teste

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Números 10:16


Números é, talvez, o livro mais chato do Pentateuco. Enquanto o Gênesis e o Êxodo concentram algumas das histórias mais famosas (e fascinantes) da Bíblia, Números relata censos, impostos e outros assuntos em nada semelhantes à maravilha da Criação, à força do Dilúvio, ou à grandeza épica da fuga do Egito.

O Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do BC é também uma leitura aborrecida. Ao contrário do Relatório de Inflação que, longe de ser um thriller, ainda pode oferecer algumas emoções no que diz respeito à trajetória esperada da inflação e da taxa de juros, o REF lida com temas como testes de estresse, sistema de pagamentos e outros capazes de por para dormir os economistas mais disciplinados. Talvez por isso, da mesma forma que ocorre com o livro dos Números, quase ninguém lê o REF, o que é uma pena, pois há lá uma riqueza de informação, disponível no sítio do BC.

Dentre eles, o que mais me chamou a atenção é sua medida do spread bancário. Conhecia, como todos, as estimativas do spread bancário publicadas mensalmente na nota à imprensa referente à política monetáriae operações de crédito, cuja edição mais recente indica que o spread teria caído  a 24,7% em maio, enquanto em dezembro de 2011 estaria em 26,9%. São estes dados que alimentam a visão sobre os ganhos do sistema bancário.

O que raramente é dito, porém, é que tais estimativas são baseadas numa amostra relativamente reduzida tanto das operações de crédito como das fontes de financiamento dos bancos. Baseiam-se, ademais, nas novas concessões: se determinado banco concedeu um crédito de 2 anos para uma empresa e um valor equivalente em empréstimos de um mês para consumidores, o spread, naquele momento, será a média dos dois tipos de operações; no mês seguinte, apenas as operações de um mês serão contabilizadas, apesar dos recursos emprestados para a empresa continuarem gerando o mesmo fluxo de receitas.

Os dados do REF contornam estes problemas. Por um lado, englobam todo o universo de crédito bancário, incluindo, entre outros, o imobiliário e os repasses de recursos do BNDES. Da mesma forma, capturam todas as formas de financiamento do setor, de depósitos a linhas do BNDES, tomando o cuidado de excluir os principais efeitos da variação cambial sobre ativos e passivos do sistema.

Adicionalmente, ao invés de se limitar às concessões, o REF estima receitas sobre o estoque de créditos, assim como os custos de captação sobre o estoque de financiamento do setor.

Desta forma, tais dados mostram uma estimativa do spread bancário mais compatível com a rentabilidade efetiva das operações de crédito, assim como o custo real de captação dos bancos (notando, por exemplo, que recursos do BNDES ou do SFH custam tipicamente menos do que um depósito a prazo). Os resultados são mostrados no gráfico (“spread total”), revelando uma realidade bastante distinta daquela sugerida pelas estimativas da nota à imprensa (“spread parcial”).

Fonte: Relatório de Estabilidade Financeira

Com efeito, segundo o REF, o spread total teria ficado ao redor de 10% em 2011 (o último dado disponível), enquanto o spread parcial (acumulado em 12 meses, para fins de comparação) no mesmo período atingiu pouco mais de 27%, uma diferença da ordem de 17%. Entre junho de 2002 e dezembro de 2011 a diferença média entre as duas medidas de spread bancário foi pouco inferior a 14% ao ano.

Além disto, se é difícil discernir uma tendência clara do spread parcial (há momentos de queda assim como de elevação), a tendência do spread total desde o final de 2002 é inequívoca: redução persistente de pouco mais de 18% em 2002 para o supracitado 10% em 2011. Já o retorno dos bancos, segundo o REF, foi da ordem de 16,5% no ano passado, em linha com o observado nos anos anteriores e inferior os níveis que prevaleciam antes da crise. É bom, mas nada excepcional nos termos do setor corporativo brasileiro, principalmente se levarmos em conta que a alavancagem bancária costuma ser maior.

A imagem que emerge dos números é, pois, bem distinta (e mais entediante) do que a sugerida pela mitologia. Os spreads bancários não são tão gordos, nem crescentes, e o retorno dos bancos não é muito distinto do que se observa no restante da economia.

Moisés ordenou o recenseamento dos israelitas porque queria saber sua força militar (pouco mais 600 mil homens acima de 20anos, exagero para aquela época e mesmo em períodos posteriores). Se queremos entender o setor bancário, também temos que nos ater ao que os números dizem, mesmo que eles não digam aquilo que gostaríamos de ouvir.

Quanto?

(Publicado 5/jul/2012)

Reações:

52 comentários:

Parece que você respondeu em parte a velha pergunta: sobre porque os juros são tão altos? Porque a parte mais alta dos juros é contada várias vezes.

Só uma observação: minha filha leu a parasha Matot no bat mitzvah dela ano passado. e conseguiu encontrar algo interessante para dizer. Bom, como você diz, _quase_ ninguém lê números.

Ok...deve ser por isso que os bancos fazem o que querem com as tarifas bancárias, agora está explicado, como trabalham com margens não tão gordas como divulgado pela imprensa são obrigados a fazer receita através de outros canais. Trata-se de um oligopólio injustiçado.

"Ok...deve ser por isso que os bancos fazem o que querem com as tarifas bancárias,"
Qual é a relação com a informativa explicação sobre alguns números? Se for a favor dos maus a realidade deve ser escondida? Você só gopsta de ler coisas que corroborem com sua idéia?

Alex,

Você realmente acha que tal ganho não é elevado?

Veja bem, estamos frente a frente com o número e, minha sensação é que ele é alto demais...

Att,
TDX

Falando em juros, mas numa linha meio off topic . . . o que você acha disso aqui Alex?

http://blog.kanitz.com.br/2012/07/o-esc%C3%A2ndalo-da-taxa-libor-e-o-brasil-n%C3%A3o-vai-reclamar-.html#comments

Os banqueiros não são maus, os reguladores é que são péssimos.

totalmente off-topic:

Alguém viu isso?

http://www.valor.com.br/valor-investe/casa-das-caldeiras/2740258/inovacao-nordica-bc-decreta-juro-negativo

Alex, o BC da Dinamarca vai conseguir resolver o problema do "zero lower bound"?

Abçs
DMC

e, sobre o exército da tribo dos filhos de Zebulom, Eliabe, filho de Helom.

Juros negativos, não era ideia do Willem Buiter? Se alguém conseguir fazer isso, vão ser os dinamarqueses!

Parabéns. Interessante o artigo.
A definição de FASCINANTE para o Gênesis e o Êxodo é verdadeira (a primeira vez que li, ainda fortemente influenciado pela educação religiosa a que todas as crianças criminosamente são submetidas, fiquei maravilhosamente impressionado). É o que defini como pensamento mágico. Em economia temos a turma do pensamento mágico. A capacidade do homem em escrever maravilhas é inimaginável (a literatura é prova disto). O Livro dos Espíritos é uma prova da capacidade da imaginção do homem. Os milagres descritos nos evangelhos também. As narrativas sobre a atuação terrena dos espíritos, dos anjos, deus falar com os homens, é o máximo da capacidade dos homens em escrever pensamentos mágicos como se verdade fossem. Os homens mais cultos ficam a vida inteira escravos destes pensamentos. Os assuntos econômicos no Brasil até pouco tempo atrás eram parecidos com os escritos que defino como pensamento mágico. Fascinantes, mas mágicos. Lembro que um famoso economista escreveu um artigo falando que o dólar estava valorizando motivado pela atração de capitais motivado pelos juros internos altos (os juros altos eram uma verdade, a atração não, o assunto é complexo como o mercado). Eu sabia que naquele momento estava ocorrendo saída de capitais. Peguei uma estatística no BC e mandei para o escriba mostrando que há vários meses estava ocorrendo saída de capitais na conta financeira (o inverso do achava que estava ocorrendo). Mesmo assim o escriba continuou com outros pensamentos mágicos (escritos que contrariam as estatísticas e o pensamento racional). Reduziu muito, mas ainda existe.
Vários economistas escreviam (acredito que não mais escrevam) que os liberais eram contra toda forma de regulamentos (isto era quase semanal no Valor). Aí já não era pensamento mágico, era ignorância ou demagogia. Hoje ficaram mais cuidadosos com o registro das ignorâncias nos jornais (faz provas contra eles).

http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/07/inflacao-oficial-desacelera-para-008-em-junho-mostra-ibge.html

A hiperinflação chegando!

Pois é, mas se as linhas do BNDES entram na conta não é de espantar que o valor caia. O próprio Alexandre é um crítico habitual dos baixos juros praticados pelo Banco.

"A hiperinflação chegando!"

Em que planeta você vive?

"A hiperinflação chegando!"

"Em que planeta você vive?"

Acho que vc está sendo sacaneado...

"Pois é, mas se as linhas do BNDES entram na conta não é de espantar que o valor caia."

oportuna observação.

;^/

"Acho que vc está sendo sacaneado..."

Perspicaz... Conte para a mamãe...

Alex

Por que 10:16?

O capítulo 10 inicia no Sinai com o Senhor mandando Moisés fazer as trombetas de prata para convocar, reunir e comandar a partida do povo. Elas eram longas e retas, diferentes das de chifre, que eram curvas e usadas para anunciar o jubileu.

No dia 20 do segundo mês do segundo ano, levantou-se sobre a arca da aliança a nuvem que os guiou. E deu-se a partida.

Com o toque das trombetas, os primeiros a desacampar foram os filhos de Judá (10:14), Issacar (10:15) e Zabulon (10:16).

E no capítulo 11, começa a narrativa das murmurações de fadiga e de reclamações de só ter maná para comida. “Por que saímos do Egito?”. Tanta choramingação na porta da tenda enfureceu Moisés, que foi ter com Deus dizendo que não aguentava mais tanta encheção de saco, que se fosse para continuar assim ele preferia a morte e que, afinal, embalasse Mateus quem O pariu. Deus, na sua imensa sabedoria, mandou o Profeta ajuntar 70 anciãos para ajuda-lo na tarefa de levar o povo à terra prometida. E mais disse Deus a Moisés: que Ele mandaria tanta carne para saciar os desejos dos reclamantes que estes a comeriam até elas “vos saírem pelos narizes, e vos causarem enjoo”.

E foi aí que Moisés disse a Deus (11:21): “Isto é um povo de seiscentos mil homens de pé; e tu dizes: Eu lhes darei a comer carnes todo um mês?”

Assim, é em Números 11:21 que vemos a estimativa citada no post. E convenhamos, mesmo se fosse a metade, o número era mais do que suficiente para a exasperada dúvida de Moisés com Deus. Encurtando a história, Deus, que tudo pode, lançou cordonizes aos montes. O povo fartou-se a não mais poder e, como não existe almoço grátis, a conta veio em forma de praga. Morreu gente pra chuchu de indigestão. E aquele lugar entrou para história como os Sepulcros da Concupiscência, “porque ali sepultaram o povo, que tinha tido os desejos” (11:34). E dali, o povo partiu até chegar em Haserot.

No capítulo 12, é contada a história do ciúmes de Maria e de Aaarão. Mas esta é uma história que fica para uma outra vez. (Fonte: Bíblia Sagrada [católica]. Barsa, 1964)

Abs.

A mamãe não bancou estimativas de inflação alta, ela sabe o lugar dela.

Ué alexandre, mas vai colocar o crédito subsidiado na conta? O funding do banco vem do BNDES e é repassado a uma taxa um pouco maior, obviamente com um spread bem menor do que o praticado nas demais linhas (até porque nesse caso os riscos assumidos são diferentes). O mesmo vale para o SFH. O funding do banco é subsidiado (poupança e fgts) e o spread obviamente é menor.

Você vai me desculpar Alexandre, gosto da maioria dos seus posts mas esse daí foi bem fraquinho. Digno de um discurso do Mantega.

Abs,

L

Haha..era só o que falta; o blog agora foi invadido por religiosos. ê Brasil..

Eu gosto da passagem em que José interpreta o sonho do faraó e o ensina a fazer política anticíclica de verdade, ou seja, poupar nos 7 anos de vacas gordas para poder gastar nos de vacas magras.

Deve ter algum livro apócrifo onde outra pessoa interpretou o sonho de algum governante, e sugeriu ampliar o crédito desenfreadamente.

Não é 11:21. Está no censo das tribos, em 1:46

45 E feita a conta por casas, e por famílias, dos filhos de Israel, que tinham vinte anos e para cima, e que podiam ir á guerra; 46 acharam-se seiscentos e três mil e quinhentos e cinquenta homens."

E confirmado na passagem seguinte, que narra a ordem dos acampamentos, em 2:32

"Este é o número dos filhos de Israel, divididos em diversas turmas, segundo as suas casas, e as suas famílias, seiscentos e três mil e quinhentos e cinquenta."

A tribo de Levi foi recenseada à parte.

Alex, estudei em escola católica marista desde os nove aos dezoito anos. O post me levou a rever Números, o livro dos mandamentos e juízos de Deus dados por Moisés, depois de décadas, e não me pareceu que é essa chatice que você escreveu. O Profeta é mostrado em sua humanidade. Ele se enfurece, fica irritado e bate-boca com Deus, pensa em mandar tudo às favas e no final, devido à ofensa no deserto de Sin, resigna-se por somente contemplar Canãa. Histórias de ciúmes, guerras, traições e uma intrincadíssima genealogia das tribos, repartição de presas e de terras. Do Sinai ao Jordão, morreram todos os 650 mil e tantos homens, exceto Caleb filho de Jefone, e Josué, filho de Num, e que sucedeu Moisés. Aarão morreu no monte Hor, aos 123 anos!, no primeiro dia do quinto mês do quadragésimo ano.

Sim. Sua análise dos números do REF (nem imaginava que existisse um REF), foi muito esclarecedora.

Sobre a taxa LIBOR ... país colônia que não produziu um cientista profisisonal sequer de qualquer área do conhecimento... vive a reboque do que é inventado em outros países. Pena que Economia não é física newtoniana, onde as leis são iguais em todo o universo. desde 1700 e quebrados a Inglaterra controla o financismo no mundo... qual a novidade ?

Excluindo os bancos públicos, que vem sendo objeto de política monetária, regulatória, economica, etc; principalmente nestes últimos 4 ou 5 anos, será que esses números não se alterariam? Ou o peso relativo em relação ao todo é insignificante (Caixa, BB, BNDES, etc).

MF

O Paulo Araujo perdeu a linha hein...

Blz, sabe tudo da biblia, mas isso aqui eh um blog de economia...

Quantas projeções de inflação você ja acertou?

Disse que o IPCA iria fechar acima da Meta,porém a tendencia é de desaceleração conforme mostra o
IBGE.

"Quantas projeções de inflação você ja acertou?

Disse que o IPCA iria fechar acima da Meta,porém a tendencia é de desaceleração conforme mostra o
IBGE."

A maioria delas, incluindo o IPCA acima da meta nos dois últimos anos. E quando esta "tendencia de desaceleração" virar, quero ver se você vai ter coragem de aparecer por aqui para se penitenciar...

Sério, o que foi a fábula do Edmar Bacha no Globo de ontem, relacionando a evolução da macroeconomia ao Kama Sutra???

O que achou Alex,

RM

Agora tira o BNDES, sfh e outros direcionados subsidiados pra ver que bixo vai dar...

Anônimo: 9 de julho de 2012 11:20.

"a tendencia é de desaceleração [da inflação] conforme mostra o IBGE."

Você é economista? Se for, espanta mais ainda que não lhe tenha ocorrido fazer esta singela pergunta: "Como ficaria a dinâmica da inflação se os preços fossem calculados sem os impostos"?

Cristiano M. Costa fez post curto e direto, a partir da pergunta acima:

"O resultado do IPCA veio abaixo da expectativa do mercado. O IBGE calculou uma inflação de 0,08% em Junho de 2012. O que é mais um sinal de desaceleração da economia brasileira.

O que chama atenção é a causa deste valor baixo. Grande parte desse resultado se deve a redução de tributos sobre o preço final de veículos (http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/07/desaceleracao-na-inflacao-em-junho-teve-influencia-do-carro-zero-diz-ibge.html). O que é de certa forma intrigante. Ou seja, o governo está diminuindo impostos e isso reduz a inflação. Mas, o preço pode não ter caído por efeitos de oferta e demanda e sim porque calculamos o preço com impostos.

Caso calculássemos o preço do produto sem o imposto final, toda e qualquer variação de preço observada seria primordialmente fruto de mudanças na relação oferta e demanda.

Quem gostou do tema pode ler mais aqui": http://www.cristianomcosta.com/2012/07/verdadeira-causa-da-queda-da-inflacao.html

Anônimo says: 8 de julho de 2012 14:59

"mas isso aqui eh um blog de economia..."

Quanta sagacidade... :)

"O idiota da objetividade é também um cretino fundamental" [Provérbios, 14:18]

Prezados,

Talvez eu esteja errado, mas gostaria de dar um palpite nesse debate sobre a inflação atual.

De fato, o IPCA surpreendeu para baixo devido a redução de impostos sobre veículos. Mas ate ai morreu Neves...

Alguns meses atras, o IPCA apresentou resultado acima do esperado devido a elevação de impostos sobre o cigarro.

Inflações/deflações oriundas de alterações da política tributaria (fiscal) podem ocorrer (conforme visto) e nao ha problemas graves em se controlar inflacao tambem via impostos... A politica fiscal pode (e deve) auxiliar o BC sem pre que possivel (embora o objetivo agora nao tenha sido este).

OK, pode-se argumentar que a tributação ad-hoc distorce preços relativos, o que tem impacto na alocação ótima, etc... mas isso é outra discussão...

O que importa é que o IPCA, por enquanto, esta se mantendo bem comportado. Vamos ver se vai continuar assim... As expectativas nao rumam para bons horizontes, mas ai também já é outra mais uma outra historia...

Que pensas tu Alex?

BBM

BBM


Transcrevi o post e remeti para um link secundário. O link original para o post do Cristiano é

http://www.cristianomcosta.com/2012/07/verdadeira-causa-da-queda-da-inflacao.html

Outro dia vi uma entrevista com uma economista do IBPT num canal de televisão. Ela explicava como era complicado discriminar nas notas fiscais o que é imposto e o que é tributo, dado o emaranhado que caracteriza o nosso sistema tributário. Comparando, talvez seja mais simples entender a genealogia bíblica das doze tribos no Números...

Aqui um exemplo:

Com 33 alterações em normas tributárias por dia, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o que a maioria das empresas vivencia é um verdadeiro terrorismo fiscal.

Em meio a regras tão instáveis, complexas e antagônicas, amargamos o maior custo de conformidade fiscal e tributária em um ranking de 183 países, conforme estudo do Banco Mundial.

Nada de se estranhar frente a 27 legislações normatizando os tributos estaduais e cerca de 5.565 fazendo o mesmo nos municípios, sem contar as leis federais, muitas vezes contraditórias ao regulamentar dezenas de impostos e contribuições.

Para complicar ainda mais, decretos, portarias, instruções normativas e outros dispositivos infralegais promovem uma autêntica ditadura tributária, patrocinada por regras surgidas ao sabor de canetadas e frequentemente travestidas com o manto sagrado do benefício.

Dessa forma, a incrível competência em controle e arrecadação de tributos acabou gerando um intricado paradoxo: nossa competitividade é muito mais prejudicada pela ineficiência do sistema tributário do que propriamente favorecida por sua comprovada eficácia.

http://ibpt.com.br/home/publicacao.view.php?publicacao_id=14403&pagina=0

Paulo, todo imposto é, por definição, um tributo (aquilo que por dever, é entregue ao estado).

Quanto ao ICMS & benefícios, esse é uma zona mesmo.

E por falar na bíblia:

E foram os bois trinta e seis mil, dos quais foi o tributo para o Senhor setenta e dois.
Números 31:38

E foram os jumentos trinta mil e quinhentos, dos quais foi o tributo para o Senhor sessenta e um.
Números 31:39

A inflação está onde está somente por conta das desonerações? Tipo gol de mão, né? Então, findo o efeito de mudança de patamar, a dinâmica voltará a puxar a inflação pros 6% mesmo com crescimento ali pelos 2%/3% que deveremos ver lá pelo final do ano? A relação de causalidade entre crescimento e inflação foi pro espaço no Brasil? A inflação só preocupará se tivermos uma fuga de capitais (pouco provável) ou um forte crescimento cíclico já no segundo semestre de 2012, pois o emprego não terá tempo de afrouxar e portanto a capacidade ociosa estará muito baixa.
Maradona

O ICMS é um imposto não cumulativo, que por obrigação vem destacado na nota fiscal, qual é a complicação?

Jorge Browne

Maldita pressa.


Ela explicava como era complicado discriminar nas notas fiscais o que é imposto e o que é TRIBUTO

Deveria ter escrito

Ela explicava como era complicado discriminar nas notas fiscais o que é imposto e o que é preço.

Gostei da pergunta do Cristiano. Gostaria de saber o que os economistas pensam a respeito

No post, Cristiano comenta de passagem esse imbróglio que está no Congresso e não anda, ie, o PL que regulamenta a discriminação do imposto, como se faz nos EUA.

A economista do IBPT fez um comentário de ordem prática interessante a respeito: como, por exemplo, um varejista vai discriminar esse emaranhado na NF?

Ela corretamente, no entendimento que tive, disse de modo educado que esse PL no Congresso é bullshit.

Afif Domingos defende que pelo menos se faça um demonstrativo aproximado. Mas quem vai fazer isso? Isto é, qual metodologia?

O PL deveria regulamentar o artigo 150 da Constituição Federal, que determina a informação de quanto se paga de impostos em uma compra. Segundo Afif, a proposta conta com 1,5 milhão de assinaturas de apoio à aprovação

Abs.

Se fizer o cálculo desagregado de bancos públicos e bancos privados, os resultados de spread e retorno sobre PL dos últimos vão para a estratosfera. BNDES e CAIXA estão operando com funding subsidiado e spread "subsidiado", jogando as médias para baixo. Idem para o retorno sobre o PL.
Você é mais sofisticado do que isso, Alexandre...

Caro Alex, o que você acha do comentário do Gabriel Palma: " E se embora a dívida interna siga sendo um peso, parte do legado tóxico de Gustavo Franco, o setor público está relativamente equilibrado enquanto que a Argentina está mais vulnerável a mudanças bruscas tanto por sua situação de reservas como pela situação do setor público, tão dependente do setor externo"? Um abraço.

"E se embora a dívida interna siga sendo um peso, parte do legado tóxico de Gustavo Franco"
O legado não foi do GF e sim dos administradores do Banerj, Banespa. Enquanto um se descabelava numa "batalha" outros roubavam com caminhões.

Alex,

Pq a economia brasileira está patinando?

Hj dei uma olhada na serie de termos de troca da Funcex e ela está bem favorável a nós...

Abç
Marcio

Sobre inflação, o interessante é que o IPCA vindo, praticamente, sem variação, não faz as previsões sobre o PIB subirem. Algo mágico deve estar ocorrendo.

O PIB, segundo as previsões, até do próprio BC, terá variação abaixo da inflação. Então virá abaixo da inflação.

E uma famosa analista econômica, disse, hoje, em comentário no rádio, que "tudo está indo no caminho certo". Não está e não foi contestada e isso assusta.

Ainda não deu para entender essa tolerância com a inflação, que a analista econômica considerou baixa, fechando acima do PIB.
E pior, muitos afirmam estar a economia "estável".
Antigamente chamavam inflação acima do PIB de estagflação, num grande pais subdesenvolvido. Agora, num grande país emergente, a mesma situação, é chamada de estabilidade...

Anônimo-11 de julho de 2012 12:39.

E ninguém falou dos custos financeiros de aportes em estatais, nos custos financeiros que incidem em desembolsos para manter a estrutura do governo inchada e gastadora e por ai vai.
|Termo de troca podem até estar indo bem em alguns momentos. Mas, o que sobra depois dos custos?

se há, praticamente consenso sobre a falta, notadamente, de investimentos, pode-se deduzir que os custos superam, em muito, o aspecto, em tese favorável dos termos de troca.
Por isso a economia está patinando.

E a resenha continua ...

Em O Globo de hoje, JMPM (PUC-RJ) defende seu famoso artigo sobre BF x criminalidade.

Será que ainda há fôlego?

Abs,
TDX

dúvida metodológica que não foi possível sanar lendo as explicações do BACEN:

se o cálculo do spread no REF é feito com base na receita, por definição o efeito da inadimplência já é retirado, assim como o dos impostos sobre operações financeiras etc.
Nesse caso, parte da diferença entre os dois spreads é explicada não pela ampliação do universo, mas pela eliminação de duas componentes: impostos sobre operações e inadimplência.

"Se fizer o cálculo desagregado de bancos públicos e bancos privados, os resultados de spread e retorno sobre PL dos últimos vão para a estratosfera. BNDES e CAIXA estão operando com funding subsidiado e spread "subsidiado", jogando as médias para baixo. Idem para o retorno sobre o PL."

Ah, tá... E como é mesmo que isso não afeta o cálculo do spread bancário divulgado mensalmente?

Esta é uma batalha inglória, os bancos operam com muita gordura, de resto é espremer os números para obter o resultado que cada um quer.

"Ah, tá... E como é mesmo que isso não afeta o cálculo do spread bancário divulgado mensalmente?"


Obviamente que afeta, mas a questão que o post levanta é que as taxas de retorno no Brasil são baixas e estão em linha com o resto do mundo. Se o estudo tivesse eliminado esse enorme viés que existe no Brasil poderíamos ver mais claramente a "real" situação dos bancos.

Abs,

L

Ps: o anônimo em questão não era eu.

Na verdade não se pode concluir os retornos dos bancos com base no spread total, pois é muito (muitooooo) distorcido pelo BNDES e SNH, o spread parcial apesar de tais problemas apontados é sim o que mais se aproxima da realidade dos bancos universais.

Como as operacoes subsidiadas desses bacos se incluem no conceito de credito direcionado, elas nao entram na amostra mais restrita do calculo mensal do spred. Exemplo: operacoes com recursos do sfh.