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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Câmbio e poupança revisitados

Recebi o comentário do Ed e achei interessante ampliar a discussão.

* * *
Alex,

Ver abaixo passagem da coluna do Delfim na Folha de hoje, explicando a fenomenal taxa de poupança da China. Sou simpático ao argumento e gostaria de saber sua opinião. Desculpe colocar isto no post do Giambiagi, que não tem nada com o assunto, mas na correria não achei lugar mais apropriado para postar.

"...2/3 do financiamento dos novos investimentos nas empresas é feito com recursos internos (aumento da taxa de lucro), ou seja, com a "poupança" acumulada depois que a produção encontrou sua realização (demanda!). Em lugar de continuar crendo em lorotas bem construídas por uma ideologia hegemônica -que como outras no passado- pretende-se "ciência", quem tiver interesse no assunto não deve deixar de ler o artigo "Rebalancing China's Growth", de Bert Hofman e Loius Kuijs, publicado no excelente volume "Debating China's Exchange Rate Policy" (2008). Vai entender as causas das variações e do crescimento da invejável "poupança" da China, a quem se atribui o seu crescimento virtuoso. Verificará que ela é, basicamente, resultado da espantosa taxa de lucro da própria indústria e não da filosofia de Confúcio... "

Eu um regime de controle de capitais eu acho que o argumento do Delfim é válido. Não é mais o caso do Brasil (mas é o da China). No nosso caso, com razoável mobilidade de capital, o negócio é flutuar o cambio e manter o controle sobre a política monetária (e não vice-versa, como demonstrado pela nossa própria experiencia pré e pós flutuação cambial). O problema do nosso regime atual é esta altíssima Selic de equilíbrio; e vc continua nos devendo aquele artigo explicando as razões! Eu já sei a resposta (crédito direcionado, política fiscal excessivamente expancionista etc) baseado nos posts do seu blog mas o assunto merece um artido mais organizado.

Grande abraço,
Ed
PS. Tem um outro blogueiro assinando como ED, maísculo, mas não sou eu!


Ed:

Vamos fazer as contas. Supondo que os números sejam corretos, 2/3 dos investimentos das empresas (e supondo que o investimento das empresas seja o total de FBCF - já relaxo esta hipótese) significa que a poupança via lucro responde por 2*(FBCF/PIB)/3 = 2*(30%)/3 = 20% do PIB. Sobraria metade da poupança (40% do PIB) que não se originaria de lucros acumulados.

Se o investimento corporativo for metade da FBCF (plausível, dado que boa parte é investimento em infra-estrutura, além de habitação), esta fonte de poupança explicaria algo como 10% do PIB, i.e., 1/4 da poupança nacional. É só um exemplo, mas fica fácil ver a sensibilidade do resultado às hipóteses acerca do peso do investimento corporativo. No caso mais favorável ao argumento metade da poupança agregada teria outras fontes.

Fora isto, para que o aumento da demanda se traduza em aumento dos lucros, é preciso que a produção possa aumentar, ou seja, que haja capacidade ociosa. Sem isto, não há como a produção crescer e o lucro só aumentaria pela redução do salário real (inflação, até que as expectativas passassem a incorporar a inflação futura).

O Delfim sabe economia, mas, em primeiro lugar, sabe exatamente a que conclusão quer chegar.

Abs

Alex

P.S. Ainda faço o artigo da Selic, mas preciso de evidências mais sólidas para suportar a hipótese.

Reações:

41 comentários:

Alex,

Os pos-keynesianos afirmam que o investimento gera a poupança, e não o contrário, como é do conhecimento convencional.
O Delfim (mais heterodoxo do que nunca)tem batido nesta tecla. Vc poderia explicar esta diferença conceitual?
Abç.
M.

Armínio Fraga, Domingo, 29 janeiro de 2006.

" Mas por que a inflação não cai mais com juros tão altos?

É extremamente difícil reduzir a inflação num país como o Brasil, no qual há pouco crédito, e o mecanismo de transmissão da política monetária é pouco poderoso. E, ao mesmo tempo, há o crescimento extraordinário do gasto público, e do próprio crédito, em função de inovações importantes, e boas a longo prazo, como o crédito consignado. Olhando tudo isso, era quase inevitável ter uma taxa de juros alta para atingir esse objetivo difícil. "

Trecho da entrevista com Armínio Fraga no estadão.

É natural que o Brasil tenha uma taxa de juros alta pelo seu passado inflacionário além da política de gasto público

"O Delfim sabe economia, mas, em primeiro lugar, sabe exatamente a que conclusão quer chegar."

Estah mais para Delfim sabe economia, mas sabe mais ainda quem paga as contas da consultoria dele.

Alex, a taxa de poupanca nacional da China estava em 54% em 2006, segundo o WDI do Banco Mundial. POrtanto, investimento deveria estar entao nos 44% para uma conta corrente de uns 10%.

M:

Os pós-keynesianos pegam um caso particular (uma economia com enorme disponibilidade de recursos não utilizados) e o tomam como aplicável a situações de relativa normalidade, ie, uma economia que opera tipicamente próxima da utilização plena dos recursos.

No primeiro caso a expansão da demanda pode gerar a poupança; no segundo caso não.

Anônimo:

Obrigado pela dica. Eu usei números que me foram passados por um economista chinês com quem estive na semana passada.

Jacob:

Acho que a expansão fiscal explica parte da história. O efeito do crédito me parece mais importante para a magnitude da variação de juros do que para o nível. Minha hipótese é que as taxas de crédito direcionado (BNDES inclusive) podem explicar a anomalia.

Alex você deve estar sabendo do novo pacote do Lula para aumentar a produção agricola.Ele pretende esse ano ou em 2009 ampliar 80 bilhões de créditos para os grandes agricultores.Não sei de onde esse dinheiro vai sair porque o Superavit primário ja estar apertado,com a Selic aumentando o custo da divida vai aumentar.
Segundo Lula essas medidas são para "conter a inflação" nos alimentos aumentando sua produção.




Quanto ao BNDS ele gera aumento da base monetária?Que eu saiba ele reçebe dinheiro em impostos para emprestar as empresas mais barato.Só haveria aumento da base monetária se o governo criasse moeda para injetar no BNDS abaixo das taxas de mercado (o que é difícil)ou o BNDS reçeber dinheiro via titulos públicos emitidos pelo governo.

Alex, ate posso nao entender de economia mas historia eu sei. Se dependesse do Luciano Coutinho e de outros hererodoxos esse trem de credito direcionado ia gerar uma crise igual a do Encilhamento na epoca do Rui Barbosa. Financiar S10 cabine dupla a TJLP num eh bom sinal.

O BNDES recebe recursos orçamentários, mas o impulso monetário vem das taxas muito abaixo de mercado.

Aliás, estava agora há pouco vendo o anúncio do cartão BNDES na Globo News. Também quero um desses...

Alex quando tenho tempo vejo conta corrente quando tenho tempo.George vidor pareçe um Bresser da vida.

Quanto aos recursos do BNDS se ele reçebe dinheiro do governo e repassa para empresas não estar gerando oferta monetária acredito eu que não tenha grande impacto na inflação mais tem impacto nas contas do governo,atrapalhando seu orçamento.

Jacob:

O BNDES oferece crédito à taxa de referência de 6,25% a.a., i.e., uma taxa real da ordem de 1,50% a.a.. Claro que tem efeito expansionista na demanda agregada.

A

No fundo, quando é o governo que controla o carimbo dos polpudos empréstimos, há um incentivo perverso para a captura dos que tomam as decisões pelos grandes empresários “amigos do rei”. E de fato, analisando os dados do BNDES, vemos que 75% dos desembolsos têm como destino as grandes empresas. Por outro lado, as empresas ficam reféns do governo, e limitam muito as pressões diretas por reformas necessárias. Além disso, o BNDES, através da BNDESPAR, possui participações acionárias em grandes empresas, como 20% do capital da Klabin, 33% da Light, 25% da Telemar e 10% da Coteminas, empresa do vice-presidente José Alencar. As participações societárias do BNDES, no final de 2007, tinham um valor de mercado de aproximadamente R$ 85 bilhões. Por que o governo deve ser, através de um banco de desenvolvimento, sócio de tantas empresas, num montante tão elevado? Simplesmente não há uma boa justificativa para isso.

O BNDES faz o desembolso da seguinte forma:

TJLP + Spread BNDES + spread agente distribuidor "s" (bancos)

6,25 + 1,00(fixo)+ 0,5< s <6,00

A taxa final é de 7,75% a 13,25%a.a. dependendo da instituição em que o contrato é feito.

Abs.

Ola gostaria de pedir sua ajuda seria possivel?

Estava vendo o programa GNT quando ve a opinião do economista Ricardo Amorim sobre os preços altos do petroleo nos EUA.

"Ricardo ve no programa que você defende o aumento de impostos para baixar o preço do petroleo.Mais aumento de impostos não tem efeito sobre os preços relativos ,seu efeito é maior mais nos preços absoluto.se você aumenta impostos sobre o petroleo não quer dizer que a demanda deles vai se reduzir.

"A demanda do petroleo se reduz via redução de oferta monetária,os preços altos do petroleo pode ser causado pela fuga de investidores de ativos em dolares para aplicar em ativos que protejam o patrimônio contra a inflação."

Ele me respondeu em um email.

"A menos que a demanda de um produto fosse absolutamente insensivel a seu preco, o que claramente nao e' o caso do petroleo, um aumento de preco leva a uma reducao de consumo. Aumento de imposto causa aumento de preco, que leva a queda de consumo.

Alem disso, um preco mais alto da gasolina favorece o desenvolvimento de teconologias alternativas de energia. Com menos consumo de gasolina e mais competicao com tecnologias alternativas de energia, o preço do petroleo baixa"

O aumento de impostos leva à redução do consumo, sem dúvida (a menos da hipótese já levantada da demanda completamente insensível [inelástica] a preços).

Resta saber se o preço (inclusive impostos) cairia também. A resposta é não, mas fica como provocação demonstrar o resultado. O preço líquido de impostos, sim, será, em geral, menor.

Por fim, se os tais desenvolvimentos que o Ricardo mencionou forem tais que a demanda por petróleo no longo prazo seja perfeitamente elástica, aí sim o preço (inclusive impostos) não aumentará (mas também não cairá).

Abs

Alex

Abs

Acho q o Ricardo Amorim, de tanto trabalhar com macro, esqueceu as aulas de micro.

Alex,

O artigo do Delfim cita o artigo "Rebalancing China’s Growth" de Bert Hofman e Louis Kuijs que realmente merece atenção.
http://www.iie.com/publications/papers/hofman1007.pdf
Principalmente a conclusão de que mesmo com essa taxa enorme de poupança essa taxa de crescimento não é sustentável e que a elevada participação dos lucros retido é sintomática da crescente desigualdade social chinesa, caminhando para os padrões latino americanos de desigualdade.

Alexandre pretendo esse ano prestar vestibular para economia.

Qual seria a melhor faculdade entre a Puc-RJ e FGV-RJ? Estava olhando o curriculo da FGV ele é mais quantitativo que o da PUC-RJ.Em qual faculdade de economia você se formou?
Hoje para trabalhar em mercado financeiro qual seria o melhor currículo?

Você terá uma excelente formação em qualquer uma das duas. Eu conheço mais gente da PUC-RJ, entre ex-colegas de doutorado, ex-colegas de BC e amigos. Acho a PUC uma tremenda escola e gostaria que meu filho (também fazendo vestibular este ano) estudasse lá, mas ele precisa achar o que queira fazer (e a Eleni não quer ele sozinho no Rio; para ser sincero, eu também ficaria muito preocupado).

Abs

Alex

Em 2009 irei via Shnat morar 1 ano em Israel. A universidade de Tel Aviv tem o curso de economia bom comparado com a Puc e GV ?

Tem um curso de economia provavelmente melhor até onde conheço.Acabei de checar o site e vi o Elhanan Helpman (emeritus, mas pode ainda estar dando aulas), Assaf Razin (idem) e Alex Cukierman (idem), além de gente do porte do Leonardo Leiderman, Ariel Rubinstein, etc. Belo departamento (mas eu não ficaria só um ano lá não)
Abs
Alex

Vou ficar 1 ano pelo Shnat,Irei para um kibutz.Depois tentarei entrar na universidade e estudar o curso de economia (tentar ser aceito).

Fça isto. Aliás, olhando de novo o site encontrei o Eddie Dekel, que foi meu professor em Berkeley. A barba já está enbranquencendo e acho que ele tem mais ou menos a miha idade. Brilhante...

Quando você foi fazer doutorado fora você precisou pagar cadeira de calculo a mais?Porque meu irmão preferiu fazer matematica pura na UFRJ do que economia mais por conta da base de calculo que é maior.depois ele pretende fazer mestrado em economia na Puc ou Gv.

Já havia um curso de matemática no primeiro semestre (aliás, foi o Eddie Dekel que deu o curso), mas eu estudei ainda no Brasil alguma coisa.

Acho que fazer matemática antes pode ajudar sim.

No Brasil eu estudei matemática primeiro com um grupo de amigos. Fizemos todo o livro do Chiang, que, se não é dos mais profundos, dota o leitor de uns 80% do que ele precisa saber em termos de otimização estática e equações diferenciais e a diferença.

Depois avancei na parte de otimização estática e dinâmica com o "Advanced Mathematics for Economists" do Peter Lambert (livro pouco conhecido, mas muito bom) e terminei com o "Matemática para Economistas" do Eden Gonçalves de Oliveira.

Em outro grupo usamos também o Intrilligator, mas é um livro que na época achei mais difícil (os tais Hessianos orlados...), embora cubra bem a parte de otimização estática e dinâmica.

Não tive boons cursos de matemática nem na graduação, nem no mestrado, mas acho que isto tem mudado muito.

De qualquer forma, meu propósito foi mais de me alfabetizar em técnicas matemáticas do que ser um economista matemático (coisa para a qual não tenho o menor talento). Com esta bagagem o doutorado ficou menos difícil.

E quando você faz suas projeções?não usa estatistica....

Nossa... aqui tem mais aula do que minha universidade :)))
um ótimo dia para vc Alex!
=*

Eu diria que nao existe grande correlacao entre saber matematica e sucesso no doutorado, alem do conhecimento basico de calculo e otimizacao.

A maioria dos programas oferece refresher courses de calculo e otimizacao antes do primeiro ano.

Para um candidato ao doutorado no exterior, diria que eh muito mais importante ter experiencia e exposicao ao trabalho de pesquisa, seja como assistente de pesquisa de algum professor, seja em alguma instituicao de pesquisa como o IPEA.

"O"

"O":

Acho que sim, mas, da mesma forma que é bom saber a língua antes de mudar para determinado país, também ajuda muito já dominar certas técnicas matemáticas antes de avançar em certos tópicos de Economia.

Mantendo a analogia, falar chinês perfeito não garante que você terá sucesso na China; ser um tremendo matemático não implica ser um tremendo economista. Mas que ajuda, ajuda.

Abs

Alex

Anônimo:

Eu só aprendi a econometria suficiente para passar. Sempre esqueci tudo 5 minutos depois da prova...Não que me orgulhe disto, pelo contrário, mas é um fato da vida.

Cibele:

Bom que goste. Apareça sempre.

Abs

Alex

Alex,

É só para parabenizá-lo pela sua maturidade e sinceridade ao falar de seus conhecimentos em econometria. Infelizmente as pessoa são muito orgulhosas para aceitar que não são "geniais" em tudo. Belo exemplo!

Abç.

M.

M:

Nem é tanta sinceridade. É que não consigo nem disfarçar...

Abs

Alex

Alex,

Li a coluna do Marcio Garcia no Valor de hoje sobre a relação entre especulação financeira e valorização dos preço das commodities (principalmente petróleo) e concordei com alguns pontos mas outros não. Como sempre frequento seu blog e não vi post sobre esse assunto, gostaria de saber sua opinião.

Vc acha q essa escalada dos preços das commodities é consequencia da especulação de investidores que buscam ativos não financeiros para fugir da crise do setor bancário americano? Ou seria explicada pelos fundamentos de oferta nã-crescente e incerta e damanda crescente principalmente dos BRICs, devido ao alto crescimento dos últimos anos e perspctivas reais de continuidade desse crescimento?
Ou nenhum dos dois? Ou combinação dos dois?

Ainda nesse assunto, vc acha q a solução seria os BCs aumentarem os juros? Vc acha q a solução proposta pelo Min da Faz de aumentar o crédito agricola pode ajudar aumentando a oferta(ou pode até piorar via aumento das pressões de demanda)?

abs

ED (Não sou o Ed)

Alex,

Você falou, falou e não disse nada sobre a faculdade onde você se graduou. Digo isso porque estudo lá na FEA-USP e gostaria de saber a sua opinião sobre o curso de lá. Pela minha experiência, vejo que o ponto forte da faculdade é o ensino da econometria e um pouco de macro. Vejo também como positivo o fato de ela não possuir um pensamento único, seja o ortodoxo (PUC-RJ e FGV-RJ) ou o heterodoxo (Unicamp e UFRJ), possuindo excelentes professores em ambos os espectros ideológicos.

Em relação à pós-graduação, a USP ao meu ver continua sendo referência nacional, tanto é que continua no topo da lista das avaliações do Capes. Ainda assim, fico tentado em ir para o Rio.

Abs

Caio

Alex qual sua opinião sobre econofísica?Fiz Física na USP com enfase em astrofísica e sistemas dinâmicos não lineares.Agora estou fazendo mestrado em fenomenos não lineares ,pesquisando a aplicação do coeficiente de hurst para previsão de inflação e calculo de ativos financeiro,Modelos Não-Gaussianos de Precificação de Opções ,caos e efeito das políticas monetárias sobre a formação de bolhas especulativa e crises econômicas.

Acho muito importante para um economista ter uma forte base matemática.Deveria aumentar a carga horária nos cursos de economia e acrescentar:

Calculo Integral e diferencial
1 ,2,3 e 4.
AL1 e AL2
Geometria Analítica
Equções Diferenciais Parciais
Equções Diferenciais Ordinárias
Processos Estoatisticos 1
inferências Estaticias 1
Analise De Regressão
Analise Das Séries Temporais
Calculo Numérico

EDP é importante para economia pois ela ajuda a desenvolver de forma muito útil a a transformação de integrais.O curso de EDO é excelente, porém para economista se torna útil por basicamente um teorema: o do ponto fixo, e algumas das ferramentas úteis, como Baker-Hausdorff-Campbell e Sturm-Liouville.

Os cursos de economia precisam de uma boa base matemática não é a toa que engenheiro bate economista,Alex você nunca procurou pagar cadeiras a mais para aumentar sua base matemática?

ED:

Eu escrevi hoje para o Márcio protestando por ele ter escrito o artigo que eu pretendia escrever, o que já diz muito sobre a concordãncia de visão.

Resumindo: não acho que seja especulação (exceto, talvez, pelo componente de taxa de juros baixa que poderia estimular uma redução da produção, mas não parece importante).

Os preços de commodities não-transacionadas em bolsa (minério de ferro e carvão por exemplo) tem subido muito (a BHP emplacou 96% de reajuste do minério para a Bao Steel), fenômeno que desqualifica a hipótese da especulação.

Por fim, fecho com o Krugman acerca do ponto sobre os estoques. Se houvesse especulação trazendo o preço para cima deveríamos ver estoques físicos aumentando e, pelo contrário, caem.

Quanto a aumentar a oferta de alimentos para combater a inflação é uma proposta que parte do diagnóstico equivocado (problema localizado, etc, etc). Não é isto que vai resolver o problema.

Caio:

Faz muito tempo que saí da FEA. Tenho amigos por lá e imagino que a escola continue tendo qualidades. Só que não acho que a presença de diversas correntes de pensamento represente respeito pela diversidade, mas sim a falta de um projeto acadêmico mais claro.

Abs

Alex

Caio eu não iría atras nem do Capes nem do MEC.O MEC conssiderao nivel do curso da Unicamp nivel "A" pergunte para Alex o que ele acha do "Nivel A" da Unicamp .O o Capes trata o nivel da Unicamp como nivel 5 e o da Puc-RJ como nivel 5.Sera que o mestrado delas tem o mesmo nivel? Por isso não recomendo se basear pelos orgãos goernamentais ,ouça a opinião de economistas sérios.
Basta ver o que a turma da Unicamp fez com o IPEA.

Jacob:

Quase tudo que você mencionou é ensinado no curso de economia (pelo menos nos sérios), em graus variados de profundidade. No doutorado avança-se em coisas que não se vê na graduação, como otimização dinâmica, cálculo estocástico e coisas do gênero.

Eu não conheço econofísica suficientemente para ter uma opinião a respeito, mas noto que - principalmente em finanças - a base matemática já usa este tipo de instrumento.

Acho bom economista ter uma forte bse matemática, mas - como já disse acima - isto não é garantia que seu trabalho será bom.

Por outro lado muita coisa boa se consegue com modelos relativamente pouco pesados em técnica (todo o trabalho do Krugman em comércio é de uma beleza ímpar, com investimento matemático modesto). Como esta sempre foi minha praia eu acredito que minha base matemática é (melhor dizer, foi) apropriada para o que eu quis fazer.

Se quisesse ir mais longe nesta seara teria mesmo que estudar mais.

Este comentário foi removido pelo autor.

Caro Alex: primeiro parabenizo o alto nível do blog (inclusive de muitos participantes). Vale a pena ler (distrai e ensina ao mesmo tempo).
Sobre a comparação Brasil e México (influência de variáveis na taxa básica): a) ACREDITO QUE A ANÁLISE DEVERIA COMEÇAR PELA COMPARAÇÃO DA TAXA DE JURO DE MERCADO (o ponto mais negociado da curva). A comparação mais correta é a diferença entre a básica e o ponto mais negociado da curva da taxa de juro de mercado. Os tributos sobre juros; b) a inflação e sua tendência, expecativas (olhar o retrato do momento é pouco); c) o % das importações em relação ao PIB (Brasil 9%, México 32%); d)relação Dívida PIB (Brasil 47%, México 30%); e) Poupança Interna (Brasil 19%, México 23%); i real (a diferença Brasil x México é adequada à diferença entre variáveis, + - 4 e 6.%).
LM