser pode olhar para a Russia tambem) jah tinham niveis indecentes de inflacao quando os quemesseiros ainda pediam juro mais baxi por aqui alegando inflacao abaixo da meta. Conseguiram ter inflacao sozinhos, assim como nos conseguimos.

Anonimo 2 (pode ser o mesmo):

Obviamente nao.

Abs

Alex

O próprio Beluzzo alertou que essa
política de juros altos pode levar o Brasil para a bancarrota.Essas políticas valoriza o cambio causando deficits nas transações correntes.

Beluzzo afirmou que a grande arbitragem desses ativos estão no mercado de futuros em moedas como YEN e Dolar.Com o juros internacional baixo favorece a especulação no real.Quando eles perceberem que o Brasil esta tendo deficits nas transacoes correntes quem possui ativos liquidos em reais vai perceber que não vale a pena ter reais por causa da saida de dolares,se desfazendo desses ativos provocando uma crise cambial.


A inflação no Brasil é de custo portanto é passageira.Ela foi causada pelo aumento nos preços dos alimentos e nas commodities,mas os seus preços estão baixando.O BC agiu errado ao subir o juros poderia esperar a inflação se estabilizar.


Quando o BC sobe o juros ele estar aumentando o custo da dívida pública sacrificando o crescimento da economia além de valorizar o cambio prejudicando as transações correntes.Se a inflação fosse de demanda poderia usar outros metodos como controle no crédito ou mesmo uma solução que o Beluzzo apontou foi a redução nos prazos de financiamento.

Brasil poderia lançar outras medidas ao invés de subir o juros:

A) aumento do depósito compulsório (medida simples, basta normativo do BC)
B) restrição ao crédito, tais como suspender empréstimos consignados, aumentar a exigência de patrimônio líquido a cada empréstimo realizado, seguindo o Acordo de Basiléia II (basta normativos do BC)
C) aumentar o IOF sobre CDC sobre as operações de crédito.

Estimulo a produção de alimentos poderíamos baixar o juros para 8% AA desvalorizarando o cambio para aumentar as exportações e garantir o superavit nas transações correntes.

Seria impossível que haja no Brasil um surto inflacionário .Nunca na história do Brasil ou na história mundial nunca houve um surto inflacionário isoladamente.
Quando o mundo tinha inflação baixa era nunca ouve países que tivesse inflação isoladamente sozinho.Agora estamos tendo mais é uma inflação passageira de custo como mencionei.

Alex você já viu a nova ,inflação exportada?

Com dólar fraco, EUA "exportam" inflação, afirmam economistas

Os países ricos responsabilizam os emergentes -em particular a China, que coloca 200 milhões de pessoas ao ano no mercado consumidor- pela escalada no preços dos alimentos e de commodities em geral. O consumo chinês, no caso, seria o grande "exportador" de inflação ao restante do mundo.

Para alguns economistas, como Jeffrey Frankel, especialista em commodities da Universidade Harvard, a China só está repatriando agora uma inflação exportada pelo menos desde os anos 80 pelos EUA, por meio da desvalorização do dólar --que reequilibra seu déficit comercial-- e pela política de juros baixos --que controla o déficit fiscal, agravado nos anos George W. Bush pela guerra no Afeganistão e depois no Iraque.

"Os EUA exportaram inflação para o restante do mundo, levando os preços em dólares das commodities a decolarem. Há um ano, as expectativas de crescimento do mundo, incluindo na China, se desaceleram, mas os preços do petróleo e de outras commodities subiram ainda mais. A demanda não explica sozinha os aumentos de preços", disse Frankel.

Exportando inflação

Pela teoria monetarista, os governos e os seus Bancos Centrais, quando querem controlar a inflação, costumam subir os juros e retirar dinheiro de circulação por meio da colocação de títulos de sua dívida. O custo é aumentar o endividamento.

A equação só não é totalmente verdadeira para os EUA, donos da máquina que imprime dólares, aceitos em todo o mundo. Ante a necessidade de reduzir a liquidez no país, em vez de subir juros e emitir títulos, os EUA podem liberar a importação. Com isso, conseguem ajustar a oferta do mercado com a demanda e ainda mandam dólares para o exterior, retirando dinheiro de circulação.

"À medida que os EUA ejetam moeda para fora, também reduzem a liquidez interna. Você ajusta não só o lado da oferta como cria a redução da demanda. Essa prática do governo americano é o que chamamos de "exportar inflação". A inflação deles. Qual o problema que ele cria? Aumenta a liquidez de dólar nos mercados mundiais", disse o economista Otto Nogami, do Ibmec-SP.

Para o ex-ministro Delfim Netto, esse aumento de dólares nos emergentes, resultado do chamado duplo déficit americano --comercial e fiscal--, explica parte da inflação atual.

"Os BCs estão numa situação curiosa. Eles causaram uma parte dessa confusão porque mantiveram as taxas de juros muito baixas, permitiram patifaria no sistema financeiro e aumentaram a liquidez de maneira assustadora. Na verdade, eles financiaram essa elevação de preços", disse.

Desvalorização

Delfim lembra que o dólar perdeu 40% de seu poder de compra em relação ao euro só nos últimos quatro anos, e as commodities assumiram um papel de "hedge" [proteção] contra essa desvalorização.

"O maior efeito dos EUA sobre essa elevação dos preços é a desvalorização do dólar. Ela deve explicar uns 40% do aumento do preço dos alimentos. O árabe quer vender o petróleo com correção monetária. Ele quer que o barril de petróleo compre a mesma coisa que comprava antes em dólares. Como o dólar está caindo, eles têm de subir o preço. É tão simples quanto isso", disse.

Para Italo Lombardi, economista da consultoria americana RGE Monitor, a discussão sobre quem exporta inflação para quem perdeu sua relevância na atualidade. Ele afirma que não há consenso se o petróleo sobe porque o dólar se desvaloriza ou se acontece o contrário.

"Esse assunto vem e volta com bastante freqüência aqui nos EUA. Muita gente apostava na recuperação do dólar, pelo menos, até o último discurso do Ben Bernanke [presidente do Fed]. O Fed deu indicações de que não deve elevar juros, o que enfraquece o dólar. E tinha motivos para o dólar voltar a subir, como um crescimento maior nos EUA do que na Europa."

"Como ajustar? Com juro maior também nos EUA. A taxa maior faz com que o excedente de dólares flua novamente em direção aos EUA. Isso aumenta a liquidez do mercado americano", afirma Nogami.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u424254.shtml

“O próprio Beluzzo alertou que essa política de juros altos pode levar o Brasil para a bancarrota.Essas políticas VALOORIZA o cambio causando deficits nas transações correntes.

Beluzzo afirmou que a grande arbitragem desses ativos ESTÂO no mercado de futuros em moedas como YEN e Dolar.Com o juros internacional baixo favorece a especulação no real.Quando eles perceberem que o Brasil esta tendo deficits nas transacoes correntes quem possui ativos liquidos em reais vai perceber que não vale a pena ter reais por causa da saida de dolares,se desfazendo desses ativos provocando uma crise cambial.”

Nem vou comentar o português lamentável (concordância, regência, ortografia, etc, etc) que já seria sacanagem. Vamos aos fatos:

O regime de política monetária existe há anos. Entre 2003 e 2007 o país teve superávits em conta corrente e reduziu sua dívida externa quase a zero. Acho esquisito que se diga que o país irá à bancarrota com esta política. Se qualquer coisa, o país saiu da (quase) bancarrota para a atual solidez sob este regime de política.

Crise cambial? Com regime de câmbio flutuante? O que pode acontecer é que o real se desvalorize. E o que acontece quando o real se desvaloriza? Como mostrei aqui (http://maovisivel.blogspot.com/2008/06/filme-velho-final-novo_25.html), nas atuais circuntâncias, quando o câmbio se desvaloriza a dívida pública cai, isto é, ficamos ainda mais distantes da “bancarrota”.

“A inflação no Brasil é de custo portanto é passageira.Ela foi causada pelo aumento nos preços dos alimentos e nas commodities,mas os seus preços estão baixando.O BC agiu errado ao subir o juros poderia esperar a inflação se estabilizar.”

Já mostrei (http://maovisivel.blogspot.com/2008/05/inflao-alm-do-p-de-feijo_28.html) que a inflação brasileira não é de “custos”, e que também não deriva do aumento do preço dos alimentos (http://maovisivel.blogspot.com/2008/05/inflao-e-o-p-de-feijo.html). Aliás, mesmo se fosse, ainda assim seria um choque de demanda, não de oferta, dado que o Brasil é exportador líquido de alimentos. A inflação brasileira vem de excesso de demanda e se o BC esperasse (ou agisse timidamente) iria ter que fazer umn esforço ainda maior no futuro. Não precisa ser gênio: é só ver o que o BC chileno fez (e fazer o contrário),

“Quando o BC sobe o juros ele estar aumentando o custo da dívida pública sacrificando o crescimento da economia além de valorizar o cambio prejudicando as transações correntes.Se a inflação fosse de demanda poderia usar outros metodos como controle no crédito ou mesmo uma solução que o Beluzzo apontou foi a redução nos prazos de financiamento.

Brasil poderia lançar outras medidas ao invés de subir o juros:”

Ué, a inflação não era “de custos”?

“A) aumento do depósito compulsório (medida simples, basta normativo do BC)
B) restrição ao crédito, tais como suspender empréstimos consignados, aumentar a exigência de patrimônio líquido a cada empréstimo realizado, seguindo o Acordo de Basiléia II (basta normativos do BC)
C) aumentar o IOF sobre CDC sobre as operações de crédito.”

Aumentar a Selic não precisa nem de normativo. De qualquer forma já expliquei porque a restrição ao crédito é, em geral, uma medida ruim. É difícil de calibrar e causa distorções microeconômicas das quais só recentemente estamos nos libertando,

“Estimulo a produção de alimentos poderíamos baixar o juros para 8% AA desvalorizarando o cambio para aumentar as exportações e garantir o superavit nas transações correntes.”

Gostei da precisão: 8% aa, só com aumento da produção de alimentos. O fato de estarmos registrando a maior safra da história brasileira deve ter passado despercebido... Ah, sim: e desvalorizar o câmbio para conter a inflação deve garantir um prêmio IgNóbil em Economia...

“Seria impossível que haja no Brasil um surto inflacionário .Nunca na história do Brasil ou na história mundial nunca houve um surto inflacionário isoladamente. Quando o mundo tinha inflação baixa era nunca OUVE países que tivesse inflação ISOLADAMENTE SOZINHO.Agora estamos tendo mais é uma inflação passageira de custo como mencionei.”

Hmmm. Vamos a alguns exemplos que derrubam esta tese esdrúxula:

2004/2005: inflação subiu de 5% para 8% no Brasil enquanto caía no resto do mundo.;
Vários países tiveram e têm taxas de inflação se acelerando quando a inflação no resto do mundo se reduzia (Argentina, Venezuela). Zimbabwe tem hiperinflação há anos, mesmo quando a inflação mundial baixa.

De maneira geral um comentário muito ruim. Fiquei em dúvida se deveria publicá-lo, mas, sei lá, deixei passar...